Página principal

   
5 estrelas
Budismo
Ciência
Cinema
Cristianismo
Espiritismo
Filosofia
Geral
Hinduísmo
Holismo
Internacional
Judaísmo
Metafísica
Pensamentos
Política
Psicologia
Sufismo
Taoísmo
Ufologia
Videolog


Ver por mês


Últimos comentários

Retornar à página principal


OSHO: TANTRA, O SEXO SAGRADO
seg, 20 de abril, 2015
 


O sexo é a energia mais vital - a única energia, eu digo, que você tem. Não lute com ela; será uma perda de vida e de tempo - ao invés disso, transforme-a. O sexo desaparece somente quando você o aceita totalmente - não suprimido, mas transformado. Mas como fazê-lo? Como transformá-lo? Mas como podemos fazer?


Por Osho; Beloved From My Heart, #17


Eu lhe darei um método simples....

Enquanto faz amor, três coisas devem ser lembradas. Uma é: antes de fazer amor, medite. Nunca faça amor sem meditar, do contrário o amor irá permanecer sexual. Antes de encontrar a mulher, você deve se elevar no seu estado de consciência porque, então, o encontro irá acontecer num plano mais alto. Durante pelo menos quarenta minutos, sentem-se olhando para a parede com uma luz apenas muito suave de forma que dê um estado de mistério.

Sentem-se silenciosamente e não movam o corpo; permaneçam como uma estátua. Então quando vocês fizerem amor, o corpo irá se mover, então dêem a ele o outro extremo de primeiro ficar imóvel de forma que o corpo adquira o momentum para se mover profundamente. Então a urgência se torna tão vibrante que todo o corpo, cada fibra está pronta para o movimento. Somente então o orgasmo tântrico é possível. Vocês podem colocar uma música... música clássica funcionará; alguma coisa que dê um ritmo muito sutil ao corpo.

Torne a respiração tão lenta quanto possível porque, quando você faz amor, a respiração se torna rápida e profunda. Então, apenas continue diminuindo o ritmo, mas não o force, do contrário, ele se torna rápido. Simplesmente sugira que ele diminua. Ambos meditam juntos e quando ambos se sentirem meditativos, este é o momento de amar. Então vocês nunca sentirão tensão e a energia estará fluindo. Se vocês não estiverem se sentindo meditativos, não façam amor. Se a meditação não estiver acontecendo neste dia, esqueça tudo sobre o amor.

As pessoas simplesmente fazem o oposto. Quase sempre os casais lutam antes de fazerem amor. Eles se tornam raivosos, importunam um ao outro e trazem todos os tipos de conflitos - e então fazem amor. Eles caem muito baixo nos seus estados de consciência, então, é claro, o seu amor não pode ser muito satisfatório. Será frustrante e eles sentirão uma tensão.

A segunda coisa é: quando vocês estiverem fazendo amor, antes de começar, venere o parceiro e deixe o parceiro lhe venerar. Então, depois da meditação, venere. Fiquem um de frente para o outro, nus, e venerem um ao outro, porque o tantra não pode ser entre o homem e a mulher. Ele somente pode acontecer entre um deus e uma deusa. É gestual, mas muito significativo. Toda a atitude tem de se tornar sublime de forma que você desapareça. Toque o pé um do outro, coloque guirlandas de flores.

O homem se transforma em Shiva e a mulher é transformada em Shakti. Agora a sua humanidade é irrelevante, a sua forma é irrelevante, o seu nome é irrelevante; você é apenas pura energia. O venerar traz esta energia para o foco. E não finja. O venerar tem de ser verdadeiro. Ele não pode ser apenas um ritual. Existe muito ritual no tantra, mas o tantra não é ritual....

Então, no terceiro passo, vocês fazem amor. Mas deixem que o seu fazer amor se torne mais um acontecer do que um fazer. A expressão ocidental "fazer amor" é feia. Como você pode fazer amor? Não é uma coisa como fazer; não é uma ação. É um estado. Você pode estar nele mas não pode fazê-lo. Você pode se mover nele mas não pode fazê-lo. Você pode ser amoroso mas não pode manipulá-lo. Toda a mente ocidental tenta manipular tudo....

