Página principal

   
5 estrelas
Budismo
Ciência
Cinema
Cristianismo
Espiritismo
Filosofia
Geral
Hinduísmo
Holismo
Internacional
Judaísmo
Metafísica
Pensamentos
Política
Psicologia
Sufismo
Taoísmo
Ufologia
Videolog


Ver por mês


Últimos comentários

Retornar à página principal


"TORNA-TE O QUE ÉS"
sex, 26 de abril, 2013
 


Por Rosemiro A. Sefstrom

Ao trabalhar o tema “identidade” com meus alunos do ensino fundamental, deparei-me, no material didático, com a citação de Maria Helena Pires Martins, a qual afirma que o ser humano é o único ser que precisa aprender a ser humano.

De acordo com a autora, o ser humano é o único ser que vem ao mundo indeterminado e precisa determinar a si próprio. Ainda sobre a identidade há um aspecto interessante a se trabalhar, ou seja, quem você pensa que é e quem você é na realidade. Dois filósofos usaram uma frase interessante mostrando, desde muito tempo, o entendimento de que o ser humano é movimento e que falar em natureza humana é um erro. Píndaro, filósofo do século V a.C. e Nietzsche século XIX disseram: “Torna-te o que és”. Esta pequena frase reflete uma realidade muitas vezes constatada em consultório, de pessoas que passaram sua história acreditando ser pessoas que não são. E algumas vezes são tão diferentes que se tornam irreconhecíveis a si mesmas dependendo do espelho que usam para se ver.

O que você acha de você mesmo é uma ideia, uma abstração que se forma ao longo de sua história de vida. Essa ideia dependerá de muitos fatores, como o tempo histórico, lugar, as circunstâncias, relações e tantos outros fatores. O ser de cada um enquanto ideia é considerado em si mesmo como verdadeiro, uma vez que é apenas uma ideia, ou um conceito a respeito de si mesmo. Neste conceito estão contidos o que penso, sinto, intuo, elaboro a respeito de quem fui, sou ou serei. Este conceito é singular, uma vez que é ou está somente comigo, não há como ser compartilhado de forma prática por ser apenas uma ideia.

O que acontece é que muitas vezes a ideia de quem você é não coincide com a ideia que os outros têm de você. Assim, enquanto abstração, os conceitos que você tem de você mesmo não tem impactos sociais, mas quando a prática diária acontece e entra em contato com os outros, aí sim, os outros estão formando uma ideia de quem você é. Sensorialmente, ou seja, sua presença física e prática com os outros é que dá a estes a oportunidade de saber quem você é. E isso se dará não pelo discurso, mas pela prática e é neste momento que podem começar os problemas, angustias, chateações. Pois, na sua ideia você é uma pessoa e na prática outra, como isso acontece?

Isso acontece porque muitas vezes as abstrações, ou seja, tudo aquilo que tem em suas ideias vai para a realidade de forma diferente. Um bom exemplo destes casos é a vez em que se apaixonou por aquela menina da escola, pensou centenas de vezes no que ia dizer para ela e quando tentou fazê-lo na prática...

É bem claro que o pensamento tem um rompimento com a prática, algumas pessoas percebem e tentam trabalhar esta questão, mas muitas pessoas não veem que suas ideias não coincidem com sua prática.

Essa não coincidência é chamada em Filosofia Clínica de equivocidade, o termo equícoco é todo termo que tem mais de uma interpretação ou não é compreendido. Quando o que a pessoa acha dela mesma é diferente do que ela é, pode ser o caso de a pessoa ter uma equivocidade ligada ao que ela acha de si mesma. Você pode se achar burro, feio, fraco, pobre, solitário e isso não ser verdade, outras pessoas ao seu redor acusarem isso e mesmo assim não mudar a sua opinião.

“Torna-te o que és” é o anúncio de Píndaro e Nietzsche de que em muitas vezes o que proclamamos a respeito de nós mesmos está muito longe do que somos, tanto para o bem quanto para o mal. Assim como isso é muito importante para algumas pessoas, motivo de terapia inclusive, para outras é algo insignificante.


 
Filosofia, Psicologia - publicado às 9:17 PM 38 comentários
E SE BAAL FOSSE NOSSO DEUS?
sex, 19 de abril, 2013
 


Recentemente o Brasil entrou numa polêmica liderada por declarações não apenas preconceituosas como teologicamente incorretas de um certo pastor muito vaidoso cujo nome não vale a pena ser mencionado (afinal, ele está em busca de autopromoção pra poder crescer na política e religião). Esse sujeito escreveu no twitter: "Africanos descendem de ancestrais amaldiçoados por Noé. Isso é fato". Depois justificou a frase com um "Não tem nada de comentário racista. É um comentário teológico que está na Bíblia".

