Parte 1 aqui. Nesse post foram usados trechos do livro "A roda da Vida como caminho para a lucidez", do Lama Padma Santen
Dukkha (a primeira Nobre Verdade do Budismo) pode ser entendido como as paredes que nos isolam e nos conduzem pra uma realidade à parte. O termo em geral é traduzido como "sofrimento", mas não há realmente um correlato específico pra essa palavra sânscrita em nossos dicionários. Dukkha é uma forma de olhar o mundo, um estreitamento da visão, ou melhor, são as aflições que sentimos ao perdermos a capacidade natural de reconhecer a dimensão limitada do espaço diante dos nossos olhos.
Imagine uma criança numa reunião de negócios, onde são tratados os assuntos de ações, alta do dólar, conjuntura macroeconômica e o preço das balas juquinha. Tirando talvez o último tópico, provavelmente a criança não se interessará por nada, porque nada daquilo condiz com o seu mundo, nada daquilo agrega informação ao seu viver, não é mais do que pura perda de tempo e conversa fiada. Sua mente estará no Sol lá fora, no que o amiguinho de escola estará fazendo neste momento, ou em alguma coisa que tenha encontrado por ali, como uma bola ou um formigueiro no canto do escritório. Pra os adultos que estão na reunião, aquilo É SOBRE UM MUNDO, seus mundos, um mundo virtual que afeta não só suas vidas diárias como a de milhares de outras pessoas mundo afora. Dali se define o quanto vão ganhar no fim do mês, os milhares de empregados que vão manter, produtos que vão lançar ou não, enfim, aquilo diz respeito a um mundo que não existia, e que foi construído e mantido por homens nas duas últimas décadas (a tal da globalização). Isso gera stress, sofrimento, prazer e uma necessidade de comprometimento constante que equivale a uma algema. Um monge, ou alguém livre dessas amarras, achará aquilo tão irrelevante quanto a criança.
A aflição intensa nos põe em contato com nosso karma. O karma quer dizer ação - um tipo de ação que se repete indefinidamente, formando as estruturas aparentemente sólidas daquilo que podemos perceber como as grades de nossas prisões (como, por exemplo, o mercado de ações e os tópicos da reunião acima). Tudo se passa como se estivéssemos batendo leite pra produzir manteiga: repetimos um movimento de forma distraída, por vezes sem conta, até que finalmente aquilo que era fluido se torna cremoso, denso. Do mesmo modo, se movimentarmos nossa energia sempre em uma determinada direção, acabaremos por esquecer a liberdade que nos possibilitou iniciar o processo. Ficamos presos em algum ponto, somos fisgados. E seguimos distraidamente recriando as causas e condições de nosso sofrimento.
Essa experiência cíclica é construída e se mantém como a reprodução incessante de formas variadas a partir da mente. Quando analisamos essas formas aparentemente externas, vemos que elas surgem como experiências inseparáveis de estruturas internas da mente. O nome que se dá a esses mundos é Loka, e essa é a segunda Nobre Verdade do Budismo. É na estrutura interna da mente que Dukkha se instala e opera, gerando os mais diversos tipos de aflições. Sofremos incessantemente, ora por possuir algo que não queremos, por temer perder aquilo que conquistamos, por não ter aquilo que aspiramos, por ter perdido o que nos esforçamos pra obter. Sofremos sem nos dar conta de que, nas bases internas, onde o pensamento repousa, qualquer forma acaba por adquirir qualidades muito sólidas e pesadas. Não mais vislumbramos nenhuma possibilidade de abertura ou flexibilidade. O leite virou manteiga.
Privilegiamos a linguagem discursiva, mas a linguagem verdadeira em que o mundo opera é a linguagem da energia. O mundo não troca palavras, o mundo se movimenta pelo sinal das energias, e o karma se manifesta nessa linguagem, e assim nos impulsiona. Temos muita dificuldade de lidar com isso porque, sempre que uma energia brota claramente em certa direção, achamos que precisamos simplesmente segui-la. E é o processo pelo qual o karma nos domina: o karma movimenta energia.