Quando fizerem amor, fiquem possuídos. Movam-se vagarosamente, toquem o corpo um do outro, brinquem com o corpo um do outro. O corpo é como um instrumento musical. Não fiquem com pressa. Deixem as coisas crescerem. Se vocês se movem vagarosamente, de repente, ambas as suas energias irão subir juntas, como se alguma coisa os tivesse possuído. Isto acontecerá instantânea e simultaneamente. Somente então o tantra é possível. Agora movam-se no amor....

Apenas sintam a energia descer sobre vocês e deixem esta energia ter o seu movimento. Algumas vezes, você começará a gritar: grite! Algumas vezes, você começará a dizer coisas: diga! Algumas vezes somente gemidos estarão saindo, ou alguns mudras, gestos; permita-os. Será uma coisa enlouquecedora, mas tem que se permitir. E não fique com medo, porque é através do seu permitir que ela está acontecendo. No momento em que você quiser parar, ela pára, então você nunca está além do controle.

E quando deus faz amor, é quase selvagem. Não existem regras, regulamentos. Move-se apenas no impulso do momento. Nada é tabu, nada é inibido. Seja lá o que for que aconteça naquele momento é bonito e sagrado; seja lá o que for, eu digo, incondicionalmente... Ninguém sabe o que irá acontecer. Vocês simplesmente são jogados no vórtex divino. Ele os levará, e os levará aonde ele quiser. Vocês simplesmente estão disponíveis, prontos para se moverem com ele. Vocês não o direcionam. Vocês apenas se tornam veículos. Deixem as energias se encontrarem nos seus próprios caminhos. O homem deve ser deixado do lado de fora disso - apenas pura energia. Vocês não estarão fazendo amor apenas através dos órgãos genitais; vocês estarão fazendo amor através de todo o corpo....

Se vocês meditam antes e então veneram um ao outro, não existe perigo; tudo se moverá corretamente. Vocês atingirão um pico de orgasmo que jamais conheceram. Algumas vezes o atingirão: um orgasmo muito grande no qual todo o corpo vibra e pulsa. Pouco a pouco, vocês alcançam um clímax; de novo vêm para baixo. Isto limpará todo o seu ser, todo o sistema. Às vezes, não haverá ejaculação, mas existirá orgasmo.

Existem dois tipos de orgasmo: o orgasmo do pico e o orgasmo do vale. No orgasmo do pico, você terá uma ejaculação e ela também terá uma ejaculação de algumas energias sutis. No orgasmo do vale, vocês não terão nenhuma ejaculação. Será um orgasmo passivo... muito silencioso. muito sutil. A pulsação estará presente, mas quase imperceptível. No orgasmo do pico, vocês se sentirão muito, muito extasiados. No orgasmo do vale, vocês se sentirão muito, muito em paz. E ambos são necessários; ambos são aspectos do tantra. Todo pico tem o seu vale e todo o vale tem o seu pico. Um pico não pode existir sem o vale ou vice-versa.

E quando isto acontecer e ambos vocês atingirem um profundo orgasmo, não saia para fora dela. Depois do orgasmo, permaneça dentro dela e descansem por alguns momentos. O descanso é muito, muito profundo. Depois de um orgasmo, um descanso é como um vale. Vocês alcançaram o próprio pico e agora têm de voltar ao vale. Ele é muito fresco e com sombras, e vocês descansam.

E realmente muita coisa acontece depois do orgasmo... o fundir-se, o derreter-se. Os corpos estão cansados, exaustos, exauridos. A mente está paralisada. É quase como um choque elétrico. Quando vocês saírem do seu estado de amor, novamente orem juntos; terminem com uma oração. A diferença é que, quando vocês meditam, você medita separadamente e ela medita separadamente, porque a meditação não pode ser feita juntos. A meditação é um esforço solitário. Não é um relacionamento. Então vocês podem estar meditando juntos mas ainda assim, vocês meditam sozinhos; você está sozinho e ela está sozinho.

