GAIA PROFANA

Gaia profana: Um ensaio sobre mudanças fatais

Por Bruno Barreto Cordeiro Silva, para o site Filovida

GAIA PROFANA

Dentro dos últimos 50 anos vem sendo constatada a mudança que o ser humano vem causando ao planeta desde a Revolução industrial (1760-1840). Seus efeitos são muito intensos e podem trazer consequências devastadoras para a maioria dos seres vivos, dentre eles a espécie humana. No dia 11 de janeiro deste ano (2016) foi publicada uma matéria pela pagina Green Me (texto de Gisella Meneguelli) sobre a seguinte pesquisa apresentada na revista Science: A Terra está entrando numa nova era geológica, chama de Antropoceno. Apesar disso parecer uma novidade, para quem está acostumado com Geociências o termo existe já há algum tempo, seu primeiro emprego ocorreu na Conferência das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente (1972), onde foram abordadas as originárias táticas de educação ambiental.

Apesar da Science expor que essas mudanças iniciaram-se em meados do século XX, grande parte das comunidades de geocientistas alega que o início do Antropoceno é bem anterior à 1939. Isso não quer dizer que a Science esteja errada quanto aos motivos da abordagem de suas pesquisas, mas talvez alguns fatos provocadores de mudanças climáticas e temporais anteriores à Revolução Técnico-científica e aos acidentes nucleares (sejam eles provocados ou não) tenham sido considerados menos relevantes. Contudo, eles não o são. Nas Geociências, é comum estudarmos o termo Antropoceno como o período geológico pertencente ao Holoceno (11.700 ou 50.000 anos atrás, dependendo dos estudos e da comunidade científica) ou como período pós-Holoceno, compreendido por parte dos cientistas tendo inicio em meados do início da Revolução Industrial. Mas, por quê? Qual motivo especial dessa época em relação a drásticas mudanças geológicas?

Bem, quem respondeu a criação do motor a vapor por James Watt em 1784 acertou! Mas, ainda assim, há quem diga que essa criação não tenha feito tanta diferença ao globo (apesar de ter causado revoltas anos mais tarde por conta da exploração trabalhista e desempregos em massa). As máquinas a vapor viraram não só uma moda mas uma exigência do mercado, e a produção aumentou, assim como a liberação de gases do efeito estufa de forma exponencial, aumentando a produção de hidrocarbonetos na biosfera terrestre (camada geológica de grande ou maior concentração de seres vivos), enchendo assim a atmosfera de gases tóxicos, que podem não só degradar a camada de ozônio como fazer mudanças drásticas aos biomas diversos. No século XIX, ocorreu um fato interessante e assustador na Grã-Bretanha por conta do aumento de máquinas na Europa Ocidental (no período a que falamos teve um verdadeiro “boom industrial”, principalmente na Inglaterra e Alemanha). O nível de fuligem no ar das cidades era tão grande que, em alguns lugares, cinzas caíam como neve do céu, e as borboletas da região, que eram claras, começaram a desaparecer e começaram a surgir gerações de borboletas negras e cinzas. Mais tarde, o fenômeno foi explicado por darwinistas como uma “adaptação à poluição”, pois é fácil pra predadores enxergarem em meio às cinzas borboletas claras, assim as borboletas foram mudando pra se adaptar e não se extinguirem.

Luiz Carlos Molion
Luiz Carlos Molion

Ainda nas décadas de 70 e 80, séries enormes de pesquisas exploraram bastante o problema do aquecimento global, e hoje sabemos que ele é natural, porém o estamos acelerando. Mas não é consenso que a Era da Humanidade ou Antropoceno seja de fato responsável por mudanças tão drásticas, e muitos usam de falácias dizendo que as pesquisas são uma jogada de marketing para fazer o mercado se “reciclar”. Temos que tomar cuidado com meio termos, pois se olharmos para os seres vivos e até pra nós humanos, veremos que estamos de fato passando por mudanças climáticas e de estilo de vida que estão cada vez mais degradando o planeta e fazendo-o mudar drasticamente; a Terra sofre ciclos meteorológicos e geológicos, e se pudermos compará-lo com um ser vivo diríamos que esses ciclos (a que entraremos futuramente em mais detalhes) são seu “metabolismo”, e essas mudanças são necessárias para sua sobrevivência. Entretanto, dentro dessas discordâncias, existem cientistas sérios e preocupados com o planeta que apresentam ideias inovadoras e interessantes sobre as mudanças climáticas em si: É o caso do Professor Luiz Carlos Molion.

