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   <title>Saindo da Matrix</title>
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   <updated>2012-05-02T17:39:37Z</updated>
   <subtitle>espiritualidade, filosofia, esoterismo, espiritismo, budismo</subtitle>
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   <title>PROMETHEUS, O MITO</title>
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   <published>2012-05-02T01:15:02Z</published>
   <updated>2012-05-02T17:39:37Z</updated>
   
   <summary>A história do ser que roubou o fogo (e a sabedoria) dos deuses para dar aos humanos.</summary>
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      <name>AcidZero</name>
      
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      <![CDATA[Cada cultura tem sua gênese para o Homem civilizado. Os judeus têm a tomada de consciência de Adão e Eva quando da mordida da maçã (tirada da árvore do bem e do mal). Os hindus têm nos Vedas a "explicação" para a segregação em castas da humanidade: o Homem surgiu de partes do corpo do Deus primordial, e da cabeça saíram os Brâmanes (casta social dominante, de religiosos), dos braços saíram os guerreiros (Kshatryas), das pernas os produtores/comerciantes e dos pés os servos (não-árias, ou "não-homens").

<a href="http://www.scott-eaton.com/2007/prometheus-and-digital-sculpture"><img src="prometheus.jpg" hspace="10" vspace="10" class="imagem"></a>A lenda grega é bem mais interessante do ponto de vista psicológico, e por isso mesmo muito usada na psicologia. Ela começa com Zeus, o "nosso" Deus, que cuida e zela por nós, em troca de adoração. Os homens naquele tempo não eram mais do que macacos, e Zeus nos fornecia animais, o fogo, cavernas. Éramos totalmente dependentes Dele e do seu humor. Então era bom deixá-lo sempre feliz, por meio de adoração e sacrifícios.

Prometheus (ou Prometeu) era um Titã, uma raça de gigantes que convivia com os deuses. Seu nome, no idioma grego, significa "antevisão", e ele tinha a habilidade de prever o futuro. Foi Prometeu que cuidou da evolução da nossa espécie, nos ensinando a raciocinar e trabalhar; Foi o patrono das artes, da construção de casas e navios, da domesticação de animais; Prometeu nos ensinou a escrita, os números e os remédios. Essa aproximação de um Imortal emancipando seres inferiores (nós, os humanos) enciumou Zeus, que tinha os homens como seus bichinhos ignorantes de estimação.

Zeus exigia cada vez mais dos humanos. Queria para si, de oferenda, a melhor parte do boi (através da imolação, algo que também é encontrado no Velho Testamento). Os humanos tinham de se contentar com as vísceras e as partes menos nobres. Prometeu fez então um truque: dividiu as partes do boi em dois montes, e perguntou a Zeus qual dos dois ele queria que fosse destinado a oferenda dos homens. Um monte era coberto por uma bela e brilhante camada de gordura. O outro era coberto pela pele e estômago do boi. Zeus, iludido pela beleza, escolheu o primeiro monte. Acontece que Prometeus escondeu as carnes do boi embaixo da pele e dentro do estômago, deixando os ossos embaixo da vistosa gordura. Quando Zeus descobriu ficou puto, retirando o fogo dos humanos como forma de punição. Prometeu, então, roubou o fogo dos deuses, escondendo-o dentro de um gigantesco caule de funcho, e não só o devolveu à humanidade como nos ensinou a fazê-lo.

Não é muito inteligente irritar um Deus, mas Prometeu sabia que um filho gerado por Zeus em um casamento próximo o destronaria, e que somente ele sabia como impedir que isso acontecesse. Ele achava que Zeus não faria nada com ele por causa disso. Bem, ele errou.

A mando de Zeus, Prometeu foi amarrado em correntes, no alto do monte Cáucaso, durante 30 mil anos, durante os quais ele seria diariamente bicado por uma águia que lhe destruiria o fígado. Como Prometeu era imortal, seu órgão se regenerava constantemente, e o ciclo destrutivo se reiniciava a cada dia. Isto durou até que o herói Hércules o libertou, substituindo-o no cativeiro pelo <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Zeus havia determinado que só a troca de Prometeu por outro ser eterno poderia lhe restituir a liberdade. Como Quíron havia sido atingido por uma flecha, e seu ferimento não tinha cura, ele estava condenado a sofrer eternamente dores lancinantes. Assim, substituindo Prometeu, Zeus lhe permitiu se tornar mortal e perecer serenamente.');" onmouseout="nd();">centauro Quíron</a>, igualmente imortal.

