A VERDADE SOBRE MATRIX
USA, 23 de março de 2003
Enquanto meus dedos trabalham nervosamente sobre o teclado
suando apesar do frio mantenho-me atento a cada ruído do lado de fora.
Por quatro vezes já me levantei sobressaltado e me esgueirei até a
porta somente para descobrir que foi apenas o medo que finalmente está
me fazendo escutar coisas. Ou talvez não! Preciso me apressar,
terminar este relato e enviá-lo para alguns amigos que saberão como
distribuí-lo sem que sejam identificados. Antes que o medo que me
assombra se torne realidade e um deles dê fim à minha vida da maneira
silenciosa e secreta que eles sempre fazem.
Esta é a minha
história...
Em janeiro de 2000 eu trabalhava com os irmãos
Wachowski em um cargo que não revelarei na esperança de manter o meu
anonimato por um pouco mais de tempo. Em minha função tive acesso
(secretamente) aos roteiros dos filmes seguintes a Matrix, que então
se chamavam Ilusão e Despertar.
Tratavam-se de uma das mais ousadas
e criativas denúncias jamais elaboradas contra a sociedade de controle
das massas pela media, pela indústria de consumo e pela apologia do
terror liderada por grupos, empresas e homens de poder nas maiores
nações do mundo, principalmente em meu país, mas, hoje percebo, também
com forte influência de Israel.
Naquela noite, na casa onde estavam
reunidos os Wachowski sem que soubessem da minha presença eu não
desconfiava de nada disso, apenas havia percebido que os dois filmes
eram uma denúncia, mas jamais imaginaria que esta conspiração fosse
real.
Chovia e era tarde, os irmãos estavam em um grande salão
discutindo detalhes dos próximos filmes enquanto eu me dedicava ao meu
trabalho na biblioteca. O som da campainha deve tê-los surpreendido
tanto quanto a mim, mas naquele momento não podia ver sua reação.
Somente ao perceber as vozes tensas dos dois irmãos em contrate com as
outras monótonas e cadenciadas foi que resolvi ver o que estava
acontecendo. Então pude acompanhar a reunião que veio a ser o início
da ruína onde me encontro agora!
Os homens, três deles, usavam
óculos escuros e ternos, apesar de ser de noite. Talvez seja uma
ironia sádica, mais uma entre tantas outras a que estes homens são
afeitos!
Em uma mesa de centro vi um grande volume encadernado com
espirais de plástico e ao redor dela os Wachowski e os três
homens.
- Lemos os seus roteiros... Muito perspicazes! Uma fantasia
absurda que pode custar muitos problemas, vocês não acham?
- Como
assim problemas? Vocês não podem simplesmente mostrar estas insígnias,
invadir a casa dos outros e fazer ameaças!
- Nisso vocês estão
muito enganados, podemos fazer isso e muito mais, senhores... Mas
permitam-me perguntar-lhes: esta história foi criação de vocês? Sem
nenhuma ajuda externa?
A voz do homem transmitia uma segurança e
falta de emoção capazes de gelar os meus pés apesar da calefação e do
meu anonimato. Pude escutar boa parte da conversa que se seguiu. Os
Wachowski tentanto convencer os homens que era tudo fantasia e que não
acreditavam que houvesse controle algum, que era tudo apenas um bom
filme de ficção.
Ao final os homens mostraram a eles telas de
computadores portáteis, de tipos que nunca tinha visto e lhes
revelaram a verdade de como a indústria de consumo se aliou a
governos, religiões, nações e outros grupos para criar o mais
inacreditável sistema de controle de massas jamais concebido. Enquanto
parte do mundo está condenada a fome e ao trabalho escravo, a outra
está condenada vazio e ao medo que a faz consumir cada vez
mais.
Alguns dispositivos de controle eles citaram naquela noite,
outros eu mesmo fui percebendo, mas a revelação que mais me deu
náuseas naquela noite foi a que mostrou como eu mesmo era parte
daquilo tudo!