Só que ele parece estudar pouco teologia, ou saberia que a própria Bíblia o contradiz, como pode ser visto neste site:

O descendente que Noé amaldiçoou foi Canaã (Gênesis 9:25). De acordo com a Bíblia a África foi povoada pelos descendentes de Cã descritos em Gênesis 10:7 (Veja Gênesis 50:9, Jeremias 46:9 e Naum 3:9 como confirmação) e não pelos filhos de Canaã (Gênesis 10:15-19), que equivalem atualmente ao povo de Gaza, Sodoma, Gomorra, territorios pertos de Israel, ou seja, ORIENTE MÉDIO.

E, se continuarmos a estudar a fundo a Bíblia e a história dos povos que são mencionados nela, podemos perceber mais claramente como é uma IDIOTICE tamanha ficar pegando no Velho Testamento as rixas dos povos árabes de outrora e louvando como se fossem "fatos" ou "palavra de Deus", algo divino, admirável. Se tornaram lugar-comum entre os pastores evangélicos as bravatas de "Meu Deus é o Leão de Judá", "meu Deus é Senhor dos Exércitos", "fogo nele, Jeová" e coisas que evocam o Deus da batalha, o Deus sem misericórdia que destrói os povos "pagãos". Qual não foi minha surpresa quando leio que o Jeová "guerreiro" tem suas raízes justamente no Deus do maior inimigo de Israel, justamente o povo de Canaã (o "amaldiçoado" por Noé)?

Isso mesmo. Segundo estudos recentes, especialistas estão reconhecendo a influência conjunta de diversos deuses pagãos antigos no retrato de Javé traçado pela Bíblia. A Bíblia retrata os israelitas como um povo quase totalmente distinto dos cananeus, mas os dados arqueólogicos coletados revelam profundas semelhanças de língua, costumes e cultura material – a língua de Canaã, por exemplo, era só um dialeto um pouco diferente do hebraico bíblico.

Os cananeus não deixaram para trás uma herança literária tão rica quanto a Bíblia. No entanto, poucos quilômetros ao norte de Canaã, na atual Síria, ficava a cidade-Estado de Ugarit, cuja língua e cultura eram praticamente idênticas aos cananeus. Ugarit foi destruída por invasores bárbaros em 1200 a.C., mas os arqueólogos recuperaram numerosas inscrições da cidade, nas quais dá para entrever uma mitologia que apresenta semelhanças (e diferenças) impressionantes com as narrativas da Bíblia. "Por isso, Ugarit é uma parte importante do fundo cultural que, mais tarde, daria origem às tribos de Israel", resume Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos da Universidade Yale (EUA).

Quando Javé entra em cena com seu "nome oficial" durante o Êxodo bíblico, a impressão que se tem é que ele absorveu boa parte das características de deus cananeu Baal (literalmente "senhor", "mestre" e, em certos contextos, até "marido"), um guerreiro jovem e impetuoso da mitologia de Ugarit e da Fenícia (atual Líbano). Nesta parte da Bíblia Javé é visto como um guerreiro, destruindo os "carros de guerra e cavaleiros" do Faraó e, mais tarde, guiando as tribos de Israel à vitória durante a conquista da terra de Canaã. Tal como Baal, Javé é descrito como "cavalgando as nuvens" e "trovejando". E, mais importante ainda, uma série de textos bíblicos falam de Deus impondo sua vontade contra os mares impetuosos (como no caso do Mar Vermelho, em que as águas engolem o exército egípcio por ordem divina) ou derrotando monstros marinhos. Há aí uma série de semelhanças com a mitologia cananéia sobre Baal, o qual derrotou em combate o deus-monstro marinho Yamm (o nome quer dizer simplesmente "mar" em hebraico) ou "o Rio" personificado. Na mitologia do Oriente Próximo, as águas marinhas eram vistas como símbolos do caos primitivo, e por isso tinham de ser derrotadas e domadas pelos deuses. Javé também é associado à chuva e à fertilidade da terra pelos antigos autores bíblicos – atributos que aparecem entre as funções de Baal.

