ENCONTRO DA NOVA CONSCIÊNCIA 2005

Todos os anos, durante 15 anos, a Prefeitura Municipal de Campina Grande (Paraíba) realiza, na época de Carnaval, o Encontro para a Nova Consciência. Nele são realizadas palestras, debates, mesas redondas, vivências e oficinas com temas religiosos, esotéricos, holísticos e voltados ao Ecumenismo e diálogo inter-religioso. Tudo é realizado no centro da cidade (que fica deserta no Carnaval e totalmente entregue aos esotéricos) com a presença de representantes de várias religiões e doutrinas, além de feiras de livros e objetos relacionados ao caráter do evento. A cidade é perfeita para o evento: grande e espaçosa, com suas ruas impecavelmente asfaltadas e limpas, mas ainda mantendo o estilo simples do interior, bem arborizada, com pessoas que ainda dão boa-tarde quando passam na rua.

Uma das atrações mais fortes do evento é a Feira Esotérica, que sempre conta com diversos estandes com roupas, CDs e peças de artesanato, montados ao lado do Teatro Municipal e palco para shows, com a meta de possibilitar a criação de espaços para os mais diversos segmentos artísticos, priorizando as manifestações alternativas de artes. Tem Hare Krishnas cantando no meio da rua, indígenas mostrando suas artes, artesanato local, góticos que vão participar das partidas de RPG e dos shows de rock, que convivem harmoniosamente com os shows Gospel a poucos quarteirões.

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Engraçado que antes de eu ir para lá eu estava criticando os cristãos evangélicos por fazerem um evento paralelo, saindo do tema (que é a união de todas as religiões em uma só família). Mantenho a crítica, mas o papelão mesmo quem fez foram os Espíritas, que organizaram (também) um evento separado, e o pior, PAGO! Foi o único grupo dentre todos que cobrou pra participar das palestras!

Infelizmente grandes nomes dos outros anos, como Hermógenes, Pierre Weil e o Pastor Nehemias Mariem não puderam comparecer por problemas de saúde. Mas a grande abrangência de assuntos e palestras serviu para amenizar essa terrível perda. Temas como Xamanismo, Islamismo, Esperanto, RPG, Animes, cinema e até mesmo encontros de Ateus e grupos específicos como as “profissionais do sexo de Campina Grande” caracterizaram a liberdade de pensamento presente no evento, mas, em comparação com 2001, notei que o encontro ganhou mais temas mas perdeu no aprofundamento em certas questões, como Teosofia e principalmente Ufologia (não havia nenhum representante! Nem sequer os ex-ufólogos apareceram… devem ter sido abduzidos).

Mas me encontrei mesmo foi no Sufismo, quem diria. Fui para a palestra do Sheikh Muhammad Ragip com um espírito crítico e analista, e saí de lá como um profundo admirador da filosofia religiosa islâmica. Se todo o evento tivesse se resumido a essas três palestras sobre sufismo já teria saído de Campina Grande satisfeito. A doutrina Sufi já havia despertado minha admiração aqui no blog, mas a vivência da prática meditativa chamada ZIKR me trouxe lembranças e sentimentos que estavam (muito bem) velados na minha alma (embora o sufismo não acredite em reencarnação, há coisas que o coração diz que não podem ser desditas por nada nem ninguém).

Mônica Buonfiglio deve ter sido a personalidade mais marcante do evento. Ela realmente é uma figura muito carismática. Mas a palestra mais desconcertante (e, pra mim, engraçadíssima) foi mesmo sobre Cabalá. O título era “Entendendo a Cabala pela senda da intuição humana em relação ao Cosmo“.

Uaaaaaaau! Eu esperava alguém entrando no palco com gelo seco e uma estrela de David piscando no peito, mas o palestrante Rubens Ascher calmamente (e com jeito de quem não aguenta mais ser questionado sobre esse assunto) falou que a Cabalá significa apenas “transmissão de conhecimento”, ou seja, alguém ensinando algo a alguém, e que aquele negócio da relação nome / números era apenas um passatempo que os judeus fazem quando estão entediados. Acho que todo mundo saiu de lá meio que desapontado.

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O clima geral do evento (e palestrantes) era de EXTREMA preocupação com o planeta. Não preocupação ecológica localizada (matas, rios) mas com o TODO, o sistema “Mãe Terra”. A impressão geral era a de que atingimos um ponto onde não há mais retorno, e só podemos vigiar e aguardar o que iremos receber de volta da natureza. Tivemos uma palestra sobre previsões para 2005, recheada de coisas interessantes, com dois astrólogos, a Mônica Buonfiglio, um cigano e uma mãe de santo. Mas isso é assunto para outro post.

Referência:
Relato do 15º Encontro da Nova Consciência

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