A NASA TÁ DOMINADA

Salve-se quem puder! Bush conseguiu mesmo paralisar a força das mentes pensantes nos EUA. Tudo, tudo mesmo, gira em torno do petróleo, e toda oposição é ou censurada ou dominada em setores estratégicos pra não mais se opor. Mas, afinal, o que queriam de alguém cuja família tem uma longa tradição em armas (inclusive vendendo armas pra Saddam e Osama) e ele mesmo era dono de uma companhia de petróleo (chamada “Arbusto“, quem diria)?

A novidade agora é a declaração do chefe da agência espacial dos Estados Unidos, Michael Griffin, que (felizmente) atraiu críticas de cientistas quando disse não estar certo sobre se o aquecimento global é um problema, e que seria “arrogante” supor que o clima da Terra não deve mudar.

“Não tenho dúvidas de que existe uma tendência para o aquecimento global”, disse Michael em entrevista gravada para a Rádio Pública Nacional dos EUA. “Não estou certo de que é justo dizer que se trata de um problema que deveríamos enfrentar. Creio que perguntaria quais seres humanos, quando e onde, deveriam ter o privilégio de decidir que este clima em particular que temos aqui hoje, agora, é o melhor clima para todos os outros seres humanos. Creio que é uma posição muito arrogante para as pessoas adotarem”, disse Griffin.

O cientista Jerry Mahlman, especialista em atmosfera – que já foi a principal figura da Administração Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA) dos EUA – disse que a fala de Griffin revela alguém ou “totalmente sem noção” ou “um ideólogo em profunda negação” do aquecimento global.

Outro importante especialista em clima da própria Nasa, James Hansen, consultado pela mesma rádio sobre sua reação, disse: “quase caí da cadeira. Foi uma declaração escandalosa pelo nível de ignorância que mostra em relação à situação atual”. Hansen acrescentou que Griffin “parecia não saber que 170 países concordaram que a mudança climática é um problema sério com enormes repercussões e que muitas pessoas sofrerão se não for combatido”.

Vários outros cientistas de clima da NASA, contatados pela rede de notícias ABC, apoiaram os comentários de Hansen, dizendo que uma imensa maioria dos colegas acredita que o efeito estufa é um assunto urgente, do qual sociedade deveria estar tratando. Os cientistas pediram que os nomes deles/delas não sejam revelados porque não querem arriscar suas carreiras. Os comentários de Griffin também enfureceram os cientistas fora de NASA. “Eu fiquei chocado pela declaração e penso que o administrador deveria se aposentar. Eu não vejo como ele pode ser o líder de uma agência de ciência se ele não entende a ameaça do efeito estufa”, disse Michael Oppenheimer, um cientista atmosférico de Princeton e autor de alguns dos últimos relatórios emitidos pelo Painel Intergovernamental em Mudança de Clima (IPCC), que é a organização considerada a mais respeitada em efeito estufa, composta por milhares de cientistas climáticos.

Os comentários de Griffin foram feitos no mesmo dia em que o presidente americano, George W. Bush, disse que pedirá às nações mais industrializadas do mundo, na semana que vem, que se unam em um novo acordo global para combater a mudança climática quando o Protocolo de Kyoto expirar. Obviamente essa declaração do chefe da NASA é um coringa que Bush vai usar pra não ter que estrangular a economia dos EUA (totalmente dependente de petróleo, panorama que Bush obviamente não quer mudar).

Em um comunicado, Griffin disse mais tarde que é “responsabilidade da Nasa coletar, analisar e divulgar informação. Não é missão da Nasa fazer política sobre possíveis estratégias para atenuar a mudança climática”.

Hansen, que participou do documentário Uma verdade inconveniente, com Al Gore, vem alertando sobre a mudança climática desde os anos 80. Em 2005, ele acusou a NASA de tentar censurá-lo após ele ter alertado que o clima da Terra estava próximo ao ponto de “não-retorno”. A agência governamental depois demitiu um apadrinhado de Bush, que trabalhava para uma companhia de petróleo e era o responsável pela censura. Demitido, um dia depois voltou a trabalhar para a companhia petrolífica. Mas, pelo visto, ele não era a única marionete de Bush. Membros do Congresso também criticaram a NASA por cortar os orçamentos de programas de satélite que ajudam monitorar os efeitos de mudança de clima.

Ano passado, muitos cientistas da NASA ficaram preocupados quando perceberam que a agência tinha apagado silenciosamente a frase “para entender e proteger nosso planeta” da declaração de missão da NASA. Os cientistas acreditam que a pesquisa em assuntos como mudanças climáticas sofrerá com a troca de prioridades da NASA para missões de exploração à Lua e Marte. “A Terra sempre foi central para a ciência de NASA”, disse Hansen.

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