RAMAYANA

O Ramayana é uma das mais importantes obras literárias da Índia antiga, ao lado do Mahabarata. Esse épico conta a história de Rama em sua luta contra o Rei demônio Ravana.

Tudo começa com Ravana conseguindo com o deus Brama, após uma penitência de dez mil anos, o poder de não ser morto por deuses, demônios ou espíritos. Daí Ravana começou, com a ajuda dos seus auxiliadores do mal – os Rakshasas – a devastar a terra e fazer violência ao bem, especialmente aos brâmanes (os religiosos indianos), perturbando os seus sacrifícios. Todos os deuses, assistindo a essa devastação, foram a Brama para reclamar. Então Brama – que não podia revogar o que foi dado a Ravana – foi ao deus Vishnu (Narayana) e pediu que ele encarnasse na terra como um humano para destruir Ravana, porque Ravana não havia pedido proteção contra humanos ou bestas nos seus desejos a Brama.

Então Vishnu reencarna como Rama, o herói da história, um ser que é retratado como a representação da Virtude na Terra. Ele é um príncipe popular, adorado por todos, mas é forçado por seu pai a renunciar ao seu direito ao trono por quatorze anos e entrar em exílio. Neste exílio, Rama mata o rei demônio Ravana.

Dentro deste livro temos coisas das quais já tratei neste site, como os Vimanas (veículos voadores) e a Ponte do Sri-Lanka (que de fato existiu!).

Acontece que topei com o canal do Youtube da Natália Cruz Sulman, onde tem uma série de vídeos sobre o Ramayana com Danillo Costa Lima, doutorando em Filosofia (PUC-SP), pesquisador de Proclo e o Neoplatonismo Tardio. Ele, que segue a religião hindu, nos fala sobre várias passagens, mas duas delas capturaram minha imaginação:

A primeira é a que fala sobre Ravana, um asceta do Mal. É possível uma ascese demoníaca?

É possível uma ascese demoníaca?

Confesso que me lembrei imediatamente dos Sith, especialmente o Palpatine, que seguiu por um caminho de ascese (o código Jedi) mas o corrompeu no meio do caminho para os seus propósitos.

Também lembrei do Rasputin, que começou como Padre, seguindo o caminho para Deus e depois deturpou esse caminho para servir ao seu hedonismo (aliás, não muito diferente de outros homens “Santos” ou com “poderes divinos”).

Danillo também conta a interessantíssima história de Guha, que mostra a devoção pelo desprezo (ou ódio). Uma fábula que ilustra bem como nós podemos ficar tão ou mais ligado a algo pelo ódio do que pelo amor, e que esse ódio pode contar até mesmo como uma forma de devoção torpe:

Guha, Nietzsche e a devoção por ódio

Então cuidado com o que odeia, pra não se tornar um “devoto”.

5 6 votes
Avaliação
Subscribe
Notify of
guest
2 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
Veja todos os comentários

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.