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   <title>Saindo da Matrix</title>
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   <updated>2013-05-23T17:29:45Z</updated>
   <subtitle>espiritualidade, filosofia, esoterismo, espiritismo, budismo</subtitle>
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   <title>A MAGIA NO CINEMA PARTE 2: O EXTERMINADOR E O TAROT</title>
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   <published>2013-05-13T21:34:50Z</published>
   <updated>2013-05-23T17:29:45Z</updated>
   
   <summary>Uma análise do filme O Exterminador do Futuro 1 e 2 incorporando filosofia, psicologia e esoterismo.</summary>
   <author>
      <name>AcidZero</name>
      
   </author>
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      <![CDATA[Parte 1 de 2:
<center><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/bS4K_NQB0g4" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center>

<br><br><br>

Parte 2 de 2:
<center><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/HpLgQyNOi6o" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center>


Transcrição e desenvolvimento:

<center><b>O magista é aquele que, com auto-mestria, com o avanço espiritual e o conhecimento de como utilizar as Leis deste universo consegue alterar as coisas em sua vida para criar o destino que ele vê condizente em seu caminho</b><br>(<a href="http://www.bardonista.com/2008/08/artigos-de-prophecy.html">Prophecy</a>; <a href="http://vsociety.net/">Veritas society</a>)</center>


Essa frase me lembra o filme O Exterminador do Futuro, que trata justamente de mexer no passado pra alterar o futuro. O filme conta a história de Sarah Connor, uma garçonete de vida simples, e com um campo de visão bem limitado. Só que um robô assassino vindo do futuro quer mudar seu destino. É irônico que justamente a interferência dessa máquina é que causa o destino que ela - a máquina - veio evitar. Um soldado humano, chamado Kyle Reese, também veio do futuro pra protegê-la e conta toda a história pra Sarah, e de repente ela se vê como a única esperança da humanidade, pois ela vai ser no futuro a mãe do líder da luta dos humanos contra as máquinas.]]>
      <![CDATA["Torna-te quem tu és!" - É o chamado da filosofia de Nietzsche pra humanidade, mas é também o chamado de Kyle pra Sarah. Ele acredita que Sarah é a guerreira que vai ensinar tudo pro filho, mesmo vendo diante de si uma mulher frágil e assustada. Quando Buda atingiu a iluminação ele percebeu que todas as pessoas eram Budas, mas não se davam conta disso! Quando Nietzsche olhava pra humanidade ele via o potencial dos <a class="overlib" onmouseover="return overlib('O homem que não conhece nem o desgosto nem o cansaço deste mundo; que eternamente gira em torno de si mesmo; que também nunca encontra na sua criatividade a saciedade ou a satisfação definitiva. Aquele que não descansa em nenhuma das suas realizações, afirmando através da transfiguração sem fim a realidade plena deste mundo, nunca caluniando as constantes metamorfoses e transfigurações da realidade. Aquele que não se deixa seduzir e intoxicar pela vontade de imutabilidade característica do fraco, tem o nome de Super-Homem.');" onmouseout="nd();">Super-Homens</a>, o estágio para além dos humanos, mas o que tinha diante de si eram pessoas adormecidas, que ele chamou de "mortos" na obra <i>Assim falou Zaratustra</i>. Nós somos condicionados a sermos limitados, às vezes por nossas próprias idéias e conceitos. É daí que surge o desprezo que ele tinha pelos "fracos", pelo "humano, demasiado humano" e que foi distorcido pelo nazismo como uma eugenia. A força ou fraqueza não é externa: é interna.

A diferença de Nietzsche pro budismo é que pra o primeiro o Super-Homem deve ser uma alma totalmente livre, liberta até das <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Enquanto em Nietzsche a filosofia gira em torno do próprio umbigo, no budismo ela é Universal.');" onmouseout="nd();">amarras morais</a>, e que deve ser capaz de fazer de tudo pra realizar sua <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Nietzsche considera que a vontade de poder é a essência de toda a realidade. É um sim à vida, à <b>afirmação da realidade tal como ela é</b>, e não como deveria ser. Segundo Nietzsche, no ser humano de moral tradicional a vontade de poder é falsamente afirmativa, pois os seus valores são negativos, traduzem um esgotamento, uma falta de vontade de viver e um instinto de vingança contra toda e qualquer relação saudável com a vida.');" onmouseout="nd();">Vontade de Poder</a> (ou Vontade de Potência). Essa Vontade é quase sempre associada a alguém sendo um filho da mãe dominador e arrogante, mas o próprio Nietzsche deixa claro que não é o caso (ao menos não obrigatoriamente):

<div class="quotes"><b>Eu achei força onde as pessoas normalmente não a procuram: na pessoa simples e agradável, sem o menor desejo de dominar, e inversamente, o desejo de dominar tem aparecido quase sempre pra mim como um sinal de fraqueza: eles temem sua própria alma escrava e a cobrem com um manto real, mas acabam sempre escravos dos seus seguidores, de sua fama, etc. A natureza verdadeiramente poderosa sempre domina, pois é uma necessidade, não é preciso levantar um dedo pra isso</b><br>(Nietzsche; <a href="http://caae.phil.cmu.edu/cavalier/80254/Nietzsche/W_P_3.html">Nachlass</a>)</div>


