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ESCÁRNIO COM O POVO: O GUARDIÃO


Essa merece ser reproduzida na íntegra aqui. Até onde vai a cara-de-pau dos que roubam dinheiro público com os inúmeros benefícios do judiciário e legislativo? Até onde deve ser levado um processo pra que uma pessoa com TODAS as evidências de lalau tenha suas mãos afastadas do poder público?

Texto de Fábio Pannunzio (original aqui)

José Geraldo Riva, presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, recebeu hoje a comenda de “Guardião do Paiaguás” (palácio do governo do Estado). O agraciado tem contra si 118 ações civis e penais por todo tipo de crime contra o erário público.

Riva está com os direitos políticos cassados por decisão judicial, não pode sequer assinar cheques da Casa que dirige e tem uma parte de seu vasto patrimônio bloqueado. É um homem que já foi condenado até por estelionato e falsidade ideológica por vender terrenos que não lhe pertenciam.

De acordo com o Ministério Público matogrossense, ele é o chefe do braço político remanecente do esquema de outro comendador — Arcanjo Ferriera, o capo da máfia que dominava o jogo do bicho, o tráfico de armas e de drogas no Centro-Oeste brasileiro. Arcanjo está preso em uma cadeia federal no Mato Grosso do Sul.

Entre o fim dos anos 90 e meados desta década, uma factoring do primeiro Comendador trocava cheques da Assembléia Legislativa emitidos e assinados por Riva em benefício de uma coleção de empresas-fantasmas, por intermédio das quais o dinheiro público era desviado para o bolso do próprio deputado.

A comenda de “Guardião” foi entregue pelo governador Blairo Maggi. “É um coroamento de um trabalho que espero ter surtido efeito. Estou muito feliz como esse momento” disse o multiprocessado José Geraldo Riva.

O efeito surtido pelas ações de Riva pode ser medido na contabilidade feita pelo Ministério Público. Por sua obra e graça, o valor dos desvios chega a quase R$ 500 milhões. O “Guardião”, pelo que se lê contra ele nos autos das dezenas de representações, está sendo homenageado porque se mostrou muito eficiente em “guardar” dinheiro do povo na sua própria conta-corrente.

Só pode ser escárnio. Depois dessa, falta apenas introduzir as disciplina “Técnicas de Gerenciamento do Butim”, “Administração em Causa Própria” e “Ética da Corrupção” no curriculum do ensino básico das escolas públicas de Mato Grosso.


Publicado qua,10 de março, 2010, às 3:55 PM  2 comentários