CABALÁ = ENTENDIMENTO

A palavra AMOR (Ahavá) em hebraico possui, na soma dos valores numéricos de suas letras, o resultado 13.
A palavra UNIDADE (Échad) também soma 13.
O nome de Deus (Iahvéh) soma 26.
Vemos, assim, que Deus é a soma do AMOR + UNIDADE.

“Toda pessoa vem ao mundo com uma meta específica que deve alcançar em sua vida. Se o homem não terminar sua missão, voltará em outra encarnação. Como não sabemos exatamente qual a meta de cada um, nos guiamos pelo objetivo comum a todos que é fazer o bem através da Torá (o velho testamento, mais especificamente o pentateuco) e Mitsvôt (Plural de Mitsvá: Boas ações, fazer o bem). Esta é a missão que cabe a todos os Iehudim (Judeus), e devemos nos esforçar ao máximo para cumpri-la da melhor forma.”

Rabino Raphael Shammah; Pensamentos

“Quando o Tanách fala em Adam (Adão), no início do livro Bereshit (Gênesis), eu entendo que D’us fez o ser humano. Na palavra Hava (Eva) eu entendo vida, jamais o nome próprio de uma mulher.

Quando o Tanách (nome para a Bíblia hebraica, como um todo) fala em Málach (Anjo), a imagem que me vem semiticamente é a de um homem adulto, barbudo, vestido com roupas iguais às de qualquer homem da época – tanto que Avraham (Abraão) a princípio não os reconheceu como tais – jamais como um adolescente imberbe, com asas às costas, vestido de camisolão branco, como se acabasse de baixar do Olimpo, na imagem que o Ocidente preservou, absolutamente grega e nada judaica.

Quando um judeu fala em Shabat, está falando em algo diferente do sábado, como as pessoas comuns entendem esse termo. Quando falam em Pêssach, estão se referindo a uma festa e cerimônia que nada têm a ver com a Páscoa, como os Cristãos a entendem. Quando falamos em Roshe haShaná, estamos nos referindo a algo absolutamente diferente daquilo que o gentio entende por Ano novo, seja como data, seja como cerimonial ou significado.

Os sábios dizem Quem lê e busca só o sentido simples ou literal do texto bíblico, assemelha-se ao homem que vai colher o trigo, come a palha e joga fora os grãos.”

Avraham Avdan Ben-Avraham Corrêa (Prof. de Hebraico, fundador e diretor do curso de hebraico Prof. David José Perez, em Niterói, RJ)

No texto Escribas, Doutores da Lei e Fariseus, do Prof. Orlando Fedeli vemos:

A Kabbalah – a gnose judaica medieval – interpretou o primeiro versículo do Gênesis de modo surpreendente: “No princípio criou Deus os céus e a terra”, em hebraico: “Bereschit bara Elohim…“. Para a Kabbalah, o sujeito dessa primeira frase da Escritura não é Elohim e sim Bereschit, o Princípio. Para a Kabbalah, a palavra Bereschit designaria a divindade superior a Elohim, o Nada absoluto, o Deus Absconditus, do qual emanara Elohim, este sim, o demiurgo rigoroso e mau, criador dos céus e da terra perecíveis. Assim, a Kabbalah medieval – como autêntica gnose – distinguia uma divindade superior e verdadeira divindade oculta, de Elohim, o criador do mundo material.

“De fato a maioria dos cabalistas mais antigos questionavam o significado do primeiro verso da Torá. É-nos dito que significa Bereschit – por meio do “princípio”, isto é, dessa existência primordial que foi definida como a sabedoria de Deus; bara – criou, isto é, o Nada oculto que constitui o sujeito gramatical da palavra “bara” emanou ou desdobrou-se; Elohim – isto é, sua emanação é Elohim, que é o objeto e não o sujeito da sentença. E o que é Elohim ? (…) Elohim é o nome dado a Deus depois de ocorrida a disjunção do sujeito e do objeto, mas no qual este abismo é continuamente transposto ou fechado. O Nada místico que se encontra antes da divisão da idéia primária no Conhecedor e no Conhecido, não é considerado pelo cabalista como um verdadeiro sujeito”.