Ainda irritado com os homens, Zeus envia a pior de suas vinganças: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pandora">Pandora</a>. Mas isso é outra história.

O mito de Prometeu foi transformado peça teatral pelo poeta grego Èsquilo, no século V a.C, intitulada "Prometeu Acorrentado". É um mito brilhante e rico, pois Prometeu não "prometeu" aos humanos um mundo de delícias, o "paraíso" onde tudo nos era dado. Não. Ao contrário, o que ele ofereceu foi dignade, autonomia, sustentabilidade e trabalho. Muito trabalho. Se antes o fogo brotava das árvores e já cozia as carnes, enquanto o trigo crescia sozinho, agora os humanos tinham de cuidar de manter o fogo, cozer seus alimentos e lavrar os campos, pra ter o que comer. Prometeu ensinou as artes, a matemática, os ofícios, enfim, as bases de nossa civilização. Podemos extender a sabedoria desse mito para nossas vidas, desde a criação de nossos filhos até a condução de nosso país. Até quando dependeremos do humor de Zeus?]]>
      
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   <title>POSTS DE MARÇO DE 2004</title>
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   <published>2012-04-20T17:48:03Z</published>
   <updated>2012-04-20T17:51:55Z</updated>
   
   <summary>Além dos posts de abril de 2004 que coloquei no começo do mês, recuperei agora do limbo os posts de março de 2004. Um pouco de Ufologia, religião, reflexão, espiritismo e Taoísmo (uma boa época pro blog e pra mim)....</summary>
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      <name>AcidZero</name>
      
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         <category term="Geral" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
   
   
   <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.saindodamatrix.com.br/">
      <![CDATA[Além dos posts de <a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2004/04/">abril de 2004</a> que coloquei no começo do mês, recuperei agora do limbo os posts de <a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2004/03/">março de 2004</a>. Um pouco de Ufologia, religião, reflexão, espiritismo e Taoísmo (uma boa época pro blog e pra mim). Enjoy.]]>
      
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   <title>MAIS UMA PAUSA</title>
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   <published>2012-03-01T18:40:50Z</published>
   <updated>2012-03-01T18:47:08Z</updated>
   
   <summary>Acho que o tempo do Saindo da Matrix passou. Antes eu achava que minha falta de vontade de escrever e inspiração se devia ao nervosismo com a preparação do casamento e todos os processos internos que isso desencadeia, mas aqui...</summary>
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      <name>AcidZero</name>
      
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         <category term="Pensamentos" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
   
   
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      <![CDATA[Acho que o tempo do Saindo da Matrix passou.

Antes eu achava que minha falta de vontade de escrever e inspiração se devia ao nervosismo com a preparação do casamento e todos os processos internos que isso desencadeia, mas aqui estou eu, com a mente mais limpa, fazendo um esforço pra tirar alguns parágrafos da cachola. Onde eu ando mais produtivo é justamente no Twitter, que antes eu considerava um limitador dos meus pensamentos, mas parece que eles hoje cabem facilmente em 140 caracteres.

Uma involução? Talvez, mas acredito que seja só uma fase necessária pra meu "aterramento". Desde algum tempo meus interesses saíram dos assuntos da espiritualidade e migraram pra política, educação, sociedade, especialmente diante da ameaça de governos autoritários com fachada democrática (tanto no Brasil como nos EUA, com reflexos na Europa, no que parece estar virando uma modinha). Isso, obviamente, é menos importante que a espiritualidade, já que é possível aprisionar o corpo mas não a alma, mas acontece que negligenciei por tempo demais meu corpo (e tudo que o cerca) e é hora de cuidar dos assuntos internos com a mesma atenção, então acho que estou seguindo os princípios herméticos ao aplicar uma força maior no sentido contrário para depois a coisa toda se ajustar mais pra frente.

