FILOSOFIA ZEN

O Zen é um derivado do Budismo Mahayana que foi ensinado na China, com o nome de Ch’an. O Ch’an é o Budismo mesclado com o Taoísmo, e acabou indo parar no Japão (ironicamente o Ch’an desapareceu na China).

A palavra “Zen” vem do termo sânscrito Dhyana (Contemplação), que denota o estado de concentração típico da prática meditativa. Na China, esse termo foi transliterado como Channa e logo reduzido à sua forma mais curta, Ch’an. Daí, para o coreano Son e, finalmente, para o japonês como Zen. Há uma associação muito grande do Zen com o Vazio, que é talvez a melhor representação em palavras para o que pretende alcançar essa doutrina. É a contemplação do Vazio. Por isso existem os jardins Zen, ou Jardim de Pedras, que busca através do espaço vazio e da colocação de certas pedras induzir um estado reflexivo que permita uma boa meditação sentada. Essa meditação é chamada de Zazen, onde a pessoa assume a postura de lótus, com as pernas cruzadas, as costas retas e os braços descansados sobre o colo.

Daruma

Diz a lenda que o budismo foi introduzido na China pelo monge iraniano Bodhidharma por volta do ano 520. Além do budismo, ele também introduziu nos Templos Shaolin as artes marciais indianas (estilo Vajramushti), no sentido de reabilitar os monges tanto física quanto espiritualmente, e daí veio o Kung Fu. Bodhidharma é conhecido no Japão pelo nome de Daruma (a pronúncia japonesa de Dharma), e é venerado na forma de um boneco da sorte, sem olhos, onde a pessoa que comprou o boneco pinta um olho e faz um pedido, e se esse pedido se realizar ela pinta o outro olho (parece um pouco com a tradição de amarrar o Santo Antônio, ou seja, chantagear um boneco pra conseguir alguma coisa pra você).

No Zen japonês, há duas vertentes principais: Soto e Rinzai. Enquanto a escola Soto dá maior ênfase à meditação silenciosa, a escola Rinzai faz amplo uso dos Koans, ou “enigmas” que servem pra desarmar a lógica e permitir um vislumbre do Zen. Publico alguns desses Koans abaixo pra vocês terem um vislumbre da filosofia Zen:

Nan-in, um mestre japonês, recebeu um professor universitário que o visitou para fazer perguntas sobre o Zen. O professor estava cheio de idéias, e fazia muitas perguntas. Nan-in serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante e depois continuou a servir mais chá nela. O professor observou o derramamento de chá até não poder mais se controlar.

– Já está derramando! Não cabe mais nada! – Falou o professor.

– Como esta xícara – disse Nan-in – Você está cheio de suas própria opiniões e especulações. Como posso lhe mostrar o Zen a menos que você primeiro esvazie sua xícara?


Disse um Mestre Zen:
– Não entendo o Zen. Nada tenho a demonstrar. Portanto, não permaneçais aí de pé, esperando conseguir algo que saia do nada. Iluminai-vos por vós mesmos, se o quiserdes. Se há algo a alcançar, conquistai-vos por vós próprios.


“Quando curiosamente te perguntarem, buscando saber o que é aquilo, não deves afirmar ou negar nada.
Pois o que quer que seja afirmado não é a verdade, e o que quer que seja negado não é verdadeiro.
Como alguém poderá dizer com certeza o que aquilo possa ser enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que É?
E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma região onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir?
Portanto, aos seus questionamentos oferece-lhes apenas o silêncio.
Silêncio, e um dedo apontando o Caminho.”

Referência:
Como praticar o Zazen?
29 frases da Filosofia Zen

0 0 votes
Avaliação
Subscribe
Notify of
guest
8 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
Veja todos os comentários

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.