Esses dois conceitos são importantes pra poder adentrar Avydia (a Ignorância), que começamos a delinear no outro post.
A Revista Veja ed. 2248 trouxe a reportagem A vida sem metade do cérebro, mas o que me intrigou mesmo foi o parágrafo final e a entrevista, que reproduzo abaixo:
A eficácia da psicoterapia no tratamento de distúrbios da mente foi confirmada de forma impressionante pelos estudos com imagens. Alguns dos efeitos conhecidos da depressão no cérebro são a redução do ritmo de criação de novos neurônios e a interrupção da reposição celular no hipocampo, região responsável pela memória e pela formação de células nervosas. Dois estudos recentes mostram que pacientes tratados apenas com terapia convencional, sem o uso de medicamentos, conseguiram estabelecer novas conexões neurais e regenerar a área afetada. Sessões de terapia cognitiva resultaram no aumento de áreas do cérebro que aliviam os sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo em 50% dos pacientes. Ao que tudo indica, a compreensão da plasticidade cerebral pode ser a chave para desvendar a complexidade da mente.
"Somos o que pensamos ser"
O psiquiatra canadense Norman Doidge é o autor de "O Cérebro que Se Transforma". um relato das pesquisas sobre a possibilidade de os estímulos externos mudarem a estrutura e a fisiologia do cérebro, teoria conhecida como neuroplasticidadc. Publicado em mais de 100 países, o livro chega às livrarias brasileiras em janeiro.
A neuroplasticidade desacredita ou confirma as teorias do neurologista Sigmund Freud?
Freud não foi só o pai da psicanálise. Ele foi um dos primeiros estudiosos a perceber o eixo central da plasticidade cerebral. Em 1886, quando raros cientistas entendiam o cérebro como uma grande rede, ele propôs a Lei da Associação por Simultaneidade. Segundo essa lei, toda vez que alguém percebe duas coisas ao mesmo tempo, como um menino com cabelos vermelhos, os dois conceitos são processados por neurônios de diferentes regiões, que se ligam simultaneamente e fortalecem a conexão entre si. A tecnologia de neuroimagem não apenas lhe deu razão, mas também confirmou a eficácia da psicanálise. A maior partee das psicoterapias altera as estruturas cerebrais da mesma forma que os remédios para distúrbios da mente. Não dá mais para alegar que terapia é só conversa jogada fora.
O senhor diz que somos o que pensamos ser. O que isso significa?
Diversos estudos revelaram que pessoas que praticam um instrumento musical apresentam mudanças no mapeamento cerebral idênticas às das pessoas que apenas imaginam estar tocando tal instrumento. A maioria dos indivíduos, inclusive os cientistas, despreza o poder da imaginação. Há um teatro virtual acontecendo a todo momento dentro da cabeça de cada um de nós. Por parecer real. tudo o que uma pessoa imagina se torna um gatilho para as emoções e ações. Os pensamentos positivos são capazes de ligar os centros de prazer do cérebro da mesma maneira que a presença de uma pessoa querida ou uma taça de vinho. Isso é uma forma de sair. mesmo que momentaneamente, dos estados negativos. Quem imagina eventos ruins aumenta as conexões neurais nos centros da emoção negativa, o que pode levar alguém medroso a se tornar um fóbico patológico.
A interatividade do computador altera o cérebro para o bem ou para o mal?
Desconfio que mais para o mal do que para o bem. Os equipamentos eletrônicos são tão compatíveis com o nosso cérebro, que também é movido a eletricidade, que alteram a nossa atenção, tornando-nos viciados em tecnologia. O vício é um fenômeno plástico e não se aplica só às drogas. Pessoas se tornam viciadas em corrida, em jogo, em compras, em paixões. O homem supõe que controla os dispositivos incríveis que criou. Meu temor é que esteja acontecendo o contrário: todo esse aparato tecnológico é que está nos reprogramando.
Como a plasticidade cerebral pode ser usada pela medicina?
As possibilidades são incontáveis. A plasticidade não afeta só a nossa saúde ou o nosso cotidiano. É o modus operandi do cérebro. Ela nos faz humanos. Somos "Homo neuro-plastica". As descobertas que estão por vir podem levar à abertura da caixa-preta que revela quem somos e de onde viemos.
