SEM AMOR EU NADA SERIA

O livro Paulo e Estevão, de Emmanuel e Chico Xavier, retrata a conversão de Paulo de Tarso, antes um perseguidor ferrenho dos primeiros cristãos, mas que, após uma visão de Jesus em Damasco, se tornou seu maior defensor e pregador. É ele o criador da Igreja Católica como a conhecemos. É dele as inspiradas frases “Sem amor nada seria” e “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”.

Renato Russo fez um trabalho brilhante na música Monte Castelo, adaptando o texto de Paulo de Tarso (e acrescentando vários trechos de Camões). Devo confessar que foi depois dessa música que comecei a explorar a Bíblia por conta própria, até então “coisa de crente” pra mim. Gostaria de transmitir isso a vocês, tendo a liberdade de macular o texto com meus comentários (perdoem esse exegeta que vos fala):

I Coríntios 13:

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.

Ou seja, a pessoa seria apenas um instrumento de canalização, uma corda afinada que vibra na mesma freqüência de algum outro ser emissor. Muita gente por aí acha que é o tampa de crush por ser médium e receber mensagens nobres e elevadas, inclusive de extraterrestres. Acham que não precisam continuar estudando, trabalhando na humildade e caridade, e vão logo para as luzes da ribalta. São sepulcros caiados, brancos por fora e podres por dentro, como bem nos alerta Jesus.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

Muita gente busca o esoterismo pra conseguir poderes, conhecimento, soberania sobre outros. Muitos conseguem, mas são uns idiotas. Os maiores na Terra são os menores no “céu”. Podem passam anos no Tibet pra levitar e fazer mágica pode impressionar muita gente, mas aquele que resolveu trabalhar pelos seus semelhantes, seja na Índia, África ou Brasil, esse sim, é o maior.

E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

Tem uns “espertos” que resolvem de fato trabalhar pelos semelhantes, mas visando um “terreno no céu”. Atos materiais podem até ajudar muita gente, mas o que vale mesmo para a sua evolução é o teor da energia que transforma a idéia em ação. Daí o “me aproveitaria” da frase genial de Paulo. É benefício para os outros, sim, mas não para você.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se envaidece; não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

O amor derruba as barreiras: seja a do destino, da língua ou da dogmática. De fato, o maior poder no universo é o amor. O amor verdadeiro, universal. “Deus é amor” é muito mais do que uma simples frase melosa: é uma síntese.

Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Muita gente chega à condição de adulto e continua com as coisas de menino. E não falo da idade (nem Paulo, tampouco). O conhecimento liberta, amadurece, e traz com ele novas responsabilidades, que exigem nova conduta. Por isso as pessoas se transformam tanto quando atingem um certo nível evolutivo. É preciso deixar muitas coisas para trás, inclusive certas amizades que insistem em continuar lhe puxando pra baixo, que nem corda de caranguejo. Buda deixou a riqueza, os pais, esposa e filhos para se dedicar a atingir a iluminação. Mas não se esqueceu deles. Quando conseguiu, voltou trazendo o maior presente que um ser vivo pode dar a outro: o caminho para a libertação da Matrix.

Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.

I Coríntios 6:12
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