HOMOSSEXUALIDADE

Tenho um amigo que é hinduísta, e ele fala com bom humor sobre a homossexualidade, de uma forma bem metafísica:

“Já é um engano uma alma achar que é homem ou mulher. É um engano DUPLO achar que se é homem no corpo de mulher ou mulher no corpo de homem”

Eu já acho que sexualidade é como ter uma religião. Cada um tem a sua, e cada um acha que a dele é a melhor, e que a do outro é ultrapassada ou levará à perdição. Basta ver a intolerância entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte. Quem acha isso uma estupidez deveria pensar que pode estar incorrendo no mesmo erro quando discrimina (em algum nível) uma pessoa pela sua opção sexual. Jesus nos ensinou a não julgar para não ser julgado. O quão infalível você é pra aguentar um julgamento?

Vamos fazer outra analogia. Opção sexual é como time de futebol: não vai fazer você nem melhor nem pior, apenas diferente, como um cara que bota a camisa do Palmeiras e por azar dá de cara com uma enorme torcida organizada do Corinthians. A pessoa vai sofrer gozação, agressão, ameaças, discriminação, até mesmo de gente que, no fundo, também torce pro mesmo time que ele, ou que tem na família quem torça… Infelizmente o ser humano não tem maturidade pra respeitar as escolhas das outras pessoas. Mas, pra ser justo, vamos ver o outro lado. Digamos que o cara seja Palmeiras, mas vai pra arquibancada do Corinthians e começa a agitar, levanta a bandeira e xinga os jogadores do outro time. Isso definitivamente é irritante.

Do mesmo jeito que existe a “fobia gay” – aqueles caras que saem de perto se a pessoa falar num tom mais ameno, que vivem fazendo piadinhas com o tema e apontando pra pessoas na rua que se vistam de forma diferente – existe o “catecismo gay”, aqueles que não querem ser gay sozinhos, que ficam comendo com os olhos os amigos héteros (que ele chama de “caretas”) e se parecem com os crentes fanáticos, pregando “Venham pra minha religião! Eu sou o futuro da raça humana!”

Do mesmo jeito que uma religião, a pessoa pode nascer católica, mas depois de certa idade enveredar por “outras religiões”, sabe-se lá Deus porquê… É opção DELA, faz parte do crescimento DELA, e não pode ser uma coisa generalizada (“isso é certo” ou “isso é errado”) porque não há certo ou errado na evolução, há sim ação e reação, causa e consequência. Há comprometimentos numa relação heterossexual como também na homossexual. Acho que é aí que mora todo o cerne da questão: relacionar-se com outra pessoa NÃO é brincadeira, não pode ser encarado de forma leviana. O problema não é só AIDS, é o comprometimento kármico, a troca de energias com outras pessoas. Estamos ligados invisivelmente por “fios” a parentes, amigos, inimigos, amores… “tecemos” esses fios do relacionamento todo dia, e enquanto houver intercâmbio de pensamento, enquanto houver algo que o una àquela pessoa (amor, paixão, ódio, rancor, o que seja) o fio continuará ligado, trocando energias. É possível imaginar a importância dessa trama de fios em outras vidas, embora não seja possível prever as consequências. Então o homossexual não deve ser leviano em seus relacionamentos, do MESMO MODO que um heterossexual também não deve.

Então por que fazer tanto alarde em torno do homossexualismo? Por que não deixar a escolha com cada consciência? Uma pessoa por ser homossexual não é nem mais nem menos evoluída espiritualmente. O que precisamos é de educação espiritual, saber lidar com nossos semelhantes, respeitar as pessoas com quem nos relacionamos (e a responsabilidade aumenta o quanto mais íntimo formos da outra pessoa). Aquela frase aparentemente boba de Saint Exupéry – “tu és responsável por aquilo que cativas” – resume todo esse post.

O Livro dos espíritos fala que os espíritos podem ter afinidades com algum sexo (procuram reencarnar sempre homem, ou sempre mulher), mas vai que sua missão na Terra exige que seja num determinado sexo que você não goste? Que fazer? Uma alma que se afeiçoou ao aspecto masculino durante eras desta vez precisa ser MÃE. E agora, José… Digo, Josefina? E uma alma que falhou em lidar com a energia sexual durante vidas e que pede pra retornar praticamente assexuada, para que não sucumba novamente ao apelo dos sentidos?

Sinceramente, acho que a resposta deve ser buscada no íntimo de cada um. Analisar a própria vida de uma perspectiva MAIOR que o agora, pensando no passado e no futuro, e sua missão nesse TODO. O que você veio fazer? Será que dá pra conciliar ser homosexual com sua missão? Se sim, ótimo. Quem vai julgá-lo? Mas, e se isso atrapalha de alguma forma sua missão, quem vai julgá-lo? Eu que não vou…

Sinceramente, não dá pra fazer uma cartilha dizendo “ser homossexual é ruim pra evolução por causa disso e disso” e nem dá pra fazer o contrário. Tudo, TUDO mesmo, contribui pra evolução pessoal, e é ISSO que o espiritismo busca. Lembram das palavras de Kardec? “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações”. E quem vai dizer que uma coisa é imoral ou uma má inclinação? Somente a própria pessoa pode se julgar, o correto é ela não se agredir, não viver na culpa. Se achar que algo na sua conduta vai mal, LUTE para mudá-la. Se achar certo, PARABÉNS, e viva para isso, mas sem tentar fazer disso um dogma que deva ser seguido por todos!

Vejam a passagem do “bom ladrão”. Um deles nem à beira da morte resolveu abandonar o escárnio, e a dureza de coração, e blasfemava contra Jesus:

– Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
O outro o repreendeu, dizendo:
– Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.
E o que Jesus disse?
– Em verdade te digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Estamos todos “pendurados na cruz”, saldando nossos débitos. Enquanto uns tentam melhorar como ser humano, mesmo que seja só pra dar um último suspiro em paz com sua própria consciência, outros preferem ignorar o que são e o que fizeram e blasfemar contra os outros.

Certa vez perguntaram a Divaldo Pereira Franco, palestrante espírita, se o homossexual pode ser médium ativo no Centro Espírita ou mesmo exercer outras atividades na Casa Espírita. A resposta foi:

“Mas o homossexual é gente! O fato da sua opção sexual é problema dele. E o heterossexual que é adúltero e frequenta a sessão mediúnica? Só porque a gente não sabe que ele é adúltero? E o heterossexual que tem muitos conflitos no comportamento e na sua atividade de relacionamento profissional, ético e doméstico? Só porque é heterossexual ele não está liberado com a sua má condição de trabalhar na Casa Espírita.

A nossa tarefa não é de policiar a vida alheia. Nós devemos deixar cada qual ser conforme concebe. Ser homossexual, isto é, ter o interesse de um bom relacionamento com pessoa do mesmo sexo não quer dizer que ele esteja numa opção de prática sexual com alguém da sua mesma polaridade. Mas se ele tem a prática sexual com alguém da mesma polaridade, isto é uma questão privada de sua vida. Não somos patrulheiros da vida de ninguém. Se nós lhe fecharmos a porta, para onde ele irá? Para o bordel. Para onde ela irá? Para o cabaré, para a sala de encontros. Devemos ter consideração e garantir a todos o direito de trabalhar onde se encontrem, desde que não se tornem, na palavra de Jesus, pedra de escândalo.”

Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?
Resposta: Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.

Pergunta 202 do O Livro dos Espíritos
Krishnamurti: Homossexualidade
0 0 votes
Avaliação
Subscribe
Notify of
guest
59 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
Veja todos os comentários

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.