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EU MAIOR: O FILME
qui, 21 de novembro, 2013
 


Estreia hoje (21), nos cinemas e no youtube o filme "Eu Maior", um documentário que entrevista diversas pessoas de diferentes áreas falando sobre autoconhecimento, felicidade, conquistas… sobre a vida! Sobre sermos nós mesmos e ir ao encontro dos nossos sonhos… de ouvir a voz do nosso coração.


 
Cinema - publicado às 5:24 PM 23 comentários
A REVOLUÇÃO PLAYSTATION
dom, 17 de novembro, 2013
 


Tenho uma grande admiração por pessoas que sonham alto e fazem tudo para levar adiante esse sonho, especialmente quando os sonhos deles impulsionam a humanidade numa direção melhor. Pessoas que lutam praticamente "sozinhas" (num sentido bem amplo) contra as forças estabelecidas, como Dom Quixote contra o moinho. Buda e Jesus, esses dois "lunáticos" que se dissociaram das regras rígidas da religião de seu tempo e sonharam tão alto e tão à frente de seu tempo que ainda estamos tentando perseguir seus sonhos (que sabemos ser possível pois eles foram a personificação do que sonharam). Ford e sua linha de produção de carros, Tesla e seu esforço pra conseguir energia grátis pra humanidade, Gandhi e seu sonho "maluco" de libertar seu país da tirania sem levantar um punho contra alguém, Churchill e a resistência "solitária" contra o nazismo, Steve Jobs e a luta contra a IBM na popularização do computador pessoal.
Posso somar a esse rol um outro sonhador, num aspecto bem mais modesto da vida, o entretenimento, que é o cara do livro que estou lendo agora: Ken Kutaragi. Ele é considerado o Pai do Playstation, e quando comprei esse livro eu tinha certeza de que o título era exagerado, pois conhecendo a mentalidade japonesa, tudo por lá surge do esforço da coletividade, mas ao ler os primeiros capítulos tive certeza de que o cara era um Dom Quixote japonês mesmo.

O livro é "La revolution Playstation" e o autor é Reiji Asakura:

1984. O Nintendinho (8 bit) havia sido lançado 1 ano antes no Japão e ainda levaria 1 ano pra ser lançado nos EUA. Os videogames ainda eram visto como um brinquedo que levou a Atari à falência, ou seja, era um mercado arriscado que estava sendo explorado pela Nintendo com algum sucesso. A Sony já estava estabelecida como uma empresa respeitável e de sucesso no campo do áudio e vídeo (eles inventaram o Walkman, que era sucesso nos anos 80). Kutaragi trabalhava na área de desenvolvimento de tecnologia de dados da Sony e viu a demonstração de um processador gráfico de ponta, o System G, que não só fazia objetos 3D em tempo real como ainda adicionava textura a eles! Lembrando que em 1984 a Apple estava lançando o primeiro computador pessoal com interface gráfica (2D, em preto e branco) e o Nintendinho só podia exibir 12 cores na tela ao mesmo tempo. O System G era tão inovador (e possivelmente tão caro) que só uma emissora de televisão, a Nippon TV, tinha ele pra fazer suas vinhetas. Quando Kutaragi viu aquilo só pensou em combinar esse processador a um Nintendo. E esse pensamento o acompanhou durante uma década!

Como fabricantes de componentes, a Sony sempre enviou representantes à Nintendo pra vender seus produtos, e numa dessas visitas Kutaragi foi junto aos técnicos e tentou convencer os executivos a formar uma parceria com a Sony. A Nintendo pareceu interessada. A Sony não. Kutaragi era visto como a ovelha-negra da Sony pois apostava no avanço digital, quando quase todo o quadro da Sony estava estabelecido no domínio do analógico (anos 80, lembrem-se!). Como chefe do departamento de pesquisa, ele via à frente do seu tempo, mas a mentalidade da época era rígida e difícil de combater.

