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IMAGEM
sáb, 16 de março, 2013
 


Sabe quando certos acontecimentos na sua vida parecem repetir-se, regularmente, sem uma razão lógica?

Quando a gente entra no caminho da espiritualidade "séria", ou seja, comprometida com nossa transformação interna (e não externa, baseada em laços sociais, econômicos, um "upgrade" no visual ou apenas pra botar um freio de burro em certas atitudes) nos deparamos com o desafio de encarar a nós mesmos, seja através dos nossos demônios internos, ou através de alguém (o mundo como espelho nos traz alguém próximo e a quem você não pode evitar, seja um filho, marido, esposa ou inimigo muito chato). Isso pode ser o Universo nos mostrando nossa IMAGEM. O que o Pathwork® nos mostra é como acessar essa imagem e como disassociá-la de sua essência.

Segundo o site brasileiro do sistema, o "Pathwork® é um caminho para a autotransformação pessoal e autorrealização espiritual, direcionado às pessoas que buscam um relacionamento mais verdadeiro consigo próprias e com a vida. Inclui uma compreensão profunda da negatividade pessoal para dissolver velhas crenças, condicionamentos e imagens errôneas. A proposta incentiva a parar de tentar fingir que somos uma imagem idealizada de nós mesmos, a pessoa que pensamos que deveríamos ser. Trata-se de um modo prático, honesto e racional de passarmos de onde estamos para onde queremos estar. Está fundamentado no estudo e na vivência do conjunto de 258 temas sistematizados pela austríaca Eva Pierrakos durante mais de 20 anos de trabalho".

Eva Pierrakos nasceu em Viena em 1915. Deixou a Áustria antes da invasão nazista e mudou-se para Nova York. Foi na Suíça, entretanto, onde viveu durante alguns anos, que seu dom psíquico começou a se manifestar sob a forma de escrita automática. Começou então a desenvolver a clariaudiência, não ouvindo vozes externas, mas vozes internas que provinham do seu cérebro. Tornou-se assim o canal de uma entidade espiritual chamada de "o Guia".

Em 73 Eva casou com o psiquiatra John C. Pierrakos, um dos fundadores da Análise bioenergética, e o trabalho dos dois se transformou no Pathwork®.

O texto abaixo é minha interpretação livre baseada na Palestra do Guia Pathwork No. 38, de 24 de outubro de 1958, que trata justamente sobre Imagem.

Na questão da nossa auto-imagem, é importante saber que não se refere à persona, a máscara que criamos pra sociedade. Não é (só) sua profissão, não é (só) como você se apresenta, mas é principalmente sua auto-imagem inconsciente, como você ACREDITA que é e não como procura ser. Isso é importante pois, quando identificamos nossas falhas e procuramos superá-las podemos esbarrar no famoso "eu tentei de tudo, mas não tem jeito: eu sou assim". O Guia do Pathwork® fala que apenas a vontade externa é insuficiente. É preciso mergulhar na alma, pois geralmente formamos o que somos na infância, através de IMPRESSÕES, ou seja, reações emocionais e conclusões sem muita elaboração, formadas sem a experiência e o embasamento de um adulto e, à medida que os anos vão passando, estas conclusões e atitudes afundam cada vez mais no inconsciente, moldando, até certo ponto, a nossa vida e continuam a influenciar mesmo depois que analisamos a questão criticamente. Tal conclusão do passado é chamada de IMAGEM.

Como saber que estamos presos a tais imagens? Quando você tem um problema e sabe que não é possível superá-lo, por mais que queira ou tente, por mais que saiba que isso lhe traz problemas. O Guia fala que as pessoas às vezes amam algumas das suas faltas. Mas por que? Pela simples razão de que, de acordo com essa imagem, certas faltas se revelam como uma medida de defesa ou uma capa protetora. Obviamente, este é um raciocínio inconsciente. Por isso que o esforço consciente para superar esta falta torna-se infrutífero. E será assim até que a Imagem seja reconhecida.

