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IBOGAÍNA, A PLANTA CONTRA O VÍCIO
sáb, 28 de fevereiro, 2015
 


Substância chega a ter 80% de eficácia no tratamento do vício em drogas como heroína e crack; brasileiras realizam expedição à África Central em busca da planta e disponibilizam tratamento no país

Antes de postar o texto original do site Vice Brasil, preciso lembrar que sou contra o uso indiscriminado de alucinógenos. Minha crítica a Ayahuasca (que podem ser encontradas nos links ao fim deste post) é justamente achar que TODOS podem tomá-la, quando sabemos que até uma aspirina pode matar uma pessoa porque o funcionamento da mente e do corpo não são iguais (embora sejam similares) pra todo mundo. Isso é especialmente verdadeiro em relação à mente, onde experiências passadas (e únicas) podem detonar reações inesperadas quando potencializadas por drogas ou alucinógenos. Neste caso específico da Ibogaína me parece promissor, porque não tem uma cultura religiosa por detrás (que pode provocar delírios de grandeza em pessoas desequilibradas, como no caso do assassino do cartunista Glauco), está tendo um acompanhamento psicológico e está sendo usada com uma única finalidade, que é desintoxicar o corpo e mente de uma droga pesada como a heroína. Posto isso no Saindo da Matrix com a esperança de que a comunidade científica se interesse e se "apodere" (no bom sentido) da liderança no tratamento, antes que vire uma substância recreativa. Dito isso, vamos à reportagem de Débora Lopes:


Em 1962, um molecote norte-americano do Bronx descobriu acidentalmente os efeitos de uma misteriosa planta africana. Viciado em heroína, Howard Lotsof tinha apenas 19 anos. Depois de ingerir a tal planta e passar por uma longa viagem psicodélica de sete horas, ele notou que sua vontade de chafurdar nas drogas havia sumido consideravelmente. Irresponsável ou não, o sujeito não pensou duas vezes e administrou doses similares para os seus amigos também viciados. Mais uma vez, funcionou.

De lá pra cá, especialistas do mundo todo têm feito o mesmo. Estudos recentes demonstram a eficácia no uso da "Tabernanthe iboga", mais conhecida como ibogaína, para o tratamento do vício em drogas como heroína, crack, cocaína, maconha e até mesmo depressão, além de T.O.C. e outros vícios, como jogos de azar.
No Brasil, pesquisadores da Unifesp testaram a planta em 75 pacientes: no fim do processo – que levou um ano –, 72% estavam longe dos entorpecentes. Considerando os tratamentos convencionais, estamos falando de algo extremamente relevante.

No episódio sete da série VICE na HBO, mostramos um viciado ingerindo doses de ibogaína no México. Também já falamos da tentativa de introdução da ibogaína no Afeganistão. Os efeitos colaterais são bizarros: visões, alucinações, vômitos, mal-estar. Geralmente, quem se submete ao tratamento relaciona a experiência a se "nascer de novo".
Há mais ou menos três anos, zapeando pelos canais da TV a cabo, a terapeuta brasileira Sonia Mazetto se deparou com um programa que falava sobre a ibogaína. "Pesquisando a respeito, percebi que fora do Brasil já tinha um movimento muito grande falando sobre o assunto. Mas os valores do tratamento por aqui eram exorbitantes."
Depois de colher todo tipo de informação possível, Sonia uniu forças com a filha, a tradutora Tabata Mazetto, e a assessora de imprensa Thiara Mattavelli. Juntas, as três deram vida à Expedição Cura e se mandaram para a África Central. Mais especificamente, Douala, a maior cidade de Camarões.

Mas a ibogaína não está para o continente africano como os matos de calçada estão para a cidade de São Paulo. "As pessoas pensam que é só chegar na África, que tem ibogaína. Ninguém conhece a ibogaína lá", relata a pesquisadora.