Então em 1986 Kutaragi deu um primeiro passo em direção ao seu sonho quando conseguiu convencer a direção da Nintendo a incorporar um processador de som PCM, da Sony, ao sucessor do Nintendinho, o Super Nintendo (que só iria ser lançado em 1990! - Vejam só como os caras planejam à frente). A Nintendo queria colocar um som FM, igual ao Mega Drive, e se não fosse Kutaragi seria tecnicamente impossível fazer a trilha sonora espetacular de Actraiser, Castlevania ou a de Final Fantasy 6.
O sucesso dessa discreta parceria abriu mentes e portas e em 1989 (o Mega Drive ainda estreava nos EUA) Kutaragi conseguiu convencer as duas empresas a fazerem conjuntamente um adaptador CD-ROM pra o futuro Super Nintendo (que nem tinha sido lançado ainda!) e um leitor CD-ROM com o hardware do SNES integrado, fabricado pela Sony. O desenvolvimento do projeto se iniciou em outubro de 1989 e foi apelidado por Kutaragi de "Playstation".
Por mais de um ano a Sony trabalhou no projeto, só que em maio de 91, no dia em que Kutaragi iria visitar o presidente da Nintendo pra tratar de negócios, a Sony soube da traição covarde por meio de boatos: a Nintendo havia trocado a Sony (uma empresa japonesa) pela Phillips (uma empresa holandesa) pra fazer o CD-ROM do SNES.
Temendo que o CD-ROM integrado da Sony fizesse mais sucesso que o acessório da Nintendo e tirasse os holofotes da empresa (dando à marca "Sony" uma associação imediata com videogames) a Nintendo quebrou o contrato e manchou sua honra, uma coisa gravíssima na mentalidade japonesa. A Nintendo enrolou a Sony o quanto pôde, e deu a ela a alternativa de lançar simplesmente um Super Nintendo que lê discos em CD, mas sem ser um avanço multimídia como eles estavam planejando (tanto que, tempos depois, a Phillips lançou seu CD-ROM feito em parceria com a Nintendo e foi um fracasso, pois a Nintendo não lançou seus jogos pra ela - apenas uma versão horrível de Zelda, mostrando que a Nintendo não queria realmente nenhum outro fabricante associado a videogames).

Frustrado, abatido, Kutaragi se viu sem seu projeto dos sonhos. E o pior, a Sony acusou o golpe e a reação dentro da empresa foi de "nem devíamos ter entrado nessa porcaria de mercado de videogame mesmo, bem que eu falei".
Kutaragi poderia ter ficado chorando em posição fetal mas, contra tudo e contra todos, encampou a idéia de levar adiante o projeto sozinho (só a Sony, que não tem NENHUMA experiência tanto em fazer consoles quanto jogos de videogames, e cuja única experiência em microcomputadores se resumia ao MSX).


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Pensamentos - publicado às 6:23 PM 34 comentários
O PALCO DA VIDA
dom, 10 de novembro, 2013
 


Por Felipe Moreira Galante

Observando os relacionamentos humanos, o que mais me chama atenção é a vida no palco, onde podemos rir e chorar, ser aplaudido e vaiado. Esperamos assim algum retorno da platéia, tomamos o próximo como intérprete da nossa estrutura pessoal. Assim, como em um banquete, provamos o doce sabor das virtudes e o amargo dos vícios nos espelhando no outro.

Esse aprendizado é limitado, pois diz somente ao que pode se aprender com o outro e pode tornar-se um vício, uma dependência limitadora.

É preciso desenvolver dentro de si o seu próprio Daemon (do grego "divindade", "espírito"), o seu deus interno, para harmonizar-se com os movimentos da criação e assim caminhar em equilíbrio com o nosso habitat interior.

A lapidação interna é como um jardim, que constantemente merece ser renovado para que as flores nasçam e não vivam escondidas nas ervas daninhas que, com pouco esforço, crescem rapidamente.

Um marceneiro ou um escultor. Ambos possuem a mesma habilidade de modificar o bruto, como uma madeira ou uma pedra em algo útil. Talvez seja essa uma grande metáfora que os mestres em seus arquétipos humanos deixaram como legado.

Do bruto ao belo, do nada à forma e da forma a expressão de deus na nossa realidade, como criadores de si mesmo e do mundo.

Atenção às palavras; talvez elas sejam útil para elevar ou destruir, maltratar ou dar esperança. Afinal de contas do vazio se fez o Verbo e assim é o processo de criação.


 
Filosofia, Pensamentos - publicado às 7:29 PM 58 comentários
GRAVITY
ter, 5 de novembro, 2013
 


Gravity só não é o filme do ano pra mim por conta de uma predileção muito particular por robôs gigantes e monstros de borracha, mas posso dizer com certeza que é o espetáculo do ano, que DEVE ser apreciado na maior e melhor sala de cinema disponível (sim, IMAX 3D, estou falando de você, sua linda).

