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THE BEATLES #1+


Uma análise música a música da qualidade técnica do álbum Beatles #1+, que traz novas mixagens sonoras dos sucessos dos Beatles.


All you need is love
Um progresso fantástico, como passar do VHS direto pra Blu-Ray. Nota 10.

A hard day's night
Faixa Polêmica. A faixa original me parece ser uma das piores captações de uma gravação dos Beatles, e aqui os engenheiros fizeram um pequeno milagre de conseguir eliminar o eco e ainda aparecer um pouco da voz de Paul. O problema é que isso mudou a música como a conhecemos. Particularmente (provavelmente por costume) eu não gostei, mas imagino que as novas gerações vão gostar mais. Nota ???

Day Tripper
Mesmo problema: tiraram os reverbs da voz. Só que nessa faixa, cuja captação dos outros sons foi perfeita, o reverb era nitidamente intencional. Agora eu fiquei muito curioso em saber o que Paul acha disso, porque se na época o grupo concebeu e aprovou a gravação de tal forma, será que retirar esse elemento não é equivalente a raspar a mão final de tinta (ou o verniz) de uma pintura que todos consideramos uma obra de arte? Nota 7.

Can't buy me love
Os pratos de Ringo, característica principal da música, foram quase que completamente eliminados, a não ser no refrão. A música ficou descaracterizada. Nota 0.

Come together
Mais uma música em que Ringo foi sacaneado na mixagem. A bateria dele DOMINA essa música na versão "sagrada" lançada em 2009, remasterizada mas sem alterações na mixagem. A bateria é cortante, chega a ser até mesmo aguda no canal da direita (enquanto o baixo de Paul é que domina os graves, no canal esquerdo). O baixo permanece intacto, mas a bateria foi suavizada! Nota 5.



Eight days a week
Uma música originalmente sem reverbs, baseada muito no jogo vocal dos Beatles, então a nova mixagem caiu como uma luva. Nota 10.

Eleanor Rigby
A mixagem original me incomodava profundamente, então qualquer coisa seria melhor que aquilo. O vocal agora está centralizado, só um tantão mais alto que os strings. Mas nada que estrague a música. Nota 8.

From Me To You
Enfim uma mixagem difícil executada de forma perfeita. Difícil porque tem um monte de reverbs, é antiga e "mal gravada", por assim dizer, e a nova mixagem só retirou um mínimo de eco (provavelmente do estúdio) mas deixando nas partes que caracterizam a música (no refrão, especialmente). Nota 10.

Get back
Agora somos apresentados a mais uma revisão de Get back, onde a bateria "marcial" de Ringo está mais apagada, próxima da versão "Naked" (mais ainda mais escondida na mixagem). Definitivamente a pior versão já lançada. Nota 5.

Hello Goodbye
Existe uma mania aqui em todas as músicas de pegar a voz dos Beatles e aumentar muito em relação ao acompanhamento, calibrando-a pra ficar num tom médio-grave. Fica legal em algumas músicas, mas em outras estraga todo o "clima". Hello Goodbye é uma melodia leve, com uma voz quase sussurante, e na remixagem ficou muito alto, muito grave. É difícil dizer que o resultado é ruim porque toda a música ficou tão mais bela com a remasterização que eu tenho a tendência a deixar esse detalhe da voz passar. Mas não é a mesma música que eu conheci e apreciei. Nota ???

Yesterday
Mesmo problema da Hello Goodbye: Voz mais grave, mas também mais nítida, o que confere uma mistura de beleza e estranheza. Nota ???

Help!
Há um momento que ilustra todo o ponto que eu quero levantar sobre esse CD, que até então era muito subjetivo mas aqui é nítido: coloquem aos 2:10 e ouvirão o "Help me" desesperado do John, ou melhor, nem tanto: procurem a versão de 2009 e AÍ SIM escutarão um HELP desesperado, com a garganta estourando de gritar. Como tudo na versão nova, qualquer coisa que soe "desafinada" ou qualquer instrumento que soe muito alto (como os pratos ou o tamborim de Ringo nessa música) foram rebaixados em um nível assustador pra algo que é tocado, celebrado e endeusado até hoje como uma revolução na música.

Hey Jude
Nada demais, nem pra melhor nem pra pior. Nota 8.

I feel fine
Tiraram os reverbs das vozes, e não satisfeitos tiraram a distorção até mesmo da guitarra, cuja CARACTERÍSTICA PRINCIPAL era a distorção estranha, única. Mataram a música. Nota 0.

I want to hold your hand
Uma versão limpinha e tecnicamente perfeita. Nesse caso estranhemente eu gostei, já que a original era o equivalente sonoro a uma pintura borrada. Nota 10.

Lady Madonna
Perfeita. Nota 10.

Let it be
A versão é mais abafadinha que uma que eu já tinha. Nota 6.

Paperback Writer
Só essa música vale por todo o CD. Assim que comecei a ouvir quase caí da cadeira. A guitarra está poderosa, a mixagem do som está Perfeita, com P maiúsculo. Equilíbrido do vocal com acompanhamento Perfeito. Quem dera o álbum todo fosse assim. Nota 1000.

Penny Lane
Controversa. Aqui eles alteraram a leveza da música em função de uma melhor mixagem no sentido de que agora dá pra compreender o que Paul diz perfeitamente (no original a voz ficava na mesma altura que o piano). Particularmente eu gostei, mas que alterou a percepção da música, alterou. Nota ???

She Loves You
Música originalmente barulhenta mas abafada, agora só está barulhenta. Um belo trabalho de mixagem com um material que eu achava que era impossível recuperar por conta da captação precária. Nota 9.

The Ballad Of John And Yoko
perfeita. Nota 10.

Something
A guitarra está mais linda, mas a voz do George está um pouco mais apagada. Nota 9.

The Long And Winding Road
Finalmente um remix dessa música. A original parece que ele tá cantando debaixo d'água. Só não é perfeita porque os caras perderam a oportunidade perfeita de equilibrar melhor os arranjos do Phil Spector com a voz e piano (continua muito alto). Paul, em seus show, mixa os arranjos discretamente e fica muito lindo, introspectivo. Considerando que eles mexeram na essência de tantas músicas, por que não nessa? Ainda assim nota 8.

Ticket To Ride
Essa música é o percursor do "metal pesado" (ou pelo menos um parente distante). Maravilhoso o remix ter recuperado o baixo e a bateria e dado a eles a predominância necessária. Nos anos 60 isso não era possível pois as agulhas das radiolas da época saltavam quando a música tinha muitos graves, então os estúdios tinham um limite de corte de frequência. Nota 10.

We Can Work It Out
Mataram a música: Os belíssimos arranjos de guitarra (em especial no refrão, um elaborado arranjo country que parece até um banjo) foram abafados na nova mixagem. Nota 0.

Yellow Submarine
Mais abafado que a versão que eu tenho. Nota 5.


O veredicto final é que perderam uma ótima oportunidade de pirar um pouco na mixagem e valorizar a beleza dos arranjos, da melodia, e trazer os Beatles pra um novo público já cansado dos "batidões" do pop de hoje. O que me parece no final das contas é que, em muitas das músicas tem um cover dos Beatles tentando reproduzir as músicas o mais fielmente possível, mas com equipamento novo e para os padrões digitais e assépticos de qualidade de hoje. Giles Martin (filho de George Martin) fez um trabalho magnífico em "Love", elevando a música dos Beatles a um novo patamar, e agora ele, junto com Sam Okell (ambos premiados com Grammys) fizeram um trabalho careta com uma banda que era tudo menos careta.


Publicado ter, 1 de dezembro, 2015, às 12:29 AM