Então venerem um ao outro. Novamente isto é diferente. O outro se torna o objeto da veneração. Então vocês fazem amor e se perdem por completo. Você não é você mesmo, ela não é ela mesma. Ninguém sabe quem é quem. Tudo é perdido num redemoinho de energia. A polaridade de homem e mulher não é mais uma polaridade; os limites se fundem, se misturam. Às vezes, você se sentirá como uma mulher e ela se sentirá como um homem. Às vezes, ela ficará por cima de você. Às vezes, você se torna passivo e ela se torna ativa e os papéis mudam. É um grande drama de energias. Tudo é perdido, abandonado. Então, vocês saem da experiência mais interior e oram juntos. Esta é a quarta coisa.

Apenas agradeçam a deus. E nunca reclamem. Seja lá o que acontecer, está certo. Não diga, "Isto não aconteceu. Isto deveria ter acontecido." Quem somos nós? Ele sabe melhor. Então apenas agradeça a ele, seja lá o que acontecer; agradeça a ele com profunda gratidão. Inclinem-se e coloquem as suas testas no chão e permaneçam assim por alguns momentos em profunda gratidão.

A meditação é solitária. Na veneração, o outro é importante, e na oração, ambos oram para deus. Então, estas três coisas têm que estar envolvidas. Elas irão criar a ecologia na qual o tantra acontece. E uma vez por semana será o suficiente.

Se você estiver se movendo no tantra, então nenhum outro amor deve ser permitido, do contrário ele dissipa a energia. Mas sempre que vocês quiserem fazer amor, tenham certeza de que têm tempo suficiente. Não deve ser com pressa. Não deve ser como trabalho. É um jogo, brincadeira, e estas energias são tão sutis que, se vocês estiverem com pressa, nada acontece. O tantra não é um fragmento. Você não pode praticá-lo a menos que crie a situação. Ele é como uma flor....

Então, estas três coisas são jogar a semente, cuidar da planta, regá-la e estar continuamente atento a ela, sendo cuidadoso, protetor. Então, um dia, de repente - a flor do tantra irá acontecer.


 
Hinduísmo - publicado às 7:46 AM 13 comentários
CÂNTICO DOS CÂNTICOS
dom, 5 de abril, 2015
 


É Páscoa, e nas sinagogas pode ser ouvido o seguinte cântico:

Como você é linda, minha querida!
Como você me dá prazer!
Como é agradável a sua presença!
Você é tão graciosa como uma palmeira
Os seus seios são como cachos de tâmaras
Vou subir na palmeira e colher os seus frutos
Os seus seios são para mim como cachos de uvas
A sua boca tem o perfume das maçãs
E os seus beijos são como vinho delicioso


Esse trecho não faz parte de nenhum romance de banca de revista, nem alguma música do Bonde do Tigrão, mas sim da Bíblia Sagrada, mais especificamente do Velho Testamento. Ele está no Cântico dos cânticos de Salomão, rei de Israel que viveu por volta do ano 950 a.C., mas a maioria dos estudiosos modernos concorda que essa atribuição é fictícia.
"Na Antigüidade era comum que alguns textos fossem atribuídos a personagens famosos, seja por representar uma continuidade dos seus ensinamentos ou por fazer alusão a momentos marcantes de sua vida ou da lenda gerada por eles", explica Humberto Maiztegui Gonçalves, doutor em teologia bíblica e clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Como Salomão, segundo a tradição israelita, teria amado inúmeras mulheres e tido grande gosto pela literatura, seu nome teria sido "atraído" para o poema. "Além disso, Salomão nasceu das loucuras de amor entre o rei Davi e Betsabéia, que era uma mulher casada, o que talvez também possa explicar essa idéia", lembra Rita de Cácia Ló, professora do curso de extensão em teologia da Universidade São Francisco (SP).

Os oito capítulos do Cântico dos Cânticos estão cheios de sensualidade e erotismo, descrições apaixonadas do corpo de dois jovens amantes, insinuações do ato sexual - e uma única menção, que soa quase como nota de rodapé, ao nome de Deus. Como explicar, então, seu status nas Sagradas Escrituras judaico-cristãs?

"O mundo inteiro só foi criado, por assim dizer,
por causa do dia em que o Cântico dos Cânticos seria dado a ele.
Pois todas as Escrituras são santas,
mas o Cântico dos Cânticos é o Santo dos Santos."

