PAI NOSSO

Os textos bíblicos, como os Salmos e orações, já são bonitos por natureza, mas ficam ainda mais belos quando se é feita uma tradução cuidadosa, sem amarras religiosas ou limitação dogmática da interpretação. Nossa tradução da Bíblia pro português infelizmente é pobre e limitada, como já vimos aqui nos trechos do livro Analisando as traduções bíblicas, de Severino Celestino da Silva. Pois bem, esse autor, em uma palestra realizada no dia 27/06/2004, leu e comentou para nós uma tradução do Pai Nosso mais próxima do seu sentido espiritual, baseado em um texto hebraico de uma escola cristã alemã para judeus convertidos:

Pai nosso dos céus.
Santo é teu nome.
Venha o Teu Reino.
Tua vontade se fará na terra, como também nos céus.
Dá-nos hoje parte do pão.
Perdoa as nossas culpas quando tivermos perdoado a culpa dos nossos devedores.
Não nos deixes entregues à provação, porque assim nos resgatas do mal.

Amém

Lindo, não? E surpreendentemente muito parecida com a versão encontrada no livro O Evangelho Aquariano, que supostamente seria uma transcrição dos Arquivos Akáshicos (registros gravados no éter, de tudo o que acontece no planeta):

“Na manhã seguinte, antes do nascer do sol, Jesus e os doze foram a uma montanha perto do mar para rezar; e Jesus ensinou aos doze discípulos como orar. Ele disse:
A oração é a comunhão íntima da alma com Deus; Por isso, quando rezardes, não vos enganeis como fazem os hipócritas que gostam de andar pelas ruas e sinagogas vertendo seu palavreado para agradar os ouvidos dos homens. E ostentam ares piedosos para conseguir admiração dos homens. Buscam o louvor dos homens e têm recompensa assegurada. Mas quando orardes, recolhei-vos no interior de vossa alma; fechai todas as portas e, no santo silêncio, orai. Não precisais dizer um monte de palavras, nem ficar repetindo frases como fazem os gentios. Dizei apenas:

Nosso Pai-Deus que estás no céu, santo é o teu nome. Venha a nós teu reino; seja feita a tua vontade assim na terra como no céu. Dá-nos o pão de que necessitamos hoje; Ajuda-nos a esquecer o que os outros nos devem para que nossas dívidas possam ser canceladas. E protege-nos das seduções do tentador, demasiado grandes para que consigamos resistir-lhes; E quando vierem, dá-nos força para superá-las.

Se quiserdes ser isentados de todas as vossas dívidas para com Deus e o homem, as dívidas que contraístes por transgredir conscientemente a lei, deveis esquecer as dívidas de todo homem; pois o que fizerdes aos outros Deus fará convosco.
E quando jejuardes, não anuncieis o fato. Quando os hipócritas jejuam, empalidecem o rosto, mostram-se recatados, assumem um ar piedoso para mostrarem aos outros que estão jejuando. O jejum é um ato da alma e, como a oração, é uma cerimónia do silêncio da alma. Deus jamais deixa uma oração ou jejum passarem despercebidos. Ele caminha no silêncio, e suas bênçãos repousam em cada esforço da alma.
Simulação é hipocrisia, e não deveis aparentar o que não sois.
Não podeis vestir-vos com trajes especiais para alardear vossa piedade, nem tampouco assumir o tom de voz que os homens consideram santo.
E quando ajudardes aos necessitados, não toqueis trombetas pelas ruas, nem na sinagoga, para apregoar vossa dádiva. Quem dá esmolas buscando o elogio dos homens, recebe dos homens sua compensação; Deus não o leva em consideração.
Quando fizerdes caridade, não deixeis que a mão direita saiba o segredo da esquerda.”


É muito diferente daquela “coisa” que as pessoas mandam por e-mail como a “tradução do original em aramaico do Pai Nosso“, feita por Neil Douglas-Klotz e retirada da Peshitta, uma bíblia do Novo e Velho Testamento usada pela igreja do Leste (Síria), escrita em Aramaico. Embora a maioria dos estudiosos em Aramaico concordem que essa bíblia é uma tradução (e adaptação) do grego, uma minoria acha que é o contrário, que o Novo Testamento deles é que é o original e mais fiel, só porque essa era a língua que ele falava. Infelizmente a desinformação prevalece, e o pior: não satisfeitos com o floreamento do texto, ainda inventaram uma versão mais “apapagaiada” da oração, acrescentando frases ridículas (do ponto de vista da humildade cristã) como “para que caminhemos como Reis e Rainhas com todas as outras criaturas“.

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