MITOLOGIA NÓRDICA

Richard Wagner – Entrance of the Gods into Valhalla

A mitologia nórdica (também chamada de mitologia germânica, viking ou escandinava) se refere a um conjunto de crenças e lendas dos povos escandinavos, incluindo aqueles que se estabeleceram na Islândia, onde a maioria das fontes escritas para a mitologia nórdica foram construídas. Como veremos, sua influência se estendeu por toda a Europa, especialmente na Inglaterra, onde pudemos apreciá-la em obras como O Senhor dos Anéis e Harry Potter. Mas meu primeiro contato com essa mitologia foi mesmo com os gibis de Thor. Neste post vou falar da cosmogonia nórdica, e de como os mundos estão estruturados, para depois falar mais dos personagens e suas lendas. Uma coisa que percebi é que há muita confusão entre nomes de lugares e raças, então procurei compilar o máximo de informações, e o resultado abaixo é o que me pareceu ser o mais confiável:

CRIAÇÃO

No início havia o Nada (Ginnungagap), que remete à noção grega do “Caos”. Um imenso vazio, que se estendia até o Norte, a Terra do Gelo (Niflheim), e o Sul, a Terra do Fogo (Muspell). Separadas pelo Nada, essa forças de frio e calor, contração e expansão, estavam inertes. Até que Deus, o Criador de todas as coisas, aquele que não tem nome e que é citado apenas na Criação e no fim dos tempos, respira, e suas baforadas unem frio e calor, formando flocos de neve que foram se aglutinando até formar o primeiro ser: um gigante de gelo chamado Ymer, que deu origem a vários outros gigantes. Essas criaturas alimentavam-se do leite da vaca primordial Auðhumla que, por sua vez, alimentava-se lambendo o sal dos blocos de gelo. Numa dessas lambidas revelou-se a forma de uma nova criatura, cuja raça ficou conhecida como Aesir. Esse primeiro Aesir se chamava Buri, que teve (não sei como) um filho, Bor, que se casou com a filha de um dos gigantes e assim tiveram três lindos e importantes filhos: Odin, Vili and . Esses três são simplesmente a Santíssima Trindade Nórdica, pois eles detêm o poder de trazer ordem ao Caos. Eles matam o gigante Ymer, dilaceram suas formas e com seus restos ajudam a compor o Universo (especialmente nosso mundo).

YGGDRASIL E OS 9 MUNDOS

Yggdrasil

No centro do Nada está uma gigantesca árvore chamada Yggdrasil, o eixo dos nove mundos. Suas imensas copas chegam aos céus, podendo dessa maneira sempre estar banhada por uma luminosa nuvem que orvalha Hidromel (a bebida favorita dos deuses, que garantia a eles a longevidade), que tem por função revitalizar automaticamente a imensa árvore. Os galhos mais altos serviam de moradia ao Galo de Ouro, que tem a responsabilidade de guardar os horizontes e denunciar aos deuses a aproximação de seus eternos inimigos, os Gigantes. Abaixo do galo, mas ainda no topo, há uma águia (Hraesvelg) que, ao bater de suas asas, produz o vento que sopra por todos os mundos.

Abaixo da águia temos Asgard (Terra dos Aesir), governado por Odin e sua esposa, Frigga. É lá que fica o Valhala (Salão dos assassinados), local onde os guerreiros Vikings eram recebidos após terem morrido com honra em batalha. Metade das almas passam seus dias no Valhala treinando em combates e desfrutando de grandes banquetes e orgias à noite. Elas formam o “Exército das Almas Vivas”. A outra metade segue para Folkvang, o palácio de Freyja.

Também nos galhos se encontra Vanaheimr (Lar dos Vanir), que são uma outra categoria de deuses, ligados à fertilidade, prosperidade, sabedoria e capacidade de ver o futuro (enquanto os Aesir são mais guerreiros e ligados à magia). Há muita rivalidade entre esses dois tipos de deuses.

Ainda no alto, temos Álfheimr, o Lar dos Elfos. É onde vivem os elfos luminosos, criaturas de beleza inenarrável. Brilhantes como o Sol, vestem-se de forma delicada e transparente. São amigos de homens e deuses.

Midgard

Odin e seus irmãos usaram o corpo do gigante Ymir para criar Midgard (Terra Média), o mundo dos homens, situado em volta do tronco de Yggdrasil. A carne de Ymir se tornou a terra. O sangue formou lagos e oceanos. Dos ossos, formaram-se as montanhas. Seus dentes e fragmentos de ossos são as pedras. Os cabelos formaram árvores. O crânio de Ymer formou o céu, e foi sustentado no alto por 4 anões, chamados Norðri (Norte), Suðri (Sul), Austri (Leste) e Vestri (Oeste). Midgard está unida a Asgard por uma ponte em forma de arco-íris, chamada Bifröst. Construída pelos Aesir, era guardada pelo deus Heimdall, que nunca dormia.