É sim um poder interior, uma autoridade que se impõe naturalmente, uma busca pela auto-perfeição. A grande diferença da filosofia de Nietzsche pro budismo é que enquanto o budismo tem seu lastro moral, ele também busca se desvencilhar das coisas mundanas, em busca do Nirvana, a cessação do sofrimento, enquanto Nietzsche criticava duramente isso e colocava o seu Super-Homem como alguém voltado para as coisas da Terra, não buscando nada fora. Só que a filosofia budista TAMBÉM pode ser interpretada como um auto-aperfeiçoamento terreno, sem buscar nada "fora". Isso se dá porque o <a href="http://www.amentemente.com/Bhante%20Punnaji/Nirvana.html">conceito de Nirvana</a> é a "cessação de movimento", ou seja, inclusive o movimento (desejo) de "buscar o Nirvana" ou "se tornar Buda" ou buscar algo fora do mundo. Então o budismo pode ser visto também como uma filosofia <a href="http://www.orkut.com/Main#Main$CommMsgs?tid=5403481961746353636&cmm=95936293&hl=pt-BR">próxima do niilismo de Nietzsche</a>, que <a href="http://www.fflch.usp.br/df/gen/pdf/cn_05_05.pdf">não era de todo niilista</a> (Nietzsche era um troll, que destroçava as esperanças metafísicas das pessoas e jogava na cara delas uma versão cruel do mundo, numa mistura de crítica/constatação).

Então temos o Super-Homem, que está acima do bem e do mal e cujas atitudes estão livres das amarras da sociedade, e a Sarah Connor é exatamente assim, alguém que vai até o fim em busca de seus objetivos, e não à toa ela acaba se encaixando no perfil de uma louca, tanto que ela foi internada num manicômio no segundo filme.
"<b>Cada pessoa tem que escolher quanta verdade consegue suportar</b>", dizia Nietzsche, e a gente vê o quanto isso pode ser duro pra ela no primeiro filme, quando a gente acompanha todo o drama psicológico de Sarah Connor e como ela vai passando pelas cinco fases que se seguem à constatação de uma tragédia: Negação, Fúria, Negociação, Depressão e Aceitação. Isso com a ajuda de sua metade masculina, o Animus, que no filme é Kyle Reese, que tem a função psicológica de ajudá-la a tornar-se quem ela é (ou deve vir a ser).

<center><b><b>"O desespero é o preço pago pela autoconsciência"</b></b><br>(Friedrich Nietzsche)</center>


Interessante notar que, quanto mais aumenta a aceitação de Sarah, ou seja, a tomada de responsabilidade por parte dela, menos influência tem o Animus (Kyle), e mais ele vai ficando em segundo plano. Surge então o confronto final, direto, cara a cara com a sombra (o Exterminador), e ela vence. No fim do filme já temos uma nova Sarah Connor, dona de si, transformada. Alguém que é capaz de encarar os desafios de frente.

O diálogo final é fantástico pois sintetiza exatamente isso: "Está vindo uma tormenta" - diz o garoto. E ela responte, laconicamente: - "Eu sei". E parte com o carro em direção à tempestade, sem medo, uma pessoa livre das amarras da sociedade e dos próprios medos. A continuação de Exterminador do Futuro traz a consequência disso, e vemos uma Sarah completamente modificada, agora como um soldado, em grande forma física, disciplinada, uma guerreira. O arco da jornada do herói dela se completou no primeiro, mas sempre há mais desafios em outros níveis. 

O segundo filme mostra que é possível ter forças pra mudar o que parece inevitável. Toda a tônica dos filmes é que ocorreu uma explosão nuclear que desencadeou uma guerra entre homens e máquina, e a volta no tempo pelos humanos foi pra MANTER aquele status de guerrilha, e não evitar que as máquinas assumissem o controle, porque aquilo era "inevitável" que acontecesse. Mas Sarah medita numa frase que foi dita pelo seu lado masculino (o animus do primeiro filme): <b>"There's no fate"</b> (<i>não há destino</i>) e com isso ela resolve interromper o processo que leva à tomada das máquinas.

Há uma oração que diz:
<b>Concede-me, Senhor, a serenidade necessária
para aceitar as coisas que não posso modificar,
coragem para modificar as que eu posso
e sabedoria para distinguir uma da outra.</b>

Nós temos que incorporar essas qualidades em nossas vidas e saber como dosá-las, até porque o limite entre a coragem e a estupidez é tênue, como muitos vídeos no Youtube podem provar.