G. Scholem; A mística judaica, p. 223

No Zohar pode-se ler:

…se o mundo tivesse sido obra da essência divina chamada Jehováh, tudo nesse mundo teria sido indestrutível; mas como o mundo é obra da essência divina chamada Elohim, tudo está sujeito à destruição; e é porque a Escritura diz: “Vinde e vede as obras de Elohim que estão sujeitas à destruição (schamoth) sobre a terra” (…) “Rabbi Issac disse: (…) se o mundo tivesse sido criado pelo nome de misericórdia, isto é, pelo nome de Jehovah, todo o mundo teria permanecido indestrutível; mas como o mundo foi criado pelo nome do rigor, isto é, pelo nome de Elohim , tudo é perecível nesse mundo.

Zohar; I,58,b

Lázaro Trindade, na Lista Voadores, explica:

No hebraico, cada LETRA possui um significado divino e místico. Poderíamos subdividir as 22 letras do alfabeto hebraico:

10 primeiras letras, ate o Yod – um “mundo” invisível ou angélico, regido pelas inteligências soberanas que recebem influencias das emanações da “primeira luz” do Pai.
8 letras seguintes – um “mundo” astrológico, regido pelo Deus O Filho, ou seja, pelo aspecto CRIADOR, que criou o universo e que também é manifestação (Maya), incluindo aí o astral, o que no hinduismo estaria próximo do Brahma sem o N…
Letras restantes – um mundo “elementar”, onde se observa a presença do Espírito Santo, ou seja, da força vital que daria vida as criaturas. Nesta esfera, reina a ORDEM DOS ANJOS que têm como “influir” no destino dos homens e seres (neste aspecto, estaria próximo do conceito de DEVA do hinduismo). A nossa criação e multiplicação também seria governada por eles.

E como uma letra não é só uma letra, e está DIRETAMENTE relacionada a atributos divinos, esferas, bate com os caminhos do inconsciente registrados posteriormente no tarot, etc, etc, etc, é claro que, em nossa linguagem, representa também toda uma egrégora, e portanto, corresponde TAMBÉM a uma ORDEM de inteligências… Ou espíritos!!!!

Notem que pelo Tarot há 22 arcanos maiores representando justamente o caminho iniciático até a iluminação, e que há também 22 possíveis caminhos (linhas intercruzando as esferas ou sephirot) quando olhamos a árvore da vida cabalística, e que, “por coincidência” (hehehe) há também 22 letras no alfabeto hebraico… E 22 capítulos no Apocalipse, que “por coincidência” remotam diretamente a cada um dos 22 passos iniciáticos ou arcanos… E que são 56 arcanos menores… O 5, o numero da estrela de cinco pontas, que representa o elevado dominando os quatro elementos, ou um homem de braços abertos, o número do iniciado no Egito… E o 6… E os 22 caminhos somados aos 56 dão “por coincidência” 78… 5, 6, 7 e 8, no caminho para atingir o 9, e depois chegar ao 10, divino, 1 e 0, yang e yin, I (masculino) e EVE (feminino) = IEVE… Que somados aos 30 arcanos ocultos vão bater justamente nos 108, o número de ciclos de vida, mas… deixa pra lá!!!

E o alfabeto dos caras é feito com isso, ou seja, mesmo um “simples” tetragramaton (a palavra de quatro letras) é formado por I (yod, masculino) e por EVE (feminino), o que vem a ser a mesmíssima coisa que os hindus já diziam (só existe o 1, ou seja, Brahman – mas ele manifestado gera uma Maya na dualidade, que tem masculino e feminino). O mesmo que os taoístas já diziam, que só há o TAO, o 1, mas que sua manifestação através do CHI gera yin e yang, masculino e feminino, e que o material é 2 sendo apenas manifestação do 1…

Mas bem, assim, cada PALAVRA em hebraico não é formada ao acaso, mas tem força de mantra, e também significado próprio. Assim, AL quer dizer Deus, pois A = Aleph = homem, unidade, poder, princípio. e o L = lamed = extensão, elevação. O principio coletivo, ou poder, causa primária, da humanidade. Sacaram?

Bem, AÍ é que dá para começarmos a situar aquilo que a falta de conhecimento popular generaliza como “anjos”. 10 era a letra Yod, o atributo da divindade, lembram? E representa I+EVE, que por sua vez é o masculino (yang, pingala, lingam) e o feminino (yin, ida, yoni). Tá batendo. Mas note que o 1 é o ponto, o falo, o masculino… E o 0 é o círculo, o útero, o feminino.

Referência:
Um estudo fascinante sobre o tetragramaton YHVH (IEVE)

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