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STAR WARS: THE FORCE AWAKENS (Análise com SPOILERS)
seg, 21 de dezembro, 2015
 


Quando o titulo apareceu na tela o mundo lá fora acabou. Era só eu e aquele mundo estranho, vasto e deserto (mesmo nas florestas ou no gelo) e ao mesmo tempo convidativo que eu descobri nos anos 80 e aprendi a amar. Creio que a maior parte do cinema sentiu assim. Depositei meu coração nas mãos dessa franquia novamente, após 16 amargos anos, mas dessa vez não me decepcionei.


Eu no cinema


Minha impressão é que a Disney pegou engenheiros japoneses e advogados norte-americanos pra analisar friamente o que fez a trilogia original ser tão boa. Deserto? Ok. Estrela da Morte? Ok. Império x Rebeldes? Ok. Tensão romântica? Jornada do herói? Maioria de personagens humanos? Aliens de borracha? Design clássico de personagens e naves? Ok. ok, ok... a lista segue. Pequenos detalhes foram observados, como dar momentos de fan service ao pessoal que se veste de Pilotos Rebeldes e Stormtroopers. Em muitos momentos parece um reboot do primeiro filme. Falando assim parece ruim, mas não é. Depois de tudo o que passamos era o melhor presente que nós, fãs, poderíamos ter recebido: um retorno ao clássico, à nossa CASA, mas modernizada, mais bonita. E foi isso o que eu senti quando olhei o texto amarelo deslizando para o fundo da tela em 3D: uma nova e excitante modo de ver algo que nos é familiar.

A Força não é questão de força. Isso é um ensinamento LINDO que já havia sido passado por Yoda no Império Contra-Ataca (e solemenente destruído por George Lucas na nova trilogia) e ficou muito poético que uma mulher, uma NOVA PERSONAGEM, venha resgatar essa tradição.


A partir de agora o texto terá spoilers à vontade, e uma análise dos simbolismos do filme. Isso irá arruinar sua experiência se você não viu o filme, então só continue por conta e risco.


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Cinema - publicado às 7:17 PM 49 comentários
KABBALAH COM O RABINO JOSEPH SALTOUN
seg, 14 de dezembro, 2015
 


Por Natalia Cruz Sulman, do Blog Filovida

O seguinte texto condiz com anotações redigidas no curso de Introdução à Kabbalah ministrado pelo Rabino Joseph Saltoun em Recife nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2015. Tal escrito não reproduz todas as interpretação cabalísticas, mas apenas a apresentada por esse estudioso da cabalá e da teosofia religiosa. O FiloVida reproduz seu conteúdo de forma expositiva embora não esteja vinculado diretamente ao curso e seus ensinamentos.


PRIMEIRO ENCONTRO


    Abraão (אברהם)


    Rabino Isaac Luria
O Mestre só aparece quando o aluno está pronto
disse o Mestre cabalístico Joseph Saltoun.

Essa primeira passagem registra um ensinamento importante: o aprendiz precisa estar pronto para instruir-se diante dos ciclos de ondas da vida; ciclos esses de crescimento, emoção e mudança. O primeiro grande aprendizado da cabalá é a cabalá ela mesma. Aprender, diante dela, não significa compilar informações, mas decorrer da Sabedoria divina que ilumina a vida. Essa Sabedoria ajuda os homens a conhecer novas dimensões da consciência, e, assim, desvendar os códigos cósmicos do Livro Sagrado Antigo. Nem todos os rabinos são cabalistas, mas aqueles que são sem dúvida o são porque começaram a se perguntar "por quê?". "Por quê" esse genuíno, diferente daquele "Como?" científico que tem por fim desvendar apenas o mecanicismo terreno do mundo. A cabalá busca o verdadeiro sentido da vida, ela representa o despertar dos homens capazes de olhar a si mesmos de dentro para fora. Mas se estamos adormecidos, seja por culpa nossa ou por natural necessidade, não nos desencorajemos. O adormecimento é a esperança de abrir os olhos para o que ainda não chegou no mundo.

