ASCENSÃO DE HITLER

Vocês devem estar enjoados de tanto que eu já disse que sou um aficionado pela 2ª guerra. Mas essa colocação é importante no contexto do post. Já li os livros de Stephen Ambrowse com a visão dos soldados dos EUA, li Stalingrado, com a visão dos soldados da URSS, li um pouco das Memórias de Churchill (Inglaterra), vi dezenas de documentários e me dediquei a ler a biografia definitiva de Hitler, cujo nome é… Hitler, de Joachim Fest (cujos escritos inspiraram o filme A Queda); são dois calhamaços de quase 1.000 páginas cada, de leitura difícil, mas que foi uma das mais reveladoras da política mundial e da natureza humana que já li. Tudo o que eu achava que sabia de 2ª guerra até hoje foi jogado por água abaixo.

E olha que eu já tinha lido coisas indigestas, como Diplomacia (de Henry Kissinger) para tentar entender as causas da 2ª guerra e a ascensão de Hitler (coisa que me perturbava desde os 15 anos, e que, ao meu ver, sempre me pareceu uma coisa “milagrosa”, contra todos os prognósticos, especialmente vindo de um país arrasado como a Alemanha pós 1ª guerra). Essa dúvida persistia, e foi parcialmente explicada no livro de Kissinger: Houve uma confusão TREMENDA naquela época no campo diplomático entre os países aliados da 1ª guerra, no sentido de impedir a proliferação do socialismo. Só que não explicava a tremenda cegueira da França e da Inglaterra diante do rearmamento alemão (explicitamente contrário às diretrizes do tratado de Versalhes), já que o cara (Hitler) detestava a França, tinha relações tensas com a Polônia e não escondia de ninguém que pretendia reanexar os territórios perdidos nos tratados unilaterais (o Tratado de Versalhes, que “amordaçou” brutalmente a Alemanha).

As respostas que encontrei no livro de Fest me deixaram estupefaço. A Inglaterra (SIM, A INGLATERRA, que segurou o nazismo de se estabelecer na Europa e a quem devemos nosso futuro) foi a GRANDE responsável pela ascensão de Hitler, através de seus diplomatas. Através de máximas como “A Inglaterra não tem amigos permanentes, mas interesses permanentes” e “Se deve haver um enterro, vamos celebrá-lo, contanto que Hitler esteja disposto a pagar o serviço das pompas fúnebres” (ao se referir ao Tratado de Versalhes), Inglaterra e Alemanha começaram a negociar, informalmente, deixando seu aliado (?), a França (a maior potência militar da época) aterrorizado. Isso deu margem para que, em 9 de março de 1934, Hitler decretasse ao mundo que iria rearmar-se do jeito que ele quisesse. Isso, obviamente, deixou os Aliados preocupados.

Ora, essa declaração – sabemos hoje – vinha de um rato que ruge. Hitler não tinha a MENOR condição nessa época de lutar sequer com UM exército aliado, imagine uma coalizão de exércitos encabeçada por França, Inglaterra e Itália (SIM, a Itália de Benito Mussolini – futuro aliado de Hitler – nessa época não via com bons olhos a Alemanha e era o país que mais estava disposto a matar a cobra ainda filhote). Mas foi a Inglaterra que falou pra eles “não, não estou disposta a fazer nenhuma sanção contra a Alemanha” e aí melou todo o encontro das potências.

Por que essa atitude? Porque a Inglaterra, do alto de sua tradição, achava que podia botar no bolso o baixinho de bigode esquisito, sem ser preciso fazer alianças. Mas, se conhecessem a história da ascensão de Hitler dentro da Alemanha, veriam que era JUSTAMENTE esse tipo de pensamento que ele procurara explorar (acho até que ele conservava o bigodinho pra causar essa impressão, já que em relatos da época todo mundo o achava esquisito, difícil de se esquecer).

