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MAOMÉ E A PRÓXIMA GUERRA NUCLEAR


O Laboratório Europeu de Antecipação Política Europa 2020 (LEAP/E2020) acaba de divulgar partes de um relatório explosivo sobre a situação mundial, no âmbito do qual poderemos encontrar uma explicação menos óbvia para a recente crise das caricaturas de Maomé. Se estas análises se revelarem correctas, seremos levados a rever boa parte das suposições sobre a origem da recente agitação muçulmana contra uns pobres caricaturistas dinamarqueses. Em vez de uma inexplicável e desproporcionada reação popular contra os inofensivos desenhos publicados meses antes da reacção em cadeia ateada pelos fundamentalistas islâmicos, teremos que colocar a hipótese de tudo não ter passado de uma complexa manobra de provocação, à semelhança do ataque às Torres gêmeas, destinada a preparar a opinião pública europeia e ocidental para um ataque nuclear preventivo contra o Irã (a ser desencandeada eventualmente por Israel e pela Turquia, sob a direcção camuflada dos Estados Unidos e com a anuência da França e de vários outros países europeus.) Esta hipótese tremendamente paranóica (ou realista...) tornaria Bin Laden, não no grande herói da Jihad islâmica, mas no grande provocador do Ocidente, cujo fim imediato é garantir a qualquer preço o acesso ilimitado ao que resta das reservas petrolíferas do Médio Oriente.

Alguns trechos do artigo:

"20 a 26 de Março, 2006: Irã-EUA, início de uma crise mundial de grandes proporções, ou o Fim do Mundo Ocidental tal como o conhecemos desde 1945

O Laboratório europeu de Anticipação Política Europa 2020, LEAP/E2020 estima haver 80% de probabilidades de na semana de 20 a 26 de Março se iniciar a mais importante crise política mundial desde a queda da Cortina de Ferro em 1989, associada a uma crise económica e financeira com um alcance comparável à crise de 1929. Esta última semana de Março de 2006 será assim o ponto de virada numa série de desenvolvimentos críticos, de que resultará a aceleração de todos os factores conducentes a uma grande crise, independentemente de qualquer intervenção militar, americana ou israelita, contra o Irão. Se esta intervenção militar vier a ocorrer, a probabilidade de assistirmos a uma crise de grandes proporções seria então de 100%, de acordo com o LEAP/E2020.

O anúncio desta grande crise resulta da análise de decisões tomadas por dois actores cruciais da presente tensão internacional: Estados Unidos e Irã;

- por um lado temos, para 20 de Março de 2006, a decisão iraniana de abrir em Teerã a primeira bolsa de petróleo afixada em Euros, acessível a todos os produtores da região;

- e por outro lado, a decisão da Reserva Federal Americana de interromper a publicação, a partir de 23 de Março de 2006, dos chamados M3 (o mais fiável indicador do número de dólares em circulação no mundo).

Estas duas decisões combinadas constituem os indicadores, as causas e as consequências de uma transição histórica em curso entre a ordem criada depois da Segunda Guerra Mundial e o novo equilíbrio em gestação desde o colapso da URSS. A sua magnitude, assim como a respectiva simultaneidade, catalizarão todas as tensões, fraquezas e desiquilíbrios acumulados em mais de uma década por todo o sistema internacional.

Os investigadores e analistas do LEAP/E2020 identificaram 7 crises convergentes que as decisões da última semana de Março de 2006 catalizarão e transformarão numa crise geral, afetando todo o planeta nos campos político, económico e financeiro, bem como, muito provavelmente, no campo militar:

1. Crise de confiança no dólar
2. Crise dos desiquilíbrios orçamentais norte-americanos
3. Crise petrolífera
4. Crise da liderança norte-americana
5. Crise do mundo Árabe-Muçulmano
6. Crise de governabilidade mundial
7. Crise de governabilidade europeia

O processo completo de antecipação desta crise vem descrita pormenorizadamente nos próximos números da edição confidencial do LEAP/E2020 - the Global Europe Anticipation Bulletin, e em particular no número de 16 de Fevereiro de 2006. Estas edições analisarão detalhadamente cada uma destas 7 crises, e proporão um conjunto de recomendações destinadas às várias categorias de atores envolvidas (nomeadamente governos e empresas), bem como um conjunto de conselhos estratégicos e operacionais destinados especificamente à União Europeia."

Atualização (2006.03.03) do boletim, uma passagem realmente preocupante sobre a actual situação econômica dos EUA:

"Para poder financiar a sua dívida, ou melhor as suas dívidas, os Estados Unidos absorvem 80% da poupança mundial. Esta situação obriga a que a sua economia (taxas de juro, produtividade...) permaneça significativamente mais atractiva perante os capitais internacionais do que qualquer outra economia do mundo (e que a confiança na sua economia e na sua moeda se mantenha forte). O controlo exercido pelos EUA e a sua correia de transmissão inglesa (que está agarrada ao destino do dólar devido aos montantes de créditos e activos nesta moeda) sobre os meios de comunicação internacionais, e em particular sobre a imprensa econômica e financeira especializada tenta prolongar esta situação, literalmente uma matéria de segurança nacional. E não deixa de ser significativo que esta mesma mídia não mencione nem a Bolsa de Petróleo Iraniano nem a suspensão da publicação dos agregados M3. Tal como se viu na crise iraquiana, mas também em numerosos casos científicos, como por exemplo o do aquecimento global, a administração Bush mantem uma relação deveras complexa com a verdade, pelo que muitos analistas começam a duvidar da confiabilidade das estatísticas econômicas e financeiras dos Estados Unidos. Estaremos na eminência de conhecer um caso ‘Enron’ de magnitude global? Será que o mundo está à beira de descobrir, tal como ocorreu com os números da União Saviética depois da Queda da Cortina de Ferro, que as estatísticas são de fato uma fraude? Não tarda muito para tirar a limpo."


O boletim do LEAP/E2020 publica-se em Inglês e Francês, esperando-se para breve versões em Espanhol e Alemão.
LINK 1 (artigo citado na versão francesa e comentários);
LINK 2 (versão inglesa e comentários)

Fonte: O António Maria


Publicado seg,20 de março, 2006, às 12:04 PM  4 comentários