Foi até interessante que essa fase "decadente" pro Saindo da Matrix tenha vindo após um ápice, que foi o Simpósio de Hermetismo. Há muito alimentava o sonho de viajar por aí fazendo palestras - não exatamente pelas palestras, e mais pelas viagens, conhecendo gente afim - e realizei isso em grande estilo, com uma excelente viagem pra SP, ótimas pessoas e uma <a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2010/12/jung_e_o_oculti.html">palestra</a> da qual me <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Inclusive estou devendo um post com o tema da palestra, pois nas minhas pesquisas deixei muito do aprofundamento teórico de fora. Tem tudo pra ser um post 5 estrelas, mas só farei quando minha empolgação voltar.');" onmouseout="nd();">orgulho</a>. Serve pra me lembrar - e repassar a vocês - que nossos sonhos e metas podem SIM, se materializar se você continuar focado naquilo e, principalmente, trabalhar com paixão (E aqui a paixão é pelo trabalho, e não pela meta!!). Como eu só faço o Saindo da Matrix por paixão, não vejo o menor sentido em manter o site "vivo" artificialmente, com artigos de outros ou simplesmente colando textos aqui e ali pra fingir que ele é atualizado. A força do site se mantém pela vasta quantidade de textos escritos e que continuam atraindo quase o <a class="overlib" onmouseover="return overlib('O que me impressiona e me deixa pensando: se eu morrer e deixar de pagar o provedor, uma boa gama de assuntos espiritualistas em português vai simplesmente se perder? Acho que vou deixar um testamento com a determinação de usarem o dinheiro pra pagar o servidor com o que eu tiver no banco até o dinheiro acabar.');" onmouseout="nd();">mesmo número de pessoas diariamente</a>.

Esse ano o Saindo da Matrix faz 10 anos e nem assim eu consegui me empolgar pra fazer o tão protelado livro. Uma das coisas que me segura é que não vejo como um livro de papel vai carregar as idéias paralelas que desenvolvo com as tais <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Não consigo ficar um post sem usá-las, acho que já virou uma marca do blog.');" onmouseout="nd();">caixinhas roxas</a> e links. Quem sabe depois que eu tiver um Ipad eu me interesse em <a class="overlib" onmouseover="return overlib('A Apple disponibilizou de graça uma ferramente de Ebook beeem interessante.');" onmouseout="nd();">fazer um livro interativo</a>?

Bem, mas isso aí é só depois que minha vertente escritora voltar, o que não tenho a mínima idéia de quando ocorrerá. Antigamente havia um vazio de idéias espiritualistas na web pra comentar e repercutir (e por isso mesmo nasceu o Saindo da Matrix), mas hoje estamos bem-servidos de blogs nesse aspecto e não creio que posts novos meus farão falta. Mas, se fizer, podem ir curtindo os posts antigos, que aposto que tem coisa aí que vocês não viram e são melhor que qualquer coisa que eu tenha escrito nos últimos anos. ]]>
      
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   <title>IGNORÂNCIA (parte 2)</title>
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   <published>2012-02-04T21:11:12Z</published>
   <updated>2012-02-04T21:16:31Z</updated>
   
   <summary>Privilegiamos a linguagem discursiva, mas a linguagem verdadeira em que o mundo opera é a linguagem da energia. O mundo não troca palavras, o mundo se movimenta pelo sinal das energias, e o karma se manifesta nessa linguagem, e assim nos impulsiona.</summary>
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      <name>AcidZero</name>
      
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         <category term="Budismo" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
   
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   <category term="223" label="karma" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#tag" />
   
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      <![CDATA[<font size="1"><b>Por Paula & Acid</b></font>

<i><a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2011/12/ignorancia_parte_1.html">Parte 1 aqui</a>. Nesse post foram usados trechos do livro "A roda da Vida como caminho para a lucidez", do Lama Padma Santen</i>


<b>Dukkha</b> (a primeira <a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2009/03/a_vida_e_dukkha.html">Nobre Verdade do Budismo</a>) pode ser entendido como as paredes que nos isolam e nos conduzem pra uma realidade à parte. O termo em geral é traduzido como "sofrimento", mas não há realmente um correlato específico pra essa palavra sânscrita em nossos dicionários. Dukkha é uma forma de olhar o mundo, um estreitamento da visão, ou melhor, são as aflições que sentimos ao perdermos a capacidade natural de reconhecer a dimensão limitada do espaço diante dos nossos olhos.

