TOMADA DE CONSCIÊNCIA

Vejo com alegria que estamos vivendo um momento acelerado de revolta contra a opressão, especialmente o machismo e o racismo (eu pensei em acrescentar a homofobia, mas ela teve mais destaque em outros anos).

Não são tópicos novos, há muito tempo existiam por aí através de ONGs, associações, pessoas que dedicaram sua vida à causa e, enquanto algumas conhecemos bem (Martin Luther King), milhares de outras pereceram no anonimato. Hoje todos têm voz, e conseguem apoiadores para “fazer barulho”, algo tão necessário (esse tipo de comportamento só perdura porque nos calamos diante dele durante todo esse tempo). Em ambos os casos amadureceu-se o discurso, e em vez de isolar-se num “nós contra eles” (negros x brancos, mulheres x homens) estamos sim TODOS procurando questionar a SOCIEDADE EM QUE VIVEMOS, que é historicamente racista, homofóbica e machista. Mulheres são machistas sem perceber quando reproduzem o discurso machista e chamam a outra de “piranha” por qualquer motivo. Homossexuais dão munição a homofóbicos sem perceber quando reforçam os estereótipos e a caricaturização ou reproduzem discursos que “brincam” com a discriminação entre eles mesmos, tipo “bicha pão-com-ovo”. Ah, mas é brincadeira! E o Mussum também brincava com o racismo – eu mesmo me divertia! -, mas será que as piadas dos Trapalhões caberiam nos dias de hoje, com a tomada de consciência que NÓS QUEREMOS TER pra nossa sociedade?

É a vitoria do politicamente correto? Talvez. Particularmente eu acho isso um saco, mas compreendo que, se queremos mudança precisamos aguentar alguns momentos de radicalismo para, no futuro, chegarmos a um meio-termo. O caso do garoto fantasiado de macaquinho do Alladin é um exemplo disso: eu adoraria viver num mundo onde pudéssemos ser como esse casal e, ingenuamente, não associássemos pessoas negras a macacos. Mas reconheço com tristeza que não estamos nesse mundo. Então que se radicalize hoje para que no futuro não tenhamos esse preconceito passando de pai pra filho.

Mas, enquanto desfrutamos dessa tomada de consciência e damos um basta a esses “ismos”, há uma coisa que permanece a mesma: a tolerância à Corrupção.

Isso não é algo mundial, está ligado diretamente à cultura do brasileiro de ser “esperto”, de levar vantagem em tudo. Não vemos nada demais numa empreiteira fazer uma “reforminha na faixa”, na compra de um “barquinho”, numa troca de favores, e assim vamos colhendo a falta de investimentos em saúde, educação, cultura, infra-estrutura. O brasileiro é em sua maioria completamente cego pras consequências de sua tolerância, e ainda estamos na fase dos xiitas: Assim como as “feminazis”, temos os “de direita”, que são muitas vezes agressivos, intolerantes, procurando atacar os outros mais do que dialogar e trazer aliados à sua causa. Talvez devamos nos inspirar nas pessoas que lutam pela auto-consciência da mulher ao invés de um feminISMO, os que lutam pela consciência negra, ao invés do confronto com os “brancos”, e assim valorizar um Brasil que não tem a ver com PatriotISMO, e sim cidadania com decência para TODOS, comunistas com Iphone inclusos. A corrupção, assim como o racismo, têm raízes no Brasil colônia, é algo estrutural. Assim como o racismo, o silêncio, desprezo ou omissão só faz alimentar o problema. Estamos vendo as consequências desse problema claramente em nossa economia. Até quando?

PS: Assistam também esse vídeo abaixo, de um “gringo” (Mark Manson) que desabafa o porquê o Brasil não vai mudar enquanto a MENTE do brasileiro não mudar:

0 0 vote
Avaliação
Subscribe
Notify of
guest
26 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
Veja todos os comentários

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.