QUE HOUVE COM OS BEATLES?

Tava ouvindo o novo single de Paul McCartney (Ever present past) e entortei o nariz logo nos primeiros acordes dissonantes. Fiz careta quando ouvi a voz alterada por computador e totalmente desapontado com o ritmo “mudeeerno” da música. Não era esse cara um dos Beatles?

Antes eu tinha uma ligeira desconfiança de que os anos 60/70 foram um momento mágico na vida desses caras (musicalmente falando, já que – ÓBVIO – ser um Beatle nessa época era ser mais famoso que Jesus Cristo) que, infelizmente, os abandonou progressivamente, para sumir de vez nos anos 90. Magia? Destino? Capricho dos Deuses? Não sei… mas ninguém fazia música como eles naquela época… nem mesmo eles, agora 😛

Soube agora há pouco que a música “Come and get it” (que foi dada de brinde pra o grupo Badfinger) foi toda gravada por Paul McCartney, quando ele chegou mais cedo nos estúdios da EMI (onde os Beatles estavam gravando seu último álbum, o Abbey Road), cantou enquanto tocava piano, depois cantou por cima enquanto tocava maraca, depois foi pra bateria e pro baixo. Tempo total? 1 hora. Isso mesmo. UMA HORA APENAS. Eu levo mais de uma hora pra escrever este post, e o cara faz uma pérola da música pop em menos tempo! E, como se a achasse indigna de seu talento, ainda dá a música pra outra banda gravar (e se tornar um hit nos anos 70)!

O que um Beatle faz quando acorda? Yesterday.
O que um Beatle faz quando está estressado? Help!.
O que um Beatle faz quando está entediado e só tem notícias bobas no jornal? A day in the life.
O que um Beatle faz quando passeia no jardim? Here comes the sun.
O que um Beatle faz quando lê um livro? Tomorrow never knows.

E por aí vai…

Isso é talento em estado bruto. Como pode isso diminuir, ou até mesmo sumir? Não é à toa que tem gente que pensa que Paul está morto e foi substituído por um sósia. Também não é para tanto. O talento de Macca se manifestou na carreira solo, em músicas como My love, Tug of war, Put it there, Hope of deliverance e outras. Talvez eu até queime a língua por estar falando assim do Paul (porque eu só ouvi a primeira música do álbum novo), mas, você lembra qual foi o último sucesso dele nas rádios? Nem eu.

John Lennon foi outro que teve sua fase criativa ruim, com seus álbuns experimentais e a bruxa do 71 sempre do lado dele (cantando, inclusive) mas conseguiu nos legar verdadeiras obras-primas que eclipsam qualquer deslize criativo, como Imagine, Woman, #9 dream, Gimme some truth, Mind Games, entre outros. Sem falar que, no anos 80, o cara estava talvez no seu auge criativo, amadurecido, de bem com a vida, cheio de idéias e aí veio um idiota e o matou. Nunca saberemos se a maldição criativa dos Beatles nos anos 90 iria pegar John…

George Harrison aprendeu a compor com os Mestres Lennon/McCartney. O pequeno gafanhoto desenvolveu um estilo próprio e surpreendeu a todos nos anos 70, com músicas inesquecíveis como Something, While my guitar gently weeps e Here comes the sun. Quem imaginou que, com o fim dos Beatles, ele iria se ver em problemas pra lançar um álbum se enganou. Lançou logo um duplo, aclamado pela crítica e pelos fãs: All things must pass. Após o auge da década de 70, com músicas como My sweet Lord, Who can see it e Give me love (Give me peace on), Harrison quase caiu no ostracismo por uma década, reerguendo-se por um breve período em 1989 com Got my mind set on you e Poor little girl e novamente retornando ao ocaso, até que um (outro) idiota o esfaqueou e contribuiu debilitar sua saúde já abalada pelo câncer.

Ringo? Bem, Ringo é Ringo… Eu adoro Wrack my brain, It don’t come easy e Photograph. Mas essas músicas são de George.

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