Aí então a Inglaterra manda seus diplomatas à Alemanha para conversar com Hitler. Adolf queria um tratado em separado com a Inglaterra sobre forças navais (ter um certo número de navios em relação aos da Inglaterra) que violava abertamente o Tratado de Versalhes. Evoca pra isso a ameaça comunista (os Bolcheviques) e a necessidade de expansão alemã (pra o Leste, como ele sempre dissera em seu livro Minha Luta). Ora, ter a Alemanha como cão-de-guarda contra os soviéticos era a razão de Hitler ter alcançado o poder e de “existir” para o resto do mundo (ou já teria sido “descartado”), mas a Inglaterra não era imbecil de sacrificar a relação de poder com seus aliados e aceitar tratados de equivalência de forças militares com a Alemanha.

Mas veio então um dos maiores blefes da história mundial: já que não podia ter acordo em termos de navios, no outro dia Hitler exigiu ter paridade 1:1 de forças aéreas com a Inglaterra. Quando perguntado qual era o efetivo aéreo já existente na Alemanha, Hitler fingiu hesitar e falou que, na prática, já haviam alcançado essa paridade. Os diplomatas gelaram. Pensaram: “Caraca, a casa caiu! Os caras se rearmaram até os dentes enquanto dormíamos nos louros da vitória!“. Depois dos navios, aviões eram a coisa que a Inglaterra mais temia (já que viviam numa ilha, acessível tão-somente por estes dois modos). Esse foi um ponto de bifurcação na história mundial. Os ingleses acusaram o golpe, e Hitler soube explorar isso como ninguém. Pra vocês terem uma idéia, até então havia uma estabilidade diplomática, toda feita através de acordos de cavalheiros entre TODOS os países para que se evitasse o desenrolar de uma segunda guerra mundial: caso alguém atacasse a Tchecoslováquia, por exemplo, significava o mesmo que estar atacando a França, que partiria pra defendê-los. Se atacassem a Áustria, a Itália iria defendê-los. E assim vai. Com essa hesitação dos ingleses (que eram uma peça-chave) tudo isso desmoronou como um castelo de cartas.

Enquanto a França (que é fronteira com a Alemanha) fazia aliança com a URSS pra se proteger (já que a Inglaterra estava pouco se lixando pra eles), os outros países menores e sem força militar expressiva foram se vendo cada vez mais isolados (se a França que devia NOS proteger está pedindo proteção, que será de nós? E a Inglaterra, que devia NOS proteger, está mancomunada com a Alemanha?)

Dizem que não se deve demonstrar medo a um cachorro senão ele vai explorar isso e lhe dominar. Foi o que aconteceu com a Inglaterra. No dia 4 de julho, Hitler não mais pediu, e sim IMPÔS um tratado de 35 pra 100 em relação aos navios ingleses. A Inglaterra abriu as pernas. E pior: assinou o tratado no dia 18 de julho, aniversário da Batalha de Waterloo, onde alemães e ingleses haviam vencido a França de Napoleão, um século antes. Transporte-se pra 1934 e imagine-se lendo as notícias nos jornais. A primeira coisa que me veio foi uma frase do Capitão Nascimento: “Isso vai dar mer…

O acordo transformou Hitler em uma sumidade política européia. O próprio Adolf declarou que aquele dia era “o mais feliz de sua vida”. Imagino.

Mussolini e Hitler

O que aconteceu? O que antes era desprezo virou admiração e temor. Mussolini passou a olhar o baixinho com outros olhos, e, assim como todos os líderes da Europa, foi visitar Hitler na Alemanha pra saber o que ele tinha de especial. O partido nazista, como sabemos, era mestre em exibir ostentação e poder, e isso impressionava. Logo Mussolini se encantou por Hitler e ambos se tornaram bons amigos (se é que ditadores têm amigos). Tal amizade se mostrou essencial quando, em 1938, Hitler invadiu a Áustria (Hitler escreveu a Mussolini que NUNCA esqueceria o favor que ele fez ao dar “permissão” pra invadir a Áustria. E que poderia contar com ele pro que desse e viesse. Esse agradecimento não foi da boca pra fora, como veríamos em 1941, quando Hitler atrasou a invasão à URSS em dois meses só pra ajudar a Itália na Grécia e Iugoslávia. Dois meses que foram cruciais para o desenrolar da guerra).