Luiz Carlos Baldicero Molion é meteorologista brasileiro, professor e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, PhD em Meteorologia e pós-doutor em Hidrologia de Florestas. Feitas as apresentações, vamos tentar mostrar aqui um pouco das idéias dele. A idéia de Molion é inusitada e “simples”: o planeta não está em aquecimento, e sim está “congelando”. Expliquemos da seguinte forma: o Sol, nosso Sol, é o regulador morfoclimático da Terra; ele faz com que o globo passe por ciclos diversos e necessários para a manutenção do planeta e que faz a vida evoluir e se transformar; entre esses ciclos temos os períodos glaciais, entre eles temos os chamados períodos interglaciais, que fazem parafraseio entre uma era glacial e outra. Molion fala que as pesquisas mostram um aumento de temperatura que não só é natural, como não está de forma alguma acelerado; pra ele essa é uma jogada de marketing de grandes empresas para fazer políticas econômicas sustentáveis, e estamos cada vez mais, de acordo com ele, nos aproximando de uma glaciação.

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Correntes marítimas e suas temperaturas; agora imaginem as cores invertendo e as consequências disso.

Para melhor ilustrar a questão, entendamos que o fluxo de águas do planeta (hidrológico), ou seja, as correntes marítimas e suas interconexões com rios, lagos e oceanos são, depois de nosso Sol, as principais responsáveis pela manutenção da temperatura global: chegando nos trópicos, elas esquentam e vão distribuindo calor até as zonas mais geladas dos pólos terrestres, logo após descem novamente para os trópicos e reinicia-se o ciclo. Se há um aquecimento gradual crescente, ano após ano as correntes afetarão as geleiras nos pólos, e é o que observamos já nas ultimas décadas; porém, apesar de inusitada é aí que a ideia de Molion ganha sentido, pois se as geleiras derreterem em massa (e é o que ocorre junto com o impacto nas espécies animais locais) e desenfreadamente, elas simplesmente acabam afetando as correntes; e se em certo tempo o Sol mudar seus ciclos de irradiação e, ao fazer isso, mudar o ciclo de vazão de águas por evapotranspiração na Foz do Iguaçu/PB (que é o que ocorre desde 2001, de acordo com a NASA), isso pode inverter as correntes marítimas e com isso fazer com que o planeta entre em uma grande Era Glacial, que pode, como ocorreu nas grandes extinções, extinguir grande parte das espécies. Incluindo nós, é claro.

No ano de 2009, houve a conferência de Copenhague na Dinamarca, que é considerada uma das mais importantes para assuntos relacionados ao meio ambiente e sustentabilidade. Vários cientistas dos mais diversos países expuseram um fato assustador pra os humanos: se não fizermos algo agora pra frear a poluição e amenizar os estragos feitos anteriormente, teremos um novo tipo de refugiado, que não é por conta de guerra e sim por conta do clima da Terra que se tornou insuportável pra se viver: os refugiados climáticos. O problema é que, já na época da conferência existiam refugiados dessa natureza na Oceania; algumas tribos Aborígenes saíram de suas ilhas e foram tentar a sorte na Austrália, e – claro – vários morreram no processo (uma migração forçada por uma mudança temporal brusca, coisa só vista antes em espécies não humanas). Ano passado vários desastres de temporais na Ásia deixaram refugiados climáticos esperando ajuda da ONU, porém os países que podiam fazer algo a respeito estavam muito preocupados com os atentados na França (ou pelo menos foi o que soubemos). Bem, se formos falar das mudanças geoclimáticas de 2009 até janeiro de 2016 não haverá espaço pra analisar tanta informação. Nessa mesma conferência, foi exposto que atualmente não há tecnologia pra nos assegurar um transporte seguro pra ajudar o número de refugiados no globo, e não só os “países baixos” terão refugiados, mas todo o planeta sofrerá com isso.

O aquecimento global pode ser comparado ao sistema imunológico de grande parte dos mamíferos como nós, em que é necessário aumentar a temperatura do corpo (febre) para eliminar os males; esse corpo é a Terra, e o planeta grita de dor com as tempestades e mudanças drásticas. No entanto, depende de nós agora esse desafio em que só há dois caminhos: ou aceitamos nosso planeta como nossa atual e única casa (pelo menos por enquanto) e lutemos pra seguir suas mudanças sem destruí-la em tempo prévio, ou aceitamos que somos como o agente Smith disse no filme The Matrix“um câncer” – e deixemos que o planeta Terra nos expurgue e nos extinga de vez, pois de acordo com muitos biólogos e afins: a vida na Terra seguirá, seja com ou sem a humanidade, afinal, não somos a espécie dominante aqui, somos hóspedes apenas.

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