Os videogames prestaram a mim uma incalculável contribuição tanto na parte de preparar meus reflexos para o trânsito caótico da cidade como em aprender uma segunda língua (todo o meu inglês vem dos jogos e das traduções de revistas de games). Mas há também uma outra, inestimável, que foi no gosto musical: As músicas de videogame me abriram as portas para novos e antigos sons, que de outra forma eu nunca apreciaria em sua magnitude.
Música clássica, por exemplo. Sempre tive acesso a esse tipo de música, SE quisesse. Mas não queria. Não havia vontade, paciência de escutar músicas de 8, 10 minutos, que só tinham uma partezinha boa aqui e ali. Aí veio um certo jogo que literalmente abriu meus ouvidos: Actraiser. Não é porque as músicas eram compostas por Yuzo Koshiro - eu simplesmente não sabia na época - mas já estava amando ouvir aquilo. Cada música era como ouvir o tema de um filme: empolgante, única, ajudando a contar a história carregada de sentimento! Isso não só me fez prestar mais atenção nas músicas de John Williams (de quem eu gostava, mas apenas ouvindo dentro dos filmes) como aproveitei a época em que a revista "Caras" estava dando CDs de música clássica junto com a revista pra ouvir os grandes clássicos que, certamente, inspiraram Actraiser. Comecei por simpatizar por Wagner primeiro, por conta do estilo, e depois fui absorvendo Mozart e Beethoven.
Actraiser - Filmoa (Filmore)
Actraiser - Ending
Na mesma época (1992), também passei a me interessar por músicas barrocas, que são ainda mais difíceis de simpatizar, por conta de outro jogo: Castlevania IV, com músicas arranjadas por Masanori Oodachi e Souji Taro. Graças a ele conheci o mundo da música sacra (daí pra gostar de Bach foi um pulo) e ainda o jazz.
Castlevania IV - Entrance Hall
Castlevania IV - The Beginning
Ainda em 92 (ano mágico!) apareceu pra Mega Drive a continuação do meu game predileto: Road Rash. Eu, que já tinha um SNES, ia pra locadora só pra jogar Road Rash 2. A música era arrasadora como sempre, graças a Rob Hubbard, mas a do Arizona era especialíssima. Foi aí que eu vi a beleza da música "de levada", típica do blues norte-americano, que é a base do rock "de raiz". A partir daí pude apreciar melhor a arte de Dire Straits ("Sultans of swing") e outros compositores, como Jimmy Hendrix em "Gypsy Eyes" e outros mais obscuros, como Uriah Heep em "Real turned on".
Road Rash 2 - Arizona
Publicado dom,14 de setembro, 2008, às 4:22 AM 4 comentários