A frase acima teria sido dita pelo sábio judeu Rabi Akivá, por volta do ano 100 d.C., e explicaria porque a Bíblia aceita por cristãos e judeus de hoje abriga esse livrinho misterioso. "Houve muitos debates sobre a canonicidade dele (ou seja, sobre sua inclusão no cânon, ou conjunto oficial, da Bíblia). No fim das contas, os rabinos acabam aceitando o livro, que é o último a ser incluído no cânon hebraico, mas proíbem seu uso como canções seculares, em salões de banquetes", conta Rita Ló.

As teorias sobre a origem do livro são muitas. "Ele poderia ter sido composto de uma só vez, por um único autor, ou o que temos hoje é a composição de vários poemas de amor que 'menestréis' ambulantes cantavam nos casamentos das aldeias que percorriam", afirma Cássio Murilo Dias da Silva, doutor em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e autor do livro "Leia a Bíblia como Literatura".

Com ou sem a participação de menestréis no surgimento do Cântico, um dos pontos surpreendentes no texto é a ênfase dada à voz feminina: em boa parte do texto, quem fala é uma jovem apaixonada e decidida, que procura seu amado pelas ruas da cidade, trama subterfúgios para fazer com que ele entre em seu quarto e anseia por encontrá-lo em meio à natureza, aos bosques e vinhedos, com descrições que evocam a natureza da terra de Israel na Antigüidade.

Como a macieira entre as árvores da floresta,
assim é meu amado entre os outros homens
Eu me sinto feliz nos seus braços
e os seus carinhos são doces para mim

Ele me levou ao salão de festas
e ali nos entregamos ao amor

Tragam passas para eu recuperar as minhas forças
e maçãs para me refrescar
pois estou desmaiando de amor

A sua mão esquerda está debaixo da minha cabeça
e a direita me abraça

Mulheres de Jerusalém, prometam e jurem
pelos veados selvagens e pelas gazelas
que vocês não vão perturbar o nosso amor.

Em nenhum outro texto bíblico os pensamentos e desejos da mulher ocupam um lugar de tamanho destaque. Aliás, a impressão que o texto passa é que se trata de um casal de jovens namorados, e não que os dois sejam oficialmente casados. "Para quem tenha uma visão da Bíblia com a masculinidade como centro, isso pode chegar a ser até escandaloso. Os homens participaram, no começo, como complemento", diz Humberto Gonçalves. Para ele, é possível dizer que as mulheres são as principais autoras da coleção de poemas do Cântico. "A pergunta é se sua autoria foi oral ou se chegaram a fixar a poesia por escrito", afirma. De fato, era raro que uma mulher do Oriente Médio antigo soubesse ler e escrever.

Outra característica marcante do texto são os chamados "wasfs", longas comparações poéticas em que cada parte do corpo da amada ou do amado é comparada a um objeto, animal ou lugar. Trata-se de uma fórmula literária que também aparece na poesia amorosa árabe e do antigo Egito. Nesses trechos é que a sensualidade do poema fica mais explícita:

As curvas dos seus quadris são como jóias,
são trabalho de um artista
O seu umbigo é uma taça onde não falta vinho
A sua cintura é como um feixe de trigo cercado de lírios
Os seus seios são como duas gazelas
O seu pescoço é como uma torre de marfim

"Sem dúvida, o sentido primeiro [do poema] é o amor humano, com tudo o que ele tem de paixão, crise, atração, desejo etc.", afirma Cássio da Silva. Por que, então, a inclusão do texto sensual no cânon sagrado? A explicação mais provável, sugerem os especialistas, é o fato de que a separação entre amor humano e amor divino que existe na cultura moderna era bem menos rígida na sociedade dos antigos israelitas. "No mundo antigo, tudo, inclusive as técnicas artesanais, o amor, a guerra e até os acordos políticos e diplomáticos tinham a ver com divindades", lembra Humberto Gonçalves.

"Não se pode separar a dimensão religiosa e mística do amor humano, porque, em larga escala, é o mesmo sentimento que Deus tem em relação a nós. O amor de duas pessoas reflete o amor com que Deus nos ama. Isso sem falar que o Cântico foi composto numa sociedade bem menos puritana e hipócrita do que a nossa", acrescenta Silva.