E sabe qual a pegadinha aqui? É que para os cristãos Baal é o próprio DEMÔNIO, Satanás! Claro, se o Deus do meu inimigo não é o meu, então é o coisa-ruim! Fazem isso até hoje! Não é hilário que eles compartilhem tantas características?

Quando os israelitas realizam a conquista da terra de Canaã, a ordem dada por Deus é de simplesmente exterminar todos os habitantes, e às vezes até os animais (embora, em alguns casos, os homens de Israel recebam permissão para transformar as mulheres do inimigo em concubinas). Isso TAMBÉM vem da cultura de sua época e não é nenhuma exclusividade de Jeová:
Textos de um país vizinho do antigo Israel, Moab, falam, ironicamente, de uma guerra de Mesa com Israel na qual o rei moabita, por ordem de seu deus, Chemosh, decreta o Herem ("interdito"). E o herem nada mais é que a execução de todos os prisioneiros inimigos como um ato sagrado. Tratava-se, portanto, de um elemento cultural de toda a região.

Ou seja: todos os povos daquele local usavam as mesmas desculpinhas divinas pra se matar, se odiar e conquistarem território... como fazem até agora, se vocês não perceberam. E certas denominações evangélicas pegam pra si esses relatos de uma guerra estúpida e nada transcendente (onde até os cavalos são mutilados) e justificam, com isso, suas guerras santas contra minorias. Parabéns a esses evangélicos: Jesus - que nos trouxe o Deus da misericórdia pra contrapor Jeová - está orgulhoso de você.

Outra figura proeminentes nos textos recuperados de Ugarit é El – nome que quer dizer simplesmente "deus" nas antigas línguas da região, mas que também se refere a uma divindade específica, o patriarca, ou chefe de família, dos deuses. "Patriarca" é a palavra-chave: o El de Ugarit tem paralelos muito específicos com a figura de Deus durante o período patriarcal, retratado no livro do Gênesis e personificado pelos ancestrais dos israelitas: Abraão, Isaac e Jacó. Nesses textos da Bíblia há, por exemplo, referências a El Shadday (literalmente "El da Montanha", embora a expressão normalmente seja traduzida como "Deus Todo-Poderoso"), El Elyon ("Deus Altíssimo") e El Olam ("Deus Eterno"). O curioso é que, na mitologia ugarítica, El também é imaginado vivendo no alto de uma montanha e visto como um ancião sábio, de vida eterna.

Tal como os patriarcas bíblicos, El é uma espécie de nômade, vivendo numa versão divina da tenda dos beduínos; e, mais importante ainda, El tem uma relação especial com os chefes dos clãs, tal como Abraão, Isaac e Jacó: eles os protege e lhes promete uma descendência numerosa. Ora, a maior parte do livro do Gênesis é o relato da amizade de Deus com os patriarcas israelitas, guiando suas migrações e fazendo a promessa solene de transformar a descendência deles num povo "mais numeroso que as estrelas do céu".

Há ainda outros elos entre o Deus do Gênesis e El: num dos trechos aparentemente mais antigos do livro bíblico, Deus é chamado pelo epíteto poético de "Touro de Jacó" (frase às vezes traduzida como "Poderoso de Jacó"), enquanto a mitologia ugarítica compara El freqüentemente a um touro.


Moral da história: a Bíblia é na verdade um grande Mash-up de diversas culturas e cada vez mais fica claro que mesmo o "Deus único" de Israel não é tão único assim em suas facetas, porque não existe UM povo, UMA cultura, UM homem. Nossa origem se perdeu no tempo, e o que restou são MITOS que são compartilhados (até mesmo inconscientemente) por DIVERSOS povos, DIVERSAS culturas, e a palavra-chave aqui é DIVERSIDADE. Podemos todos nos beneficiar da pluralidade, assim como a natureza se beneficia da diversidade genética. E quando pessoas ou culturas instilam o ódio a determinado grupo, povo ou religião, estão na verdade tentando esconder essa verdade: de que nenhum homem (ou grupo) é uma ilha, e que estamos todos interconectados, dependentes, e que até mesmo nosso inimigo pode ter sido (ou pode vir a se tornar) nosso professor, ou mesmo... Pai!


 
Cristianismo, Pensamentos - publicado às 10:22 AM 60 comentários
ANALISANDO VELOZES E FURIOSOS
seg, 1 de abril, 2013
 


Como esta franquia de sucesso reconta o cristianismo para as novas gerações e faz de Vin Diesel o nosso Salvador.


 
Cinema, Videolog - publicado às 9:43 PM 64 comentários