Imagine uma criança numa reunião de negócios, onde são tratados os assuntos de ações, alta do dólar, conjuntura macroeconômica e o preço das balas juquinha. Tirando talvez o último tópico, provavelmente a criança não se interessará por nada, porque nada daquilo condiz com o seu mundo, nada daquilo agrega informação ao seu viver, não é mais do que pura perda de tempo e conversa fiada. Sua mente estará no Sol lá fora, no que o amiguinho de escola estará fazendo neste momento, ou em alguma coisa que tenha encontrado por ali, como uma bola ou um formigueiro no canto do escritório. Pra os adultos que estão na reunião, aquilo É SOBRE UM MUNDO, seus mundos, um mundo virtual que afeta não só suas vidas diárias como a de milhares de outras pessoas mundo afora. Dali se define o quanto vão ganhar no fim do mês, os milhares de empregados que vão manter, produtos que vão lançar ou não, enfim, aquilo diz respeito a um mundo que não existia, e que foi construído e mantido por homens nas duas últimas décadas (a tal da globalização). Isso gera stress, sofrimento, <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Até mesmo a experiência de felicidade é permeada de sofrimento. Mesmo alguém com riqueza pra muitas vidas não pode parar a velhice e a morte.');" onmouseout="nd();">prazer</a> e uma necessidade de comprometimento constante que equivale a uma algema. Um monge, ou alguém livre dessas amarras, achará aquilo tão irrelevante quanto a criança.

A aflição intensa nos põe em contato com nosso karma. O <a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2004/12/o_karma_e_suas.html">karma quer dizer ação</a> - um tipo de ação que se repete indefinidamente, formando as estruturas aparentemente sólidas daquilo que podemos perceber como as grades de nossas prisões (como, por exemplo, o mercado de ações e os tópicos da reunião acima). Tudo se passa como se estivéssemos batendo leite pra produzir manteiga: repetimos um movimento de forma distraída, por vezes sem conta, até que finalmente aquilo que era fluido se torna cremoso, denso. Do mesmo modo, se movimentarmos nossa energia sempre em uma determinada direção, acabaremos por esquecer a liberdade que nos possibilitou iniciar o processo. Ficamos presos em algum ponto, somos fisgados. E seguimos distraidamente recriando as causas e condições de nosso sofrimento.

Essa experiência cíclica é construída e se mantém como a reprodução incessante de formas variadas a partir da mente. Quando analisamos essas formas aparentemente externas, vemos que elas surgem como experiências inseparáveis de estruturas internas da mente. O nome que se dá a esses mundos é <b>Loka</b>, e essa é a segunda Nobre Verdade do Budismo. É na estrutura interna da mente que Dukkha se instala e opera, gerando os mais diversos tipos de aflições. Sofremos incessantemente, ora por possuir algo que não queremos, por temer perder aquilo que conquistamos, por não ter aquilo que aspiramos, por ter perdido o que nos esforçamos pra obter. Sofremos sem nos dar conta de que, nas bases internas, onde o pensamento repousa, qualquer forma acaba por adquirir qualidades muito sólidas e pesadas. Não mais vislumbramos nenhuma possibilidade de abertura ou flexibilidade. O leite virou manteiga.

Privilegiamos a linguagem discursiva, mas a linguagem verdadeira em que o mundo opera é a linguagem da energia. O mundo não troca palavras, o mundo se movimenta pelo sinal das energias, e o karma se manifesta nessa linguagem, e assim nos impulsiona. Temos muita dificuldade de lidar com isso porque, sempre que uma energia brota claramente em certa direção, achamos que <a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2008/07/ananda.html">precisamos simplesmente segui-la</a>. E é o processo pelo qual o karma nos domina: o karma movimenta energia.