Heimdall de vigia na ponte Bifrost

Jötunheimr é a Terra dos gigantes. Quando Ymer morreu, o derramamento de sangue foi tão volumoso que acabou afogando quase toda a raça de gigantes (que viviam no início dos tempos). Salvaram-se apenas Bergelmir e sua mulher, que fugiram num barco e chegaram à montanha de Jötunheim, onde fundaram uma cidade chamada Utgard, separada da terra dos homens pelo vasto oceano (que é protegido/circundado pela serpente Jörmungandr, que é tão grande que toca o próprio rabo, como o Uroboros).

Muspelheim (Terra do fogo) é o lar dos demônios de fogo (que acabaram sendo a inspiração para o Balrog de Senhor dos Anéis), liderados por Surtur.

Nas raízes de Yggdrasil está o mundo de Svartalfheim (Lar dos elfos escuros). Eles são a contraparte decadente dos elfos luminosos, e vivem no subterrâneo, pois o Sol pode transformá-los em pedra. O termo elfo “escuro” pode ser uma sugestão em relação ao seu lugar de residência, muito mais do que de sua natureza presumida, embora fossem descritos como mesquinhos e incômodos para seres humanos. Assim como os anões, os elfos escuros cresceram a partir das larvas da carne de Ymir, mas os anões vivem no subterrâneo de Midgard, em Nidavellir (os Campos escuros). Os elfos escuros são, freqüentemente, apontados como responsáveis por muitas das maldades que ocorrem à humanidade. Daí a palavra alemã para pesadelo: Albtraum (sonho de elfo).

Niflheimr (Terra das névoas) é um mundo de gelo eterno, onde vivem os anões e o reino dos Nibelungos. Baseado nessa mitologia, o compositor Richard Wagner não só compôs como escreveu a história de sua ópera Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo). O centro desta história é um anel mágico, que foi forjado pelo anão Alberich (o Nibelungo do título), cuja posse garante poder sobre todo o mundo. Diversas personagens míticas lutam por 3 gerações pela posse do objeto, incluindo Wotan, o chefe dos deuses. Qualquer semelhança com O Senhor dos Anéis não é mera coincidência (embora Tolkien diga que não). É dito que as raízes mais profundas da árvore Yggdrasil estão enterradas em Niflheimr. Lá existe um dragão chamado Nidhogg, que guarda uma fonte mágica e fica roendo as raízes da árvore com o objetivo de a destruir, mas existem vários animais que distraem Nidhogg, e um deles é o esquilo Ratatosk. É ele que alimenta a troca de insultos entre Nidhogg e águia que fica no topo dos galhos de Yggdrasil.

Ironicamente é nas profundezas de Niflheimr (e não na Terra do fogo) onde fica a coisa mais próxima do inferno na mitologia nórdica: Helheimr (Lar de Hel). Mergulhado em perpétua escuridão, e guardado pelo gigantesco cão Garm, Helheimr é governado por Hel (ou Hela), deusa da morte, e é pra lá que as pessoas vão quando morrem sem glória, doentes ou com idade avançada, além de crianças e mulheres. Ao contrário do que sugere a associação com a palavra Hell (inferno) em inglês, em Helheimr (também conhecido como Helgardh) não há senso de punição para os mortos. Helheimr é um mundo dentro de um mundo (de Niflheimr), o reino mais frio e baixo na ordem total do universo, abaixo da terceira raiz do Yggdrasil.

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PERSONAGENS

Agora vamos conhecer um pouco mais os personagens principais, os seres e a escatologia do povo Viking, e como eles influenciaram até os dias da semana:

ODIN

Em vez do Viking Badass das histórias em quadrinhos, o filme do Thor optou por transformar Odin em destaque de escola de samba. VAI, LACRAIA!

Odin (ou Woden) é o deus Todo-Poderoso da mitologia nórdica. Seu nome deriva da palavra Óðr, que em norueguês arcaico significa Fúria, Excitação, mas também Poesia e Mente. Odin era o deus da sabedoria; ele atirou um de seus olhos no Poço de Mimir em troca de um gole de sabedoria; ele também se enforcou, pendurando-se na árvore cósmica Yggdrasil por 9 dias, apenas para obter o conhecimento do mundo dos mortos (e de lá nos trouxe as Runas), sendo revivido depois por magia. Odin se mantinha informado sobre os acontecimentos de toda a Terra através de seus dois corvos, Hugin (Pensamento) e Munin (Memória). A mitologia de Odin compartilha características com a do deus romano Mercúrio, e do deus celta Lugus. Nas batalhas Odin é quase sempre representado com a sua lança Gungnir na mão, com seu cavalo de oito pernas Sleipnir, com seus dois corvos e dois lobos – Geri and Freki – de cada lado. O símbolo rúnico de Odin é o Valknut, composto por três triângulos entrelaçados, que é usado até hoje como escudo do time de futebol da Alemanha.

A quarta-feira possui o nome Wednesday nos países anglo-americanos porque deriva do inglês arcaico Wodnesdæg (Dia de Woden), que por sua vez é baseado no latim “Dia de Mercúrio”.

