UM PÁLIDO PONTO AZUL

Há exatos 30 anos Carl Sagan nos presenteava com uma perspectiva incrível do nosso planeta como nunca visto antes. A nave espacial Voyager 1, da NASA, estava prestes a deixar o nosso sistema solar, e Sagan, que era um membro da equipe de imagens da missão, pediu aos funcionários para girar a câmera 180 graus para dar uma última olhada no planeta Terra, antes que a nave espacial deixasse nosso sistema solar. Não era a primeira vez que Sagan pedia essa foto à NASA. Após a Voyager ter passado por Saturno em 1980 (e teoricamente ter terminado sua missão) Sagan solicitou tal foto, que ele mesmo sabia ser de pouco interesse científico, mas que carregaria uma simbologia forte e uma perspectiva de nosso lugar no espaço. Só que o time envolvido no projeto recusou, dizendo que virar a câmera em direção ao Sol poderia destruí-la.

Quase 10 anos depois, em 1989, Sagan pediu novamente. Aceitaram, mas o tempo que levaram pra calibragem e outras manobras acabou demorando demais e muita gente foi saindo do projeto, até que em 1990 o administrador da NASA em pessoa (Richard Truly) disse pro pessoal fazer o que Sagan pedia. Um presente no último minuto do Dia dos Namorados (Valentine’s day) de 1990. Afinal, os pesquisadores precisavam desativar todas as câmeras para que a nave tivesse a energia que precisava para manter a transmissão de dados de volta à Terra (até hoje). A fotografia impressionante foi a última tirada pela sonda.

A foto

A foto foi retrabalhada pelos técnicos da NASA e republicada ontem, atualizando o espectro de cores para que os raios de Sol pareçam mais naturais

De uma distância de 6 bilhões de quilômetros, a Terra aparece como um pontinho de menos de 0,12 pixels de tamanho na foto, que tornou-se conhecida como O Pálido Ponto Azul (The pale blue dot). A imagem, que viajou na velocidade da luz por quase cinco horas e meia até ser recebida na Terra, não parece grande coisa. Nela vemos o reflexo de três raios de Sol na lente, e num deles está o nosso planetinha. Só que, como Carl Sagan previra, em vez de beleza ou ciência, esta imagem mostrou a vastidão incomensurável do espaço, e nosso lugar inegavelmente pequeno dentro dele.

Sagan viria a escrever sobre a fotografia e o seu significado mais profundo em seu livro de 1994, “Pálido Ponto Azul: Uma Visão do futuro da humanidade no espaço“. Uma emocionante carta de amor ao planeta Terra, mostrado aqui em toda a sua fragilidade, nos lembrando (muito antes da onda ecológica) do quanto devemos cuidar disso aqui!

No vídeo abaixo, Carl Sagan em pessoa narra esta carta, que depois ganhou imagens e música no Youtube:

Referência:
Mais sobre a foto “Pálido ponto azul” (em inglês);
Wikipedia: Pálido ponto azul (em português)

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