A TORRE DE BRENNAND

Desde que comecei a ler “O Senhor dos Anéis” fiquei com vontade de fazer um blog só no estilo literário de Tolkien, ou seja, descrever as coisas mais banais com um tom épico, detalhista e dramático… Me falta capacidade e tempo para me dedicar a tal empreitada, mas vou deixar aqui para a posteridade um improviso (quem sabe eu retomo essa idéia algum dia?). Vamos ao meu primeiro conto, que só vai fazer sentido pra quem já visitou Recife:

Era noite no Reino de Pernambuco; Íamos eu e minha fiel montaria (apelidada carinhosamente de KIX) em excursão à sombria Recife, exatamente para o Marco Zero, denominado secretamente pelos locais como “O Reino de Brennand“. O local exalava os mais fétidos odores imagináveis enquanto procurava um local para descansar minha montaria que, com seu brilho prateado, cruzava imponente os sombrios becos e esquinas, cuja exótica população se esgueirava pelas calçadas umbralinas, tal qual ratos que evitam passar por locais iluminados.

Finalmente achei uma vaga aparentemente segura, na qual encostei docilmente o KIX. Ia descendo quando uma criatura saída não se sabe de onde se aproximou e disse numa voz que mais parecia um chiado – “Aê fera, dois real agora e dois na volta“. Era uma mistura da língua geral com Favelês, que pude compreender com dificuldade. Mas estava claro seu torpe objetivo de me extorquir. Em sua mão brandia uma flanela limpa, que parecia nunca ter sido usada antes.

Estaquei, surpreso, mas me recompus e redargui para o ser que se impacientava:
– KIX prescinde seus cuidados, meu bom senhor. Ele provém das Florestas do Janga e está protegido pelo encantamento da poderosa Oráculo.
– Janga – disse o ser num esgar de surpresa e horror – Você está muito longe de casa, nobre homem… Se não estivermos aqui para olhar, algo de ruim pode acontecer com seu valoroso veículo enquanto ele estiver aí.

Um vento frio cortou o ar. O clima ficou tenso, enquanto os companheiros da criatura se avizinhavam, atraídos pela conversa mais demorada que de costume. Minhas mãos coçaram, prontas para se cravarem no pescoço da maléfica entidade, mas me contive pelo bem da missão. Afinal, estava em território hostil e não deveria levantar suspeitas.

Muito bem – disse, impondo-me ante a criatura – façamos assim. Darei um real agora e o resto na volta.

Senti a criatura recuar como se um temor oculto houvesse despertado em seu íntimo. Uma luz pareceu sair da minha fronte e parecia que o ser se encolhia diante de meus olhos. Não esperei a réplica e fui logo entregando o dinheiro, ao que a criatura aceitou salivando, com os olhos injetados quase saltando das órbitas.

Fui caminhando para o meu destino, mas não sem antes deixar a recomendação de que homem algum tocasse em sua lataria. A praça do Marco Zero crescia diante de mim, enquanto passos decididos iam vencendo as distâncias que me separavam do meu objetivo: encontrar os outros integrantes da Sociedade do Anel em pleno território de Brennand.

A torre maldita

Sim… As Forças das Trevas jamais imaginariam mais ousado plano. Brennand estava ocupado demais espalhando suas obras em locais outrora luminosos, para que pudesse nos procurar bem debaixo do seu nariz, ou melhor, seu falo.

A Torre Fálica de Brennand se avizinhava ameaçadoramente em seus tons terrosos e uma pálida luz verde emergia de suas reentrâncias. Detive-me no centro da praça e olhei demoradamente para os transeuntes, procurando reconhecer neles algum traço dos meus valorosos amigos, mas nem sinal do guerreiro Rafa, filho de Ashtar, do Reino de Plêiades, nem da pequena e corajosa Hobbit Kundaline, e muito menos da encantadora Elfa Levanah, das distantes Montanhas de Isra El.

Maconheiros, prostitutas, satanistas e skatistas iam e vinham dos umbrais para a praça, como zumbis atraídos pelo denso magnetismo da Torre. Por vezes olhavam para o objeto com visível respeito e um pequeno espasmo de brilho surgia em seus olhos, enquanto pareciam intuir o real significado daquilo, mas baixavam a vista novamente e voltavam à sua subjugação habitual…

(Continua… algum dia)

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