INTERPRETANDO A BÍBLIA

“Se alguém vem a mim e não odeia a seu pai e a sua mãe, a sua mulher e a seus filhos, a seus irmãos e irmãs, mesmo a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.”

Lucas 14:26

Muita gente se choca com essa passagem, mas não procura seu real significado. Afinal, como um homem elevado como Jesus poderia dizer isso? Sim, ele disse, mas (como era de costume) não foi bem entendido. O termo odiar, nesta frase de Lucas, tem o mesmo valor da que consta na passagem de João 12:25: “Aquele que odeia sua vida, neste mundo, a conserva para a vida eterna”. É óbvio que ela não exprime o sentido literal.

Vejamos o que nos diz o Evangelho segundo o Espiritismo:

“A língua hebraica não era rica e continha muitas palavras com várias significações. Tal, por exemplo, a que no Gênese designa as fases da criação: servia, simultaneamente, para exprimir um período qualquer de tempo e também a revolução diurna. Daí, mais tarde, a sua tradução pelo termo “dia” e a crença de que o mundo foi obra de 6 x 24 horas. Tal, também, a palavra com que se designava um camelo e um cabo (de corda), uma vez que os cabos eram feitos de pêlos de camelo. Daí que a traduziram pelo termo camelo, na alegoria do buraco de uma agulha.”

Allan Kardec

O Sr. Pezzani, no mesmo livro, nos explica que “Kaï ou Miseï em Grego não quer dizer odiar, porém, amar menos. O que o verbo grego miseïn exprime, ainda melhor o expressa o verbo hebreu, de que Jesus se há de ter servido. Esse verbo não significa apenas odiar, mas, também amar menos, não amar igualmente, tanto quanto a um outro. No dialeto siríaco, do qual, dizem, Jesus usava com mais freqüência, ainda melhor acentuada é essa significação. Nesse sentido é que em Gênese 29:30 diz: “E Jacob amou também mais a Raquel do que a Lia, e Jeová, vendo que Lia era odiada…” É evidente que o verdadeiro sentido aqui é: menos amada.”

O que Jesus quis dizer foi Não se apeguem tanto às coisas sensoriais! Pais, filhos, mãe, e até mesmo sua vida, você vai perder tudo isso um dia! É essa a doutrina de Jesus, e em essência ela é a mesma doutrina que Buda pregava: o desapego.

Quanto às desavenças que surgem por conta da interpretação da Bíblia, deixo a palavra com Paulo de Tarso:

…Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

2 Coríntios 3:5-6
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