O Exterminador do Futuro 2 é incrível porque o que vemos na resolução dos conflitos é uma troca, uma parceria entre força bruta (a relação Exterminador e Sarah), negociação (a relação de Sarah com o filho), espontaneidade (o garoto com o Exterminador) e planejamento (Dyson com o resto do pessoal). E se formos mais longe ainda poderíamos supor que tudo isso que acontece no segundo filme ocorre apenas dentro da cabeça dela, e que ela nunca saiu do manicômio, e que o que vemos é o "diálogo" das diversas partes de sua psique, ou seja, os personagens seriam apenas os aspectos psicológicos da própria Sarah. Mas isso é coisa pra estudantes de psicologia se debruçarem.


O que gostaria de trazer agora é uma breve análise de alguns aspectos dos personagens pelo ponto de vista do Tarot:

O Tarot como conhecemos tem suas origens traçadas até a Itália, por volta do século XV, mas estudiosos dizem que sua origem remonta ao Egito. A maior característica do Tarot em relação aos jogos de cartas são seus Arcanos maiores, 22 figuras que simbolizam idéias, situações, estados de espírito, e por isso são usadas no aspecto divinatório. Elas são importantes pois fazem contato com as imagens e símbolos que trazemos no nosso inconsciente, que o psiquiatra suíço Carl Jung chamou de Arquétipos. O símbolo é um dos elementos mais importantes na magia porque é justamente o contato com o nosso poder interno. Quando uma pessoa lê o Tarot pra alguém ela está expondo um mapa simbólico do inconsciente dessa pessoa em determinado momento.

No Tarot uma pessoa não pode ser representada por um único Arcano, por isso o símbolo daquela carta indica o tipo de energia daquela pessoa dentro de determinado contexto, não na vida como um todo. Alguém pode deter o poder de um Arcano em uma situação, mas não em outra, como por exemplo ele pode estar atuando na vida mais emocionalmente e estar representado no Tarot como um Rei de Taças, ou mais racionalmente e aparecer como um Rei de Espada.

<b>Rei de paus:</b> É a face masculina do Poder Divino, o gerador de todas as coisas. É a presença do Espírito, irradiando o ideal superior e exercendo seu efeito sobre tudo e todos. Sua presença inspira segurança, fé, confiança, respeito. No filme O Senhor dos Anéis o Rei de Paus é Gandalf, o mago (e no terceiro filme acaba sendo Aragorn). No Exterminador do Futuro ele é o John Connor adulto, o cara que todos se sentem confiantes ao redor, e por isso que a idéia das máquinas é eliminá-lo.

<b>Rainha de Ouros</b>:  É a Sarah Connor no primeiro filme. Está ligada à sustentação material, à segurança tanto afetiva como material. É mãezona por natureza, alguém superprotetora. A gente vê todas essas características logo que aparece a personagem. Ela tem um namorado cuja única característica é ter um carro bom, se preocupa demais com a amiga e mata a carência de dar afeto com um bichinho de estimação.

Aparece então o Kyle Reese, o soldado do futuro, que tem na primeira metade do filme o perfil do <b>Cavaleiro de Paus</b> (aquele que atua indo de encontro ao que está pré-estabelecido, com a faca no dente, rumo ao desconhecido, protetor), mas na verdade sua energia mesmo - quando se conhece sua personalidade - é a do <b>Rei de Copas</b>.

O Rei de Copas é o mais sensível de todos. É amoroso, sabe encantar uma mulher com seu jeito meigo de ser. Pode ser carente, e se sentir como um peixe fora d'água no meio dos outros homens, já que está longe de ser alguém machista que vive apenas no universo masculino. E ele fica sozinho lá no futuro, não se vê ele com os outros soldados. O Rei de Copas é um cara que idealiza demais (e Kyle idealiza Sarah Connor como nunca), mas tem serenidade e calma em tempos de conflito.

A energia do Rei no Tarot simboliza o poder fecundador. A rainha é o receptáculo a ser fecundado, e o caráter de tudo que se realiza da interação dos dois é moldado pela natureza do Rei, que é como o DNA, enquanto a Rainha é o óvulo. No caso do filme o Rei Kyle Reese não só fecunda a Rainha com seus ideais (caráter, coragem e determinação, transformando-a na Rainha de Copas), como literalmente fecunda ela, gerando o John Connor.

No segundo filme Sarah se torna então a <b>Rainha de Paus</b>. Na cartomancia indica uma mulher forte, cuja vida pode estar mais ligada às realizações, que podem ser profissionais, ao serviço de ideais, da fé. Costuma descrever uma personalidade honesta, feminina, mas ativa, de caráter enérgico, firme, determinada.

<b>Ás de espadas</b>:  É o Exterminador do Futuro. A junção da vontade ferrenha com a presença da ação (Vontade ferrenha define o exterminador, pois ninguém pode pará-lo a não ser destruindo-o completamente).

No nível Mental, esta carta denota esclarecimento intelectual, precisão e clareza (Características de andróides). No emocional, ausência de sentimentalismo.

No físico representa a saúde, a recuperação do potencial nervoso. (A cena mais marcante do primeiro filme é quando o robô se "opera". Ele é auto-suficiente ao extremo, e no segundo ele muda a rota de suprimento de energia pra voltar à ativa).

