KUAN YIN: UM SHOW DE BELEZA E PERFEIÇÃO

Quando li Nosso Lar, de Chico Xavier, ficava imaginando aquela cidade espiritual, onde as pessoas que trabalham recebiam seus bônus-hora e podiam gastá-lo em lazer de altíssimo nível, com apresentações que superavam em muito a beleza e graciosidade das artes terrenas… sempre fiquei imaginando como seria, com a liberdade da forma, com a manipulação das luzes, das cores e das frequências sonoras, e pensava: será que algum dia veríamos algo assim?

Décadas se passaram, e eis que surge um vídeo de uma companhia chinesa de dança onde todas as bailarinas são surdas, mas, através de uma perfeita coordenação e trabalho duro, fazem com que o espectador acredite que todas estão sincronizadas com os sons. Até aí nada demais, até que comecei a ver…

Oh, Glória! Oh, Beleza! Oh, Perfeição! E me senti no paraíso por 5 minutos… É o tipo de coisa que você não quer que acabe:

Thousand-Hand Bodhisattva | CCTV English

Achei o seguinte texto explicativo, extraído do Shangai Daily News:

A inesquecível apresentação de dança da Companhia de Arte Performática Chinesa de Deficientes Físicos, realizada em comemoração ao Ano Novo Chinês, se repetirá em Shangai no próximo fim de semana, conforme relata a repórter Michelle Qiao. Mas todos os ingressos já estavam vendidos mesmo antes de as dançarinas terem saído para Shangai.

“Esta vai se tornar a dança mais famosa na China”, disse o coreógrafo Zhang Jigang, usando linguagem de gestos. Ele “disse” isto às 21 dançarinas surdas logo antes de elas entrarem no palco diante de uma platéia estimada em 1 bilhão de pessoas que estavam assistindo ao canal de TV China Central, na transmissão do Festival de gala de Primavera, em fevereiro último.

E ele estava certo. Na apresentação “A Kuan Yin (ou Guan Yin) de Mil Braços“, as dançarinas se posicionavam numa longa fila, criando para a audiência a fabulosa ilusão de que era uma única deusa com múltiplos braços e pernas. A apresentação atingiu imensa popularidade naquela noite. Aparentemente todos que assistiram aos seis minutos de performance adoraram o que viram, e muitos votaram naquele show como a melhor apresentação da noite.

Agora, as dançarinas, todas integrantes da referida Companhia, voltarão a Shangai para novos shows na sexta e no sábado, com ingressos esgotados mesmo antes que as dançarinas começassem a viagem. “É a primeira vez na História que uma dança chinesa foi assistida e apreciada por uma platéia de um bilhão de pessoas”, disse o renomado crítico de dança moderna Ou Jianping. “No passado, não houveram trabalhos expressivos e originais de dança por artistas chineses”. Na verdade, os espectadores chineses nunca deram muita bola para dança e esta modalidade artística geralmente tinha importância secundária nos shows, servindo mais como acompanhamento de cantores. ‘”No entanto, desta vez, com a iluminação, o figurino e a coreografia, esta dança foi algo insuperável”, disse o crítico.

Para saber mais:
Era Dourada – Quem é Kuan Yin?;
Tai Lihua: A Dançarina surda (inglês);
A face for one thousand hands

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