Sonia contou com a ajuda de pessoas locais para chegar até a planta. E o processo não foi fácil. Quem realmente manja sobre o assunto no continente africano é a tribo Buiti, que tem a planta como um elemento sagrado. Lá, Sonia se aprofundou no assunto, participando de rituais, cerimônias, congressos e, claro, ingerindo a planta. "Eu quis ir até a África para garantir que a ibogaína fosse uma planta confiável."
Loucos por samba: usuários de serviço de saúde mental confeccionam fantasias em ateliê mais inclusivo do Carnaval



Integrantes da tribo Buiti, em Camarões, com Tabata e Sonia Mazetto, aos pés da planta


Aqui no Brasil, o número de clínicas que utilizam a planta como recurso terapêutico só cresce. A Expedição Cura, juntamente com uma clínica de Cuiabá, cidade do Mato Grosso, não submete o paciente a rituais religiosos. O tratamento custa R$ 7 mil. São trinta dias de acompanhamento médico e psicológico. O primeiro passo é a desintoxicação, que leva dez dias. Em seguida, a dose da iboga é ministrada de maneira progressiva. O efeitos colaterais são muitos. Inclusive, há quem compare com as alucinações da Ayahuasca. Sonia explica que a pessoa precisa ser monitorada até 32 horas depois da dose. "As reações variam. Em algumas pessoas, elas são mais leves. Em outras, são mais intensas. Mas, geralmente, elas ficam desassossegadas, inquietas. A experiência que temos é que a pessoa leva uns dois, três dias pra retomar suas forças, sua energia e voltar ao normal", relata a terapeuta.

Antes de tentar o tratamento com a ibogaína, há seis anos, Felipe Cruz conta que se internou cerca de vinte vezes para tentar se livrar do vício em crack. Na primeira vez, teve muitas visões. Ficou surpreso quando memórias da infância subitamente retornaram, como uma geladeira que existia na casa de sua avó. Mas o que mais o assustou foi outra coisa. "Me vi embaixo da terra, num caixão. Eu estava morto e minha mãe estava ao meu lado. Foi bem chocante. Fiquei um pouco assustado", relembra.

A cada ano e meio, Felipe recorre ao seu médico de confiança, que ministra uma dose de iboga para mantê-lo livre do vício. A mudança drástica de vida resultou em uma tatuagem. "Fiz por uma questão de gratidão. Só consegui realmente ter uma vida depois da ibogaína. Hoje, eu estudo e sou vice-diretor de uma comunidade terapêutica para adolescentes no Paraná. Minha vida mudou bastante. Eu andava na rua, descalço, sob efeito de crack. Hoje, tenho um carro, tenho uma profissão, tenho respeito. Eu devo muito à ibogaína. Foi o que deu certo pra mim", enfatiza.

Sonia explica que não existe nada que faça a planta ser ilegal no Brasil. A Anvisa confirma, alegando que a ibogaína "não consta no rol de substâncias de uso controlado ou proscrito (proibido) no país". A Expedição Cura alega fazer tudo dentro dos conformes. "Não trazemos a planta viva, e sim as cascas da raiz que já vêm secas. Entramos com tudo documentado."

Na África, os locais diziam à Sonia que a ibogaína trata o corpo, a mente e o espírito. Parece mesmo milagrosa, mas a ideia não é vender o tratamento dessa maneira. A pesquisadora explica que a ibogaína serve para dar suporte ao organismo e criar condições para o cérebro dizer "não" quando a síndrome da abstinência aparecer.

O tratamento somente com a planta não basta. O acompanhamento psicológico é necessário. "O índice é esse: mundialmente, em todos os lugares aonde fomos, fala-se em 80% [de cura]. Já tive, sim, pacientes que recaíram. Procuro saber qual foi o motivo. O que aconteceu. Às vezes, precisamos refazer a dose, porque cada organismo é um organismo. Mas existem pessoas que, na primeira dose, num primeiro tratamento, já têm uma reação e uma resposta neural fantástica. E aí, como eles dizem, é retomar a vida", suspira.