A URSS, que tinha acabado de assinar um pacto com a França, pensou: Algo me diz que estou apoiando o lado errado…. Acabou anos depois (1939) assinando um pacto de não-agressão com a Alemanha, possibilitando assim a invasão da França por Hitler, em 1940.

Hitler não desistiu de se aliar à Inglaterra nem mesmo quando derrotou os ingleses na defesa da França. Um episódio controverso que decidiu o rumo da guerra ficou bem melhor explicado com a leitura do livro Hitler, de Fest: A batalha de Dunquerque. Em 10 de maio de 1940, a Alemanha invadiu a Bélgica e os Países Baixos. Os britânicos e os franceses, que estavam lá pra defender esses países, se viram obrigados a retroceder até uma praia vizinha a Dunquerque. Foram encurralados por uma divisão panzer alemã, que aguardava apenas a autorização de Hitler pra tocar o terror. Mas eis que Hitler, num gesto dos mais estranhos, diz “não façam nada! Deixem a honra de aniquilar os exércitos à Luftwaffe”. E então a temível divisão blindada ficou literalmente assistindo os ingleses evacuarem a praia numa dramática operação de resgate, sob uma mortal (mas ineficaz) chuva de balas dos aviões alemães, que possibilitou que mais de 300.000 soldados aliados fossem levados para a Inglaterra, até mesmo por barcos de pesca.

Após Dunquerque, Hitler mandou de volta os prisioneiros ingleses que restaram e mandou jogar rosas sobre a Inglaterra a partir de bombardeiros. Tudo pra tentar convencê-los a se aliar à Alemanha. Os diplomatas e a opinião pública estavam quase que convencidos de que seria a alternativa mais inteligente, só que Hitler não contava com uma pessoa: Winston Churchill, o Primeiro-Ministro quase que recém-empossado da Inglaterra. Ele era o anti-Hitler. O cara engrossou pro lado do alemão e tomou medidas duras e impopulares para evitar que Hitler continuasse mandando no jogo. Churchill foi mais um dos fatores CRUCIAIS para que hoje não falássemos todos alemão como segunda língua.

Discurso comovente de Hitler no Reichstag

MITOS E VERDADES

Mito: Os alemães queriam ver sangue e dominar o mundo

Hitler mandou fazer um documentário intitulado O poder da Vontade. O título não podia ser mais significativo, pois resume bem a história deste homem. Apenas pelo capricho da vontade Hitler conseguiu impulsionar uma nação à guerra total praticamente contra a vontade dela, como vemos no livro. Os generais NÃO queriam mexer no vespeiro que seria invadir a Áustria e a Tchecoslováquia. Que fez Hitler? Criou intrigas e perseguições que levaram ELE a ser o Comandante Supremo dos exércitos, demitindo assim todos os generais relutantes. Quando ele moveu seu exército pra borda da Áustria, os fez passarem pelo centro de Berlim, só pra que o povo pudesse aplaudi-los, jogar flores (essas coisas), pra mostrar o quanto a população os estava apoiando; só que, mesmo com toda a máquina de propaganda do lado de Hitler, as ruas ficaram desertas. Os alemães estavam todos aterrorizados em suas casas. Hitler, que esperava o desfile em um camarote, ao ver a falta de pessoas, foi embora irritado.
Obviamente que, com o sucesso estrondoso dessas invasões, o povo Alemão acreditou que seu exército era invencível, e a opinião pública ficou pró-guerra.