Gravity é imperdível pro amante do cinema, e representa um novo respiro de Hollywood no sentido da criatividade, da renovação, que chega com um diretor mexicano (Alfonso Cuáron). Não por acaso o meu filme do ano, Pacific Rim (Círculo de Fogo), também é dirigido por um mexicano (Guillermo del Toro). Alfonso teve a honra de ser o primeiro diretor a utilizar o 3D num filme como uma linguagem orgânica, e não só como um recurso técnico extra, ou como uma camada de imersão, como em Avatar. No caso de Gravity dificilmente você experienciará Esse filme de uma maneira satisfatória sem o uso do 3D. Acreditem quando eu digo que nada que já foi feito no cinema em 3D me preparou para o que eu vi em Gravity.

Alfonso Cuarón é conhecido por seus plano-sequência de matar, como em "Filhos da Esperança", mas aqui a liberdade criativa atinge novos patamares, pois não só a câmera é livre para efetuar seu balé como também os personagens estão livres "no espaço", graças a uma computação gráfica avançadíssima onde não se percebe onde termina o real e começa o virtual! Se você aprecia fotografia vai ficar o tempo todo no modo "wow", pois a composição do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki (o mesmo de "Árvore de Vida") é coisa de Mestre (até porque ele teve controle absoluto do visual porque é tudo computação gráfica, mas tão perfeito que não parece). Ele e Cuarón conseguem, num ambiente sempre em movimento, direcionar o olhar do espectador de modo a não nos deixar confusos ou enjoados, e enquadrar tudo de forma lógica e precisa, sem precisar de diálogos pra explicar o que está ocorrendo.
Há cenas que nos fazem prender a respiração junto com o personagem. Há cenas que nos fazem entortar na cadeira de agonia, e há cenas que nos fazem desviar a cabeça dos destroços. É uma montanha russa de emoções esse filme!
Em alguns momentos você se sente como um astronauta ao lado dos personagens, e em outros como o PRÓPRIO personagem, em primeira pessoa. Algumas cenas ficarão queimadas em sua retina de tão belas, como a desoladora escuridão do espaço sideral e ao centro da tela uma sombra humana (em 3D e no IMAX é que a cena adquire sua verdadeira dimensão e proporção).

Os agradecimentos nos créditos finais do filme vão para Guillermo Del Toro, James Cameron e David Fincher. E parece que Cuarón conseguiu incorporar no seu filme o melhor desses diretores. Só monstros da arte do entretenimento.

Se você não viu ainda pare de ler agora e corra pro cinema (não adianta baixar da internet nem esperar Blu-Ray porque não será a mesma coisa). Os parágrafos seguintes conterão algumas análises que contam o roteiro do filme:

Uma cena belíssima que tem tudo pra ficar na história do cinema tem a ver com o processo de renascimento da protagonista, a Dra. Ryan (interpretada por Sandra Bullock): uma personagem que se desgostou da vida e que "foge" do mundo e precisa reaprender a valorizar a Vida e voltar à Terra (metafórica e fisicamente). Quando ela adentra a estação abandonada e tira o traje espacial essa é uma cena que remete primeiro a "Alien" (Sandra Bullock em ótima forma) e depois a "2001: Uma odisséia no espaço", quando ela assume a forma de um feto, com a janela e os tubos formando um útero e cordão umbilical. Faltam adjetivos pra essa cena, sério!

Na nave russa a câmera fixa numa imagem de São Cristóvão. Ele é bastante venerado na Igreja Ortodoxa como padroeiro dos viajantes. A lenda diz que esse santo, um homem forte, fazia a travessia de pessoas por um rio muito perigoso. Certo dia ele fez a travessia de uma criança que ficava cada vez mais pesada, de tal maneira que ele sentia como se o mundo inteiro estivesse sobre os seus ombros. Após a travessia, a criança se revelou ser Jesus, e o peso era o dos pecados que o Redentor do mundo tirava dos homens.

Isso é bastante simbólico no filme por vários fatores: Ryan está carregando o peso do mundo na forma de uma criança (a filha dela), e está em processo de "atravessar o rio", que na cultura oriental significa deixar tudo o que você tem e representa (simbolizado pela margem) para trás. É também a hora em que ela "encontra Jesus", ou melhor, a espiritualidade, o anseio pela prece. Também nessa mesma nave ela encontra o "homem forte" dentro dela, projetado na figura do Matt (George Clooney). Ou seja, é a conversa com o próprio Animus da dra. Ryan.