Vejam o trecho final (a partir de 29:32) deste vídeo (descoberto graças à indicação do Mestre Paco Rabanne de Aragão) que se trata de um episódio da série "Caçadores de Ovnis", e que mostra um suposto pedaço de OVNI (ou pelo menos de algo metálico que caiu de um). É importante ver pra entender o post:
A questão que quero levantar é sobre a relação aliens/metais nobres, apontando para evidências (mitologicas ou não) do nosso passado na tentativa de buscar uma chave para o mistério.
A primeira civilização que veremos pode ser considerada como a primeira civilização de fato. São os Sumérios, que, ali pela Mesopotâmia, foram os mestres da arte da fundição, pelo seu trabalho com metais nobres. Sua mitologia (que inclui coisas como a criação do homem "ADAMU" pelos Deuses e o Dilúvio) diz que os Deuses Anunnaki vieram de outro planeta (Nibiru) e tiveram filhos com as terráqueas (criando os semideuses) e por meio destes governavam aquele povo. Posteriormente escolheram uma linhagem de humanos pra reinar no seu lugar.
Essa mitologia é a base de praticamente todas as mitologias das grandes civilizações que se desenvolveram na antiguidade. Podemos ver aí os Gregos (Deuses e Titãs, Oráculo, etc), Romanos, Incas, Astecas e Egípcios (Faraós) e Hebreus, sempre um povo "escolhido por Deus" com uma monarquia representante da "Vontade Divina". Ou seja, em algum momento impreciso de sua história, eles tiveram contato direto com os "Deuses" e isso ficou registrado na sua tradição oral ou escrita. Mas três civilizações, em pontos diferentes do globo, possuem mais duas semelhanças que os distinguem dos demais: a construção de pirâmides (com uma precisão que desafia nosso entendimento até hoje) e o trabalho de arte com o Ouro (e outros metais preciosos). São eles os Sumérios, os Egípcios e os povos Pré-Colombianos.
Vejam esta réplica da uma estela que mostra Akhenaton, Nefertiti e seus filhos, a realeza, intermediária entre homens e deuses:
Ignorância (em sânscrito Avydia) é um conceito e estilo de vida que tem me inquietado nos últimos anos, por isso procurei o Budismo para compartilhar meus pensamentos e refletir mais sobre o que realmente é a ignorância e onde se propaga. Não foi por acaso essa escolha, já que nesta religião achei muitas provocações que me inquietaram ainda mais. Basicamente, fui motivada pelo estudo de como perdemos a concepção da espiritualidade, ou como nos cegamos para o que é essencial nas relações, na nossa sociedade (que compartilhamos juntos mesmo sem parecer que sim), mas principalmente a ignorância de nós com nós mesmos, que é ponto de partida para todas as outras questões. Em outras palavras: como nos tornamos burros e cegos sobre nós mesmos?
A burrice ou a cegueira vem da ignorância. Ainda que sejam muito semelhantes, pode-se dizer que a ignorância é o fato de a mente nada perceber e a cegueira o fato de nada compreender. Podemos comparar essas duas noções à obscuridade: uma obscuridade sem lua, sem estrelas, sem vela, sem luz!
Emocionalmente a cegueira é a base para outras emoções. Por quê? Repetimos um movimento de forma distraída, por vezes sem se dar conta, até que finalmente aquilo que era fluido se torna cremoso, denso. É a mesma coisa em pensar que movimentamos nossas energias sempre em uma determinada direção, até que finalmente acabamos esquecendo a liberdade que nos possibilitou iniciar o processo. Ficamos preso em algum ponto, fisgados. E o pior disso tudo é que seguimos distraidamente RECRIANDO as causas e as condições de nosso sofrimento por aí.
Sua Santidade o Dalai Lama costuma resumir a filosofia budista em uma frase: "Faça o bem sempre que possível; se não puder fazer o bem, tente não fazer o mal".
