O MESTRE

Nos últimos anos tem havido nos movimentos espiritualistas um processo de “canonização” de personalidades esotéricas muito similar ao ocorrido na Igreja Católica, onde pessoas como Escrivá de Balaguer, Pio IX e Nicolau II viraram “Santos”, com auréola e tudo…

Antigamente, os santos não precisavam ser canonizados por autoridade eclesiástica: O próprio povo os venerava como exemplos de vida. Assim são os verdadeiros Mestres.

Tendo Jesus entrado no templo, e estando a ensinar, aproximaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, e perguntaram:
Com que autoridade fazes tu estas coisas? e quem te deu tal autoridade?
Respondeu-lhes Jesus: Eu também vos perguntarei uma coisa; se me disserdes, eu de igual modo vos direi com que autoridade faço estas coisas. O batismo de João era do céu ou dos homens?
Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: do céu, ele dirá: Por que não crestes? Mas, se dissermos: Dos homens, todo o povo nos apedrejará; pois está convencido de que João era profeta.
Responderam, pois, a Jesus: Não sabemos.
Replicou-lhes Jesus: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.

Mat 21:23-27 / Luc 20:1-8

Notem que Jesus estava falando com as principais autoridades eclesiásticas de seu tempo!! A autoridade surge do povo, de baixo para cima, na escala social, que geralmente é inversamente proporcional à escala moral e espiritual.

Mas o ser humano sempre foi carente de libertadores, sempre ficou esperando que façam por ele aquilo que ele mesmo não é forte para fazê-lo. Esquecem das lições do Mestre Jesus, que dizia: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível.” O Mestre é um facilitador, não um libertador. Guru é uma palavra em sânscrito que significa literalmente: Aquele que dispersa a escuridão. Isso não significa que devamos abolir os Mestres. Fazer isso seria admitir que não estamos na escuridão (estaríamos, então, já iluminados?), mas não devemos nos esvaziar e colocar nossos medos e anseios em uma religião, grupo, guru ou mestre espiritual. Estaremos apenas adiando o inevitável: o confronto com nós mesmos.

Sempre fui muito reticente quanto a esses “Mestres da Nova Era”, que mais parecem uma empresa privada, com diretor, gerente, relações-públicas, etc. Atualmente o Jesus (que é conhecido agora por Sananda) está tirando as férias de Buda na direção da Terra. Olha que maravilha encontrei aqui:

“No plano interno do Departamento do Segundo Raio estão três gigantescas e complexas edificações com vastos jardins. Eu atuo no primeiro piso do Departamento do Segundo Raio na Hierarquia Espiritual com Joanita e outros mestres. Mestre Kuthumi, o Chohan do Segundo Raio, e DK agem no segundo piso. Lord Maitreya, o Cristo Planetário, atua no terceiro piso! O Departamento do Segundo Raio está focado na “Educação Espiritual” de todos os trabalhadores da luz na Terra e ligado ao Raio Planetário do Amor / Sabedoria de Deus.”

Será que essa empresa tem ações na bolsa? E vejam essa:

“…posteriormente me foi revelado ter sido escolhido pela Hierarquia para ser o próximo Orientador Espiritual Mundial no ciclo dos próximo 2000 anos, da mesma maneira que Jesus / Sananda tinha ocupado este cargo durante o ciclo anterior. Em data posterior, Lord Maitreya o Cristo Planetário que trabalha no mesmo raio do Cristo, perguntou-me se eu aceitaria ocupar sua posição quando ele ascender para seu próximo Cargo na Hierarquia Cósmica! Após profunda meditação junto ao Lord Maitreya e Mestres Ascendidos eu concordei!”

Ele ainda fez um doce… ahahhah Acho que ele perguntou: Vou trabalhar com carteira assinada? Terei férias, décimo-terceiro?

Esse tipo de coisa é um desserviço à espiritualidade, e não me admiraria se fosse um plano dos que controlam essa “Matrix” pra continuar mergulhando as mentes na ignorância, distraindo os incautos que buscam a Luz em qualquer canto com um neon colorido: “Iluminação sem esforço AQUI“.

saint germain

Saint-Germain é atualmente um dos mais famosos Mestres da Nova Era. Deve ser por causa do bigode. Ou por causa da “chama violeta”, que é um processo de queimar o karma ruim das pessoas, que funciona mais ou menos como a “fogueira santa de Israel“, de uma certa seita evangélica. Pessoas adoram se livrar dos problemas da forma mais fácil. Não que não funcione… eu mesmo gosto de fazer uma tradição familiar no São João, que é jogar na fogueira vários papeizinhos onde ficam escritos problemas como “azar”, “doenças”, etc. É algo que envolve programação linguística… A mente é uma ferramenta fenomenal que, às vezes, precisa de uma boa ação física para ser melhor direcionada (as bruxas e macumbeiros que o digam).

