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FESTA DE GANESHA
dom, 31 de agosto, 2014
 


Hoje comemora-se a Festa de Ganesha, o Deus-Elefante da tradição hindu. Já falei sobre Ganesha aqui, e ele é uma das deidades mais festejadas e respeitadas pelo povo indiano. Ganesha é tido como um organizador hábil, que remove todos os obstáculos e propicia o sucesso e sabedoria a quem o adora.


Hindus de toda Paris (e são muitos) se juntaram para percorrer o bairro 18 (no norte, dominado principalmente por eles) seguindo um cortejo de músicos, dançarinos e altares móveis, trajando suas melhores roupas de festa, num espetáculo vívido e colorido que é organizado pelo Templo Sri Manicka Vinayakar Alayam desde 1996.

O que mais me chamou a atenção logo de cara foram os dançarinos Kavadi. Usando um adereço pesado de madeira nos ombros, ornados com penas de pavão, eles pareciam e agiam como os Caboclos de Lança, do folclore Pernambucano. Uma dança que consiste em pular com um jogo de ombros e mostrar seus ornamentos, ao som de um tambor ritmado e um estalo contínuo de madeira, exatamente como sua contraparte da Zona da Mata Brasileira. E, da mesma forma, ambos os dançarinos precisam se "purificar" dias antes para esta dança sagrada, e alguns deles entram numa espécie de transe enquanto dançam. Os Kavadi são devotos do Deus Murugan (ou Kartikeya), Deus da Guerra, irmão de Ganesha. Eles caminhavam no meio do cortejo, dançando um pouco, mas quando passavam por uma esquina eles faziam uma roda e dançavam mais tempo, com um ritmo mais forte. À minha frente uma africana que assistia a eles parecia que estava recebendo espírito. Ou isso ou eram ataques rápidos de epilepsia. Uma amiga dela a ajudava a se recompor.

E as semelhanças com o carnaval de Pernambuco não terminam por aí: Há também uma batida que lembra o Maracatu de baque virado, um cortejo de estandartes e com sombrinha, um "bonecão de Olinda" (no caso a Parvati, mãe de Ganesha), um "Bumba-meu-boi" (no caso, um Elefante) e dois "vaqueiros" (príncipes). Resta saber se isso é uma simples coincidência, efeito do Inconsciente Coletivo ou influência africana na cultura hindu (ou vice-versa).

Há também toda uma ala de mulheres carregando vasos em chamas na cabeça, onde os maridos ou familiares colocam cânfora pra queimar, tornando o ar perfumado.


Fiz um vídeo com os melhores momentos da festa (melhor visto em tela cheia):


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Hinduísmo - publicado às 9:48 PM 62 comentários
FORA DA CARIDADE E DA EDUCAÇÃO...
dom, 24 de agosto, 2014
 


Com a aproximação das eleições, começa a haver um debate em que política e religião serão colocadas no mesmo saco. Por um lado, há candidatos interessados nisso mesmo, em que usam títulos religiosos e a sombra da sua instituição para ganhar votos (e poder). Há outros que até pouco tempo eram ateus e agora andam visitando Templos. E há outros que preferem deixar religião e política separados.

Como um blog espiritualista pode tratar desse assunto espinhoso sem entrar na esfera política?

Pois bem, encontrei a solução enquanto lia sobre Allan Kardec e a perseguição que o espiritismo sofreu na Europa (especialmente na França). Kardec foi atacado sem cessar por jornalistas, padres, cientistas e céticos que, numa época em que a França aspirava cada vez mais se libertar da Nobreza e do Clero (A instauração da "Terceira República" e o fim da Monarquia viria 2 anos após sua morte, em 1871), não viam com bons olhos a instauração de uma nova religião. Como não podiam atacar os espíritas por suas ações (não havia dízimo, Kardec era muito reticente a aceitar doações, os ensinamentos visavam a caridade e o bem) atacavam os embusteiros que faziam shows de mágica como se fossem comunicações ou ações de espíritos, obviamente em troca de dinheiro ou "doações". E, embora Kardec também condenasse esse tipo de coisa reiteradas vezes, sempre a imprensa associava esses charlatões ao espiritismo. Uma mentira, repetida tantas vezes, acaba se tornando verdade. E com o passar das décadas o espiritismo acabou ficando associado a essa prática, ignorando-se assim todo o lado moral e filosófico dessa doutrina.

"Um demônio que procurasse destruir o reino do vício para estabelecer o da virtude seria um demônio esquisito, porque se destruiria a si próprio."
(Denis-Luc Frayssinous)


No nosso "mundo Iluminista" de hoje se dá o mesmo. Pessoas são desqualificadas apenas por se dizerem religiosas. Não por alguma falha de caráter pessoal, mas sim pela má fama projetada por pessoas sem escrúpulos que usam a religião para manipular, roubar e extorquir pessoas, isso desde que o mundo é mundo. A ignorância de muitos adeptos também não ajuda. Mas é preciso julgar as pessoas pelo que elas são individualmente, e não por um rótulo. Luta-se tanto contra o preconceito contra o homossexual, mas quando é contra um religioso parece que está liberado. E não é porque há líderes religiosos que alimentam o preconceito que devamos retribuir na mesma moeda.

