AMOR, RAZÃO E NATUREZA

O post de hoje é exclusividade de Titânico e Tiza, que trocaram algumas idéias sobre o Amor, e eu, que não me atrevo a comentar sobre o que não sei, resolvi pegar estas maravilhosas dissertações pra mim e pra vocês.

Titânico começa:

Nesses dias alguém me perguntou o que eu achava do amor. Eu simplesmente não soube explicar. Isso porque sempre acreditei que esse sentimento, como sendo o mais sublime, não era possível ser vivenciado no estágio em que estamos. Muitas pessoas, espiritualistas na verdade, dizem que amam com uma facilidade tremenda, mas suas atitudes não correspondem ao que “pregam”: Outro dia, uma mulher estava querendo me convencer que eu teria que não simplesmente “respeitar” as pessoas da minha família (leia-se tios, tias, avôs, primos, etc), mas teria que amar a tudo e todos, sem distinção. Essa mesma pessoa já tinha feito dois ou três abortos, acabou com um projeto em que estávamos desenvolvendo apostilas para o Centro que frequentamos e não aceita ir em nossos estudos porque, segundo ela, “precisa ensinar e não aprender”.

Por essa e outras me pergunto qual é o conceito de amor para essas pessoas… contra muitas opiniões, costumo dizer que conseguimos ser, no máximo, solidários… como a caridade requer desprendimento total, não somos caridosos nada… temos momento de solidariedade, e só. Assim como diz o Paulo Miklos, do Titãs: “não existe o amor, apenas provas de amor“. No máximo, conseguimos provar o nosso sentimento agindo… palavras vãs não mudam nada. Vejo muitas pessoas que são grandes intelectuais, inteligentíssimos, mas na parte moral ficam bem lá atrás.

Estou escrevendo e misturando tudo isso, por uma razão: quando essa pessoa me perguntou sobre o Amor, eu lembrei do Capítulo XVII e XVIII do Purgatório da Divina Comédia. Lá, como Dante tem muitas dúvidas, Virgílio (autor da poesia épica latina, Eneida), que é o guia de Dante durante o Inferno e Purgatório, faz uma descrição maravilhosa do amor e suas nuances… essa talvez, seja uma das melhores definições que já vi:

Canto XVII-XVIII

– Jamais existiram criador nem criaturas sem amor natural ou sem o amor racional que o ânimo busca. O natural nunca erra. O outro poderá errar, ao escolher mal o objeto de seu amor, por excesso, ou por falta de vigor. O amor que se fixa no bem supremo, ou nos bens secundários com moderação, não pode ser causa de mal. Mas quando pende ao mal ou busca o amor com mais ou menos força do que se deve, emprega a sua criação contra o criador. E assim, poderás entender como o amor é ao mesmo tempo a semente de toda virtude e de todo ato que merece punição. Como o amor nunca pode querer mal a si próprio, nem pode querer mal àquele que o criou, o mal que se ama é o mal a seu próximo, e este se divide em três modos:

Os primeiros só admitem a própria glória, mesmo que isto signifique a ruína do próximo (orgulhosos, soberbos);
Depois há os que preocupam-se com a possibilidade do outro crescer e acumular mais fama e poder que eles (invejosos);
Finalmente, existem aqueles que, por injúria sofrida, explodem em ira, e só pensam em revidar o mal causado (iracundos).

Esses três tipos de amor pervertido vistes sendo purgados lá embaixo. Agora, veremos os que buscam o bem, mas de modo faltoso. Cada um imagina vagamente, algum bem que deseja, e se deixa levar pelo desejo de encontrá-lo. Se o amor que vos impele a essa meta é lento e preguiçoso, é nesta cornija que vós o expiarás. Há outro bem que não traz felicidade, pois não vem da boa essência que é fruto e raiz de todo o bem verdadeiro. O amor que perde ao tender a esse bem em excesso é purgado acima, nos próximos três terraços (melhor dizendo, são três círculos, a saber: avareza, gula e luxúria). Não falarei deles agora. Tu os descobrirás quando lá chegarmos.