Outro dado interessante sobre Odin é que ele pode ter iniciado o folclore do Papai Noel. De acordo com Phyllis Siefker, na festa de solstício de inverno (conhecido como Yule) Odin cavalga os céus no seu cavalo Sleipnir, e as crianças enchem suas botas com cenouras, açúcar ou feno, e a deixam próximo à lareira para alimentar o cavalo em sua jornada; em agradecimento, Odin deixava doces e presentes nas botas. Diz-se que a prática sobreviveu até a cristianização dos vikings, e após isso Odin foi associado a São Nicolau. Odin também se disfarçava de andarilho, com um cajado, e nessas ocasiões usava o nome Vegtam; Tolkien admite que baseou o seu personagem Gandalf (de O Senhor dos Anéis) nesta versão disfarçada do deus nórdico.

FRIGGA

Frigg ou Frigga é a personificação do feminino no mito nórdico. Ela é a esposa de Odin, mas também atua como mãe e conselheira. Possui o poder de profetizar. Sua história carrega consigo muitas semelhanças com a de outra deusa nórdica, Freyja, que é esposa do cabeça dos Vanir, Odhr (Louco, Furioso), que por sua vez traz similaridades com Odin. O nome das duas compartilha a mesma raiz Frijjo (Amada, Dama), e estudiosos crêem que o mito delas têm origem numa remota deusa germânica do amor, que pode ser associada a deusa Vênus. Tanto que o nome sexta-feira, no inglês, é Friday porque é o “dia de Frijjo”, ou seja, o Dia da Dama (ou seja, o dia das mulheres acontece toda semana na Noruega! SEXTOU!).

MIMIR

Pelas profundezas de Jötunheimr (Terra dos gigantes) passa uma das raízes principais de Yggdrasil, que termina numa Fonte que traz sabedoria e inteligência àquele que bebe de sua água. Ela era guardada por Mimir (Aquele que pensa). Embora algumas obras o coloquem como deus da sabedoria, Mimir pertencia à raça dos gigantes, e era famoso por sua inteligência e prudência. A Fonte é tão cobiçada que Odin não hesitou em trocar um de seus olhos por um pouco dessa água. Mimir foi decapitado durante a guerra entre Aesirs e Vanirs, mas Odin não se fez de rogado e passou a carregar sua cabeça pra lá e pra cá, de forma a consultá-la em momentos críticos.

THOR

Thor é filho de Odin com Fjörgyn (Terra), e é o deus do trovão. É o mais forte dentre os deuses, e por isso mesmo está associado a Júpiter e Hércules. Sua esposa é Sif, a deusa da colheita, com quem teve uma filha, Thrud (Força); já na união com a giganta Jarnsaxa Thor teve os filhos Magni (Forte) e Modi (Raivoso). A arma de Thor é um martelo mágico chamado Mjolnir, que nunca erra o alvo e sempre retorna às suas mãos. Ele usa luvas de ferro mágicas (Járngreipr) para segurar o cabo do martelo, e o cinturão Megingjard para dobrar sua força. Thor percorre os céus numa carruagem puxada por dois bodes chamados Tanngrísnir e Tanngnjóstr, e diz-se que quando ele passa nessa carruagem as montanhas tremem (o que origina os trovões) e os céus ficam em chamas (que são os raios).

O Reino de Thor em Asgard é Thrudheimr, onde ele recebe no salão Bilskirnir os pobres, depois que eles morrem. Os anglo-saxões e escandinavos deram o nome de Thor ao quinto dia da semana, Thursday, corruptela de Thor’s day (Dia de Thor).

Nos anos 60, Odin decidiu que seu filho precisava de humildade, e mandou-o à Terra sem memórias, no corpo de Donald Blake, um estudante de medicina manco e fraco. Após graduar-se, seu passado divino é revelado e ele passa a partilhar as duas identidades, e a defender a Terra de todo o mal (Ok, essa última parte não é da mitologia nórdica, e sim da mitologia nerd, mas achei por bem compartilhar com vocês).

LOKI

Loki é um exímio FPD, um autêntico trickster que está entre as figuras mais complexas da mitologia nórdica. Deus do fogo, da trapaça e da travessura, também está ligado à magia e pode assumir a forma de vários animais – exceto de aves – e outros seres. É considerado o inventor da rede de pesca. Loki não pertence aos Aesir – embora viva com eles – e sim aos gigantes. É considerado um símbolo da maldade, traiçoeiro, de pouca confiança e, embora suas artimanhas geralmente causem problemas a curto prazo aos deuses, estes frequentemente se beneficiam, no fim, das travessuras de Loki. Sua criatividade é muitas vezes usada para lidar com situações sem esperança, e é respeitado até mesmo por Odin (Segundo um poema, Loki e Odin misturaram seus sangues, tornando-se assim irmãos). Thor gostava da companhia de Loki, apesar do talento desse embusteiro para colocar ambos em confusão. É provável que conceitos cristãos, introduzidos mais tarde na Escandinávia, acabaram por destacar apenas suas piores características, já que ter um “vilão” com quem se relacionar (e temer) é bastante didático para o ensinamento do dualismo cristão.

