AS DUAS PIPAS

Estava eu olhando o céu e apreciando num fim de tarde ensolarada duas pipas a flutuar pelo céu. A cena parecia bucólica, relaxante. Por um momento desejei ser a pipa a planar nas correntes de ar, saboreando a vista do alto. De repente, uma das pipas despenca sem coordenação, sendo arrastada ao sabor do vento. Percebo então que as duas pipas estavam em competição mortal.

Fiquei pensando: quando foi que deixamos de apenas brincar com pipas para mergulhar numa guerra infantil por supremacia aérea?

A natureza é violenta, mas é uma violência por sobrevivência, ou seja, alimento ou defesa. Os animais “irracionais” dificilmente matam por diversão (Orcas entediadas talvez matem). Nós matamos. Seja por território, esporte, lazer ou qualquer motivo banal. É uma forma de treinar nossas habilidades, seja matando tartarugas em Super Mario, seja no ritual de iniciação dos espartanos, onde o jovem guerreiro devia matar um “qualquer” antes de ser aceito no grupo. Gostaria de acreditar que evoluímos nesse quesito como sociedade desde os espartanos, mas os assassinos do índio Pataxó não me permitem fazer essa leitura.

Olhando para o céu, para aquela pipa que restou, cercada por aquela imensidão azul, não pude deixar de pensar: não há céu suficiente para todos?

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