Aliás, todo o papel do personagem de Clooney pode ser metaforizado como o de um guia espiritual, como bem notaram os caras do Enquadrando e Andando na bela análise do filme. Ele é o cara que não se abala diante das adversidades (chegando ao ponto de ser quase irreal como personagem crível, mas que tem um precedente na personalidade de Neil Armstrong), tem sempre uma palavra de conforto, é engraçado e até mesmo sacana (como os Mestres que o Wagner Borges conheceu), parece estar num plano mais elevado, de onde se tem uma visão mais clara da situação, e literalmente carrega Ryan até a salvação. Mas tem limites, e depois de certo ponto precisa cortar o cordão e deixar sua pupila se virar. É bastante emblemático que ELE solte a trava de segurança que os une, dizendo "esta não é uma decisão sua". Ele admira o rio Ganges por duas vezes, sendo a referência ao Rio sagrado da Índia (onde despejam as cinzas dos mortos na crença de que eles se libertarão do ciclo de encarnações) sua última frase.

O Buda na nave chinesa (que se chama - de verdade! - Shenzhou, que significa "Nave divina") já representa outro estágio de espírito da Dra. Ryan, um estado de desapego em que ela já não teme a morte a ponto de paralisá-la, tanto que diz "só há dois desfechos possíveis: ou eu desço em segurança e terei uma ótima história pra contar, ou eu queimarei em 10 minutos. De qualquer forma, essa será uma incrível jornada". Uma bela mudança de perspectiva para quem já havia desistido da Vida há anos.

Podemos ainda observar o filme de acordo com os 4 elementos e seus significados:

O ar é uma via de espiritualização. É o meio de comunicação entre a terra e o céu, entre o grosseiro e o diáfano. No filme ele está presente o tempo todo como um motor para a espiritualização de Ryan, para motivar sua luta pela Vida. O ar é um aspecto masculino da matéria. No filme, quem "domina" o ar, com sua mochila propulsora? George "Matt" Clooney, claro.

A terra simboliza a mãe, a introspecção, o feminino. Não à toa quando falam da Terra conhecemos a história da Dra. Ryan em relação à perda de sua filha.

O fogo representa purificação e também destruição, no sentido de ser um elemento motor, que anima, transforma, que faz com que evoluam de um para outro os três estados da matéria: sólido (terra), líquido (água), gasoso (ar). O fogo simboliza o agente de toda evolução. Ele expulsa Ryan de seu "casulo" na estação, de sua falsa sensação de segurança.

A água é a matéria-prima, a Prakriti:" Tudo era água", dizem os textos hindus; "as vastas águas não tinham margens", diz um texto taoísta. Bramanda, o Ovo do mundo, é chocado à superfície das águas. Da mesma forma, o Sopro ou Espírito de Deus, no Gênesis, pairava sobre as águas. A água é Wu-ki, dizem os chineses, o Sem-Crista, o caos, a indistinção primeira. As Águas representam a totalidade das possibilidades de manifestação, e por isso na tradição cristã simboliza um renascimento (o batismo por imersão).

No final temos a passagem da Ryan pelos 4 elementos: Fogo da purificação (na reentrada), água batismal (na chegada, onde a personagem deixa pra trás a pesada veste que a arrastava pro fundo), ar de uma nova vida liberta (na saída da água, e ilustrado pelos pássaros voando) e o reencontro com a mãe Terra (o abraço carinhoso com a terra na cena final do filme). Aliás, esse final simboliza não só o renascimento da personagem como também a evolução da vida da Terra, que nasce do plâncton marinho (que não está na cena por acaso), sai das águas e respira (como o sapo), depois se arrasta pela terra, anda de quatro e, por fim, se põe de pé. Ou, voltando ao tema renascimento, como o bebê que engatinha pra depois aprender a andar. Só esse final já poderia botar o filme na história da ficção científica, pois ele é a síntese da beleza filosófica aliada à ciência (os astronautas não conseguem sustentar o peso do próprio corpo por causa do tempo que passam sem gravidade).

Assim Cuarón honra o legado de Stanley Kubrick, embora ainda falte muito chão pro mexicano alcançar o mesmo patamar do diretor inglês. Mas a estrada pavimentada com Gravity é bastante promissora.


 
Cinema - publicado às 9:41 PM 45 comentários