Loki é casado com Sigyn, e com ela teve dois filhos: Nari e Narfi. Em outra época foi casado com a giganta Angrboda, com quem gerou 3 criaturas monstruosas, assustadoras e maléficas: o lobo Fenrir, a grande serpente Jörmungandr e Hel, a deusa do mundo dos mortos. Loki é uma influência para personagens como o Coringa (do filme Batman: Cavaleiro das Trevas) e pode ser associado a outras mitologias, como Exu, Hermes, Mercúrio e Didi Mocó.

FENRIR

Fenrir é um lobo gigante que tem dois filhos: Sköll (Traição) e Hati (O que odeia), que vivem em eterna perseguição a Sól (Sol) e sua irmã Máni (Lua). É filho de Loki e irmão de Jörmungandr e Hel. Todos os deuses o temiam por conta da “Profecia dos Völva”, que dizia que ele, assim como seus irmãos, iriam trazer problemas aos deuses no Ragnarök. Assim, Odin lançou Jörmungandr nas profundezas dos oceanos e enviou Hel para os subterrâneos (Niflheimr), enquanto ordenou que os Aesir tomassem conta do lobo Fenrir. Com o passar do tempo, o monstro cresceu cada vez mais forte e preocupou os deuses, por isso eles pensaram em acorrentá-lo.

Entretanto Fenrir era realmente temível, e ninguém o faria à força. Por isso propuseram um desafio: pediram, num misto de bajulação e troça, que o lobo testasse sua força com uma certa corrente de ferro que os deuses fizeram, chamada Leyding. Fenrir julgou que aquela corrente não estava à altura de sua força, e então deixou que os deuses o amarrassem. No primeiro chute Fenrir a quebrou. Tempos depois os deuses fizeram um segundo grilhão, duas vezes mais forte, cujo nome era Drómi. Disseram a Fenrir que, se ele quebrasse essa nova forma de engenharia, alcançaria grande fama pela sua força. Fenrir considerou que a corrente era muito forte, porém que sua força também havia aumentado desde que ele quebrou Leyding, e que ele deveria enfrentar alguns riscos se fosse pra ficar famoso. Fenrir então permitiu que eles colocassem o grilhão para, com um pouco mais de trabalho, despedaçá-lo.

Por fim, Odin pediu ajuda aos anões e eles fizeram um grilhão mágico chamado Gleipnir, que era macio como a seda e foi feito com ingredientes muito especiais.Os deuses então levaram Fenrir para uma ilha deserta e o desafiaram a quebrar Gleipnir. Estranhando que a corrente era muito delicada, e suspeitando de uma armadilha, o lobo concorda, mas com a condição de que um dos deuses pusesse a mão em sua boca, como sinal de “boa fé” (como garantia de que, se ele não se libertasse por si só, fosse solto pelos outros). Obviamente nenhum deles se ofereceu de imediato. Percebendo o impasse, um deus se adianta para o sacrifício:

TYR

Tyr (ou Tiw) era o único deus capaz de alimentar o lobo Fenrir. Conhecido por sua coragem, ele encara o desafio (descrito acima) e enfia a mão direita entre as mandíbulas do lobo, enquanto os outros deuses o amarram com Gleipnir. Tyr já não pode soltar-se, e Fenrir inicia a tentativa de quebrar as correntes, só que dessa vez quanto mais o lobo fazia força, mais Gleipnir apertava-se em seu pescoço. Furioso, ele fechou vigorosamente suas enormes mandíbulas e decepou a mão de Tyr. Fenrir se debatia e uivava de ira por ter ficado aprisionado, e vendo isso todos riram (exceto Tyr, claro, que perdera a mão). Tyr ainda teve a oportunidade de se vingar, escorando com uma espada a boca do lobo aberta, para que ele não fizesse tanto barulho. E assim Fenrir ficou acorrentado até a chegada do fim dos tempos.
Tyr passou a ser chamado de “a sobra do Lobo”, que é uma metáfora poética para designar Glória. Tyr é tão foda que na língua nórdica seu nome significa “deus”, e até hoje quando o sufixo “tyr” é usado no nome de alguém, este refere-se a um deus (ex: Hangatyr é um dos nomes do Odin, e significa deus dos enforcados). Tyr também virou nome de dia da semana. Como ele foi associado ao deus romano Marte, nossa terça-feira, que em latim originalmente é chamada Dies Martius (Dia de Marte) se tornou em inglês Tiw’s Day = Tuesday (Dia de Tyw).

FREYR E FREYJA

Ambos são irmãos, filhos do deus do mar Njörd. Freyr é o Deus da paz e da fertilidade, da chuva e do Sol, enquanto Freyja é a deusa do amor e da fertilidade, da batalha e da morte. Os porcos eram sagrados para ela, pois montava um javali de batalha com cabelos dourados (Gullinbursti). Uma carruagem puxada por gatos era outro dos seus veículos. Freyja tinha o privilégio de escolher metade dos heróis mortos em batalha pra compor seu grande salão em Fólkvangar (as Valquírias levavam a outra metade para Valhala). Assim como a deusa egípcia Ísis e a Afrodite grega, Freyja viajou pelo mundo em busca de seu marido perdido, enquanto derramava lágrimas de ouro.