O segundo tema evocado por essa passagem é o Mestre em si mesmo. Quem é um Mestre cabalista? Em hebraico QBLH (קבלה) significa "recepção". Os hebreus antigos diziam que o cabalista é aquele que recebe, e, além disso, aceita. A primeira influência cabalista, Abraão não só recebeu a verdade, mas a praticou e a compilou no Livro de Formação. Seus ensinamentos consistem em todo o conhecimento que o ser humano revelou e poderá revelar até o fim dos tempos. Assim Abraão fundou as religiões monoteístas, aproximando-nos do encontro com um único Deus. Algumas interpretações cabalistas indicam que "Hebreu" significa "aquele que faz uma ponte entre o mundo físico e o metafísico". Abrãao, como trouxe a sabedoria metafísica utilizando uma linguagem falada, foi assim o primeiro verdadeiro hebreu, o pai de todos os povos.

Depois de Abraão veio ao mundo Moisés, aquele que no Monte Sinai nos trouxe a Torá. Todavia Moisés mais nos conduziu ao "como" do que ao "por quê", isto é, mais nos trouxe a Lei: Deus é o eterno por isso não terás outros deuses nem farás imagens de idolatria, não jurarás Seu nome em vão, santificarás o sétimo dia, honrarás pai e mãe, não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás nada de seu próximo. A Cabalá, importando-se mais com o por que do que com o como, não cessou em Moisés.

No século II da Era Comum o Mestre Rabino Shimon bar Yochai nutriu um forte sentimento pela independência de Israel das mãos dos romanos, razão pela qual passou a ser perseguido. Fugindo dos romanos, escondeu-se nas grutas de PekIn e Idra Rabba com seu filho Elazar, onde, segundo a tradição judaica, teve a revelação do Zohar, um dos livros canônicos judaicos que discutem a natureza de Deus, a origem e estrutura do universo e temas como a natureza das almas, do pecado, da redenção, do bem e do mal. Vários outros rabinos apareceram na história da cabalá, mas o principal para o mestre Joseph Saltoun foi o Rabino Isaac Luria, que tornou-se tornou famoso como o "Ari", o leão sagrado.

A cabalá luriana acompanha todos os processos da história humana. Processos esses que não instrumentam um conhecimento especulativo de uma verdade que passa pelo mundo físico relativo e temporário. O mundo físico é considerado por ela uma dança infinita de átomos, de energia, que está acontecendo e nossos sentidos fazem uma divisão desses fenômenos. Mas na verdade somos um, numa fonte metafísica onde todos os elementos separados se unem. Na verdade os cabalistas não formam uma religião, mas como têm por fim se unir a essa fonte, se firmam na expressão latina religare, pois buscam acessar a ponte infinita da força cósmica que perdemos.


SEGUNDO ENCONTRO

A Torá é o corpo, a Cabalá a alma. Se tirarmos a Cabalá a Torá é um corpo morto, sem alma e sem vida. A Cabalá tem em si também a Ciência, mas sem a Cabalá a Ciência é um conhecimento morto



    Os quatro níveis do conhecimento
O sentido dessa passagem é profundo, seu ensinamento mostra como a cabalá vê o início da dinâmica da vida, isto é, no verdadeiro conhecimento que se apresenta em quatro níveis, são eles: Pshat, Remez, Drash e Sod. O primeiro deles pode ser traduzido pelo "simples significado" e se trata da compreensão literal da Torá. Compreende-se o segundo por "dicas", e, a partir de um ensinamento mais profundo, ele é mais que apenas é uma expressão literal bíblica. O Drash, por sua vez, é a interpretação ou exegese bíblica, busca analisar as palavras, a colocação, os formatos e os valores numéricos das letras sagradas, por comparação e por ocorrências semelhantes em outros locais. Enfim chega-se ao Sod, ou seja, o "segredo", o significado espiritual e metafísico da Torá; ele só é alcançado por exegetas, rabinos e aspirantes da Cabalá.