Ler em espanhol (por Teresa)


Referência:
Post sobre o Santo Daime (Ayahuasca);
O contexto da Ayahuasca
Ayahuasca: o "contexto xamânico"


 
Ciência, Holismo - publicado às 9:40 AM 10 comentários
COMO MANTER-SE MOTIVADO, MESMO NA ADVERSIDADE?
ter, 24 de fevereiro, 2015
 


Por Caciano Camilo Compostela, Monge Rosacruz


Aos 57 anos de idade, quando sofria sangramentos inexplicáveis, ulceras, artrose, reumatismo, hidropisia, tremores e no auge de uma obesidade tão aguda que a impedia de locomover-se, Helena Blavatsky surpreende! Quando todos imaginavam que ela nada mais tinha a oferecer, que estava velha; cansada e abatida pelas dores da vida, pela 'má fama', pelas ferrenhas inimizades, pelas tantas derrotas e desventuras, ela escreve definitivamente seu nome na História do Esoterismo ao publicar sua maior obra: "A Doutrina Secreta"!

Em 1888, Madame Blavatsky renasce das próprias cinzas e, mais uma vez, demostra sua capacidade de auto-Superação, sua força de Vontade.

A Doutrina Secreta, publicada no Brasil em seis volumes, ainda é literatura obrigatória para quem deseja aprofundar-se no fascinante mundo de ligações e interligações da mística Oriental e Ocidental. Entretanto, o que nos chama realmente atenção aqui, é o espírito de absoluta força, poder e resiliência na personalidade de H.P.B.

Não, a vida não é feita apenas de 'selfies' glamourosas, de momentos fantásticos, viagens exóticas e quanto maior a Luz que se ouse emitir, maiores serão as sombras igualmente projetadas.
É sumamente importante que tenhamos uma Missão de vida, que saibamos qual é a Vocação de nosso coração e trabalhemos incansavelmente em sua direção. Sem um norte, melhor, um Oriente, caminhamos a esmo perambulantes, desorientados, e inconstantes como o vento.
Isto é Motivação (do Latim, Movere), é a razão, o objetivo, o Motivo que nos move numa determinada direção.

Madame Blavatsky, em uma de suas cartas a Clarividente Annie Besant, afirmou:

'O vento balança os galhos, mas o tronco permanece imóvel'

Ou seja, as circunstâncias não podem derrubar uma Vontade forte e determinada; enquanto a vontade débil, indecisa, instável, raquítica e vacilante cai à primeira dificuldade.
Para manter-se de pé, firme nos Objetivos e Metas desenhadas, é necessário alinharmos aspectos internos e externos.
Internamente: Significa sermos capazes de silenciar, nos distanciar dos outros e dos papéis pré fabricados para (re)descobrirmos nosso destino.
Externamente: Significa estarmos conectados com lugares, situações, ensinamentos e pessoas que, de fato, acrescente em nossas vidas.

O automotivado não depende de estímulos alheios. Ele é o que é porque encontra dentro dele mesmo todos os motivos para fazer o que tem que ser feito. Ele age. Faz o que deve ser feito quando chega o momento de fazê-lo.
Não esperemos que o momento seja favorável, ou que as condições estejam adequadas para começar; simplesmente arregacemos as mangas e façamos!

Uma história que sempre conto em minhas palestras pelo país, é que quando Helena Blavatsky chegou aos Estados Unidos da América (numa viagem de 3º classe), ela não tinha amigos, nenhum dinheiro e, o pior, quase não falava Inglês. Ela simplesmente foi; sem esperar 'as situações favoráveis' e o Universo a recompensou.
Não é raro conversar com pessoas jovens que se acham velhas, no fim da linha; que brigam com o cônjuge e se consideram fracassadas; pessoas que, por uma deficiência ou outra, se acham incapazes, imprestáveis, infelizes. Quando se tira os olhos do Alto, da Missão, do Todo, a vida fica tão curta, tão pequena, tão frágil que realmente parece não haver saída; mas o Universo permanece o mesmo, infinito, vibrante e abundante em oportunidades.

Perde-se muito tempo e energia com gente que não vale uma vela acessa, projetos de vida que não são nossos, expectativas alheias, discussões inúteis e ambições desnecessárias que impedem o Sol da Verdadeira Vontade brilhar.
Falhar, falir, errar é perfeitamente humano; a única coisa indigna é desistirmos antes mesmo de começar.
É bem mais louvável o indivíduo que morre tentando do que o que vive desistindo.


In Lumem Lumine,
C.C.C.M.R+C


 
Holismo - publicado às 8:36 PM 11 comentários