Esses dois conceitos são importantes pra poder adentrar <b>Avydia</b> (a Ignorância), que começamos a delinear no <a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2011/12/ignorancia_parte_1.html">outro post</a>.]]>
      <![CDATA[<img src="samsara-roda-bhavachakra-aro-externo.jpg" hspace="15" vspace="5" class="imagem">No círculo externo da Roda da Vida estão os chamados <b>Doze elos do surgimento dependente</b>. São chamados assim porque abrangem a seqüência causal das vidas na existência cíclica. Aqui constituem os detalhes dos estágios de causa e efeito que levam às situações aflitivas da nossa vida. O surgimento dependente da existência cíclica começa com (<b>1</b>) a <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Representado por uma pessoa idosa, cega e manca');" onmouseout="nd();">ignorância</a>, que motiva (<b>2</b>) uma <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Simbolizado por um oleiro trabalhando um pote de argila. Ele está transformando a argila em um pote, mas aquilo não deixa de ser argila, apenas foi trabalhada de acordo com as bases mentais do oleiro.');" onmouseout="nd();">ação</a>. Ao final da ação é estabelecida uma  (<b>3</b>) <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Representado por um macaco.');" onmouseout="nd();">autoconsciência</a>. Temos então uma identidade, mas não uma materialidade. Isso nos leva ao (<b>4</b>) "<a class="overlib" onmouseover="return overlib('Representado por um barqueiro atravessando o rio. Ele ainda não chegou à outra margem, não está em &quot;terra firme&quot;, mas já a ambiciona.');" onmouseout="nd();">nome e forma</a>". O estágio seguinte é chamado de (<b>5</b>) <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Representado por uma casa com 6 janelas, 6 aberturas para o mundo que são os 6 sentidos: visão, audição, paladar, olfato, tato e mente abstrata.');" onmouseout="nd();">esfera dos sentidos</a>. Já de posse dos sentidos, desenvolve-se (<b>6</b>) o <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Representado às vezes por um casal de namorados, às vezes por um bebê no seio da mãe.');" onmouseout="nd();">contato</a>; do contato (<b>7</b>) à <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Representado por uma mulher enfiando uma flecha no próprio olho. É um tipo de cegueira adicional ao Avydia, quando nos entregamos a uma sensação boa e fechamos os olhos à todo o resto.');" onmouseout="nd();">sensação</a>; da sensação (<b>8</b>) ao <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Representado por duas pessoas bebendo vinho. Quando uma sensação é boa, tendemos a reproduzí-la, expandi-la, a desejá-la não só pra si mas pra quem está ao redor.');" onmouseout="nd();">desejo</a>; do desejo, (<b>9</b>) ao <a class="overlib" onmouseover="return overlib('O apego é representado pela pessoa colhendo a fruta na árvore. A árvore é o mundo, e a pessoa está colhendo os frutos do que plantou no mundo. Como um advogado que tira seu diploma na OAB, um médico ou um lixeiro, ele é e se identifica com aquilo. Sabe como funciona seu mundo e como tirar o sustento dele. Este elo é também chamado de &quot;ação contaminada&quot;.');" onmouseout="nd();">apego</a>; do apego, desenvolve-se no fim da vida um estágio chamado de (<b>10</b>) <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Que poderia tambem ser chamado de &quot;renascimento&quot;. A pessoa está estabelecida, realizada, integrada com seu Universo. Pode dizer &quot;Conheço o mundo, sei como as coisas funcionam, tenho experiência. Vou lhe explicar: o mundo é assim...&quot;.');" onmouseout="nd();">existência</a>, e, assim, uma nova vida está para começar com (<b>11</b>) o <a class="overlib" onmouseover="return overlib('A simbologia do nascimento exemplifica as circunstâncias dessa nova vida estabelecida, as necessidades constantes, as tarefas, as responsabilidades. &quot;Eu sei como é a vida, sou empresário e milhares de pessoas dependem de mim. São responsabilidades das quais não posso fugir&quot;.');" onmouseout="nd();">nascimento</a> e continua com (<b>12</b>) o <a class="overlib" onmouseover="return overlib('E o ciclo chega ao fim com a decrepitude e a morte. Que pode ser entendida, como tudo aqui, de forma simbólica: quando perdemos o emprego, perdemos nossa existência ao qual estávamos apegados. O mesmo ocorre nos relacionamentos, nos namoros, amizades, etc. Essa é a chave para a compreensão do budismo, que nos diz que somos tão &quot;reais&quot; quanto o nosso emprego. Você não morre quando perde o emprego, mas de certa forma você &quot;morre&quot;. Então você também não morre quando perde a vida, muito embora de certa forma você morra, mas o que o budismo ensina é que o que você está deixando pra trás ao morrer nunca foi realmente <b>você</b>.');" onmouseout="nd();">envelhecimento e a morte</a>.