– Então presta atenção – respondeu-me – e terás esclarecido o erro dos cegos que decidem ser guias. A alma, que é criada com capacidade de amar, move-se para o que lhe dá prazer. Vossos sentidos extraem do mundo real uma imagem que é exibida internamente. É esta imagem que atrai a alma. E se ela é atraída, à imagem então se inclina, e esta inclinação é o amor, que faz parte de vossa natureza. E assim como o fogo se move para as alturas, buscando a sua própria natureza, da mesma forma vossa alma busca a coisa amada e não descansa até encontrá-la e dela usufruir. Podes agora entender como estão enganados aqueles que acham que qualquer amor é, em si, coisa louvável. Talvez assim pensem por acharem que sua essência é sempre boa, mas nem todo selo é bom, ainda que boa seja a sua cera.

– Teu discurso me esclareceu muitas dúvidas – respondi-lhe – mas ao mesmo tempo acrescentou outras. Se o amor vem de uma fonte externa, a alma não pode ter culpa em aceitá-lo e não pode ser, por essa razão, julgada culpada em segui-lo.

– Eu só posso te explicar aquilo que minha razão puder compreender – respondeu Virgílio. Além da razão, terás que buscar o auxílio de Beatriz, pois se trata de obra da fé. Toda essência, esteja ela ligada ou não à matéria, tem a sua própria virtude, que não é percebida a não ser por seus efeitos, como o verde de uma planta revela-nos a sua essência viva. Não é, portanto, possível saber a origem das vossas inclinações ou do vosso instinto. Esses desejos inatos não são, portanto, nem condenáveis nem louváveis. Mas, para manter vossos instintos sob controle, tens uma virtude inata que, munida da razão, vos aconselha. É neste princípio que repousa o vosso poder de julgamento, que é capaz de rejeitar o mau amor e acolher o bom. Aqueles que, através do raciocínio, investigaram este assunto profundamente, perceberam essa liberdade inata e a partir dela, deixaram suas doutrinas morais e éticas no mundo. Então, posto que por necessidade surja em vós qualquer amor, em vós também está o poder de dominá-lo. Essa é a nobre virtude que Beatriz entende por livre arbítrio. Lembra-te disto quando tu a encontrares.

Entra em cena a Tiza:

Impressiona-me que, nesses dias de tantas facilidades e descompromisso, surjam questionamento em jovens sobre o amor verdadeiro. Este assunto nos remete às dúvidas de alguns quanto ao amor de Jesus e Madalena. Poderia ter pregado o verdadeiro amor, Aquele que por ninguém houvera se apaixonado? Caberia particularidades no amor Divino à ponto de personifica-lo em uma, entre tantas as mulheres? Seria deste amor que Ele veio falar? Seria, por acaso, do amor à família?

Existe uma palavrinha milagrosa que se chama Misericórdia, e esta é a chave do Amor. “Ide e entendei, eu quero a misericórdia, e não o sacrifício”. Os pares humanos ainda se formam sob carências, sob necessidades materiais, sob afinidades, sob diferenças, sob aparências, sob tantas quantas são nossas fraquezas e forças; e ainda e sobretudo sob o que fazemos diante das fraquezas e forças de nossos companheiros de jornada. Pisoteamos? Invejamos?, Adulamos? Distinguimos? Privilegiamos? Abusamos? Exploramos? Cuidamos? Curamos? Sacaneamos… Como encaramos nossas diferenças? Como elos ou como armas?

Nossas escolhas amorosas são feitas muito antes que a puberdade se manifeste, que o corpo anseie, que o desejo nos traia. Elas são feitas desde a mais tenra idade, numa crescente compilação de dados, de impressões, experiências, sonhos, desejos, necessidades que, combinados, fazem o coração saltar em êxtase quando nos deparamos com o grande amor de nossas vidas. O que vai definir a escolha boa ou ruim vai depender de como você catalogou seus dados, trabalhou seu ser, de que espírito estava imbuído ao construir seu perfil, com que inspiração pode contar, contar e nutrir-se. Tornou-se revoltado? Tímido? Galante? Arrogante? Exibido? Tarado? Complexado? Carente? Ermitão? Somando genética e educação, poderemos desviar mais ou nossos olhos das imposições sociais a que todos estamos sujeitos, poderemos nos armar contra ou a favor do que a massificação exige, poderemos amar o que convém e reconhecer o que não convêm; porque a confusão existe neste estágio de nossas vidas, nossa luta maior é contra o engano, contra valores vãos…

Mas é difícil e laboriosa nossa ascensão aos céus do amor perfeito. Falta-nos coragem, falta-nos discernimento, falta-nos paciência, falta-nos principalmente guias exemplares, e ainda que existam, existe toda uma estrutura a ser derrubada para que os possamos ver sem as ilusões e rótulos que nos norteiam; afinal, este mundo não dá trégua a quem procura vencê-lo, e tem suas armas para fazer desacreditar-se da verdade.

