LENDAS E FESTIVIDADES IRLANDESAS

LENDAS E FESTIVIDADES IRLANDESAS

Irlanda não é um lugar muito normal, não. O verde de lá eu não encontrei em nenhum outro lugar do mundo, e o vento parece ser uma entidade viva. O ar parece ser mais leve, como se o tecido da realidade fosse mais fino. Se passear num simples parque já é algo mágico, imagine explorar uma floresta pouco visitada… E não é algo que eu diga por ter ficado sugestionado, já que eu não estava esperando algo assim, e não tive a mesma sensação visitando o interior da Inglaterra ou da Escócia. Tolkien bebeu das lendas e paisagens da Irlanda para fazer Senhor dos Anéis (e o filme chupou toda a arte dos Elfos da cultura Celta). Game of Thrones é filmado lá. Não me espanta serem palco de lendas sobrenaturais interessantes e muito ligadas à natureza.

Aes Sídhe ou Aos sí é o termo que os irlandeses e escoceses dão às suas criaturas sobrenaturais, comparáveis às fadas ou elfos do resto da cultura européia. Diz a lenda que eles vivem embaixo da terra, em morros (como os Hobbits?) ou em um mundo invisível que coexiste com o nosso. Na linguagem irlandesa arcaica, Aes Sídhe significa literalmente Pessoas dos morros (onde morros, no irlandês moderno, é ; arcaico: Sídhe; singular: Sid 😀 ; No escocês gaélico: Sìthvem daí os Sith de Star Wars?). Mas em textos mais antigos, Sídhe referia-se a palácios, cortes ou residências dessas criaturas mágicas. Nos textos mais modernos Sidhe virou o nome dessas criaturas.

Esses seres são vistos em lugares sagrados, de madrugada ou ao anoitecer, que é o horário onde o véu que separa os dois mundos está mais fraco. Um Sídhe muito famoso nos quadrinhos é o Banshee (bean sídhe, no original irlandês, cuja tradução significa “Mulher dos morros“). Como o nome diz, é um espírito feminino que anuncia a morte de alguém. Outro muito conhecido no ocidente é o Leprechaun, que cuida do pote de ouro no fim do arco-íris e é meio que um símbolo da Irlanda.

Espiral Celta

O ano Celta é dividido em quatro épocas, que são celebradas em festivais: Samhain (1 de novembro, celebrando o início do inverno), Imbolg (1 de fevereiro, início da Primavera), Beltane (1 de maio, início do verão) e Lughnasa (1 agosto, início da estação de colheitas). Samhain é a época em que a barreira entre os mundos dos vivos e dos mortos ficava mais fraca, e havia à mesa um lugar dedicado aos mortos, com comida e bebida, e uma chama sempre acesa pra evitar a presença de maus espíritos. As pessoas se vestiam de branco com o rosto pintado de preto, como fantasmas, pra iludir os mortos se passando por eles. Essa celebração foi adaptada pela Igreja no século 11 e se tornou o nosso Halloween.

A chama dentro da abóbora também vem da tradição irlandesa: Jack O’Lantern (Jack da Lanterna) era, segundo a lenda, um homem que foi sentenciado pela eternidade a rodar pela Terra à noite carregando um nabo (e não uma abóbora, como é hoje) com um rosto demoníaco e um carvão em brasa dentro dele pra iluminar seu caminho.
Quando os imigrantes irlandeses chegaram nos EUA, descobriram que a abóbora era melhor que um nabo pra fazer o enfeite.

Na Wicca os seguidores celebram suas festas (os Sabbaths) aproveitando o mesmo calendário irlandês das quatro grandes festas e acrescentando quatro menores: Ostara (Equinócio de Primavera, equivalente à Páscoa), Litha (Solstício de Verão, equivalente ao São João), Mabon (Equinócio do outono) e Yule (Solstício de Inverno). Esse último coincide com o nosso Natal.

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