Uma das especialidades do budismo é a noção de que o mundo que nos circunda é inseparável de nós mesmos. Assim, se fazemos o bem para os demais seres e para o ambiente, estamos cuidando de nosso próprio bem. Se causarmos mal aos outros e ao ambiente, estaremos causando mal a nós mesmos. Todos estão ligados aos outros, todos dependem uns dos outros.
O conceito de interdependência budista também sustenta que nós - e tudo o que nos circunda - não temos a solidez que julgamos possuir. Atribuímos identidades e qualidades a tudo e a todos (inclusive a nós mesmos) a partir de uma visão limitada por um padrão binário de gostar e não gostar, querer e não querer. Assim, construímos mundos adequados às limitações de nossas mentes. Esses mundos que surgem inseparáveis das nossas mentes são chamados de Mandala. A palavra Mandala tem origem no Sânscrito e significa "círculo de cura" ou "mundo inteiro". É uma representação do universo e de tudo que há nele. Mas não se refere apenas a um mundo material, mas à experiência desse mundo com o observador, com os limites cognitivos, com as energias de ação, emoções e com o corpo. Ou seja, o que a física quântica descobriu nos anos 50 sobre o papel do observador na interação inconsciente com o mundo material o budismo já intuía há milênios. Cada mandala surge inseparável de um tipo correspondente de inteligência viva e ativa. Essas inteligências são transcendentes, não-pessoais, não-corruptíveis e livres do tempo. Incessantemente disponíveis, podem ser reconhecidas e acessadas sem esforço ou luta a qualquer momento. A meta budista é sair das mandalas limitadas e chegar às mandalas de sabedoria, isentas do padrão binário de gostar e não gostar (a "Matrix").
Todos os seres aspiram felicidade e proteção frente ao sofrimento. Nossos pais nos ensinam habilidades para nos aproximarmos da felicidade e nos protegermos. Nossos pais, professores e mestres nos ensinam também a disciplina, e com isso ampliamos nossa capacidade de atingir metas difíceis, atravessar ambientes perturbadores e exigentes e suportar as adversidades momentâneas na busca de realizações maiores. O budismo nos ensina a capacidade de reconhecer mundos puros e inteligências puras, de tal modo que, instalados na experiência desses ambientes puros, as ações positivas sejam naturalmente realizadas sem esforço e sem contradição. Esses mundos puros são as mandalas de sabedoria.
Quando nos inserimos em uma mandala de sabedoria, adquirimos condições de realmente fazer o que é melhor para nós, para os outros, para a humanidade e o ambiente. Somos capazes de viver o amor e a compaixão com alegria e equanimidade, sem nos deixarmos abater pelas dificuldades que apareçam. O mundo ao nosso redor continua o mesmo, mas nós mudamos nosso olhar (o "observador"), e isso muda tudo. Quanto mais pura e mais ampla a mandala, maior a nossa liberdade e capacidade de gerar o bem. Além da inserção pessoal em mandalas de sabedoria, nós, como agentes da cultura de paz, vamos trabalhar para que os outros também possam fazer o mesmo, que possam migrar para mandalas mais amplas.
É a partir do conceito importante de Mandala que a ignorância será aqui representada na Roda da Vida do Budismo Tibetano, não se refere à falta de informação apenas, mas à concepção equivocada da pessoa, especialmente de si mesma, como existindo de forma inerente, e à concepção equivocada de que os fenômenos que fazem parte de seu continuum, como mente e corpo, existem inerentemente.
A Roda da Vida (em sânscrito Bhavachakra) - também conhecida com a Roda da Existência, Roda do Devir e do Vir-a-ser (ou mais conhecida como o Ciclo da Morte e Renascimento) - foi criada pela extinta escola Sarvastivada, precursora do budismo Mahayana. Este diagrama geralmente é encontrado nas portas de entrada dos monastérios tibetanos. Suas ilustrações representam simbolicamente os doze elos da existência interdependente, os seis reinos da existência cíclica e os três venenos da mente. Segundo a tradição, a Roda da Vida foi desenhada pela primeira vez na época do Buddha Shakyamuni.
