A GRANDE NOITE DE SHIVA

Maha Shivratri (महाशिवरात्रि) é um festival hindu celebrado todos os anos em reverência ao deus Shiva. É comemorado anualmente na 13ª noite do mês Magha (माघ) ou Phalguna (फागुन) do calendário Hindu (geralmente fevereiro ou março). Em 2016 o Maha Shivratri (Grande Noite de Shiva) é comemorado hoje, dia 07 de março.

Para os hindus, a lua comanda a mente e os sentimentos. Assim, a diminuição da parte visível da lua como também a diminuição de sua energia durante a fase minguante favorece a gradual sutilização da mente, possibilitando a percepção da Luz da Consciência e o contato com a nossa Essência, simbolizado pelo nascimento da Lua Nova.

O Maha Shivaratri é um dia auspicioso e é recomendada a vigília; os hindus fazem muitas orações, mantras e bhajans, rituais, ascetismo e práticas espirituais a noite inteira. Na Índia e em todos os templos de Shiva há uma grande comemoração nesse dia.

“Deixem-me contar-lhes porque esse dia é considerado sagrado. Hoje, é o décimo quarto dia da metade escura do mês, quando a lua está quase totalmente invisível; apenas uma diminuta fração resta visível ao homem. A lua é a deidade regente da mente. A mente é a fonte dos desejos e das emoções envolventes. A mente está, portanto, quase impotente nesse dia; se apenas essa noite é despendida em vigília e na presença do divino, a mente pode ser totalmente conquistada e o homem pode atingir sua liberdade. Assim, todo mês, o décimo quarto dia da metade escura do mês é prescrito para uma disciplina espiritual mais intensa e, uma vez por ano, esse Maha Shivaratri, a Grande Noite de Shiva, é estabelecida para a Grande Consumação. Nessa noite, a vigilância deve ser assegurada pela disciplina espiritual, por meio de cantos devocionais, leitura de textos sagrados ou escutar a leitura desses textos, não assistir a filmes e shows, apostar ou jogar cartas.”

Sai Baba (09/03/1967)

Diz-se que nesta noite Shiva fez a Tandava (dança primordial da criação, preservação e destruição).

Shiva é o asceta. Ele dissolve a criação para o aparecimento de outra. Ele remove a ignorância para dar lugar ao conhecimento. Ele ajuda os ascetas, os yogis, xamãs, curadores e os estudantes de Vedanta no seu caminho espiritual. Ele domina todas as disciplinas físicas e mentais. Freqüentemente encontramos imagens do Senhor Shiva em profunda meditação. Muitos se espantam ao vê-lo envolto em serpentes e decorado com cinzas. A serpente simboliza o Ego, o Ahamkára, que para ele não é um problema. Para Ele o ego é um Alamkára, uma decoração, pois ele tem o conhecimento do Eu real, ilimitado. As cinzas representam a queima da ignorância e da ilusão.

Estamos imersos em ignorância (Avidya). Na língua portuguesa a ignorância assume três aspectos:

1 – O completo desconhecimento: “Aquele rapaz é simples e ignorante”. Diz-se de alguém que não teve acesso à informação, qualquer que seja.

2 – A vontade de permanecer sem conhecimento: “Mas você escolheu ser um ignorante mesmo! Com a verdade na sua cara o tempo todo!” Uma escolha cada vez mais comum no Brasil, a opção de não querer saber.

3 – O ódio: “Seu bruto, ignorante!” O famoso “cavalo do cão”, sem modos. É um aspecto interessante da ignorância, pois mesmo que ele tenha o conhecimento e a razão, ainda sim estará sendo ignorante ao tentar empurrá-la goela abaixo.

Que Shiva possa nos ajudar a dissipar a ignorância, em seus mais diversos aspectos.

OM NAMAH SHIVAYA

Referência:
Jaya Yoga: A grande noite de Shiva;
Yoga.pro: SHIVARÁTRI, A NOITE DE SHIVA;
Sathyasai: Mahashivaratri – A Grande Noite de Shiva

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