Richard Wagner – Cavalgada das Valquírias

AS VALQUÍRIAS

Valkyrja (As escolhedoras de mortos) são belas jovens que, montadas em cavalos alados e armadas com elmos e lanças, sobrevoam os campos de batalha escolhendo quais guerreiros, dentre os mais bravos recém-abatidos, entrariam no Valhala. Elas o faziam por ordem e benefício de Odin, que precisava de muitos guerreiros corajosos para a batalha vindoura do Ragnarök. Podem ter inspirado a lenda das Amazonas da mitologia grega.

Estudiosos apontam que o conceito original de Valquíria pode ser o de demônios em forma de mulher que rondavam os campos de batalha para devorar os corpos dos mortos, e que só depois desenvolveu-se em belas mulheres guerreiras, a ponto de caracterizarem-nas como apaixonadas pelos heróis de guerra. De qualquer forma, as Valquírias adquiriram certa ambiguidade, pois ao mesmo tempo em que todo guerreiro aspira ir ao Valhala após a morte, nenhum quer ser o “escolhido da vez” no campo de batalha.

As Valquírias foram eternizadas na segunda música mais famosa de Richard Wagner, em sua ópera “O Anel do Nibelungo”: A Cavalgada das Valquirias (Die Walküre). Música esta que você provavelmente está ouvindo ao fundo, se apertou o play no tocador. Wagner consegue captar toda a aura da tensão, excitação, terror e glória de uma cavalaria alada se aproximando majestosamente de um campo de batalha (imagine-se como um pobre soldado!). Essa melodia ficou entranhada na cultura pop moderna após ter sido magistralmente utilizada no filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, na cena em que um esquadrão de helicópteros (a versão moderna das Valquírias) ataca uma vila vietnamita.

HEL

Hel ou Hela é filha de Loki com a giganta Angurboda. Sabendo o quão problemática ela viria a ser no futuro, Odin a enviou para Niflheimr e deu a ela autoridade sobre os nove mundos, no sentido de abrigar os mortos. Se tornou então a personificação da morte, e seu domínio em Niflheimr passou a se chamar Helheimr (Lar de Hel), que ficou associado ao inferno após a cristianização dos nórdicos. Este inferno era simplesmente o mundo abaixo da terra para onde iam os homens depois de sua morte, mas não era um lugar de castigo (embora nem sempre fosse legal viver por lá). A metade de seu rosto era de cor clara, e a outra metade enegrecida.

OS HUMANOS

Descendemos… DISTO?!

Nós somos uma criação dos deuses Odin e outros dois deuses. Um dia os três percorriam Midgard, quando se depararam com duas árvores – um Fresno e um Olmo – arrancadas pela raiz. Os deuses colocaram-nas de pé, e então Odin deu-lhes o alento e a vida, Vili deu-lhes um cérebro e sentimentos e Vé deu-lhes ouvidos e visão. E assim foram criados o homem e a mulher. Puseram no homem o nome Ask, e na mulher Embla, e deles descenderam todos os seres humanos.

O historiador romano Tácito, em seu livro Germania, atribui uma outra origem aos germânicos. Eles descenderiam de Tuisto (Duplo), uma criatura cujo nome sugere ser hermafrodita (talvez seja até o próprio gigante Ymir) e que deu origem a Mannus (Humano), que teve três filhos que deram origem a cada uma das três tribos alemãs: os Ingevones, os Hermiones e os Istvaeones.

OS ELFOS

Os Elfos eram espíritos de estatura menor que a dos Homens, formosos e bem formados. Viviam em sociedade e tinham reis aos quais eram muito fiéis. Eram em geral serviçais, mas às vezes podiam ser malignos. Temiam a luz solar e fugiam dos homens. Dançavam à luz da Lua, e se algum homem visse esta dança ficava para sempre prisioneiro da beleza das elfas, incapaz de afastar a vista.

OS ANÕES

Sua inteligência e habilidade como ferreiros e artífices eram prodigiosas, sendo capazes de construir objetos mágicos, como o martelo de Thor, e belas jóias. Fisicamente não eram formosos. Viviam sempre perto dos lugares onde havia metais preciosos. Acreditava-se que possuíam importantes tesouros ocultos nas profundezas da terra, onde viviam. O tesouro mais famoso foi o anel do rei dos Nibelungos. Siegfried se apoderou dele após vencer o anão Olberich, que o guardava.

No compêndio de mitologia nórdica Edda em prosa está descrita a origem de alguns itens mágicos forjados pelos anões:

Nesta história Loki, entediado, corta só de sacanagem o cabelo dourado de Sif, a esposa de Thor. Ao descobrir, Thor fica furioso e ameaça quebrar todos os ossos de Loki, que então pede a Thor permissão para ir a Svartalfheim, o Reino dos Anões, para ver se esses mestres artesãos poderiam criar um novo cabelo para Sif.

