TAO: DECADÊNCIA E VOLTA À PUREZA

Lao Tsé; Tao Te Ching verso 18 – DECADÊNCIA

Quando o Tao se perde, fala-se de humanidade e justiça.
Quando aparecem a instrução e as regras de etiqueta, há grandes hipócritas.
Quando as relações familiares não são harmoniosas, fala-se de amor filial e amor paterno.
Quando há desordem e confusão no país, fala-se de amor à pátria.
Onde reina a harmonia está o Tao.
Quando o Tao se perde aparece a falsidade.
Tao Te King – Trad. Albe Pavese (Ed. Madras)

Comentários de Huberto Rohden:
A tirania do ego intelectual sobre o Eu racional é a raiz do caos e da infelicidade da humanidade. O ego intelectual, sendo unilateral, causa desequilíbrio na vida humana, ao passo que o Eu racional (espiritual), sendo unilateral, cria perfeita harmonia na vida. Por Moisés foi dada a lei (direito do ego) – pelo Cristo veio a Verdade, veio a Graça (justiça do Eu).

Comentários do Saindo da Matrix:
Quanto mais rígidos nos tornamos pra combater uma desarmonia, mais desarmônicos nos tornamos. Essa invocação do “politicamente correto” que temos hoje só nos mostra em que ponto chegamos. A natureza é sábia, tende a uma harmonia / entropia que nos guia (nem sempre da forma que queremos, é verdade). Não devíamos precisar de cartilhas ou campanhas pra saber o que é correto. O “amai uns aos outros” funciona que é uma beleza. Nossa Constituição brasileira é a mais avançada do mundo, nosso código penal é dos mais detalhados, e isso tem nos adiantado de algo? Quanto mais se aperta um punhado de areia nas mãos, mais ela escapa. O que fazer?

Lao Tsé; Tao Te Ching verso 19 – VOLTA À PUREZA

Descarta o intelecto e rejeita o conhecimento externo,
e o povo ganhará cem vezes mais.
Suprime o moralismo e anula o dever,
e o povo voltará à Justiça e à compaixão.
Anula a astúcia e joga fora o lucro,
e não haverá mais ladrões nem bandidos.
Para que estes preceitos não sejam como letra morta,
cuida para que os homens possam confiar em alguma coisa.
Sê simples, abraça o natural.
Restringe os interesses próprios e anula os desejos.
Suprime o conhecimento externo de todas as coisas e acabarão tuas preocupações.
Tao Te King – Trad. Albe Pavese (Ed. Madras)

Comentários do Saindo da Matrix:
Não precisamos de leis, não precisamos de coação. Precisamos, sim, de educação! Descartar o intelecto e rejeitar o conhecimento externo não significa, obviamente, queimar livros e banir a ciência. Nem é uma apologia ao comunismo (ironicamente a China hoje é um poço de hipocrisia “comunista”). É sim um indicativo de que, há séculos, vivemos num mundo artificial, distante da natureza e da harmonia do Tao, e que, se queremos dar um freio nisso, prcisamos nos voltar pra intuição, pra nosso interior. Às vezes gosto de ver a vida simples do campo, de alguma cidade do interior. Suas pessoas, seu ritmo, suas ruas quase desertas. Não há placas de contra-mão, proibido estacionar, não há guardas e não há ladrões. E pensar que bastam apenas alguns visitantes de fora pra desarmonizar uma cidade toda…

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