TAO – CLARO / ESCURO

O sábio aprende na teoria para utilizar na prática. O tolo aprende na prática para entender a teoria.

Este aforisma Taoísta nos mostra a importância de termos nossas experiências aqui na Terra, de aprendermos os dois lados da moeda, e saber que mesmo as pessoas mais ruins estão, de certa forma, evoluindo, pois chegará o dia em que elas aprenderão no íntimo que aquilo não é o correto, e farão um esforço no sentido de compensar todos os males que causaram. Uma pessoa muito querida certa vez me disse que até o câncer evolui, e tive de concordar. 😉

Creio que vivi primeiro a luz, mas não a reconheci. Sobreveio então a escuridão, e eu não a percebi, até que foi tarde demais. Agora que conheço bem os dois lados, poderei dar mais valor à luz, quando encontrá-la novamente.

Antes ser tolo por algum tempo do que ser tolo por toda a vida.

Só temos consciência do belo quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom quando conhecemos o mau.
Porquanto, o Ser e o Existir se engendram mutuamente.

O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.

Eis porque o sábio age pelo não-agir, e ensina sem falar.
Aceita tudo que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza – e nada considera seu.
Tudo faz – e não se apega à sua obra.
Não se prende aos frutos da sua atividade.
Termina a sua obra, e está sempre no princípio.
E por isto a sua obra prospera.

(Lao Tsé; Tao Te Ching – verso 2)

O livre arbítrio é a resultante do saldo de nossa conta espiritual. Toda liberdade é proporcional às ações boas ou más que praticamos. O livre arbítrio de cada homem difere de conformidade com as suas obras. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Quem semeia vento, colhe tempestade.

Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

Paulo de Tarso, na Carta aos Gálatas 6:7

O que consideramos nossos inimigos são na verdade os maiores ajudantes da nossa evolução. Eles são o que nós não queremos ser. E, se você for inteligente, vai procurar semelhanças com ele, e aí vai procurar extirpar essas semelhanças de você. É tudo uma questão de ressonância. Se algo que seu inimigo faz ou diz lhe atinge, é sinal de que ressoou, e é um alerta para você se trabalhar neste aspecto. Já se nós simplesmente odiarmos nosso inimigo, nos colocando num patamar superior a ele, inatingível, estaremos apenas jogando a nossa sujeira, por menor que seja, pra debaixo do tapete, e deixando pra depois uma imensa oportunidade de evolução.

O caminho da ciência é difícil, e é difícil distinguir nele o bem do mal. E freqüentemente os sábios dos novos tempos são apenas anões em cima dos ombros de anões. O limite entre o veneno e o remédio é bastante tênue, os gregos chamavam a ambos de Pharmacon.

Umberto Eco; O nome da Rosa
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