Mito: Hitler foi um grande estrategista militar

Esse mito só é alimentado por quem desconhece por completo a 2ª guerra, mas ainda assim aparece gente citando as invasões européias como mérito de Hitler. O único mérito que ele teve foi a CORAGEM / LOUCURA de atacar sem medir as consequências. Enquanto deu certo ele obteve sucesso e glória. Na URSS não deu, e ele se ferrou.
O método de ataque Blitzkrieg (guerra-relâmpago) não foi desenvolvido por Hitler, e sim pelos generais alemães da velha guarda, ainda no fim da 1ª guerra.
No dia da invasão a Áustria, Hitler deu um piti e começou a dar ordens desencontradas e contraditórias. Ninguém conseguia fazer nada! Foi aí que Herman Goring assumiu o comando da operação e a coisa foi pra frente.
Hitler não era general, mas sim um grande estrategista político, como vimos acima. Sabia farejar fraqueza e oportunidades como ninguém. Ele viu uma oportunidade de atacar a Europa que ninguém mais viu, mas ele não era e nunca foi um bom estrategista militar de saber como, por onde atacar, quando recuar, etc, como eram Napoleão, Alexandre o Grande, etc.

Hitler reergueu a Alemanha

Tem um pouco de mito e verdade aí. A Alemanha sempre foi um país destinado à grandeza. Vejam vocês: Depois de ser arrasada fisica e economicamente por 2 guerras e ter de pagar sanções altíssimas, a Alemanha é a maior economia da Europa e a 3ª maior do mundo. Tudo isso sem Hitler ou qualquer outro líder carismático. A Alemanha já vinha caminhando pra prosperidade ainda antes de Hitler assumir o poder como Chanceler. Isso irritava profundamente Hitler, que, com a estabilidade econômica, não poderia manobrar o povo em seus discursos políticos pra uma “revolução” (como ele fazia com sucesso quando as coisas estavam ruins). Poderíamos até traçar um paralelo com FHC e Lula: FHC lascou o país apertando o cinto da economia, mas suas ações refletiram claramente no governo Lula, que foi uma declarada (e sábia) continuação dos planos de FHC no setor econômico por conta das altas reservas monetárias da qual dispúnhamos pra combater a especulação. Pra o povo desinformado, Lula é o “pai” do crescimento do país, o homem que distribui dinheiro no bolsa-família, uma pessoa bondosa, enfim.
Mas, pra sermos justos, temos de admitir que sim, devido a vontade férrea de Hitler, ele direcionou com mão de ferro a economia para os seus propósitos, que eram, além de militares, POPULARES. Ele acreditava (corretamente, aliás, inspirado pelo antigo pensamento romano) que, se o governo injeta dinheiro no povo esse dinheiro retorna, aquecendo a economia. Ou seja, manteve todo mundo empregado e ocupado, construindo coisas (úteis e inúteis), gastando além da conta, e no fim o país realmente deu um salto de crescimento espantoso. Hitler patrocinou idéias que usamos até hoje, como as Autobahns (auto-estradas), o carro popular (a fábrica Volkswagen, que em alemão significa exatamente “carro do povo“, foi criada pra isso, e o primeiro carro foi o Fusca) e a Fanta (o refrigerante preferido do ditador).

Mito: Hitler era socialista

Não no conceito original de socialismo. Mas eles de fato se denominavam de socialistas e tinham por lema o “Bem comum acima do bem do indivíduo” (Gemeinnutz geht vor Eigennutz). De fato, eu nunca entendi o porque do partido ser Nacional Socialista e Hitler ter tanto ódio dos comunistas até ler o livro. Mostra como ele se apoderou do partido, fez durante anos um jogo duplo, com declarações que poderiam ser interpretadas de várias formas (socialista ou capitalista), beneficiou-se da penetração do partido nas mais diversas camadas sociais (nessa época o socialismo estava dominando corações e mente na Europa) e por fim dividiu o partido, expulsando a “metade socialista” (e fundadora!!) do partido Nazi. Enquanto a conversa pro povão era uma, com cruzeiros de navio de graça para os trabalhadores gozarem férias, ele negociava secretamente com ricos industriais, que financiavam o partido e temiam o avanço dos comunistas “de verdade” (os com bases soviéticas, e não os “nacional-alemãs”). Os industriais não se arrependeram. Com a subida de Hitler ao poder, eles puderam lucrar à vontade, primeiro se apropriando de indústrias anteriormente de judeus e depois ainda contando com a mão-de-obra escrava dos judeus, eslavos, ciganos e todos aqueles que eram contra o partido. Industriais do ferro, como Thyssen AG e Krupp (cujas empresas se juntaram depois e podem ser vistas na marca de Elevadores ThyssenKrupp), da construção civil, química (A IG Farben, da qual faziam parte a BASF e a BAYER, usava mão-de-obra de Auschwitz III) e até mesmo do setor de tecidos (Hugo Boss fazia roupas para os soldados da SS Nazista, com mão-de-obra escrava) prosperaram e muito com uma economia que dispunha, cada vez mais, de mão-de-obra gratuita (o que me faz pensar se os tais campos de concentração – denominados de “campos de trabalho” – eram um “capricho ideológico” dos nazistas ou uma requisição da indústria).