<b>O Louco</b>:  John Connor pequeno, no segundo filme. Essa carta significa a busca, a Impulsividade, o Filho Pródigo. A experiência de ultrapassar os limites. (Ele foi adotado por tutores e nunca se deu bem com eles, sempre foi revoltado e nunca aceitou imposições da madrasta. Hackeou um caixa eletrônico pra tirar dinheiro, ou seja, ele sempre buscava ir além dos limites impostos).

Mental - Indeterminação. Conselhos incertos. (A gente vê bem isso com ele tentando orientar o Exterminador).
Emocional - Revezes sentimentais, incerteza com os compromissos. (É o que mais acontece com ele durante todo o filme).
Físico - Transtornos nervosos. (Ele fica bem inseguro depois que encontra a mãe, chora e se aflige com tudo o que está acontecendo).

<b>O Mundo</b>: Dyson, o desenvolvedor da Skynet. Significa integridade absoluta. Alegria, riqueza. (Dyson é rico e íntegro).

Mental - Grande poder da mente. Desejo de aperfeiçoar tudo que se faz. (É a definição de Dyson, que trabalha até tarde pra aperfeiçoar seu projeto).
Emocional - Elevação do espírito, sentimentos altruístas, sem egoísmo nem sensualidade. Amor à humanidade, às tarefas sociais a cumprir. (Ele sacrifica seu trabalho, sua segurança e por fim SE sacrifica em nome do que é certo)
Físico - Atividades sólidas e brilhantes. Êxito em níveis mundanos. (Ele não é um intelectual, um filósofo, mas é um gênio no campo da computação).


É impressionante notar como esses personagens se encaixam tão bem nas cartas do Tarot. Parece até que o diretor e escritor James Cameron se baseou nelas pra compor os personagens. Quem sabe?]]>
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   <title>O VALOR DAS COISAS</title>
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   <published>2013-05-06T17:15:25Z</published>
   <updated>2013-05-06T17:16:05Z</updated>
   
   <summary>Nunca dê as pessoas coisa alguma que peçam, até que ao menos um dia tenha se passado.</summary>
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      <name>AcidZero</name>
      
   </author>
         <category term="Sufismo" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
   
   
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      &quot;Nunca dê as pessoas coisa alguma que peçam, até que ao menos um dia tenha se passado&quot;, disse o Mullá.

&quot;Por que não, Nasrudin?&quot;

&quot;A experiência mostra que só dão valor a algo, quando têm a oportunidade de duvidar se irão ou não consegui-la.&quot;
      
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   <title>DIÁLOGO COM O EXU</title>
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   <published>2013-05-04T14:26:03Z</published>
   <updated>2013-05-04T14:32:02Z</updated>
   
   <summary>O texto nos traz uma visão mais dilatada daquele que é o mais temível personagem da mitologia africana: o Exu.</summary>
   <author>
      <name>AcidZero</name>
      
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      <![CDATA[A Umbanda nunca teve muita participação no Saindo da Matrix por conta do meu desconhecimento do assunto. E o fato dela ser uma religião muito fechada em si mesmo (por preconceitos e motivos de perseguição religiosa, até hoje) não ajuda muito a traçar paralelos, comparações que facilitem a compreensão do que essa filosofia quer passar.

Mas eis que me chega esse texto, do <a href="http://colegiopenabranca.com.br/jornais/2013/Ano%2013%20Ed%20152%20Jan%202013.pdf">Jornal de Umbanda Sagrada Nº 152</a>, que está em consonância com o tema que está sendo abordados no blog nas últimas semanas, que é "auto-imagem", "auto-conhecimento", e ainda nos traz uma visão mais dilatada daquele que é o mais <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Talvez porque ele nos lembre demais nossa própria natureza que tentamos domar, suprimir, esconder de nós mesmos.');" onmouseout="nd();">temível</a> personagem da mitologia africana: o Exu.


<h5><span></span>DIÁLOGO COM O EXU DAS SETE ENCRUZILHADAS</h5> <i>(recebido por Francisco Sá)</i>


<img src="exu.jpg" hspace="15" vspace="5" class="imagem">- Exu, quem és?

- Sou o que queres que eu seja, pois espelho o seu negativo.

- Qual negativo, senhor exu? Os meus pensamentos? Os meus sentimentos?

- Tudo isto e muito mais. Pois enxergo o seu íntimo, enquanto você muitas vezes não. Se quer ter pensamentos ou sentimentos negativos, ou os dois, deixo-o fomentá-los, mesmo que finja ocultá-los. Na medida que os alimenta, poderá enxergar em si, ou nos outros, ou nas circunstâncias à sua volta, onde me espelharei também, para que enxergue e defina se quer alimentá-los ou interrompê-los.

- Eu consigo enxergar que os alimento, enquanto vou mergulhando nestes pensamentos ou sentimentos, às vezes sem perceber?