A figura que segura a roda é Yama, o demônio da morte da mitologia indiana. Aqui, sua terrível presença simboliza a impermanência; nenhum ser vivo pode escapar de suas garras. Entretanto, o Buddha está flutuando no céu e apontando para a lua cheia: isto representa que os seus ensinamentos apontam o caminho para a liberação.
A parte principal da roda é dividida em seis partes, representando os seis reinos da existência cíclica (no sânscrito, Samsara). Na parte de baixo estão os três reinos inferiores:
- Seres dos infernos (Naraka ou Nairayika, em sânscrito);
- Fantasmas famintos / espíritos carentes (Preta);
- Animais (Tiryak ou Tiryagyona).
Na parte de cima, estão os três reinos superiores:
- Deuses (Deva);
- Semideuses ou antideuses, deuses invejosos, demônios covardes, Titãs (Asura);
- Humanos (Manushya).
Em cada reino há um Buda: Yama Dharmaraja no reino dos infernos; Jvalamukha no reino dos fantasmas famintos; Simha no reino dos animais; Indra no reino dos deuses; Vemachitra no reino dos semideuses; e Shakyamuni no reino dos seres humanos.
No centro da Mandala existem três animais (um javali, um galo e uma cobra), - que representam os três venenos da mente: o desejo (apego), o ódio (aversão) e a ignorância (mais sobre isso aqui).
O javali está focado, pois apesar de ter força, tem uma visão estreita. O javali é a nossa identidade, relativa à nossa ignorância. De dentro da identidade/ignorância brota a atividade sustentadora da ignorância (o galo). Por exemplo, se você se define como professor, você vê o mundo pelos olhos de um professor. A cobra corresponde à raiva, rancor, ódio e medo. Quando temos apego às coisas, precisamos defender essa coisa. A cobra é a defesa da identidade/ignorância e dos atos sustentados pela ignorância. Medo frente à impermanência; medo frente à dissolução. E tudo é impermanente, então o medo é nosso companheiro de jornada na Terra.
Ao redor dos animais temos os dois semicírculos, no qual vemos a impermanência na alternância da situação espiritual da pessoa: de um simples mortal a um semideus, e daí pra um demônio, humano de novo, depois um ser involuído, se tornando uma criatura ínfima no "inferno" (a mesma criatura que Shiva esmaga com o pé, na Dança de Tandava). A evolução ou involução se dá pelo grau de ignorância da pessoa, e ao realizamos ações virtuosas e não virtuosas - o que leva ao renascimento nos seis reinos da existência cíclica.
Estava conversando com o Coringa a respeito dessas datas, como 1999, 11/11/11 ou 21/12/2012, e como elas ativam, na cabeça das pessoas, pelo menos, portais pra outros estados mentais. Não sei até onde isso é uma questão de QUERER ou se algo muda no inconsciente coletivo da humanidade. O fato é que não podemos ignorar que o mundo mudou de forma abrupta na última década. Não podemos estabelecer relações com essas DATAS em particular, mas podemos perceber que elas são como que marcos indicativos de um estado mental que levam a grandes acontecimentos. O 1999, pra mim, foi o despertar da Matrix, a percepção de estar dentro de um jogo onde se finge que o mundo é normal (e isso, óbvio, tem relação direta não só com o filme The Matrix - que estreou em 99 - como com a descoberta dos UFOs sobrevoando minha cidade e ninguém dando a mínima). Para os Maias 1999 foi a época em que "a Humanidade entrará no grande salão dos espelhos, uma época de mudanças para que o homem enfrente a si mesmo (...) para que ele veja e analise seu comportamento com ele mesmo, com os demais, com a natureza e com o planeta onde vive". O fato é que nos deparamos, em 2001, com o inimigo interno, que foi o próprio governo dos EUA conduzindo o ataque às Torres gêmeas, e isso, pra quem despertou pro fato (muitos norte-americanos já o fizeram), é o tal salão de espelhos, onde a falta de escrúpulos do cidadão acaba dramaticamente representada na falta de escrúpulos de seu governo (como é o caso do Brasil, também).
