DOS PRAZERES NO BUDISMO

A primeira palestra-Dharma proferida pelo Buda naquela estação foi sobre o tema da felicidade. Ele disse à assembléia que a felicidade é real e pode ser alcançada bem no meio da vida cotidiana. “Em primeiro lugar”, – disse o Buda, – “a felicidade não resulta de se entregar aos desejos sensuais. Os prazeres sensuais trazem uma felicidade ilusória e, verdadeiramente, eles são fonte de sofrimento”.

“É como um leproso que é forçado a viver sozinho na floresta. Sua carne é atravessada por terrível dor, dia e noite. Então, ele cava um buraco, acende ali dentro uma fogueira e fica bem junto do fogo tentando aliviar temporariamente sua dor, quase queimando os seus membros. É a única maneira de conseguir alguma melhora ou alívio. Miraculosamente, porém, após alguns anos, sua doença desaparece, e ele é capaz de retornar a uma vida normal na vila. Um dia, entra na floresta e vê um grupo de leprosos queimando seus membros sobre as chamas ardentes, exatamente como ele fazia. Sente dó daquelas pessoas, pois sabe que, no seu estado saudável, jamais conseguiria manter seus membros tão próximos das chamas. Se alguém tentasse arrastá-lo para junto do fogo, ele resistiria. Então compreende: aquilo que antes lhe dava algum conforto, na verdade, é fonte de dor para quem está saudável.

Os prazeres são como uma cova de fogo. Trazem alívio somente para aqueles que estão doentes. Uma pessoa sã evita as chamas dos desejos sensuais.”

Do livro Velho Caminho, Nuvens Brancas – Seguindo as Pegadas do BUDA, de Thich Nhat Hanh (tradução de Enio Burgos, Editora Bodigaya, Porto Alegre, 2007)

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