MUSEU ASSOMBRADO

O Museu Mariano Procópio, situado em Juiz de Fora (MG) e fundado em 1915, é cercado de lendas de assombrações. Uma dessas histórias veio de uma estudante que relatou aos seguranças ter visto um casal e uma criança, todos em trajes de época, andando pelos caminhos do jardim.

Museu Mariano Procópio

Em 2013, o escritor Laurentino Gomes relatou em seu blog pessoal um episódio estranho durante a visita ao museu para escrever o livro 1989:

“Fui surpreendido pelas badaladas suaves e cadenciadas de um relógio antigo, que parecia marcar as horas de outro mundo e de outro tempo. O diretor do museu, Douglas Fasolato, e alguns integrantes de sua equipe que me acompanhavam na visita entreolharam-se espantados. Antes que eu perguntasse a razão, Douglas explicou. “Esse relógio está parado! Há anos que ninguém lhe dá corda…
Foi o que bastou para que apressássemos o passo em direção ao aposento vizinho, mais movimentado e exposto à luz do sol”.

Laurentino Gomes
Relógio do Museu Mariano Procópio

Funcionários explicaram que o relógio que causou a reação de surpresa narrada por Laurentino Gomes foi doado pela família de José Procópio Teixeira para o acervo do Museu. Durante um tempo, ficou exposto na Villa. Atualmente está guardado em uma das salas do arquivo. No entanto, não há informação sobre quem teria dado corda ao relógio no dia da visita do escritor.

O auxiliar de serviços que trabalha no Parque, Malto Brandel, está há quase 34 anos na instituição, e confirma ter visto “assombrações”, como define. “Um dia, eu fechei o portão, já eram 19h, hora de me arrumar para ir embora, quando apareceu uma mulher alta que perguntou, ‘Moço, onde eu saio aqui?’. Aí eu respondi, ‘Moça, já fechou o portão!’. Quando fui abrir para ela sair, ela desapareceu. É, foi embora”, disse.

E esta não foi a única vez que Brandel enxergou o que ninguém mais viu. “Na outra vez, depois que o portão foi fechado, apareceu do nada um homem negro e alto perto do lago. Até perdi a voz. Já estava escuro. Chamei um sargento, da equipe que fazia a ronda, mas ele não viu nada. E aqui perto do portão da saída na Rua Dom Pedro I, apareceu umas quatro pessoas carregando trouxas com lençóis vermelhos”, disse.

Além das que presenciou, Brandel também ouviu histórias de outros funcionários. “Um vigia que fazia ronda contou que viu uma mulher vestida noiva, andando tranquila, perto da gruta no parque por volta da meia noite. Já teve gente que contou que ouviu assobios dentro dos prédios, mas não viram mais ninguém”, lembrou. Para ele, a explicação para estes relatos é simples. “Pessoas viveram aqui. E tem gente que tem dom espiritual, não é?”.

Funcionários que preferiram não se identificar lembraram outros relatos. Em um deles, uma universitária chegou assustada aos prédios após jurar ter visto um casal e uma criança, todos em trajes de época, andando pelos caminhos no jardim.

Há quem se recorde de um grupo de restauradores em 2003 que ouviu barulhos de festa e, quando foram checar o cômodo, ele estava vazio. E quem ouviu descrições de pessoas que sentiam uma presença, como se houvesse alguém observando, quando não há mais ninguém por perto.

A historiadora Rosane Carmanini também não viu nada, mas ouviu relatos de outras pessoas sobre experiências semelhantes. “As museólogas mais antigas, inclusive que já se aposentaram, contavam histórias de que vigias ouviram barulhos e conversas durante a noite e de que funcionários de limpeza viam vultos na Villa. Eu nunca percebi nada não. Trabalho com o ponderável. Com o imponderável ainda não precisei lidar”, lembrou.

Rosane Carmanini concorda com o superintendente Douglas Fasolato sobre a origem destas histórias. “O que a gente escuta vem muito do imaginário coletivo das pessoas a respeito de um museu, até pelo fato da gente estar em um que já foi uma residência, durante muito tempo. Por isso, surgem estas histórias”, analisou.

A Villa foi construída em 1861, para ser a chácara da família de Mariano Procópio e hospedou o imperador Dom Pedro II em visitas à região. Em 1921, Alfredo Ferreira Lage decidiu transformar o local em casa-museu. Em 1922, foi inaugurado o prédio anexo, chamado Mariano Procópio, para abrigar a galeria de Belas Artes. O local também abriga os restos mortais de Mariano Procópio, Maria Amália, os filhos Frederico e Alfredo, criador do Museu, e a nora Alice, sepultados em um mausoléu em frente à entrada principal do prédio Anexo.

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