Ficamos cientes do que estamos fazendo com o planeta, sentimos o efeito do aquecimento global nas nossas próprias peles, mas pro cidadão médio - materialista, mais preocupado com o que comer e comprar - essas questões não são muito pertinentes. Até que veio a crise econômica. Jogar Napalm em garotinhas vietnamitas pode não ser uma coisa muito bem vista pela opinião pública, mas é sempre O OUTRO. Até mesmo os jovens morrendo na guerra é o outro pra grande maioria das famílias. Mas tirar do próprio bolso pra pagar a farra dos banqueiros - muitas vezes com o próprio emprego - é um pouco demais pra população global. Acredito que isso ainda faz parte da energia 1999, mas já rumando pra energia 2012. Talvez o tal "Portal 11/11" represente esse momento (que não é uma data, já sentimos isso desde a "Primavera Árabe") de transição pra uma nova consciência, onde saímos da inércia que nos caracteriza como "povo gado" e partimos pra reivindicação de uma mudança profunda no sistema. Uma revolução sem líderes, sem rosto, sem "gado". Não é à toa que a face escolhida pra representar esses movimentos acabe sendo a do personagem do filme "V de Vingança". São pessoas acima de uma bandeira, de uma ideologia; são os "anônimos".
Talvez um dia atinjamos uma massa crítica pra mudar realmente as coisas, mas o fato é que essa onda se iniciou e não tem mais volta. Em algum ponto nossos governos ocidentais talvez ajam como os líbios ou egípcios, que endureceram e reprimiram - quando se vêem diante da reação do povo - mas que acabam por cair.
Um outro cenário especulado por nós que poderia mudar as regras do jogo seria uma aparição maciça e inacobertável de naves no céu. Não um Contato, mas um aviso para as massas: vocês não estão sós. Isso desencadearia um processo de ruptura natural com nossas lideranças políticas, religiosas, culturais, filosóficas. Tudo o que conhecemos teria de ser revisto à luz de uma perspectiva menos heliocêntrica (da mesma forma que houve a ruptura com o geocentrismo). Os "sistemas" como o conhecemos cairão ou ficarão abalados, e isso é uma ótima oportunidade de renovação. Mas o problema com um contato direto (e eu tenho certeza de que "eles", seja lá quem forem, estão cientes disso) é que isso, ao invés de ajudar a raça humana a evoluir, nos tornaria servis, acomodados. Nós os encararíamos naturalmente como deuses, como nossos irmãos mais velhos - ou mesmo pais - e apenas trocaríamos um Mestre humano por outro, uma filosofia terráquea por outra, uma tecnologia obsoleta por outra. Uma aparição maciça, por outro lado, nos faria pensar, questionar, nos UNIR, porque já não seríamos mais brasileiros ou chineses, e sim terráqueos. Sim, isso seria motivado principalmente pelo medo do desconhecido, mas convém lembrar o quanto somos atrasados e dependentes de "empurrões" pra crescer (invasões bárbaras, cruzadas, 2ª guerra, corrida à Lua, projeto Genoma, etc).
Ironicamente talvez o povo que menos mude com a idéia de um contato direto com civilizações alienígenas seja um dos mais antigos: os hindus. Isso porque toda a estrutura religosa e cultural está estabelecida em seres divinos que voavam em discos voadores e ensinaram todos os valores morais, culturais e tecnológicos ao povo que habitava a Índia. Tanto é que o sânscrito é uma língua sagrada, a língua dos deuses. Os "deuses" hindus, apesar do status, conviviam harmoniosamente com o povo daqui. Se seres de outro planeta (ou dimensão) aparecerem por lá, serão saudados como os deuses que voltaram (mesmo que eles digam que não, serão sempre reverenciados como tal), afinal o povo indiano é muito bom em agregar uma cultura de fora à sua própria.
As religiões católica e islâmica já vêm falando abertamente da possibilidade de existir civilizações extraterrestres. Será uma preparação? E vocês, como vêem a sociedade, filosofia e religiões em face de uma aparição em massa ou mesmo de um Contato oficial?
