FANTASMAS ASSUSTAM OS SOBREVIVENTES DA TSUNAMI

Tailândia, 14 jan (AFP) – Inúmeros tailandeses das províncias do sul, assoladas pelo maremoto, confessam estar aterrorizados mais pelos fantasmas dos mortos do que pela idéia de uma nova tsunami. Os relatos que descrevem a aparição de fantasmas só crescem em Phuket, Khao Lak ou Krabi, e muitos habitantes admitem estar muito assustados para nem sequer pensar em ir à praia, e muito menos se banhar no mar. Equipes de socorro na ilha Phi Phi e na região costeira de Khao Lak afirmaram ter sido atraídos à praia por risos e cantos de turistas, mas não encontraram mais que silêncio e vazio no local.

Um motorista de táxi disso ter levado ao aeroporto um estrangeiro e sua noiva tailandesa, mas que no meio do caminho, ao olhar pelo retrovisor, descobriu que o assento traseiro do carro estava vazio.

Guardas de um pequeno centro comercial de Patong contaram à AFP que um colega deles havia renunciado a seu posto depois de ter escutado uma mulher estrangeira pedindo ajuda durante toda a noite.

Estas histórias de almas penadas só se multiplicam, como a de uma mulher do exterior que corre à praia durante a noite chamando o seu filho desaparecido.

A grande maioria dos tailandeses é extremamente supersticiosa, acreditando, por exemplo, que as grandes árvores escondem fantasmas. A população também costuma ter em algum espaço de suas casas ou de seus jardins uma ‘casa dos espíritos‘ sob o pretexto de que as oferendas cotidianas de alimentos e bebidas afastam qualquer fenômeno paranormal.

Para os especialistas em saúde mental, o fato de que este fator cultural apareça entre os sobreviventes da tragédia é, até certo ponto, uma amostra do trauma sofrido com a tsunami.

“É uma espécie de alucinação coletiva que indica o trauma sofrido pela população que segue à procura de desaparecidos, que testemunhou inúmeros corpos inertes e que fala, no momento, somente na morte”, frisou para a AFP o psicólogo Wallop Piyamanotham.

“Os casos de pessoas que afirmam ter visto fantasmas são prioritários para os médicos”, acrescentou. Inúmeras pessoas não preparadas se encontram de repente recolhendo corpos horrivelmente mutilados na praia ou manipulando cadáveres decompostos nos imensos necrotérios improvisados.

Alguns tiveram de ser hospitalizados com manifestações de angústia grave. “O trauma começou a se manifestar mais ou menos quatro dias depois do drama do dia 26 de dezembro”, explicou o doutor Wallop.

Muitos dizem que não podem esquecer o cheiro da morte ou apagar de sua memória as terríveis imagens de desespero e destruição que presenciaram. O doutor Wallop explica que a razão pela qual quase todas as alucinações se referem a turistas estrangeiros é o fato de que para os tailandeses os espíritos só podem ser acalmados por seus parentes no local da morte.

“Acreditam que quando uma pessoa morre, um parente deve cremá-lo e benzer seu corpo. Quando este ritual não é realizado, as pessoas acham que os mortos podem aparecer em qualquer lugar para mostrar sua presença”, contou. Como muitos, Napaporn Phroyrungthong, gerente de um bar em Patong, diz ter muito medo depois que esteve no templo de Baan Muang, onde foram depositados centenas de corpos.

“Acredito em fantasmas… a tsunami chegou tão rápido que os estrangeiros não compreenderam o que estava acontecendo. Os mortos pensam que ainda estão na praia e de férias”, afirmou.

Referência:
Thai Ghosts and Spirits

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