- Enxergo o seu interior e vejo o que está vibrando. Se quer parar com eles, lhe fornecerei os meios para sustá-los, desvitalizando a intensidade deles sobre você, para que lute contra eles, descarregue-os. Poderá adquirir forças para trazer seu racional no comando de si e impedir que seu emocional negativo tome conta. Mas, se quiser alimentá-los, se deixar que a raiva tome conta de si, deixo-o cair na negatividade, até o nível que seja necessário, que você sinta o que precisa vivenciar na sua busca de aprendizado pela dor. Não o julgo! A escolha é sua, mas sempre posso estar ao seu lado, tanto na descendente da queda, como no clamor de auxílio em busca de retorno à consciência em luz.

- Como consigo identificar se o pensamento que estou tendo é injusto com alguém, ou se está sendo alimentado por algo que seja fruto de demanda de alguém que não me quer bem?

- Exemplo de pensamento ruim é aquele em que desejamos o mal de alguém, independente de ser ou não fruto de uma demanda. Querer destruir alguém que lhe faz mal produzirá mais mal. Querer que o neutralize, que o anule, que transforme a sua vontade de prejudicá-lo, e mesmo que o oriente pelos meios que forem necessários é um direito seu. Quando lhe vem em pensamento alguém que está lhe fazendo algum mal, seja porque está lhe emanando raiva, ciúmes, inveja ou ativando alguma magia para lhe destruir, terás três caminhos:

No primeiro, você pode pedir que eu neutralize aquele mal que está sendo emanado e que a pessoa pare de prejudicá-lo. Nem sempre o efeito é duradouro. Noutro, você pode pedir que este mal retorne à pessoa que o está prejudicando, alimentando o sentimento de vingança. Nem sempre também, tem efeito duradouro.E no terceiro, você pode pedir para que ensine a pessoa a enxergar o mal que ela está fazendo a si própria e a você, de forma que não insista.

São três caminhos distintos, percebe? Não irei julgar sua escolha, mas você colherá as consequências de cada uma, ou da soma das alternativas, do que sente em cada momento de cada decisão. Mas em cada uma, colherá os efeitos do que estiver emanando em seu íntimo.Na primeira alternativa, você pode estar procurando ensinar, resistindo e persistindo, de forma a que no tempo, a pessoa desista de querer lhe fazer o mal. Passe a esquecê-lo neste sentido, ou mesmo passe a enxergar que nada ela ganha em tentar prejudicá-lo. Ela pode até aprender algo positivo com você. Esta opção requer a paciência de um pai ou de uma mãe ao tentar educar um filho de espírito rebelde. Na segunda alternativa, ao pedir que o mal retorne à pessoa, julgando que sua vingança é merecida, em sintonia com este sentimento, poderá ser atendido também. Na terceira alternativa, poderá estar solicitando orientação superior a você, para que consiga compreender a ignorância da pessoa que está lhe fazendo o mal, para que anule em você o sentimento de vingança e também para que a pessoa receba a lição e orientação necessária para que desista de tentar lhe prejudicar, anulando seus efeitos, desvitalizando a sua vontade e, se for necessário, que lhe chegue os meios apropriados para isso, dando-lhe entretanto o necessário amparo. Neste caso, a lei maior e a lei kármica produzirão a aceleração dos efeitos dos aprendizados necessários, no grau que cada um precisar.

Se você não sabe de onde vem o mal que lhe chega, porém isto está minguando as suas forças, anule-as. Mas se não conseguir resultado e precisar ativar a lei do retorno, eu poderei lhe auxiliar, caso evoque a Lei Maior e as Divindades, para que seja cumprido dentro de seu merecimento. Se ainda assim você sentir os efeitos é porque a Lei Maior está permitindo e só com uma mudança íntima sua, de algo que você precisa conhecer e lidar é que este mal não mais o afetará. Enquanto tiver que vivenciar a dor, lhe darei sustentação, desde que você se mantenha em busca de evolução.

Eu, como exu, enxergo o íntimo de cada um a todo o momento. Cada pedido seu irá refletir o seu sentimento íntimo e irá deflagrar ações que acelerarão os respectivos aprendizados, no positivo ou no negativo, onde cada um estiver alimentando. Meu símbolo, o tridente, tem três pontas: a do meio neutraliza, o da direita alimenta ou vitaliza e o da esquerda desvitaliza ou retira. Porém, cumpro o que a lei maior me permite fazer. Entretanto, outros, com quem convivo nas trevas, podem refletir o mal que desejas realizar e, espelhando seu sentimento de revolta, atendê-lo em troca dos meios que oferecê-los. Não culpe a vida depois, não culpe as trevas, não culpe o Criador. Não culpe nem a você, mas seja honesto consigo mesmo e aguente o aprendizado do retorno!