Em entrevista a George Sylvester Viereck, em julho de 1932, Hitler fala da diferenciação que ele fazia entre socialismo e marxismo:

“Por que”, perguntei a Hitler, “o senhor se diz um nacional-socialista, já que o programa do seu partido é a própria antítese do que geralmente se acredita ser o socialismo?”

“O socialismo” – replicou ele agressivo, deixando de lado a xícara de chá – “é a ciência de lidar com o bem estar geral. O comunismo não é o socialismo. O marxismo não é o socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. Vou tirar o socialismo dos socialistas. O socialismo é uma antiga instituição ariana e alemã. Nossos ancestrais alemães tinham algumas terras em comum. Cultivavam a idéia do bem-estar geral. O marxismo não tem direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, diferentemente do marxismo, não repudia a propriedade privada. Diferentemente do marxismo, ele não envolve a negação da personalidade e é patriótica. Poderíamos ter chamado nosso partido de Partido Liberal. Preferimos chamá-lo de Nacional-Socialista. Não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o atendimento das justas reivindicações das classes produtivas pelo Estado com base na solidariedade racial. Para nós, o Estado e a raça são um só.”

ALTMAN, Fábio. A Arte da entrevista; uma antologia de 1823 aos Nossos Dias. São Paulo: Scritta, 1995. p. 114-115.

Hitler disse certa vez: “Eu não preciso socializar indústrias e casas: eu socializo PESSOAS“. Ele estava certo. Este é um método mais eficaz de tomada do poder sem entrar em atrito desnecessário. Sun Tzu dizia, em A arte da guerra: “Há que deixar uma saída a um exército cercado. Mostra-lhes uma maneira de salvar a vida para que não estejam dispostos a lutar até à morte, e assim poderás aproveitar para atacá-los. Não pressiones um inimigo desesperado. Um animal esgotado seguirá lutando, pois essa é a lei da natureza.”
Você PENSA que tem alguma liberdade de escolha, de ser ou não do Partido Nazista, de ter alguns direitos, de ser um cidadão autônomo, mas a MALHA onde você se movimenta já está toda tomada em setores-chave pelo Estado, que lhe monitora e lhe observa. Essa técnica (levada a perfeição pelos nazistas) vem sendo utilizada por todos os governos ditatoriais e os que têm pretensão de permanecer para sempre no poder.

Mito: Hitler era um completo ensandecido

Vocês acham que ele, à mesa, pedia pra passar o sal gritando que nem nos discursos? Hitler podia ser muito gentil e carismático, especialmente com as mulheres. Era pintor, um apreciador das artes clássicas, da arquitetura e amava as músicas de Richard Wagner. Agora fique entre ele e seus objetivos (qualquer que seja, tipo, diga que ainda está usando o sal) e você verá a besta do apocalipse babando à sua frente. SEM AVISO, sem irritação preparatória. Diversas testemunhas descrevem o fenômeno como uma “possessão”. O homem se transfigurava e de sua boca saíam torrentes de palavras intimidadoras (em alemão devem soar ainda mais intimidadoras). Depois voltava a falar normalmente, sendo gentil como se nada tivesse acontecido.