Como podem perceber, em cada detalhe da Mandala há um significado amplo para se estudar e refletir, e só demos uma pincelada aqui. É algo aparentemente complexo, mas que vale a pena dar tempo e atenção ao que ela quer nos dizer. Enfim, vamos nos deter um pouco no primeiro Elo da Roda da Vida:

<b>Ignorância</b>
<i>Avidya ("a não-visão")</i>

Este elo é representado por uma pessoa idosa, cega e manca. Idosa, porque a ignorância se dirige ao processo da existência condicionada pelos padrões repetitivos. Cega, porque a ignorância a respeito da verdadeira natureza das pessoas e dos demais fenômenos a obscurece. Manca, porque, não importa quanto sofrimento essa ignorância crie, ela não tem nenhum fundamento válido, não está baseada na verdade e, portanto, pode ser minada pela sabedoria.

Existem dois tipos de ignorância: uma básica e outra secundária.
A ignorância básica é uma consciência que concebe de forma equivocada o status das pessoas e dos outros fenômenos; essa consciência imagina que as pessoas e os fenômenos têm uma solidez maior do que eles realmente possuem, ocasionando as emoções aflitivas, sendo chamada, pois, de <b>consciência que concebe a existência inerente</b>. Ou seja, a ignorância de que há uma permanência em si e nos fatos. Assim, a ignorância básica não é apenas a ausência de conhecimento do status real dos fenômenos, mas uma ativa concepção do OPOSTO - ou seja, a concepção da existência inerente, quando na verdade os fenômenos não existem inerentemente. Percebemos as coisas como se fossem capazes de abranger todas as partes de que são constituídas, quando de fato não existe nada que abranja todas aquelas partes.

A ignorância secundária é ligada apenas às ações não-virtuosas ou negativas - é uma concepção equivocada dos efeitos das ações, que leva a um obscurecimento a respeito até mesmo das relações mais grosseiras entre as ações e seus efeitos. Por exemplo, entender que, se determinada ação é praticada, determinado resultado se seguirá; desenvolver concepções equivocadas, como achar que um roubo trará apenas prazer. Então, esse tipo de ignorância significa que, se realmente soubéssemos o que seria suportar os efeitos futuros de uma ação não-virtuosa, não a realizaríamos. Não cometeríamos assassinato, furto, não praticaríamos a má conduta sexual, a mentira, a discórdia, não diríamos grosserias, traições, leviandades e assim por diante.

<div class="quotes">"Ser ignorante a respeito de, desconhecer a(s) verdade(s) sobre a natureza da mente e da realidade. (...) isto significa ser ignorante - ignorante pessoal e experiencialmente - sobre a inexistência do <a href="http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/10/ken_wilber_ause.html">ego-self</a>. Também significa as confusões - os pontos de vista e emoções equivocadas de se acreditar em um self - originados dessa ignorância".<br>
(VARELA, THOMPSON E ROSCH, 2003, p. 122)</div>

Na Psicologia Budista existe uma perspectiva que sintetiza na Roda da Vida como iremos nomear e observar o que é identidade e como é visto a realidade que somos e que nos cerca. 
Se construirmos o mundo a partir da ignorância, os impulsos de corpo, fala e mente surgirão dessa visão de mundo equivocada que desenvolvemos. Podemos ouvir as palavras de Mestres espirituais e tentar seguir seus conselhos de como utilizar o corpo, a fala e a mente, mas tudo vai parecer muito artificial. Isso porque a sabedoria natural que estaremos usando vai brotar da compreensão que temos do mundo. Da compreensão equivocada de mundo não brota nada além de impulsos equivocados.