Rita Ló lembra que existia uma antiga tradição na qual o amor de Deus por seu povo escolhido de Israel era visto, de forma metafórica, como o casamento de dois seres humanos, o que impulsionaria essa interpretação mística do Cântico dos Cânticos. Por outro lado, Gonçalves diz que a sensualidade do poema pode refletir uma espiritualidade pagã que influenciou os israelitas nas épocas mais antigas. Afinal, os povos vizinhos, e provavelmente os próprios israelitas, adoravam deusas em rituais de fertilidade, o que explicaria em parte a importância feminina no Cântico. Nesse caso, a sexualidade quase explícita também teria um papel espiritual para os primeiros autores do texto.

De qualquer maneira, a própria sobrevivência do Cântico em épocas posteriores pode significar que ele teve um papel de "resistência" contra os aspectos mais machistas do judaísmo, diz Ló. "Após o exílio na Babilônia, houve um período de fechamento e o crescimento de uma visão muito negativa sobre o corpo da mulher, visto como fonte de impureza. O livro contraria isso", afirma a especialista.

De certa forma, a argumentação do Rabi Akivá ajudou a superar essa tensão, segundo Cássio da Silva. "Afinal, o amor humano vale ou não vale por si mesmo? É ou não é expressão do amor divino? Os rabinos responderam afirmativamente a essas duas perguntas. Tanto que, no calendário judaico, o Cântico dos Cânticos é lido na festa da Páscoa [a mais importante do judaísmo]. E aí entra a mística: o sentimento do amado pela amada e vice-versa ajuda a compreender o amor de Javé por seu povo, Israel, e nesse amor Javé desce do céu para tirar seu amado povo do Egito e dar-lhe a vida e a felicidade. De Israel, espera-se que corresponda ao amor de Javé e lhe seja fiel."

O cristianismo atualizou essa visão ao substituir "Javé" e "Israel" por "Cristo" e "Igreja" na equação: o amor do casal no poema virou também o símbolo do amor de Cristo por sua Igreja, vista como sua "noiva". Dessa forma, a influência do Cântico teve vida longa e acabou se estendendo ao último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, na qual a metáfora praticamente conclui a Bíblia cristã.


Adaptado do artigo de Reinaldo José Lopes para o G1

_______________________


Um outro poeta, este venerado como santo pelos católicos, utilizou no século XV uma linguagem figurada parecida para exaltar o "modo e maneira que tem a alma no caminho da união de amor com Deus". São João da Cruz, Místico, sacerdote e frade carmelita espanhol, bebeu da influência cultural árabe, também dos místicos medievais e dos temas profanos não-religiosos, derivados de músicas populares ("romanceros"), transformando-os em poesia religiosa. Seu trabalho mais conhecido é "A Noite Escura da Alma":

Oh! noite que me guiaste,
Oh! noite mais amável que a alvorada
Oh! noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada!

Em meu peito florido
Que, inteiro, para Ele só guardava
Quedou-se adormecido,
E eu, terna, O regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.


Esse poema (cujo original faz parte de um livro homônimo - que pode ser baixado aqui - com explicação do próprio autor a cada estrofe e que trata basicamente dos problemas espirituais da Noite escura da alma) foi encantadoramente musicado em inglês pela cantora Loreena McKennitt:


Loreena escreve no encarte do CD The mask and mirror sobre esta música:

"Maio de 1993 - Stratford... estava eu lendo sobre a poesia Espanhola do século XV, e me sentí atraída por uma em particular, do escritor místico e visionário São João das Cruzes; O trabalho, sem título, é um sensível e ricamente metafórico poema de amor entre ele e seu Deus. Poderia passar por um poema de amor entre duas pessoas, em qualquer época... Sua aproximação parece mais ligada aos primeiros trabalhos Islâmicos ou Judaicos, em sua mais direta comunicação com Deus... Eu pesquisei em 3 diferentes traduções do poema, e me surpreendi pelo fato de como uma tradução pode alterar a interepretação. Me lembrei de que a maioria das escrituras sagradas chegam até nós traduzidas, resultando numa variedade de pontos de vista."

Referência:
Cântico dos Cânticos - Notas Erótico-Exegéticas


 
Cristianismo, Judaísmo - publicado às 9:07 PM 3 comentários