Quantos de vocês, mesmo na prática do bem, na carne, recebem o retorno de um mal que tenham causado, nesta ou noutras vidas? Quem pratica o bem, também não sofre o retorno sobre si? De algo que esteja pendente em seu espírito, perante a Lei Maior? Pois saiba que no livro da vida, o que foi escrito com tinta de sangue, ou do ódio, ou da vingança, ou do ciúmes, de outras épocas, não se apaga necessariamente com bons feitos. Mas capacitamos aquele que pratica o bem a lidar com o retorno, na busca de sua evolução.]]>
      
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   <title>&quot;TORNA-TE O QUE ÉS&quot;</title>
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   <published>2013-04-27T01:17:09Z</published>
   <updated>2013-04-27T01:28:31Z</updated>
   
   <summary>O ser humano é o único ser que vem ao mundo indeterminado e precisa determinar a si próprio.Mas há um aspecto interessante a se trabalhar, ou seja, quem você pensa que é e quem você é na realidade.</summary>
   <author>
      <name>AcidZero</name>
      
   </author>
         <category term="Filosofia" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
         <category term="Psicologia" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
   
   
   <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.saindodamatrix.com.br/">
      <![CDATA[<b>Por <a href="http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/torna-te-o-que-es-88">Rosemiro A. Sefstrom</a></b>

<img src="borboleta.jpg" hspace="15" vspace="5" class="imagem">Ao trabalhar o tema “identidade” com meus alunos do ensino fundamental, deparei-me, no material didático, com a citação de Maria Helena Pires Martins, a qual afirma que o ser humano é o único ser que precisa aprender a ser humano.

De acordo com a autora, o ser humano é o único ser que vem ao mundo indeterminado e precisa determinar a si próprio. Ainda sobre a identidade há um aspecto interessante a se trabalhar, ou seja, quem você pensa que é e quem você é na realidade. Dois filósofos usaram uma frase interessante mostrando, desde muito tempo, o entendimento de que o ser humano é movimento e que falar em natureza humana é um erro. Píndaro, filósofo do século V a.C. e Nietzsche século XIX disseram: “Torna-te o que és”. Esta pequena frase reflete uma realidade muitas vezes constatada em consultório, de pessoas que passaram sua história acreditando ser pessoas que não são. E algumas vezes são tão diferentes que se tornam irreconhecíveis a si mesmas dependendo do espelho que usam para se ver.

O que você acha de você mesmo é uma ideia, uma abstração que se forma ao longo de sua história de vida. Essa ideia dependerá de muitos fatores, como o tempo histórico, lugar, as circunstâncias, relações e tantos outros fatores. O ser de cada um enquanto ideia é considerado em si mesmo como verdadeiro, uma vez que é apenas uma ideia, ou um conceito a respeito de si mesmo. Neste conceito estão contidos o que penso, sinto, intuo, elaboro a respeito de quem fui, sou ou serei. Este conceito é singular, uma vez que é ou está somente comigo, não há como ser compartilhado de forma prática por ser apenas uma ideia.

O que acontece é que muitas vezes a ideia de quem você é não coincide com a ideia que os outros têm de você. Assim, enquanto abstração, os conceitos que você tem de você mesmo não tem impactos sociais, mas quando a prática diária acontece e entra em contato com os outros, aí sim, os outros estão formando uma ideia de quem você é. Sensorialmente, ou seja, sua presença física e prática com os outros é que dá a estes a oportunidade de saber quem você é. E isso se dará não pelo discurso, mas pela prática e é neste momento que podem começar os problemas, angustias, chateações. Pois, na sua ideia você é uma pessoa e na prática outra, como isso acontece?

Isso acontece porque muitas vezes as abstrações, ou seja, tudo aquilo que tem em suas ideias vai para a realidade de forma diferente. Um bom exemplo destes casos é a vez em que se apaixonou por aquela menina da escola, pensou centenas de vezes no que ia dizer para ela e quando tentou fazê-lo na prática... 

É bem claro que o pensamento tem um rompimento com a prática, algumas pessoas percebem e tentam trabalhar esta questão, mas muitas pessoas não veem que suas ideias não coincidem com sua prática.

Essa não coincidência é chamada em Filosofia Clínica de equivocidade, o termo equícoco é todo termo que tem mais de uma interpretação ou não é compreendido. Quando o que a pessoa acha dela mesma é diferente do que ela é, pode ser o caso de a pessoa ter uma equivocidade ligada ao que ela acha de si mesma. Você pode se achar burro, feio, fraco, pobre, solitário e isso não ser verdade, outras pessoas ao seu redor acusarem isso e mesmo assim não mudar a sua opinião.

“Torna-te o que és” é o anúncio de Píndaro e Nietzsche de que em muitas vezes o que proclamamos a respeito de nós mesmos está muito longe do que somos, tanto para o bem quanto para o mal. Assim como isso é muito importante para algumas pessoas, motivo de terapia inclusive, para outras é algo insignificante. ]]>
      
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   <title>E SE BAAL FOSSE NOSSO DEUS?</title>
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   <published>2013-04-19T14:22:04Z</published>
   <updated>2013-04-19T14:25:44Z</updated>
   
   <summary>A Bíblia é na verdade um grande Mash-up de diversas culturas e cada vez mais fica claro que mesmo o &quot;Deus único&quot; de Israel não é tão único assim em suas facetas.</summary>
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      <name>AcidZero</name>
      
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      <![CDATA[Recentemente o Brasil entrou numa polêmica liderada por declarações não apenas preconceituosas como teologicamente incorretas de um certo pastor muito vaidoso cujo nome não vale a pena ser mencionado (afinal, ele está em busca de autopromoção pra poder crescer na política e religião). Esse sujeito escreveu no twitter: "Africanos descendem de ancestrais amaldiçoados por Noé. Isso é fato". Depois justificou a frase com um "Não tem nada de comentário racista. É um comentário teológico que está na Bíblia".

