SARÇA ARDENTE

“Chegou Moisés à montanha de Deus, a Horeb (Monte Sinai). O Anjo de Iahweh lhe apareceu numa chama de fogo, no meio de uma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo e não se consumia. Então disse Moisés: ‘Darei uma volta, e verei esse fenômeno estranho, porque a sarça não se queima’ (…) E Deus o chamou do meio da sarça. Disse: ‘Moisés, Moisés (…) Não te aproximes daqui; tira as sandálias dos pés porque o lugar em que estás é uma terra santa’. Disse mais: ‘Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. Então Moisés cobriu o rosto, porque temia olhar para Deus.”

Êxodo 3:1-6

Esta planta é a Dictamnus albus, ou Fraxinela. É uma erva grande de um metro de altura, toda coberta de minúsculas glândulas oleaginosas. Esse óleo é tão volátil que se evapora continuamente, e a aproximação duma chama descoberta causa uma inflamação súbita. O naturalista alemão Dr. M. Schawabe comprovou em repetidas observações a inflamação espontânea. A mistura de gás e ar inflama-se algumas vezes por si só no calor intenso e no ar parado, ficando o arbusto intacto.

Fraxinela

Uma outra leitura interessante que podemos fazer desse encontro de Moisés com a sarça ardente é simbólica:

O Yoga, o Ayurveda e a Medicina Chinesa, além das culturas xamânicas, estruturaram seus sistemas tendo como alicerces o conhecimento dos elementos.

O Ar, por exemplo, no seu sentido mais equilibrado, fala da leveza, do frescor, da rapidez. No seu sentido mais desequilibrado, o Ar fala da dispersão, da ansiedade, dos medos, e simboliza a falta de aterramento e de raiz.

O Fogo, na sua polaridade equilibrada, fala da capacidade de processar e digerir (desde alimentos até emoções), de transmutar a sombra em Luz, de poder pessoal saudável e ego bem equilibrado, de criatividade. Fala da capacidade de construir (desde coisas até a própria história), de reciclar. Na sua polaridade desequilibrada, o Fogo é a raiva destruidora, o ego inflado e tirânico, a volubilidade, a indigestão.

No Xamanismo o Fogo é o Avô, com quem se aprende as lições das outras dimensões. Os índios dizem que quando estamos em torno do Fogo, nossos corações estão no mesmo nível e todos neste momento são Um. Os indianos, que também fazem muitos rituais com Fogo, dizem que o Fogo físico representa o Ser Eterno, Absoluto, e as coisas que são oferecidas ao Fogo (ghee, cereais, ervas) simbolizam nosso ego que é oferecido por nós para ser dissolvido no Fogo Universal.

Pois bem: Moisés (cujo nome significa Aquele que foi tirado, porque ele foi tirado das águas) foge da prisão no Egito, o Ego, representado na figura do Faraó, e vai para o deserto (o Éter, o vazio, a meditação). Lá, ele sobe um Monte (ascender, elemento Ar) e encontra o Fogo, o Ser Eterno. Depois disso ele precisa descer e procurar a Terra para o seu povo (aterramento, enraizamento, objetividade).

Referência:
Milagres: A ciência confirma a fé; Autor: pe. Oscar González Quevedo

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