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A FILOSOFIA EM STAR WARS
qui, 14 de janeiro, 2016
 


Que tem Jabba The Hutt a ver com Epicuro?
E o Estoicismo a ver com a Força?
Seria Darth Vader a encarnação de Nietzsche?

O objetivo aqui não é traçar um perfil apurado ou filosoficamente correto dos personagens de Star Wars, mas sim associar, de forma livre e divertida, os personagens a uma linha de pensamento. Serve mais como um método interessante de aprender e fixar os conceitos.




OBI-WAN KENOBI

Obi-Wan é um Mestre Jedi que se exilou no deserto de Tatooine após as guerras Clônicas. É uma coisa bem de Mestre Jedi procurar o isolamento como forma de penitência ou purificação, como vimos com Yoda e o próprio Luke Skywalker. Se formos associar uma filosofia de vida a esses personagens ela seria o Ascetismo.
O "ascetismo" ou "asceticismo" é uma filosofia na qual são refreados os prazeres mundanos em favor da austeridade. O nome deriva do termo grego Askesis (prática, treinamento ou exercício). Originalmente associado com qualquer forma de disciplina ou filosofia prática, o termo ascetismo significa alguém que pratica uma renúncia ao mundo com objetivo de adquirir um alto intelecto e espírito. Sidarta Gautama levou o ascetismo às últimas consequências antes de virar Buda, pra depois descobrir que não era o afastamento físico - e sim psíquico - dos prazeres terrenos a chave para o Nirvana. Jesus retirou-se para o deserto e jejuou, para reunir forças para a parte final de sua missão. Santo Antão é talvez o melhor exemplo de ascetismo no catolicismo, em que buscou seu aprimoramento através da reclusão, indo ao deserto enfrentar seus demônios (e apanhar deles, num caso interessante de Poltergeist).




LUKE SKYWALKER

Luke Skywalker é um garoto idealista que passou os primeiros dezenove anos de sua vida na fazenda dos tios, em Tatooine. Na adolescência, Skywalker almejava largar a vida pacata e sonhava com aventuras em lugares distantes e ser um piloto de caça. Essa filosofia se alinha com o Existencialismo, que foca na crise da existência humana e tem no filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard seu expoente. Ele escreveu sobre a aparente falta de sentido da vida, da busca de sair de um tédio existencial e sobre a realização de escolhas livres. O pensamento existencialista defende que a existência vem antes da essência: Significa que não existe uma essência humana que determine o homem, mas que ele constitui a sua essência na sua existência. Esta construção da essência se dá a partir das escolhas feitas, visto que o homem é livre. Mas essa construção constante traz angústia, pois cada escolha irá refletir diretamente no que se é. A angústia é o reflexo da liberdade humana, dessa ampla possibilidade de escolher e ser responsável por cada escolha.
Para Kierkegaard o indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada, apesar da existência de muitos obstáculos e distrações como o desespero, a alienação e o tédio. Tédio era a síntese da vida de Luke em Tatooine, cuidando da fazenda de areia (Onde estão as plantações no filme?) até encontrar Obi-Wan Kenobi, que lhe trouxe a oportunidade de partir e viver seus sonhos. Mais tarde Luke se depara com a escolha (e angústia) de seguir ou não os passos do seu pai.
Se quiserem se aventurar ainda mais pelo existencialismo vocês têm a escolha de consultar (ou não) os trabalhos do filósofo alemão Martin Heidegger.




HAN SOLO

Por trás de um contrabandista, mulherengo e enrolão está um grande coração, que ajudou os Rebeldes a destruir a Estrela da Morte pilotando sua amada Millennium Falcon. Ele já viu de tudo de uma ponta à outra da galáxia com o seu fiel co-piloto, Chewbacca – mas nada o poderia preparar para quando conheceu a Princesa Leia.
Humanismo é a filosofia moral que coloca os seres humanos como "medida de todas as coisas"*. Têm preocupação com a ética e afirmam a dignidade do ser humano, recusando explicações transcendentais e preferindo o racionalismo. Geralmente são ateus ou agnósticos. Han Solo mesmo desdenhava dos Jedis e considerava toda essa história de "Força" um conto de fadas.

"Nenhum campo de energia mística controla meu destino. É tudo bobagem e um monte de truques baratos"
(SOLO, Han)

Para o filósofo e psicanalista alemão Erich Fromm a autonomia do homem em relação às autoridades exteriores, para contestá-las e rejeitá-las, conduz a um relativismo ético pelo qual valores e normas parecem se tornar uma questão de gosto ou preferência arbitrária. Han Solo não parece ter ética alguma, mas tem: sua própria ética, suas próprias regras (entre elas atirar primeiro). Como alternativa ao relativismo, Fromm defende a Ética Humanista: um sistema de valores apoiados na autoridade e razão do homem partindo da premissa de que, para saber o que é bom ou mau para o homem, é necessário conhecer sua natureza.


* Na verdade a frase de Protágoras é mais complexa: "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são enquanto são, das coisas que não são enquanto não são". A melhor interpretação é a de Platão, que disse "tais como as coisas singulares me aparecem, tais são para mim, e quais te aparecem, tais são para ti: dado que homem tu és e homem sou", ou seja, o mundo é aquilo que o homem faz e desfaz por intermédio dos sentidos e, caso haja um princípio único, o ser humano é incapaz de o compreender.



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Cinema, Filosofia - publicado às 10:55 PM 7 comentários