Existe um amor primeiro que nos concede auto-estima, pouca ou muita, ou exemplarmente equilibrada. Ela começa no berço, na perfeita condução de nossa educação e crescimento. Numa mesma família, marcas diferenciadas são deixadas em cada membro da mesma, porque existe algo de único em cada um, de bom e de ruim, que é meta individual vencer, mas que um bom orientador espiritual muito ajudaria. O exercício da misericórdia começa no lar, no questionamento sincero de todos para com todos no que há de bom e no que há de erro: “O que você quer?”. Os olhos mais profundos sabem a resposta, sem nem mesmo questionar, e amam, porque está a seu alcance a percepção da alma sem máscaras, e pode mesmo ensinar a querer o que deve ser querido: isto é Misericórdia.

Amor incondicional, antes de significar não exigir condições, é desprezar as condições aparentes e fornecer condições para que o outro se supere e chegue aonde é de seu destino chegar. Fazer alguém sorrir, levantar, acreditar em si e em suas infinitas possibilidades, pra mim é parte do Divino. Mas a “estrada é longa e o caminho é deserto, e o lobo mal passeia aqui por perto…” e decepções são inevitáveis, salvos os presenteados pela sorte, justo por estarmos todos à caminho… Assim, temos amores que nos traem, nos esquecem, nos magoam… mas como bem canta o Chico, “amores serão sempre amáveis” e o perdão, mesmo sem que o outro peça, ou volte, ou reconheça o erro, é o extremo do amor… O outro será sempre responsável por suas opções, já não é tarefa nossa a partir de então.

A psicologia, assim como muitos livros de auto-ajuda, são facas de dois gumes na medida em que procuram deixar fluir todo o “eu” sem filtros “verdadeiros”, e incentivar a solidificação deste como personalidade ou gênio. Alguns amigos “analisados” tornaram-se um ego ambulante, altamente irritáveis diante de qualquer adversidade ou simples opinião alheia. Não existem pessoas boas e pessoas más. Existe em todos nós a dualidade do que flutua e do que se esconde. É trabalho de pescador aprofundar-se, romper recifes, superar ondas, desencastelar corações e almas, aprisionadas em questões mal resolvidas, mal entendidas, mal ensinadas, mal aprendidas nesta “Matrix”. O primeiro passo é reconhecer que as coisas não andam nada bem, senão não seriam precisos tantos manuais para o amor, tanta droga, tanto álcool, tanta troca.

Acreditá-las imutáveis e calar vozes que nos alertam para os erros é opção calcada quase sempre na imagem narcísea da superfície das águas. Se o espelho fosse nosso melhor amigo, como ditam as modas, ele não refletiria com o passar do tempo nossa decrescência física. O amor é mais, a vida é mais, todos somos mais ao envelhecer, senão toda filosofia é vã, todo aprendizado inútil, todo amor fugaz. Amem profundamente os idosos em geral, a exemplo dos orientais e indígenas.

Se neste quadro de parcas cores tentarmos definir o amor, a missão será impossível, a confusão certa, a banalização desumana, as lágrimas e dores serão atribuídas ao amor. O amor liberta o que de divino existe em nós, quem ama verdadeiramente é livre, mas é de outra liberdade, diferente da que nos faz fantoches de nossos caprichos e ilusões, ou de caprichos e ilusões do ser amado que estou falando; a alforria das sombras, afinal, para uma perfeita visão do outro e perfeito encontro de almas ainda neste corpo em qualquer idade; Justo merecedor de todo amor, carinhos, afagos, cuidados, beijinhos e muita paixão…

Volta Titânico, desta vez para um dueto com a Tiza:

Como bem disse a Tiza, talvez sejamos modelados desde cedo para essa questão do amor, isso porque nossa educação e caráter podem ajudar a definir se teremos pouco ou muito orgulho, vaidade, egoísmo ou, ao contrário, se teremos desprendimento, amizade, lealdade…

Pra que vocês tenham uma idéia, um dos requisitos do casamento é a fidelidade; Por outro lado, um dos requisitos da União Estável é a lealdade…. qual será que é mais importante? Entendo como fidelidade mais a parte física mesmo, de chegar a consumação de fato da infidelidade, embora haja muito controvérsias sobre isso. Agora, a lealdade me parece muito mais abrangente. Isso porque a lealdade tem a ver com a honra, cumplicidade, amizade… Vejam que esse assunto é complexo demais, mas, de qualquer forma, prefiro a lealdade à fidelidade.

