Desde o advento do DVD que o formato DVD-Audio foi estabelecido para ser o sucessor do CD-Audio (Redbook). A grande diferença é que, enquanto o CD-Audio funciona com dois canais de áudio operando em 16-bit uma freqüência de 44.1KHz, o DVD possui 5.1 canais, cada um operando em 24-bit e 48KHz (chegando a até mesmo 96 HKz!!). Maior quantidade de bits + maior freqüência = maior intensidade e claridade do som.
Como bom nerd, sempre aguardei ansiosamente que o CD fosse de vez substituído e que o preço dos equipamentos surround baixassem, coisa que nunca aconteceu. O advento do MP3 só veio ajudar a superar a limitação do número de músicas que um CD podia carregar, então não há realmente sentido em migrar para o DVD-Audio... a menos que você já tenha um equipamento surround e seja um fanático admirador da boa música.
Eu sou!
Então farei um breve guia introdutório ao mundo do DTS-WAV que, se depender de mim e de um punhado de audiófilos, vai se tornar o novo MP3.
A TECNOLOGIA
O DTS (Digital Theater Systems) é um formato de compressão de áudio que veio para competir com o AC3 (Dolby Digital). Como foi criado 4 anos depois, o DTS é bem melhor, obviamente. Mas, por uma questão de compatibilidade ou de licenciamento, o AC3 continua sendo usado nos DVDs até hoje (muitos filmes vêm com os dois formatos de som, além do stereo para quem não tem um Receiver). Spielberg foi o primeiro entusiasta do DTS, promovendo-o com seu filme Jurassic Park que, em alguns cinemas, veio com um Disco Laser em separado para reproduzir os sons em alta qualidade.
Conforme o DTS foi se estabelecendo como o melhor padrão de som, na virada do milênio começaram a aparecer DVDs de áudio remasterizados em 5.1 DTS. Coisa pra bacanas, de fato, com seus home theaters caros. A falta de tecnologia nos computadores e a limitação da velocidade da internet atrasou a disseminação dessas músicas por outras vias, e só recentemente é que vemos esses álbuns chegarem até nós, no formato DTS-WAV. Mas, o que é isso? Basicamente é pegar um arquivo DTS do DVD, convertê-lo em 6 arquivos WAV (que tocam no computador) e reagrupá-los de volta a um só arquivo WAV com os 6 canais juntos. Há uma leve perda na freqüência (de 48Khz para 44.1Khz) mas isso permite que você grave as músicas num CD-R normal do mesmo jeito que você faria com um CD de áudio.
O HARDWARE
Fantástico, não? Mas para tocar essa belezinha no seu computador você precisa de um "tradutor", do mesmo jeito que nos Home Theater. Só que o preço desse tradutor no computador é bem mais em conta: por menos de 200 reais você compra uma Creative Sound Blaster Audigy, que reproduz DTS com até 24-bit/96Khz, o que é uma cavalice. E ainda inclui certificado de som THX, o mesmo usado nos cinemas mais modernos. E precisa também de caixas de som surround. Eu recomendo novamente as da Creative, porque eu as uso e sei que são pequenas, mas têm uma potência desgraçada (nunca distorceram o som, por mais alto que eu já tenha colocado). Mas compre no MÍNIMO um conjunto 5.1, de preferência com THX (eu compraria logo um 7.1, pois alguns filmes mais modernos já saem com essa tecnologia).
O SOFTWARE
De nada adianta uma Ferrari último tipo se você não sabe dirigir, não é? Pois é. Não adianta a placa ou as caixas se você não tem nem as músicas nem ONDE tocar as músicas. Pra tocar um CD de áudio gravado com o DTS-WAV, você precisa de um programa que reproduza DVD-Audio. Geralmente os programas que tocam DVD de filmes aceitam DVD-Audio. Eu particularmente gosto do Intervideo WinDVD, mas tem o PowerDVD e até mesmo o tocador de DVD-Audio que vem com a placa Audigy. Mas o WinDVD é o que vem com a tecnologia de som mais "State-of-the-art".
AS MÚSICAS
Agora que você já tem o equipamento, só falta um som decente pra testar todo o investimento que você teve! Então saiba que procurando a palavra "DTS" nos programas de compatilhamento de arquivos você vai encontrar grandes "pacotes" zipados com um álbum inteiro, que podem ter de 300 a 700MB. Isso porque cada arquivo DTS-WAV tem de 30 a 45MB (qualidade tem um preço, e o preço aqui é o tamanho!). Outro problema: Até pouco tempo não era possível ouvir arquivos DTS e DTS-WAV direto no seu computador, como se fosse um MP3. Era preciso gravar primeiro pra um CD-R ou RW e aí sim poderia tocar no seu computador. Por isso a maioria dos arquivos encontrados na net são compostos de um enorme arquivo WAV que contém todas as faixas, e um arquivo .CUE ou outra extensão esquisita, que são instruções pro software de gravação "queimar" (gravar) um CD de áudio. Basta abrir esses arquivos no Nero ou em qualquer outro programa que grave CDs para iniciar o processo, que vai separar o CD de áudio em faixas distintas.
Mas, se você quiser extrair apenas UMA música do meio de um arquivo WAV grandão, você pode pode usar o software ISObuster. Primeiro, grave o CD de áudio, depois abra o programa e você verá as faixas. Extraia-as clicando com o botão esquerdo do mouse em cima de cada uma delas e use a opção "extraindo pra WAV" (só presente quando você seleciona apenas UMA faixa, e não várias ao mesmo tempo). Isso irá criar aquivos Track01.wav, Track02.wav, etc na pasta que você selecionou para destino.
Com a nova versão do AC3Filter, é possivel ouvir DTS e DTS-WAV sem precisar gravar num CD. Infelizmente ainda não é possível ouvir DTS-WAV a partir do Winamp (apenas DTS), pois o software precisa ser compatível com directshow. Mas funciona bem no Windows Media Player e melhor ainda no Intervideo WinDVD.
Pra baixar músicas em DTS-WAV basta procurar em sites especializados, como o blog Mojave (ou aqui), que sempre atualiza com álbuns inéditos dos anos 70, ou no fórum HDMania (precisa de cadastro).
Publicado dom,25 de junho, 2006, às 3:28 PM 10 comentários