"Olho por olho, e o mundo acabará cego"
(Mahatma Gandhi)


Não se pode, entretanto, passar a mão na cabeça de quem corrompe as religiões e brinca com a fé das pessoas. Não é de hoje que estamos assistindo a decadência das religiões. Em 1861 Kardec recebeu a seguinte comunicação do escritor católico François Fénelon:

"A corrupção no seio das religiões é o sintoma de sua decadência, como é o da decadência dos povos e dos regimes políticos, porque ela é o indício de uma falta de fé verdadeira; os homens corrompidos arrastam a Humanidade para um despenhadeiro funesto, de onde ela não pode sair senão por uma crise violenta. Dá-se o mesmo com as religiões que substituem o culto da Divindade pelo culto do dinheiro e das honras, e que se mostram mais ávidas dos bens materiais da Terra do que dos bens espirituais do Céu."

Cabe perfeitamente como uma descrição da prática de certas denominações religiosas... mas será que todos os seus integrantes podem ser rotulados de materialistas que barganham com Deus?

O livro "Kardec", de Marcel Souto Maior, nos mostra que em maio de 1868 Kardec recebeu a comunicação de um visitante de batina: o cura da cidade argelina de Sétif, Bizet, morto um mês antes:

O recém-chegado estava pronto a dar seu testemunho do além pelas mãos de um dos médiuns presentes. À frente de sua paróquia, Bizet sempre evitara atacar o espiritismo, mesmo sob ordens do bispo de Argel, monsenhor Pavie, que definia a doutrina como “esta nova vergonha da Argélia”. Em vez de combater as ideias e os valores difundidos por Kardec, e adotados também por muitos de seus fiéis, Bizet se dedicava, nas horas vagas, a distribuir alimentos e cobertores a vítimas da fome e do frio em sua região.
Kardec foi direto ao assunto:
— Eras espírita em vida?
— Se entendeis por esta palavra aceitar todas as crenças que vossa doutrina preconiza, não.
Mas o cura Bizet se recusava a alimentar a intolerância e encarava com pragmatismo a nova religião:
— É preferível ter uma crença que leva à caridade e à prática do bem, do que não a ter absolutamente.

Eu diria mais: aquele que não tem crença alguma e que pratica a caridade e o bem é ainda maior, porque nada espera, nem em vida, nem em morte. Por isso tenho grande respeito e admiração por aqueles que, sem crença alguma, conseguem se manter sãos nesse mundo louco, com base na educação, respeito ao próximo e uma firmeza moral interna. Não deveríamos exaltar religiões. Não deveríamos exaltar crenças ou o nome de tal e tal divindade. Devíamos sim exaltar o CARÁTER, a bondade, a correição de atitudes, independente de onde venha. Não foi essa a lição que Jesus e seus 12 apóstolos controversos nos deixaram? Não foi isso que Paulo sintetizou tão bem?


Ler em espanhol (por Teresa)


 
Espiritismo, Internacional - publicado às 10:25 PM 14 comentários
ESTAMOS TODOS CONECTADOS
ter, 12 de agosto, 2014
 


No fim do episódio 09 da sétima temporada de Big Bang Theory resolvi (pela beleza do design) pausar o último frame, onde o autor Chuck Lorre sempre escreve seus pensamentos, pra lê-lo. Fui agraciado com o seguinte:

"Estou pensando em escrever um conto para crianças sobre uma folha de uma árvore que arrogantemente insiste que ela é uma folha que venceu pelo próprio esforço, independente. Então um dia um forte vento sopra-a do seu ramo para o solo abaixo. Enquanto sua vida lentamente se esvai, ela olha para a magnífica árvore antiga que havia sido sua casa e percebe que ela nunca tinha estado por conta própria. Toda a sua vida tinha sido parte de algo maior e mais belo do que qualquer coisa que ela poderia ter imaginado. Em um flash ela desperta da ilusão de si-mesma. Em seguida um garoto arrogante e auto-centrado varre-a pra dentro de um saco."

Imagens mentais e metáforas são mais poderosas do que qualquer dissertação ou estudo, já sabia Jesus. Fiquei com a imagem da folha caindo e olhando pra árvore na cabeça por um longo tempo. Guardo o episódio pra traduzir o texto e postar no SdM um outro dia. 24 horas depois vejo o seguinte vídeo:

Nada como voltar ao velho método de validação de posts.


 
Holismo - publicado às 10:08 PM 31 comentários