Isso poderia estar dentro do “amor racional” de Dante, pois escolhemos as pessoas através do que elas têm de bom, pesando com o que elas podem trazer de “ruim”… olhando, raciocinando, medindo…

A maior parte das pessoas que casam rápido se separam na mesma velocidade, isso porque ainda não foi possível ter o “amor natural” e, tampouco, o “amor racional”. Se vc não conhece a pessoa direito, não será “racional” vc casar, ao passo que também não se deu o tempo de se desenvolver ou brotar o “amor natural”. Poderíamos, talvez, classificar isso como paixão, por ser arrebatadora, rápida, destruidora, etc. Claro que não deve ser encarado como regra

Em um outro enfoque, o da família em si, vemos mais o “amor natural” pela convivência, amizade, trocas, brigas, discussões… Esse não pode ser racional, pois nós precisamos um do outro para viver, para se ajudar, para aprender… Esse “amor natural” vem também como intrínseco da alma, pois intuitivamente sabemos que precisamos um do outro. Essa parte da proteção entre todos faz com que tenhamos uma confiança maior, sem que seja necessário nós testarmos racionalmente cada membro da família.

O amor pelos amigos, de acordo com este raciocínio, precisa ser racional, ou seja, testado. Pesando boas ou más coisas, pensamentos, anseios e sonhos, tentamos ver se o resultado sai com honra e lealdade, ou com caracteres mais ou menos ruins. Só que o maior problema nesse caso é que, junto com a racionalidade em si, precisa-se utilizar um pouco da intuição, o que, na verdade, começa a tornar subjetiva essa análise. Isso porque, com nossa falta de condições morais, no atual estágio evolutivo em que estamos, não raro nossas “contas” e intuições nos traem, fazendo com que depositemos nossa confiança na pessoa errada. Outrossim, se temos ideais elevados e boas aspirações, maior a capacidade de sabermos escolher. Só que, como a maior parte de nós não se encontra num nível “bom”, com que tipo de pessoas iremos nos afinar / confiar?

Nesse âmbito, acredito utilizarmos, durante muito tempo, o “amor racional”. Isto porque, qualquer coisa que a pessoa faça que nos magoe, não importa que ela tenha feito 90% de coisas boas, não raro perdemos a amizade, e não raro também ambos se tornam inimigos, gerando os obsessores encarnados ou desencarnados. Nessa parte nossa razão falha duas vezes: uma por não saber escolher os amigos, outra por não enxergar que, por mais que o amigo tenha feito uma coisa desagradável, ele pode ter feito todas as outras de forma correta. Nesse caso, falta-nos raciocínio para sabermos somar e subtrair, para alcançarmos um resultado que, não raro, ainda será positivo.

Outro “amor natural”, que talvez seja o mais voltado para nossos sonhos, é o amor pelos ideais. Ah, que maravilhoso conseguirmos atingir nossas metas, desejos, aspirações!

Ditoso foi Sócrates, que, na Apologia de Sócrates, para não ir contra o que ele tinha pregado durante toda a vida, aceitou a morte! Na obra Fédon (ou “Da Alma“) ele aceita continuar debatendo os assuntos com seus amigos, mesmo sabendo que, se ele continuasse conversando, talvez teria que tomar duas ou três doses de sicuta para morrer! Esse “amor racional” de Sócrates pode também ser confundido com seu “amor natural”, isso porque ele achava lógico trabalhar pela sabedoria, acreditando também ser lógico existir algum tipoo de continuidade após a morte do corpo físico. Mas, essa confiança e racionalização de seus ideais podem e devem se confundir com o “amor natural”, ou seja, ele só fez tudo aquilo pelo amor que ele sentia pela sabedoria, seja deste ou do outro mundo… acredito eu que fosse sim o amor del pela Divindade, pois tem uma passagem em que ele diz:

Uma espécie de cárcere, eis onde vivemos nós, os homens, e nosso dever não é nos libertarmos a nós mesmos nem nos evadirmos… São os deuses que nos têm sob sua guarda, e nós, os homens, somos parte da propriedade dos deuses.