Os Sete Raios são bem interessantes em sua proposta original, da Fraternidade Branca, de serem os raios energias compostas de um certo padrão e que funcionam como molas propulsoras para a nossa evolução (Algo como a influência dos signos). Ou, como foi muito bem exposto num site que saiu do ar: “Corresponde aos 7 Caminhos Ocultos, que cada alma e personalidade precisa percorrer, aprender e neles se aperfeiçoar, em cada uma de suas características. Deste modo, cada experiência em cada um dos 7 raios é um meio para alcançar uma expansão espiritual cada vez maior, atingir a perfeição humana e a unificação com a Luz, a iluminação das leis do Karma e da reencarnação obrigatória na Terra“. Só que as pessoas preferiram cultuar a empresa Sete Raios Inc. do que mergulhar na proposta filosófica da coisa…

saint germain mestre

Mas, depois que li a reportagem da revista Superinteressante sobre Saint-Germain, passei a admirar esse evoluidíssimo ser de luz, que hoje posso chamar de O MESTRE:

O MULHERENGO IMORTAL

Espião, alquimista, diplomata do rei Luís 15: nada disso fez a fama do conde de Saint-Germain. O que lhe trouxe sucesso foi descobrir o segredo da imortalidade

Por Álvaro Oppermann; Publicado na Edição 218 da revista Superinteressante (10/2005)

A França vivia dias agitados. Era 1789, início da Revolução Francesa. Perto de Paris, a condessa d’Adhemar recebeu um bilhete: “Encontre-me na Igreja da Recoleta.” Ao chegar, o misterioso autor não era outro senão o conde de Saint-Germain, morto havia 5 anos. E ele, que já teria 80 anos, não aparentava mais de 45.

Essa é apenas uma das histórias sobre o conde de Saint-Germain, personagem do século 18 venerado por diversas ordens esotéricas e tido como imortal. Em compensação, há quem duvide que tenha existido. Bem, vamos aos fatos.

O filósofo Rousseau e o político Horace Walpole o conheceram. Chegou à corte francesa em 1743, com passado nebuloso. Alguns duvidavam da autenticidade de seu título nobiliárquico. Era um virtuose do violino, mestre da alquimia e de outras ciências ocultas (modas na época). E tinha grande lábia. Não demorou a conquistar a confiança do rei Luís 15. A sua fama de dom-juan e uma suspeita de falsificação de jóias entretanto macularam sua imagem. Em 1746, teve de desaparecer.

Voltou a dar as caras em Versalhes em 1758. O rei o enviou a missões de espionagem na Inglaterra, Holanda e Áustria. Na Itália, virou amigo de Casanova, que se transformou em seu parceiro de farra. Para toda bela mulher, revelava possuir o elixir da eterna juventude. O truque funcionava especialmente com jovens da corte e criadas crédulas. Acabou, porém, desvirginando a filha de um nobre que o estava hospedando. Achou melhor sumir de novo.

Depois, foi avistado diversas vezes na Europa, sempre com nomes diferentes: conde de Tsarogy, conde Welldone, marquês de Montferrat. Na época, já estava em decadência. Foi tido como charlatão na corte do rei Frederico da Prússia ao dizer que transformava chumbo em ouro. Supostamente, morreu amargurado em 1784.

Algo enigmático entretanto ocorreu: diversos nobres passaram a relatar encontros misteriosos, sempre sem testemunhas, com o conde. O filósofo Voltaire dizia que ele era de fato imortal. Altos dignitários de sociedades secretas atestavam que seus poderes alquímicos eram reais. A fama do conde de Saint-Germain não parou de crescer. Talvez o enigma do conde seja insolúvel. Saint-Germain, em algum lugar, deve estar sorrindo frente ao nosso espanto.

Grandes momentos:

• Nasceu supostamente em 1709, em local incerto (para alguns, no entanto, ele era contemporâneo de Cristo).

• Em 1762, ajudou os irmãos Orloff (ver Quem Foi, edição 212) a colocar Catarina, a Grande no trono da Rússia.

• Supostamente morreu de pneumonia na Alemanha, em 1784.

• Teria sido visto em 1835 em Milão e em 1867 no Egito. A teosofista Anne Besant disse tê-lo encontrado em 1896.

• Há quem diga que vive ainda hoje na cidade holandesa de Usselstein, onde é engenheiro ambiental.

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