Chegando lá, os anões conhecidos como Filhos de Ivaldi forjam não apenas uma nova cabeleira para Sif, mas também duas outras maravilhas: Skidbladnir, o melhor de todos os navios, e Gungnir, a mais mortífera de todas as lanças. Tendo cumprido sua tarefa, Loki permanece nas cavernas com a intenção de causar confusão. Ele então se aproxima dos irmãos Brokkr e Sindri e zomba deles, dizendo que ele tem certeza de que os irmãos nunca poderiam forjar três criações iguais em calibre às dos filhos de Ivaldi, mesmo apostando sua cabeça contra a falta de habilidade deles. Brokkr e Sindri, sendo anões orgulhosos, aceitam a aposta e começam a criação de três maravilhas.

A primeira começa com Sindri colocando uma pele de um porco na forja e dizendo a Brokkr para trabalhar o fole sem parar até seu retorno. Loki, disfarçado de mosca, vem e morde Brokkr no braço para garantir que os irmãos percam a aposta. No entanto, Brokkr continua bombeando os foles conforme solicitado. Quando Sindri retorna e tira sua criação do fogo, sai de lá um javali vivo, com cabelos dourados, a que eles chamam de Gullinbursti. Esta criatura lendária brilha no escuro e corre melhor do que qualquer cavalo, mesmo através da água ou do ar.

Em seguida, Sindri coloca ouro na forja e dá a Brokkr a mesma ordem. Loki volta lá e morde o pescoço de Brokkr, ainda como mosca. Brokkr, no entanto, continua trabalhando os foles, apesar da dor. Da forja sai um anel magnífico chamado Draupnir. Deste anel, a cada nona noite, oito novos anéis de ouro de igual peso emergem.

Finalmente, Sindri coloca ferro na forja e repete sua ordem anterior. Loki chega pela terceira vez e morde Brokkr na pálpebra, uma mordida tão profunda que tira sangue. O sangue corre nos olhos de Brokkr e o obriga a parar de trabalhar no fole apenas o tempo suficiente para enxugar os olhos. Quando Sindri retorna, ele tira Mjölnir da forja. O cabo é mais curto do que Sindri havia planejado (e é por isso que Thor usa o martelo com uma mão só). No entanto, os anões têm certeza do grande valor de seus três tesouros e dirige-se a Asgard para reivindicar a cabeça de Loki.

Só que Loki se adianta e vai a Asgard entregar os presentes que os quatro anões fizeram, pra bajular os deuses. Para Thor ele deu a nova cabeleira de Sif e o martelo. A Odin, o anel Draupnir e a lança Gungnir. Para Frey ele dá Skidbladnir e Gullinbursti.

Por mais agradecidos que os deuses estivessem, todos concordaram que Loki ainda devia sua cabeça aos irmãos. Quando os anões se aproximam de Loki com facas, o deus astuto ressalta que ele lhes prometeu a cabeça, mas não o pescoço, acabando por anular o acordo. Brokkr e Sindri se contentaram em costurar a boca de Loki e voltar à sua forja.

OS GIGANTES

Os gigantes estavam distribuídos por todo o mundo, como os anões. Podiam viver na terra, junto ao mar, e havia também gigantes do fogo (a quem se atribuía os fenômenos vulcânicos) e do gelo. Podiam metamorfosear-se e não hesitavam em enfrentar até mesmo alguns deuses, enquanto outros eram seus amigos ou colaboradores, como Mimir. A crença entre os germânicos em anões, gigantes, trolls e demônios subsistiu e se mesclou aos símbolos cristãos. Há lendas nas quais alguns destes gigantes inclusive se converteram ao catolicismo.

A ALMA

Os germânicos acreditavam que a alma era algo material, que podia falar, mover-se, agir e inclusive tomar formas distintas. Esse “outro eu espiritual” era chamado Fylgja, e ainda que permanecesse em íntima relação com o corpo, podia separar-se dele e adotar outra forma, por exemplo a de um animal. Mas, se alguém ferisse ou matasse esse animal, a pessoa apareceria ferida ou morta em sua casa.

OS ESPÍRITOS DOS BOSQUES

Os bosques para os germânicos estavam povoados de numerosos espíritos. Os que viviam nos árvores eram imaginados como seres peludos, cobertos de musgo e com a cara enrugada como a casca de um tronco. Em geral eram pacíficos e serviçais, mas se tentava prejudicá-los, tomavam a forma de insetos e molestavam (ou mandavam enfermidades para) os homens.