Platão; Fédon

Muitos filósofos podem dizer que esse amor dele não era pela Divindade com entendemos, mas acho que fica bem clara essa passagem.

Talvez um tipo de “amor natural” que muitos de nós podemos ter um vislumbre aconteça dentro de um Templo, Casa de Oração ou Igreja… creio que muitos já tiveram uma idéia do que é a percepção do livro Profecia Celestina, quando o camarada lá se sente parte integrante e vivo do Universo. Por mais que seja momentânea, imperfeita e rápida essa percepção, acho que ela dá uma idéia do que seria o “amor natural” por todos, ou o chamado Amor incondicional. Isso deve ocorrer porque entramos em sintonia com nosso Eu Divino, através da própria manifestação da Divindade, o que muitos chamam de DEUS e eu prefiro chamá-Lo de PAI CELESTIAL. Se mantivéssemos essa vibração por mais tempo, conseguiríamos nos tornar Espíritos Perfeitos de uma forma mais rápida, porque nesta fase obtemos uma disposição (ainda que momentânea) para ajudar os outros, compreender, perdoar, enfim… amar.

Acredito que aquele que conseguiu unir o “amor racional” e “amor natural” em uma só substância, chamada de “Amor incondicional”, foi o Mestre Nazareno. Ele amou sua família (por mais que tivesse sido incompreendido por eles), amou seus amigos (por mais que o tivessem traído), amou seus adversários (por maior que tivesse sido a dor física e moral que o tivessem feito sofrer) e amou ao Pai Celestial acima de tudo, pois cumpriu de forma fidedigna a missão que precisava ser cumprida, indo contra todas as adversidades e aceitando todas as situações como parte do que deveria ensinar a nós naquela época.

Como exemplos mais próximos de nós temos os já tão falados: Gandhi, Madre Teresa, Chico Xavier, Francisco de Assis, etc. Embora respeite e admire todos esses acima, meu carinho especial vai para o saudoso e querido Chico…

Tiza pega a bola quicando e chuta pro gol:

O amor é o Bem Absoluto, fonte, caminho, ideal perseguido por todas as virtudes , sem deixar de sê-la em excelência de liberdade.

“Virtude e dever são duas coisas diferentes. O que fazemos por dever (coerção), não fazemos por amor, que é livre”

Kant

Algumas de nossas experiências éticas nada tem a ver com moral, porque não precisam de suas obrigações. No amor não cabe a palavra dever, mas existem atitudes virtuosas. Só necessitamos de moral em falta de amor, por isso precisamos tanto de moral. O dever nos constrange a fazer aquilo que, se o amor estivesse presente, já teria livremente se consumado.

Máxima do dever: “Age como se amasses“. Segundo Kant, este amor que está incluído nas ordens da moral se chama amor prático. Amar ao próximo significa praticar de bom grado todos os seus deveres para com ele. Não nascemos virtuosos, nos tornamos (mas não sei bem se é 100% assim).

O amor não é um mandamento, é um ideal (“um ideal de santidade“, sublinha Kant). Nos tornamos virtuosos pela educação, pela polidez, pela moral, pelo amor. Agir polidamente é agir como se se fôssemos virtuosos. Agir moralmente é agir como se amássemos. Agir com ética é fazer o que se quer, por pouco que se ame. A moral nos liberta da polidez, consumando-a, pois o homem virtuoso não precisa agir como se o fosse. O amor por sua vez consuma a moral, e dela nos liberta. Somente quem ama não precisa agir como se amasse. É o Espírito dos Evangelhos: “Ame e faze o que quiseres” (Sto. Agostinho), pelo que Cristo nos liberta da Lei, não abolindo-a, como queria estupidamente Nietzsche, mas consumando-a (“Não vim para revogar, vim para cumprir…“), isto é, confirmando-a e inscrevendo-a para sempre no fundo dos corações.

“A moral vem mais do sentimento que da lógica , mais do coração que da razão e nós só sentimos necessidade dela pelo pouco amor que nos resta”.

André Comte-Sponville

Referência:
Pequeno Tratado das Grandes Virtudes: O Amor

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