Mesmo cientes de que os Mestres estão corretos, se não desenvolvermos a visão dos Mestres a nossa ação será contraditória e não veremos solução, nunca teremos descanso, estaremos sempre em conflito interno, nunca teremos um comportamento não-repressivo. Estaremos sempre fazendo esforços para seguir os conselhos dos Mestres. O aspecto do esforço é dramático. De tanto nos esforçarmos, um dia cansamos; quando chegamos nesse ponto, a queda é rápida, e dizemos: "Desisto. Se a espiritualidade fosse natural, eu andaria de forma naturalmente lúcida e válida. No entanto, tudo isso me parece artificial". Parece artificial porque precisamos de esforço constante, nunca encontramos um ponto de equilíbrio, precisamos constantemente relembrar o que ouvimos. De tanto esforço, terminamos desistindo.

Equivocadamente, podemos acreditar que a realidade convencional é muito poderosa, muito abrangente. Podemos pensar que, mesmo construindo uma realidade mais elevada, o que existe mesmo é a realidade convencional de dificuldades e sofrimento. Acabamos por desistir de tentar melhorar a nós mesmos e o mundo. O caminho de tentar alterar o comportamento pode ser muito penoso, muito lento e, principalmente, de resultados incertos. Se a pessoa alterar o comportamento sem alterar a visão, é certo que mais adiante cairá novamente. O aspecto cíclico é um processo natural da vida, passamos por altos e baixos. A partir das mandalas de sabedoria teremos efetivamente a visão que permite a ação sem esforço. A visão surge sem esforço porque dentro de uma mandala de sabedoria não lutamos contra nós mesmos, mas vemos e agimos naturalmente. Assim, é essencial gerarmos uma visão de mundo para que as ações surjam de forma natural, sem esforço e sem contradições. As visões de mundo, que podem ser geradas individual e socialmente, potencializam as ações.

A ignorância, então, pode também ser compreendida como sofrimento oriundo do estreitamento da visão e da frustração advinda do esforço ineficaz. Tudo se passa como se um raio tivesse partido nossa natureza básica, como se ela estivesse esfacelada, tivesse deixado de existir e ser vista e ficássemos colando pedaços, tentando construir a realidade verdadeira a partir da artificialidade da operação da mente.

O Buda ensinou também os meios de produzir felicidade nas relações humanas: casamento, namoro, filhos, trabalho, estudo. Em primeiro lugar, ao invés de pensar "o que vou obter do outro?", pensar "o que posso oferecer?". Alegrar-se em oferecer! Se estamos na dependência do comportamento do outro para obter felicidade, eventualmente pode até funcionar, mas quando surgir a impermanência e o outro flutuar, entramos em crise. O Dalai Lama sempre brinca, "que tipo de amor é o de vocês, aquele que só existe se o outro sorrir?". Esse tipo de amor está baseado em quanto estamos recebendo e, por isso, é frágil.

Praticando assim, podemos usar a vida cotidiana como caminho espiritual, tentando constantemente superar os conflitos internos e trazendo benefícios a todos os seres. Alegria!


<font size="1"><b><i>Fontes:</i>
Padma Samten, "Prática na Vida Cotidiana" e "A roda da Vida".
Aurino Ferreira Lima, NEIMFA.</b></font>]]>
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   <title>PSICOTERAPIA E A PLASTICIDADE DA MENTE</title>
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   <published>2011-12-29T04:11:51Z</published>
   <updated>2012-01-27T01:57:05Z</updated>
   
   <summary>A eficácia da psicoterapia no tratamento de distúrbios da mente foi confirmada de forma impressionante pelos estudos com imagens.</summary>
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      <name>AcidZero</name>
      
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      <![CDATA[A Revista Veja ed. 2248 trouxe a reportagem <a href="http://www.legrandonline.com.br/noticias/NoticiasInterna.asp?Textos_ID=24185">A vida sem metade do cérebro</a>, mas o que me intrigou mesmo foi o parágrafo final e a entrevista, que reproduzo abaixo:

A eficácia da psicoterapia no tratamento de distúrbios da mente foi confirmada de forma impressionante pelos estudos com imagens. Alguns dos efeitos conhecidos da depressão no cérebro são a redução do ritmo de criação de novos neurônios e a interrupção da reposição celular no hipocampo, região responsável pela memória e pela formação de células nervosas. Dois estudos recentes mostram que pacientes tratados apenas com terapia convencional, sem o uso de medicamentos, conseguiram estabelecer novas conexões neurais e regenerar a área afetada. Sessões de terapia cognitiva resultaram no aumento de áreas do cérebro que aliviam os sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo em 50% dos pacientes. Ao que tudo indica, a compreensão da plasticidade cerebral pode ser a chave para desvendar a complexidade da mente.

<h5><span></span>"Somos o que pensamos ser"</h5>
 

<i>O psiquiatra canadense Norman Doidge é o autor de "O Cérebro que Se Transforma". um relato das pesquisas sobre a possibilidade de os estímulos externos mudarem a estrutura e a fisiologia do cérebro, teoria conhecida como neuroplasticidadc. Publicado em mais de 100 países, o livro chega às livrarias brasileiras em janeiro.</i>

<b>A neuroplasticidade desacredita ou confirma as teorias do neurologista Sigmund Freud?</b>
Freud não foi só o pai da psicanálise. Ele foi um dos primeiros estudiosos a perceber o eixo central da plasticidade cerebral. Em 1886, quando raros cientistas entendiam o cérebro como uma grande rede, ele propôs a Lei da Associação por Simultaneidade. Segundo essa lei, toda vez que alguém percebe duas coisas ao mesmo tempo, como um menino com cabelos vermelhos, os dois conceitos são processados por neurônios de diferentes regiões, que se ligam simultaneamente e fortalecem a conexão entre si. A tecnologia de neuroimagem não apenas lhe deu razão, mas também confirmou a eficácia da psicanálise. A maior partee das psicoterapias altera as estruturas cerebrais da mesma forma que os remédios para distúrbios da mente. Não dá mais para alegar que terapia é só conversa jogada fora.
 
<b>O senhor diz que somos o que pensamos ser. O que isso significa?</b>
Diversos estudos revelaram que pessoas que praticam um instrumento musical apresentam mudanças no mapeamento cerebral idênticas às das pessoas que apenas imaginam estar tocando tal instrumento. A maioria dos indivíduos, inclusive os cientistas, despreza o poder da imaginação. Há um teatro virtual acontecendo a todo momento dentro da cabeça de cada um de nós. Por parecer real. tudo o que uma pessoa imagina se torna um gatilho para as emoções e ações. Os pensamentos positivos são capazes de ligar os centros de prazer do cérebro da mesma maneira que a presença de uma pessoa querida ou uma taça de vinho. Isso é uma forma de sair. mesmo que momentaneamente, dos estados negativos. Quem imagina eventos ruins aumenta as conexões neurais nos centros da emoção negativa, o que pode levar alguém medroso a se tornar um fóbico patológico.
 
<b>A interatividade do computador altera o cérebro para o bem ou para o mal?</b>
Desconfio que mais para o mal do que para o bem. Os equipamentos eletrônicos são tão compatíveis com o nosso cérebro, que também é movido a eletricidade, que alteram a nossa atenção, tornando-nos viciados em tecnologia. O vício é um fenômeno plástico e não se aplica só às drogas. Pessoas se tornam viciadas em corrida, em jogo, em compras, em paixões. O homem supõe que controla os dispositivos incríveis que criou. Meu temor é que esteja acontecendo o contrário: todo esse aparato tecnológico é que está nos reprogramando.
 
<b>Como a plasticidade cerebral pode ser usada pela medicina?</b>
As possibilidades são incontáveis. A plasticidade não afeta só a nossa saúde ou o nosso cotidiano. É o <i>modus operandi</i> do cérebro. Ela nos faz humanos. Somos "Homo neuro-plastica". As descobertas que estão por vir podem levar à abertura da caixa-preta que revela quem somos e de onde viemos.]]>
      
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