AS NORNAS

No centro da árvore Yggdrasil há um buraco oco, onde habitam três sábias que passam os dias a fiar em suas rocas o destino da humanidade. Essas deidades são as Nornir (ou Noiras) Urd, Verdandi e Skuld, responsáveis pelo passado, presente e futuro, respectivamente. São representadas pela anciã, a mãe (mulher madura) e a virgem. Urd é muito velha e vive olhando para trás, por sobre os ombros. Verdandi é uma mulher madura e olha sempre para o presente, e Skuld é a virgem que vive encapuzada e possui um pergaminho fechado que contém os segredos do futuro. São simbolizadas pela roda em movimento, e possuem uma tremenda semelhança com as Moiras da mitologia grega. Inspiraram também o anime Ah! Megami-sama!“.

AS FADAS

Além da idéia de que o destino em geral era algo decidido pelas Nornas, os nórdicos/germânicos acreditavam no destino individual. E este destino seria regido pelas fadas. Ao nascer uma criança as fadas vinham à cabeceira da cama dela para cobri-la de venturas ou de desgraças, e para dar-lhe um porvir de acordo com sua própria sina já traçada. Esta idéia seguiu vigente e se instalou nos contos populares, como em A bela adormecida.

BALDUR

Deus da luz, filho de Odin e de sua esposa Frigg. Era tão belo que sua presença enchia tudo de claridade. O mais sábio e amado dos Aesirs era a alegria de todos. Mas um dia começou a ter pressentimentos funestos. Sua mãe, para acalmá-lo, fez todos os seres jurarem que nenhum deles jamais faria mal contra ele, o que tornou-o invulnerável a tudo e a todos. Para demonstrar isso, os deuses, estando em uma festa, começaram a lançar-lhe todos os objetos que encontraram, inclusive suas próprias armas, sem que nada lhe fizesse dano. Loki então se transformou em mulher e perguntou a Frigg se era verdade que havia convencido todos os seres da Terra. Frigg, incauta, lhe disse que fizera jurar todos, menos uma pequena planta (visgo), que lhe pareceu tão débil que não acreditava ser necessário submetê-la a juramento. Loki saiu da sala, arrancou o visgo, e com o talo e a raiz fez uma flecha. Voltou a reunir-se com os deuses e, aproximando-se de Hod (irmão de Baldur e único dos deuses que, por ser cego, ainda não havia atirado nada), animou-o a arremessar a flecha com um arco. Hod o fez, e a débil flecha atingiu Baldur no peito, atravessando-o e deixando-o morto ali mesmo. Todos os deuses ficaram tristes, e só não mataram Loki por estarem em um lugar consagrado à paz. Louca de dor, Frigg perguntou aos deuses se algum deles queria descer ao mundo dos mortos para tratar de convencer Hel (a deusa da Morte) a lhe devolver o seu filho. Hermod, também filho de Odin, desceu e Hel lhe disse que, se todos os seres do mundo estivessem de acordo que Baldur voltasse, o deixaria ir. Mas que se houvesse um só ser no mundo que se negasse, não poderia devolvê-lo. Os deuses começaram a perguntar a todo mundo, e todos os seres derramavam lágrimas por Baldur. Todos, exceto uma giganta chamada Thonkk, que vivia em uma cova. Os deuses lhe rogaram que concordasse, mas ela disse que nunca em sua vida havia recebido favor algum de Baldur, e que Hel conservasse o que tinha. A giganta sem coração era na verdade o FDP do Loki disfarçado!! Baldur então não pôde voltar ao mundo dos vivos. Os deuses colocaram o corpo de Baldur em seu gigantesco barco e fizeram um funeral viking. Acredita-se que ele retornará após o fim dos tempos, para governar uma nova Terra juntamente com os filhos de Thor.

Quando os deuses descobriram que a giganta era Loki, eles ficaram muito putos e acorrentaram o safado às rochas com uma serpente acima dele. Dela caíam gotas de veneno em sua cabeça. A esposa de Loki, Sigyn, sentou-se junto a seu marido e ficou coletando o veneno com uma taça, mas de tempos em tempos a taça enche e ela tem de esvaziá-la, o que faz com que gotas do doloroso veneno caiam em Loki. Isso causa tamanha dor que toda a Terra treme com o seu grito, gerando assim os terremotos ocasionais. Loki libertar-se-á na época do Ragnarök (Crepúsculo dos Deuses), para liderar demônios e gigantes numa luta contra os deuses. Este evento é equivalente ao nosso Apocalipse.

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RAGNARÖK (O CREPÚSCULO DOS DEUSES)

Esta expressão significa, originalmente, destino fatal, fim dos deuses (Ragnarök). Mas a partir do século 12 os escritores nórdicos substituíram esta expressão pela de Ragnarökkr, onde rökkr quer dizer Obscuridade, Trevas, Crepúsculo, e daí a expressão alemã Götterdämmerung (Crepúsculo dos deuses), que se tornou popular por ser a quarta parte da ópera de Wagner O Anel do Nibelungo. Os germânicos não acreditavam na eternidade das coisas: mesmo os deuses tinham de morrer. E a destruição deles estava prevista dentro da própria história, ou seja, os personagens sabiam mais ou menos o que ia acontecer, por meio das profecias.