Só que ele parece estudar pouco teologia, ou saberia que a própria Bíblia o contradiz, como pode ser visto <a href="http://bible.org/seriespage/nudez-de-no%C3%A9-e-maldi%C3%A7%C3%A3o-de-cana%C3%A3-g%C3%AAnesis-918-%E2%80%93-1032">neste site</a>:

O descendente que Noé amaldiçoou foi Canaã (<i>Gênesis 9:25</i>). De acordo com a Bíblia a África foi povoada pelos descendentes de Cã descritos em <i>Gênesis 10:7</i> (Veja <i>Gênesis 50:9</i>, <i>Jeremias 46:9</i> e <i>Naum 3:9</i> como confirmação) e não pelos filhos de Canaã (<i>Gênesis 10:15-19</i>), que equivalem atualmente ao povo de Gaza, Sodoma, Gomorra, territorios pertos de Israel, ou seja, ORIENTE MÉDIO.

E, se continuarmos a estudar a fundo a Bíblia e a história dos povos que são mencionados nela, podemos perceber mais claramente como é uma IDIOTICE tamanha ficar pegando no Velho Testamento as rixas dos povos árabes de outrora e louvando como se fossem "fatos" ou "palavra de Deus", algo divino, admirável. Se tornaram lugar-comum entre os pastores evangélicos as bravatas de "Meu Deus é o Leão de Judá", "meu Deus é Senhor dos Exércitos", "fogo nele, Jeová" e coisas que evocam o Deus da batalha, o Deus sem misericórdia que destrói os povos "pagãos". Qual não foi minha surpresa quando leio que o Jeová "guerreiro" tem suas raízes justamente no Deus do maior inimigo de Israel, justamente o povo de Canaã (o "amaldiçoado" por Noé)?

Isso mesmo. Segundo <a href="http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL652419-9982,00-DEUS+BIBLICO+PODE+SER+FUSAO+DE+VARIOS+DEUSES+PAGAOS+DIZEM+ESPECIALISTAS.html">estudos recentes</a>, especialistas estão reconhecendo a influência conjunta de diversos deuses pagãos antigos no retrato de Javé traçado pela Bíblia. A Bíblia retrata os israelitas como um povo quase totalmente <a class="overlib" onmouseover="return overlib('Claro, afinal o inimigo deve ser pintado com tintas carregadas e deve ser desumanizado o suficiente pra que possamos combatê-lo sem remorsos. Funciona em todas as guerras.');" onmouseout="nd();">distinto</a> dos cananeus, mas os dados arqueólogicos coletados revelam <b>profundas semelhanças de língua, costumes e cultura material</b> – a língua de Canaã, por exemplo, era só um dialeto um pouco diferente do hebraico bíblico. 

Os cananeus não deixaram para trás uma herança literária tão rica quanto a Bíblia. No entanto, poucos quilômetros ao norte de Canaã, na atual Síria, ficava a cidade-Estado de Ugarit, cuja língua e cultura eram praticamente idênticas aos cananeus. Ugarit foi destruída por invasores bárbaros em 1200 a.C., mas os arqueólogos recuperaram numerosas inscrições da cidade, nas quais dá para entrever uma mitologia que apresenta semelhanças (e diferenças) impressionantes com as narrativas da Bíblia. "Por isso, Ugarit é uma parte importante do fundo cultural que, mais tarde, daria origem às tribos de Israel", resume Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos da Universidade Yale (EUA). 

Quando Javé entra em cena com seu "nome oficial" durante o Êxodo bíblico, a impressão que se tem é que ele absorveu boa parte das características de deus cananeu <b>Baal</b> (literalmente "<i>senhor</i>", "<i>mestre</i>" e, em certos contextos, até "<i>marido</i>"), um guerreiro jovem e impetuoso da mitologia de Ugarit e da Fenícia (atual Líbano). Nesta parte da Bíblia Javé é visto como um guerreiro, destruindo os "carros de guerra e cavaleiros" do Faraó e, mais tarde, guiando as tribos de Israel à vitória durante a conquista da terra de Canaã. Tal como Baal, Javé é descrito como "cavalgando as nuvens" e "trovejando". E, mais importante ainda, uma série de textos bíblicos falam de Deus impondo sua vontade contra os mares impetuosos (como no caso do Mar Vermelho, em que as águas engolem o exército egípcio por ordem divina) ou derrotando monstros marinhos. Há aí uma série de semelhanças com a mitologia cananéia sobre Baal, o qual derrotou em combate o deus-monstro marinho Yamm (o nome quer dizer simplesmente "mar" em hebraico) ou "o Rio" personificado. Na mitologia do Oriente Próximo, as águas marinhas eram vistas como símbolos do caos primitivo, e por isso tinham de ser derrotadas e domadas pelos deuses. Javé também é associado à chuva e à fertilidade da terra pelos antigos autores bíblicos – atributos que aparecem entre as funções de Baal.