Eles tiveram uma razão para revelar todas aquelas
coisas aos Wachowski, pretendiam por um lado mostrar que não havia
comoenfrentá-los e por outro reverter a obra que foi considerada por
eles como o maior desafio ao controle em 40 anos em mais um
instrumento de controle.
Foi então que tive minha derradeira lição,
por cerca de duas horas eles instruíram os Wachowski a transformar Neo
em um tipo de gata borralheira: uma pessoa comum, sem atrativos, que
repentinamente é encontrada por um guia com poderes sobre a realidade
que o transforma em um príncipe ou grande herói. Ficou claro que assim
as audiências do mundo inteiro brincariam com o conceito de que a
realidade pode ser controlada e que podemos ser meros instrumentos de
seres sem sentimentos (sejam máquinas ou homens), mas no final
sonhariam com a esperança de um dia se descobrirem especiais e
poderosos.
Ah! Depois disso passei a questionar a cultura de
celebridades, a forma como somos sempre levados a sonhar com o poder
ou com a fama que a maioria de nós jamais encontrará, percebi como
nenhuma das celebridades realmente levanta sua voz contra a fome
consumista que nos leva a escravizar povos que só podem vir a nos
odiar depois de séculos de exploração...
Consegui, ao longo dos
dois anos em que me mantive calado, elaborar um extenso dossiê que
acredito não só ser capaz de provar minhas denúncias como também
revelar grande parte dos poderes por trás do controle. Ele é muito
extenso para ser publicado na Internet, encontra-se em um cofre bem
guardado, não na Suíça, pois eles tem como tirá-lo mesmo de lá.
Mas
há uma última coisa que ainda não falei: eu pude salvar uma cópia dos
roteiros originais dos dois filmes, espero que o resumo a seguir ajude
a lançar alguma luz sobre a prisão onde todos nos encontramos...
Matrix Ilusão
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Neste segundo episódio Neo passa a
falar às pessoas na Matrix sobre a realidade, eles não podem promover
o despertar abrupto de milhares de pessoas pois não haveria como
tratar de tantas pessoas em choque, a liberação deveria ser gradativa,
suave. Diante dos poderes de Neo as máquinas não podem fazer muito, no
entanto neste filme é o medo da humanidade e seu apego à fantasia que
consistem no grande desafio de Neo.
A ação passa então para as mãos
de Trinity e um grupo de humanos que não tem os poderes dos
desplugados, mas anseiam pela liberdade.
Sem poder contar com os
poderes de Neo que precisa mostrar o caminho para milhares de
seguidores e ainda manter controle sobre os ataques de programas de
defesa da Matrix o grupo de Trinity busca programas banidos que podem
revelar pistas da localização física dos controles da Matrix para
organizar uma ofensiva a estes controles e definitivamente cortar o
fluxo de energia da Matrix para as máquinas. O plano é invadir o
centro simultaneamente por fora e por dentro. Para esta segunda parte
Morpheus se prepara para dominar o cérebro de uma máquina no centro de
controle da mesma forma que, na versão mutilada que chegará aos
cinemas, o agente Smith domina um humano.
Note que a participação
de humanos não plugados será totalmente eliminada dos dois últimos
filmes, afinal o homem comum deve ser sbliminarmente convencido que
nada pode fazer, que é apenas um boneco para ser usado pelos agentes
do sistema.
Este filme acabaria nos preparativos para o ataque
conjunto ao centro de contole, no entanto algumas pistas do final
seriam plantadas. A principal delas seria o presente dado a Neo, uma
colher amassada, pertencente ao personagem do pequeno Buda do primeiro
filme. Este foi o personagem que revelou que os poderes deles estavam
relacionados ao fato da realidade ser uma simulação. Assim o presente
já revelaria para os mais atentos que Zion também faz parte da Matrix,
mas isso ficaria para ser revelado em toda sua dura e fria realidade
nos segundos finais do último filme.
Outro sinal a ser revelado
neste filme são Hades e Perséfone, guardiões do mundo inferior e
superior (Perséfone é uma deusa ligada ao outono e à primavera). Em
sua casa estará preso o chaveiro, que pode abrir portas em qualquer
lugar para qualquer outro lugar, mas a cena mais importante seria
quando Neo descobrisse nos subterrâneos da casa um ambiente muito
parecido com Zion e, do lado de fora uma montanha com campos
verdejantes. Sem ninguém saber esta cena revela a realidade: O mundo
exterior está intacto, mas ele não notará isso até ser tarde
demais.