Muitos criticaram o filme A queda por retratar o Hitler “normal”, que sorri e conversa com as secretárias. Ora, querer eternizar a caricatura de Hitler é tudo o que ele queria em vida (e após a morte). Hitler era refém do papel que forjou pra si mesmo, o de salvador da Alemanha. Quando uma vez foi flagrado brincando com sua cadela (pastor-alemão, claro), enxotou com violência o animal e parou a brincadeira. Ele não sorria espontaneamente na frente dos outros: ou gargalhava histrônicamente ou botava a mão na boca. Tirava fotos de si mesmo em poses que hoje parecem ridículas, pra estudar o efeito que seus gestos causariam nas massas. Deixou de comer carne, pois isso reforçava sua aura de pureza, de um homem “santo”. Santo?! Isso mesmo. Antes da guerra a imagem de Hitler no cenário nacional e internacional era um homem bom, enviado por Deus, preocupado tão-somente com a segurança e desenvolvimento de seu povo diante de uma Europa tão conturbada (coitadinho!). Obviamente tal paz não incluía judeus, mas naquela época o povo alemão não ligava para os judeus, mesmo (para muitos era indiferente que seu médico ou professor judeu simplesmente desaparecesse de um dia para o outro).

No dia 10 de novembro de 1938 Hitler discursou secretamente para dirigentes da imprensa alemã:

“As circunstâncias me obrigaram durante anos a quase falar só de paz. Só insistindo sem cessar no desejo de paz dos alemães e em suas intenções pacíficas foi possível conquistar passo a passo a liberdade do povo alemão e dar-lhe o armamento indispensável para as etapas seguintes. Essa propaganda pacífica, seguida durantes anos, apresenta igualmente seu aspecto negativo: poderia levar muita gente à idéia de que o regime hoje se identifica realmente com essa decisão, essa vontade de manter a paz a qualquer custo (…)

Os motivos pelos quais falei de paz durante tantos anos eram imperativos, mas a seguir foi necessário proceder à lenta mutação psicológica do povo alemão, fazê-lo entender que certas coisas devem ser conseguidas pela força, se não puderem sê-lo por meios pacíficos (…)
Esse trabalho precisou de meses. Foi começado, prosseguido, reforçado de maneira conforme aos meus planos.”

Referindo-se à velha imagem de Lohengrin, o cavaleiro branco em quem Hitler gostava de se reconhecer, declarou: “Nós iremos através do mundo como um anjo enamorado da paz, mas vestidos com uma couraça de bronze e ferro.”

Nós estamos tão acostumados com a caricatura do “mal” que não reconhecemos quando o lobo se disfarça de cordeiro, e o lobo SEMPRE vai procurar ocultar-se até estar seguro de ter o que quer. Por isso o objetivo desse post: o de tirar o véu das caricaturas que querem nos impor (em nome do “politicamente correto”) para que os políticos (sempre eles) continuem a nos manipular! Leiam O Príncipe, de Maquiavel. Leiam o Minha Luta, de Hitler. Mas não pra usar essas artimanhas contra os outros, e sim ficar vacinado contra elas! Porque só mudam os nomes e lugares, mas o desejo de poder continua o mesmo:

ESTUDEM AS TÁTICAS DE MAO! ESTUDEM AS TÁTICAS DE HITLER! Vejam como esse insano defende o extermínio dos poloneses no discurso Jgend. Tudo isso que soa como loucura foi construído durante anos de doutrinação e propaganda, anos de pregação de ódio, até que os ouvidos do público ficam insensíveis a exortação do mal, a distinguir o certo do errado. Tudo isso vai se repetindo em outros países… como aqui, infelizmente.

Ascensão da Alemanha Nazista de forma descomplicada
0 0 votes
Avaliação
Subscribe
Notify of
guest
94 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
Veja todos os comentários

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.