E sabe qual a pegadinha aqui? É que para os cristãos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Baal_(dem%C3%B3nio)">Baal é o próprio DEMÔNIO</a>, Satanás! Claro, se o Deus do meu inimigo não é o meu, então é o coisa-ruim! Fazem isso até hoje! Não é hilário que eles compartilhem tantas características?

Quando os israelitas realizam a conquista da terra de Canaã, a ordem dada por Deus é de simplesmente exterminar todos os habitantes, e às vezes até os animais (embora, em alguns casos, os homens de Israel recebam permissão para transformar as mulheres do inimigo em concubinas). Isso TAMBÉM vem da cultura de sua época e não é nenhuma exclusividade de Jeová:
Textos de um país vizinho do antigo Israel, Moab, falam, ironicamente, de uma guerra de Mesa com Israel na qual o rei moabita, por ordem de seu deus, Chemosh, decreta o <b>Herem</b> ("interdito"). E o herem nada mais é que a execução de todos os prisioneiros inimigos como um ato sagrado. Tratava-se, portanto, de um elemento cultural de toda a região.

Ou seja: todos os povos daquele local usavam as mesmas desculpinhas divinas pra se matar, se odiar e conquistarem território... como fazem até agora, se vocês não perceberam. E certas denominações evangélicas pegam pra si esses relatos de uma guerra estúpida e nada transcendente (onde até os cavalos são mutilados) e justificam, com isso, suas guerras santas contra minorias. Parabéns a esses evangélicos: Jesus - que nos trouxe o Deus da misericórdia pra contrapor Jeová - está orgulhoso de você.

Outra figura proeminentes nos textos recuperados de Ugarit é <b>El</b> – nome que quer dizer simplesmente "deus" nas antigas línguas da região, mas que também se refere a uma divindade específica, o patriarca, ou chefe de família, dos deuses. "Patriarca" é a palavra-chave: o El de Ugarit tem paralelos muito específicos com a figura de Deus durante o período patriarcal, retratado no livro do Gênesis e personificado pelos ancestrais dos israelitas: Abraão, Isaac e Jacó. Nesses textos da Bíblia há, por exemplo, referências a <b>El Shadday</b> (literalmente "El da Montanha", embora a expressão normalmente seja traduzida como "Deus Todo-Poderoso"), <b>El Elyon</b> ("Deus Altíssimo") e <b>El Olam</b> ("Deus Eterno"). O curioso é que, na mitologia ugarítica, El também é imaginado vivendo no alto de uma montanha e visto como um ancião sábio, de vida eterna. 

Tal como os patriarcas bíblicos, El é uma espécie de nômade, vivendo numa <a class="overlib" onmouseover="return overlib('O que nos lembra a tenda onde ficava a Arca de Aliança, que só Moisés podia entrar pra se comunicar com Deus.');" onmouseout="nd();">versão divina da tenda dos beduínos</a>; e, mais importante ainda, El tem uma relação especial com os chefes dos clãs, tal como Abraão, Isaac e Jacó: eles os protege e lhes promete uma descendência numerosa. Ora, a maior parte do livro do Gênesis é o relato da amizade de Deus com os patriarcas israelitas, guiando suas migrações e fazendo a promessa solene de transformar a descendência deles num povo "mais numeroso que as estrelas do céu". 

Há ainda outros elos entre o Deus do Gênesis e El: num dos trechos aparentemente mais antigos do livro bíblico, Deus é chamado pelo epíteto poético de "<a href="http://dialogoabertoriginal.blogspot.com.br/2013/01/yaveh-o-touro-de-jaco-e-nao-o-poderoso.html">Touro de Jacó</a>" (frase às vezes traduzida como "Poderoso de Jacó"), enquanto a mitologia ugarítica compara El freqüentemente a um touro.


Moral da história: a Bíblia é na verdade um grande <i>Mash-up</i> de diversas culturas e cada vez mais fica claro que mesmo o "Deus único" de Israel não é tão único assim em suas facetas, porque não existe UM povo, UMA cultura, UM homem. Nossa origem se perdeu no tempo, e o que restou são MITOS que são compartilhados (até mesmo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Inconsciente_coletivo">inconscientemente</a>) por DIVERSOS povos, DIVERSAS culturas, e a palavra-chave aqui é DIVERSIDADE. Podemos todos nos beneficiar da pluralidade, assim como a natureza se beneficia da diversidade genética. E quando pessoas ou culturas instilam o ódio a determinado grupo, povo ou religião, estão na verdade tentando esconder essa verdade: de que nenhum homem (ou grupo) é uma ilha, e que estamos todos interconectados, dependentes, e que até mesmo nosso inimigo pode ter sido (ou pode vir a se tornar) nosso professor, ou mesmo... Pai!

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