ESCALA PENTATÔNICA: A MÚSICA DA ALMA

Existem dezenas de escalas musicais, mas uma que me chamou a atenção foi a escala pentatônica. Ela é formada pela junção de 5 notas, existindo várias escalas dentro dessa escala (que chamarei de “versões”), sendo as mais usadas Dó, Ré, Mi, Sol e La (chamada de “Pentatônica maior”) e Dó, Mib, Fa, Sol e Sib (“Pentatônica menor”). A versão “pentatônica maior” não possui notas dissonantes (semitons), e por isso pode ser facilmente cantada.

Acredita-se que a origem da escala pentatônica seja chinesa ou mongólica; ela se tornou a base das músicas japonesa e oriental como um todo, mas também pode ser encontrada na raiz da música africana, celta, escocesa e até dos Incas e Índios norte-americanos. Por produzir um som que evoca uma maior introspecção essa é a escala preferida dos músicos de blues e jazz (na versão “menor”). Também é usada em cânticos budistas e na música Gospel (na versão “maior”), e por tudo isso não é exagero dizer que é uma “escala espiritual”. As teclas pretas do piano são um bom exemplo do que é a escala pentatônica para o leigo (pois engloba as versões maior, menor, a pentatônica blues e a pentatônica egípcia), pois essas notas tocam o coração e o espírito de tal forma que é possível reproduzir todas as músicas Gospel norte-americana (denominada Spirituals) apenas com elas, como se vê no vídeo abaixo:

Além disso, também dá pra tocar “Segura na Mão de Deus” e outros clássicos:

A última melodia que consegui tirar nas teclinhas pretas do Iphone foi 12 O’ clock, minha preferida do compositor grego Vangelis, e uma das mais belas músicas que já ouvi na vida. A música de Vangelis traz em si o lamento de civilizações desaparecidas, canções que parecem nos evocar memórias de um passado muito distante, que permanecem em nossa mente como um eco de um tempo mais simples. Suas melodias podem ser cantadas em murmúrios, quase sempre de vozes femininas, e nos passam uma sensação de melancolia que perdura na alma muito depois de você a ter escutado. Sabendo da escala pentatônica e seus efeitos, resolvi pegar as músicas de Vangelis que mais me emocionavam e pude constatar que elas têm em seu tema principal exatamente essa escala de notas:

12 O’clock (do álbum Heaven and Hell):

Rachel’s Song (do filme Blade Runner):

Movement 9 (Do álbum Mythodea):

Monastery of La Rábida (Do filme 1492: Conquest of Paradise):

Mas será que isso funciona em todas as mídias? Fui além, e peguei uma trilha de um jogo de videogame que me emociona desde os anos 80, que me causa uma sensação de enlevação, como se estivesse contemplando música de esferas superiores: Strider.

Reproduzi alguns temas de Strider no piano e vi que SIM, os melhores eram escalas pentatônicas. Então da próxima vez que você se emocionar com uma música, saiba que pode estar diante de uma pequena “manipulação emocional” por parte do compositor, que utilizou pra isso a misteriosa escala pentatônica que, de alguma forma, parece estar “instalada por default” na nossa mente como a escala sonora original de fábrica. Mas por que? Os neurocientistas não explicam, mas o Bobby McFerrin demonstra:

“Em todo lugar que eu vou as pessoas cantam as mesmas notas!”

Recomendo também o documentário “How Music Works“, de Howard Goodall (Legendado):

bandeira da espanha Ler em espanhol (por Silvana Partucci)

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