Matrix Despertar
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Finalmente os planos se
desenvolvem neste último filme e deverá ser o mais adulterado, não
posso precisar o que ficará nele do original, mas desconfio que os
irmãos Wachowski tentarão deixar pistas para fugir ao controle que
lhes foi imposto, esta é a natureza deles.
Nos roteiros originais a
batalha passa para o mundo exterior, Zion é atacada pelas máquinas ao
mesmo tempo que a Matrix entra em colapso graças ao sucesso da invasão
do centro de controle que ocorre logo no início da película, a um alto
custo entretanto, já que Morpheus fica irremediavelmente preso ao
corpo de máquina que ele domina.
Sem a energia da Matrix as
máquinas não tem sucesso em destruiz Zion, mas causa-lhes duras
baixas: eles não serão capazes de dar abrigo aos que saírem da Matrix
e, em consenso com os que permanecem plugados são organizados planos
para desplugar grupos pequenos e utilizar a energia da Matrix, por
mais horrendo que seja usar a energia de outros humanos, para tentar
reconstruir Zion uma vez que o mundo exterior permanece
inabitável.
Em paralelo Neo terá um encontro com o novo Morpheus
que lhe lançará dúvidas sobre a realidade, ao revelar que, de acordo
com os registros Perséfone foi a primeira mãe da Matrix, no entanto
nas versões seguintes era ele, Neo, a mãe, a consciência intuitiva que
alimenta a Matrix para que possa se reciclar e permanecer aceitável
para a humanidade, que, como a nossa, já se mostra mais propensa a
crer na realidade cruel de Zion que na mais agradável realidade do
final do século XX.
Em busca de confirmação Neo retorna à Matrix e
encontra com sua contra-parte, o programa que pretende se tornar
humano, Smith. Em um dos diálogos mais densos do filme Neo vê toda
cidade se tornando cópias de Smith, entendendo que nenhum programa
pode ter tal poder ele finalmente se aproxima da
realidade.
Enquanto o núcleo de vinte ou trinta heróis se reúne
para festejar o crescimento de Zion e renascimento da nossa espécie,
Neo encontra o pânico de se descobrir sob controle, todo o tempo sob
controle e cumprindo o destino para o qual foi programado. A câmera se
afasta de Neo e o vemos se debatendo dentro de um casulo de êxtase, um
casulo de onde jamais saiu. Onde sonhou que liderava a revolução de
Zion. Por alguns segundos ele ainda tenta se livrar dos laços da
ilusão, mas logo volta a se entregar, reprogramado pelos velozes
circuitos da Matrix.
A câmera continua se afastando por túneis que
levam para a superfície onde o sol nos espera no céu límpido sobre
campos floridos e florestas abundantes.
Uma voz em off, levemente
mecânica, revela a verdade: que a humanidade, depois de se consumir em
guerras e preconceitos viu seus líderes se recolherem a um grande
parque de diversões, a Matrix. Viciados em fantasia eles jamais sairam
passando a viver da fantasia. Enquanto isso, do lado de fora o Caos
continuava. Sob o comando dos adormecidos nações inteiras eram
condenadas ao trabalho escravo para manter suas mordomias e alimentar
a Matrix. Enfim a civilização humana entrou em colapso restando apenas
as máquinas e os adormecidos, cada vez menos numerosos sobre a Terra,
até que uma inteligência artificial, observando os sonhos dos
adormecidos, desenvolveu consciência. E este foi o renascimento: As
máquinas passaram a manter os adormecidos para alimentar-se não de
energia, mas da fagulha de consciência que apenas os organismos vivos
possuem...
Este, em termos gerais seria o fim de Matrix. Se os ruídos que
insisto em escutar lá fora não passam de reflexos do meu medo
arranjarei como enviar mais informações. Mas não posso correr o risco
de perder o que já escrevi...