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7th DRAGON


Exste um erro muito grande de achar que o Designer tem de saber desenhar. Não, ele pode não ter capacidade de desenhar um boneco de palito e, ainda assim, ser um grande Designer. Porque fazer Design é saber dispor dos elementos gráficos (que podem ser palavras, símbolos ou desenhos) de forma harmoniosa, sugestiva, empolgante, atrativa, etc.

Da mesma forma, um bom compositor não precisa ser necessariamente um bom músico ou tocar algum instrumento. Assim como no Design saber desenhar ajuda, na música também, claro. Mas o compositor têm a sua forma de expressão na arte de dispor dos elementos sonoros (seja uma guitarra, uma batida de lata ou um som eletrônico) de forma harmoniosa, sugestiva, empolgante, atrativa, etc.

Os japoneses não são conhecidos por terem grandes bandas ou nomes consagrados. Não vai sair nenhum Beatles do Japão, ou um Jean Michel Jarre, que revolucione a forma de apreciar a música, mas eles são peritos em refinar um conceito até o seu limite. Vemos isso no mundo da tecnologia, com seus carros, celulares, câmeras digitais, e, por que não, também na música. Nela, eles não criam gêneros, mas o trabalham até o ponto onde o aluno supera o mestre. Assim, pode-se ouvir japoneses compondo músicas clássicas melhores que qualquer europeu, músicas celtas e irlandesas melhores e mais famosas que muitos grupos de lá, ou arranjos de europop e hip-hop que rivalizam com qualquer contraparte ocidental.

O grande trunfo dos japoneses pra manter azeitada e diversificada a produção musical tem sido os videogames, que possibilita explorar infinitos temas e estilos, e obter uma penetração mundial. O que começou com uma forma de entreter musicalmente o jogador rapidamente, ao menos no Japão ganhou importância por si só. Passou então a emular sons do cotidiano, como os estilos musicais do oriente e ocidente, mas, aos poucos, foi se estabelecendo quase como um gênero, por conta de certas nuances. Isso se deu porque, com o avanço dos videogames, a música de fundo podia ser a de qualquer álbum, com qualidade de estúdio ou e até melhor que a dos tocadores de CD. Mas há algumas características que se mantém, apesar de tudo, como manter um som com timbre eletrônico mesmo num tema clássico, por exemplo. Ou manter uma base melódica facilmente identificável, do tipo que gruda na sua cabeça.

É esse estilo de música que Yuzo Koshiro resgata com seu mais novo trabalho: The 7th Dragon (um RPG para a SEGA). A combinação de música clássica e timbres "clássicos" de videogame, que ele usou com sucesso em Actraiser, retorna aqui de forma mais discreta, usando timbres característicos da era 16-bit, como os sons de caixinha de música usados por Yasunori Mitsuda. Mas pode-se perceber que, em essência, as músicas seguem uma construção de videogame, com uma linha melódica bem definida. Pra provar, ele até fez versões 8-bit de todas as músicas, pra mostrar que é possível limitá-la a 3 ou 4 canais de som e ainda assim ter a melodia.



Land of Dragons and Flowers (versão "orquestral")


Land of Dragons and Flowers (versão "8-bit")

Como eu sou um cara meio sinestésico, consigo associar algumas músicas a cores ou padrões que aparecem em minha mente, então tenho meus compositores favoritos dependendo da beleza que ele consegue induzir visual/musicalmente em meu cérebro, o que em certas músicas pode causar sinestesia tal que chega a ser um mini-orgasmo. Então apreciar música tem algo a ver com apreciar arte, e por isso posso traçar um perfil de como soam os mais famosos compositores de games japoneses:

Koji Kondo é o criador da trilhas de Mario e Zelda. Seu estilo de música é cativante, com uma estrutura melódica bem definida, pode-se reconhecê-lo só de ouvir. Pela vivacidade, assemelha-se a um desenho de video-game, mesmo, com cores fortes e vivas.

Yasunori Mitsuda fez a trilha de Chrono Trigger e Xenogears. Seu estilo é impressionista, usa os sons etéreos, não calcados na realidade, mas que passam a idéia de forma muito efetiva (a imagem "explosiva" não condiz muito com seu estilo de música, mas está aí por conta da forma de pintar)

Nobuo Uematsu é o compositor de todos os jogos de Final Fantasy. Talvez por ele ter uma banda, seu estilo sonoro é mais calcado na realidade, ou seja, com detalhes e instrumentos que reconhecemos como "reais", do tipo que ouvimos nas músicas do dia-a-dia.

Yuzo Koshiro, pra mim, é a elegância musical/visual em pessoa. Suas melodias têm a vitalidade de um Koji Kondo, com a "realidade" de Uematsu e com uma pitada de impressionismo de Mitsuda, tudo num "desenho" extremamente bem concebido e equilibrado, com um colorido fascinante que se entrelaça numa melodia que pode ser ouvida tanto como um todo, como em sons separados.


Publicado dom, 3 de maio, 2009, às 1:34 AM  8 comentários