O ocaso dos deuses começa com a decadência moral dos mesmos, o que desencadeará um período de violência e guerras tanto para os homens como para eles. Diz-se que irmão matará irmão, e os homens não terão nenhum traço de piedade entre eles. Outros sinais marcarão o período: Midgard passará por três invernos rigorosos, que se seguirão sem nenhum verão entre eles; então, o inverno dos invernos (Fimbulvetr) estabelecer-se-á; isto será o começo do fim. Os lobos Sköll e Hati finalmente conseguirão devorar Sól e sua irmã Máni (Lua). A escuridão passará a reinar; as estrelas se desprenderão do céu e cairão; todos os mundos tremerão; as árvores serão arrancadas pela raiz e todos os materiais serão desfeitos. Assim, Loki conseguirá fugir de seu cativeiro e irá buscar refúgio junto aos gigantes de gelo, convencendo-os, juntamente com os demônios de fogo e o exército de mortos de Hel, a uma peleja travada contra os deuses. O lobo Fenrir também conseguirá fugir da mágica corrente Gleipnir e se juntará ao pai na mais temível batalha de todos os tempos.

Essa batalha começa ao som de Giallar, a trombeta de Heimdall – o guardião da ponte Bifrost – que ecoa nos nove mundos, alertando os deuses e Heróis do perigo iminente. Numa ação furiosa dos demônios de fogo de Muspelheim, a ponte Bifrost é destruída sob os cascos dos cavalos. Os deuses Aesir, Vanir e Einherjar se unem para deter a onda de ataque na planície de Vigrid, que se estende diante do Valhala. À frente deles está Odin, empunhando sua lança, mas eis que ele – justo ele – se torna a primeira vítima dentre os deuses, encontrando a morte nas mandíbulas do temível lobo Fenrir. Furioso, seu filho Vidar corre para vingá-lo, e pisa na mandíbula inferior do lobo, jogando-o ao chão. Ele então agarra a mandíbula superior e rasga ao meio a boca da fera, matando-a instantaneamente.

Os opostos se enfrentam e se anulam. O deus Feyr morre nas mãos do gigante Surt, e Thor, que se atraca com a serpente Jörmungandr, consegue afundar o crânio do monstro com o poderoso Mjolnir, mas só consegue dar nove passos após a batalha, morrendo sufocado por conta do veneno expelido pela serpente moribunda. Loki e Heimdall matam um ao outro no campo de batalha. A Tyr cabe a tarefa de matar Garm, o cão dos infernos. A luta é feroz, e usando de toda a sua habilidade Tyr consegue, com apenas uma mão, derrotar a fera, mas à custa de muitos ferimentos, vindo a morrer logo em seguida.

Surt, o gigante de fogo, transforma todos os nove mundos num inferno de chamas, que consomem deuses, gigantes, anões, elfos e homens. A Terra afunda no oceano, e o Universo se torna um imenso braseiro. Este é o fim de um ciclo e o começo de outro. Dos restos do Velho Mundo surge um novo. As águas baixam e revelam novas montanhas, rios e planícies. Do grande Fresno Yggdrasil novos raios de luz virão dos céus, pois Sól conseguiu dar à luz uma filha, antes do lobo Sköll engoli-la. Os filhos dos Aesir e Vanir, sobreviventes ao Ragnarök, se encontrarão em conselho na planície Ida, onde antes havia Asgard. Lá estarão Vidar e Vali, os filhos de Odin, e os filhos de Thor que herdarão Mjolnir, o martelo mágico. O amado deus Baldur e seu irmão Hod retornarão de Helheimr e se unirão aos outros, enquanto Hoenir predirá o que irá acontecer ao novo mundo. Os filhos de Bor, Vili e Vé serão enviados aos céus para reger com os outros. Os novos regentes se reunirão e relembrarão as memórias do Ragnarök. Gimlé (ou Gimli) – descrito como o mais belo lugar da Terra – será o novo lar dos deuses, que viverão em paz e prosperidade.

Entretanto, o bem e o mal não deixarão de existir, e no Helheimr ainda haverá uma região chamada Náströnd, a praia dos mortos, pra onde irão os assassinos e adúlteros. O dragão Nidhogg, que sobreviverá à destruição, chupará os corpos dos mortos despedaçados.

E quanto aos homens, apenas um casal sobreviverá ao Ragnarök: Líf e Lífþrasir (Vida e Remanescente), que se abrigaram dos acontecimentos no bosque Hoddmímis, e depois repovoarão a nova Terra, que será fértil e produzirá seus frutos em abundância sem necessidade de esforço ou preocupação.

E assim tudo recomeça, até que o delicado balanço das coisas seja quebrado novamente e sobrevenha um novo Ragnarök.

Referência:
Panteão nórdico;
O Troth: Cosmogonia Nórdica;
Principais deuses da mitologia nórdica;
Blog de mitologia;
Mitologia germânica;
Book “Norse Mithology”, by John Lindow;
Livro “Runas, o alfabeto mágico dos Vikings”, de Gilda Telles;
Ragnarök

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