A música é uma maneira de falar com Deus, e a que mais toca o coração. Porque a música pode ativar o Deus que há em você, e fazer você se conectar com o Deus que há no outro. Tudo isso sem a barreira da língua. Por isso selecionei algumas músicas de diversos países que representam essa mágica devocional. Recomendo dar o play e só depois de ir ouvindo a música ler o texto que acompanha.
Alemanha/Inglaterra
Georg Friedrich Händel - Aleluia (Do oratório "O Messias")
Alemão naturalizado inglês, Handel compôs numa letra inglesa a mais icônica melodia de louvor de todos os tempos. Aparece em novelas, programas de humor e até mesmo videogames (Toe Jam & Earl). A Tradição conta que na primeira apresentação do "Messias" em Londres, o rei da Inglaterra, George II, estava presente. Quando o coral começou a entoar os primeiros cantos do "Aleluia", o rei, embevecido e impressionado com a portentosidade e a beleza daquela oração, automaticamente levantou-se de sua poltrona. Quando viram que o rei estava em pé, toda a audiência ergueu-se (o protocolo real diz que ninguém deve permanecer sentado na presença do rei em pé), daí o costume de toda a platéia permanecer em pé durante a execução da ária mais famosa de todos os oratórios.
Áustria/Vaticano/EUA
Stevie Wonder - Ave Maria
Assim como o sânscrito para os hindus, o Latim é a língua sagrada do católico. Ela se difundiu com o Império Romano e morreu com ele, mas não sem dar origem a diversas línguas, inclusive a nossa. Evoca o que há de mais tradicional em termos de fé. O austríaco Franz Schubert compôs essa melodia em 1825, com apenas 28 anos. Ironicamente ela não foi feita para a oração latina da Ave Maria, e sim uma prece à mesma tirada do poema "A dama do lago", de Sir Walter Scott. Mas o casamento da música com a letra latina é perfeito, e quase 200 anos depois ela ainda é tocada diariamente nas rádios do mundo todo, pontualmente às 6 da tarde (a Hora do Angelus). A versão de Stevie Wonder pra mim é a que tem o arranjo mais sublime.
África/EUA
Sam Cooke & The Soul Stirrers - Be with me Jesus
O estilo africano que caracterizou o Gospel está claramente presente nesta música, que utiliza o "chamamento" e a repetição pra envolver a platéia numa espécie de mantra. O tambor funciona nesse sentido, marcando uma cadência que lembra os tambores xamânicos.
Inglaterra/África/EUA
Elvis Presley - Amazing Grace
Esta música mistura o estilo protestante anglo-saxão com o lamento e a escala pentatônica do spiritual negro, que combinado à voz de timbre profundo de Elvis representa o amálgama do Gospel norte-americano. A história dessa música é tocante, pois foi escrita como uma autobiografia espiritual do autor, o inglês John Newton. Newton era simplesmente o cara mais escroto e blasfemo do navio negreiro onde trabalhava (que já não era nenhuma escola para moças), praticando bullying até com o capitão do navio e zoando da fé dos marinheiros em Deus, o geralmente resultava em detenções e até mesmo escravidão. Mas certo dia o navio enfrentou uma violeenta tempestade que ameaçou matar a todos. Um dos marinheiros, que estava em pé no lugar onde Newton estava minutos antes, foi jogado no mar. Desesperado, Newton deu uma sugestão para o capitão pra se salvarem (no que foi atendido). Ele então disse: "Se isso não resolver, então que Deus tenha piedade de nós". Resolveu. E Newton ficou meditando nessa frase por dias, se perguntando se ele - tão diretamente oposto a Deus - seria digno da misericórdia Divina.
Não se sabe a melodia original da letra Amazing Grace, pois não estava junto dos versos. Mas alguém colocou a melodia de "New Britain" (cuja origem é desconhecida, provavelmente escocesa) e ela casou perfeitamente, eternizando-se como a melodia oficial.
Brasil
Caetano Veloso - Oração ao Tempo
Como a mais conhecida música devocional brasileira não é brasileira ("segura na mão de Deus") tive de procurar algo menos conhecido, mas não menos belo. E encontrei uma canção/oração dedicada a uma divindade afro-brasileira do Candomblé, o Orixá "Tempo".