No boletim de notícias jurídicas Migalhas Nº 1.153, que, por insistência da Espuminha (e curiosidade minha) eu recebo diariamente, veio a seguinte nota:
Para quem não entende português, tudo vira javanês
O Estadão de ontem trazia fatigante matéria sobre o que dizem ser a campanha contra juridiquês. Seria uma completa estultice, não fosse a presença na matéria dos doutores Carlos Luiz Bianco, Luiz Beethoven Giffoni Ferreira e Celso Limongi. De fato, emprestando suas luzes ao matutino, o desembargador paulista Carlos Luiz Bianco colocou pingos nos "is".
"Uma limpeza nos termos técnicos não é questão que pareça das mais acertadas. (...) Há que se manter uma certa fidalguia da língua, senão vamos cair num rameirão que até tira um pouco da sua majestade e da própria Justiça, algo tão comezinho que é melhor não aprender o português."
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Pra quem não sabe, fiz Direito por 2 ou 3 anos na Univ. Católica de Pernambuco. E essa empolação da língua era apenas UMA das coisas que me irritavam no curso. Eu procurava escrever meus trabalhos mais ou menos como escrevo no blog, mostrando que havia entendido e analisado os textos, mas invariavelmente os professores só queriam saber da opinião dos autores e exegetas clássicos (como Norberto Bobbio) e não de um pobre aluno com "direito" a idéias próprias, como eu. Vi neste artigo a chance de me vingar e fazer minha voz ser, enfim, ouvida no meio jurídico. Ao que escrevi:
"Estultice é achar que o certo no mundo jurídico é falar bonito e rebuscado pra manter um status quo. Ora, que ridículo! Quando vocês escrevem estultice, neste boletim, estão falando para pessoas do ramo jurídico, que têm por obrigação dominar o vernáculo. Mas quando um juiz dá uma sentença, ou quando um advogado se dirige ao cliente, é mais do que obrigatório que ele se faça entender.
A frase do desembargador resume o pensamento dos dominantes: "Há que se manter uma certa FIDALGUIA da língua, senão vamos cair num rameirão que até tira um pouco da sua MAJESTADE e da própria Justiça."
Ora, onde ele pensa que está? A monarquia acabou há alguns séculos! Se querem reis, vão morar na Inglaterra! Aqui temos um povo que mal sabe ler, e são eles que mais necessitam do Direito, pois são explorados por pessoas inescrupulosas que só olham para o próprio umbigo e fingem espanto quando descobrem que nem todo mundo no Brasil come caviar.
Deve-se lembrar que os juízes e promotores são SERVIDORES públicos. Se você tem um computador de última geração, o melhor do mundo, mas o sistema operacional está em chinês, o que você vai fazer? Aprender chinês ou usar um outro computador, não tão poderoso, mas que fale a sua língua?"
Publicado qua,27 de abril, 2005, às 11:21 PM 13 comentários