A evolução cabalista se pauta em tudo aquilo que desmistifica os segredos da vida. E por que a Torá sozinha é um corpo morto? Dizem os cabalistas que "a Lei de nada vale se não houver a consciência e o coração, pois ninguém se corrige somente pelo dever". E a ciência, por que é também uma sapiência morta? Porque no universo científico as verdades são temporárias e mutáveis; nossa geração já dividiu o átomo, entrou nas dimensões subatômicas, abriu o assunto da relatividade. Einstein mostrou que o mundo não é um mecanismo fixo e assim uma lei da natural pode ser correta em uma dimensão e não mais em outra. A ciência sabe navegar no mundo físico, mas não onde sequer há tempo ou espaço, onde o sol nem nasce nem se põe, onde há outra forma de luz. A cabalá sai do tempo e do movimento, dos acidentes e mudanças do mundo físico.

Entre os darwinistas se buscou mostrar que nós não temos muitas diferenças dos outros animais, e por isso nosso conhecimento nada mais é que um instrumento ou uma extensão natural. A cabalá, no entanto, oferece uma outra visão de mundo, apresenta a matéria como reflexo de algo vivo sendo assim o físico nada mais que a manifestação de uma energia metafísica e espiritual. Nosso corpo tem uma alma e é consciente de si. Assim como nós, o universo é também autoconsciente. Deus é a consciência divina coletiva de toda a humanidade. De um lado está o mundano (manifestação física), de outro o divino (potência), e, como todo pensamento por si é uma potência pura, o pensamento do ser humano já é divino por natureza. O que a cabalá quer é ligar o pensamento com a ação para ordenar o divino com o mundano compreendendo assim que paraíso e inferno não são lugares físicos, e sim psíquicos.


TERCEIRO ENCONTRO

A primeira criação é energética, é a luz cuja eternidade não abarca o tempo. A luz sempre existiu como fonte inesgotável de prazer e bem. Sofremos quando não temos esse prazer e não vivemos conforme a harmonia da eternidade. Sofrer, portanto, é sentir o peso do tempo, movimento que não existe absolutamente, exceto enquanto criação da mente


Essa terceira passagem possui uma série de ensinamentos. Primeiramente indica que a Luz é um tipo de energia que existe acima deste mundo para qual todas as coisas tendem. Ela abarca incessantemente o prazer e o bem cuja essência buscamos. Quando estamos diante dela, nos nutrimos de prazer tamanho que esquecemos as dimensões temporais; "pois sofrer é sentir o peso do tempo".

Por conseguinte se formos compreender cabalisticamente a história de Adão e Eva entenderemos que no princípio a luz compartilhava de sua fonte com o recipiente (o primeiro homem) e este sentiu também o desejo de compartilhar, mas como a luz não é um recipiente e nem pode ser carente de si mesma, ela não pôde suprimir o desejo do homem. Assim o ser humano sentiu o pão da vergonha (receber sem nada compartilhar) e se contraiu, ou seja, rejeitou a luz, a fonte inesgotável do prazer. A ciência chama essa contração de big bang porque ela representa o surgimento desse mundo, a consequência da criatura que pela contração criou um novo universo.

Tendo isso em vista foi nossa consciência coletiva quem criou este universo e saiu do infinito para uma criação finita. Adão e Eva contraíram o recipiente do prazer e criaram a dualidade ao discernir o bem do mal criando assim a aparência do mundo físico. O prazer, portanto, passou a ter dois lados: o de matar e o de dar vida. Devemos buscar aquele que é vivificante, ou seja, que vem da luz infinita através da dimensão principal da consciência. Perder o lado humano é perder o lado divino, é não poder compartilhar o prazer-bem, e, se a fonte do mal é o desejo egoísta do homem de receber a luz sem nada compartilhar, somente pela consciência podemos restaurar o verdadeiro sentido do ser.

Por esses ensinamentos nutrimos a vontade de voltar a nos conectar com o divino, e, em vista de conduzi-la também aos nossos atos, devemos praticar a oração e a meditação. Do ponto de vista cabalístico, tais praticas não consistem em implorar ou pedir um favor a Deus, e sim numa terapia espiritual que, baseada na compreensão de que tudo o que encontramos no mundo externo é um reflexo do que já existe no nosso mundo interno, torna o ser humano capaz de acessar a causa de seus problemas, aperfeiçoando a si e cessando o peso do tempo. Dessa forma, o homem pode restaurar sua natureza divina original e se preparar para apreciar novamente os frutos da Árvore da Vida.


 
Judaísmo - publicado às 9:53 PM 44 comentários