Outra evidência de tal imagem é a repetição de certos incidentes na vida do indivíduo. Tem mulher que diz "eu só atraio homem canalha" ou casamentos que não dão certo. Parece até uma maldição. Mas uma imagem, de alguma forma, sempre forma um padrão de comportamento ou de reação em certas ocasiões e, também, um padrão de acontecimentos externos que parecem chegar a nós sem que tenhamos feito nada para atraí-los. Conscientemente a pessoa pode até desejar, com fervor, algo que é o extremo oposto da imagem. Mas este desejo consciente é mais fraco que o desejo inconsciente que é, sempre, mais forte.

O único remédio é tentar descobrir qual é a Imagem, em que base ela foi formada e quais foram as conclusões erradas.

A maioria das vezes uma imagem é antiga e tem sido trazida de uma vida para a outra (e é por isso que senti vontade de fazer esse post logo após o de Cloud Atlas), o que pode tornar o diagnóstico mais difícil, mas analisar o contexto kármico é de grande ajuda. Quando uma imagem existe, vinda de vidas passadas, a encarnação ocorre num ambiente em que haverá provocações à Imagem já existente (ou seja, fará a Imagem ser reativada nessa vida) devido a imagens parecidas nos pais ou em outras pessoas ligadas à criança em crescimento.

Somente assim é que a Imagem fará emergir o problema, e só quando se torna um problema é que a pessoa presta atenção - e, espera-se, busque a solução - ao invés de desconsiderá-la. Se a pessoa continuar ignorando o problema as circunstâncias na próxima vida serão muito mais difíceis, e assim por diante, até que os conflitos se tornem tão desesperadores que nenhum fator externo possa mais ser considerado responsável. Este é o momento em que a pessoa começa a inverter seu movimento, indo para cima e para dentro (novamente a imagem da espiral 3D).

É preciso quebrar o orgulho; A vontade do ego que diz "Eu não quero o risco da vida, eu não quero a dor da vida; conseqüentemente, eu atraio esta conclusão que parece, para mim, ser a salvaguarda contra isto". Mas isto não é uma salvaguarda, pois lhes trará problemas muito maiores do que aqueles de que vocês estão tentando escapar, pois a vida não pode ser trapaceada.

E esta é a piedosa lei de Deus. Uma piedade difícil de entender a princípio, mas baseada no "Deus escreve certo por linhas tortas". Se não fosse assim, nós nunca poderíamos sair da miséria dos obscuros planos inferiores, pois de lá ninguém pode realmente nos tirar a não ser nós mesmos.

Somente quando começarmos a encarar as nossas conclusões errôneas e nossos medos, e estivermos prontos para aceitar a vida como ela é, é que seremos capazes de curar a nossa alma. Só quando tivermos renunciado a uma parte da vontade do ego que quer negar a vida na sua forma presente, a forma que é necessária para o nosso desenvolvimento.
Só então teremos adquirido a humildade de não querermos ser protegidos dos riscos e durezas da vida. Riscos que só deixarão de ser necessários quando nós pudermos, sem temor, aceitá-los e nos responsabilizar por eles.


 
Psicologia - publicado às 5:20 PM 90 comentários
CLOUD ATLAS (A VIAGEM)
sáb, 9 de março, 2013
 


PRÓLOGO

É com grande alegria que trago a vocês um novo marco no Saindo da Matrix. Um blog que iniciou em 2002 pra falar despretensiosamente sobre filosofia, metafísica, filmes e ciência, inspirado pela vibe que foi criada na sociedade pelo filme "The Matrix". Em 2003 saiu o filme "Matrix Reloaded" e o blog ganhou o nome Saindo da Matrix. Em 2004 ganhou domínio próprio e virou um "site". Em 2010 ganhou 3º lugar no Top Blog. Agora, 10 anos após o batismo do blog, inicia-se uma nova fase que é o uso de vídeo pra analisar justamente um filme dos Irmãos Wachowski, os mesmos que começaram tudo isso lá atrás, com o filme "The Matrix".

(Atenção: o vídeo conta o filme todo. Se não assistiu Cloud Atlas ainda, não veja)

ANALISANDO CLOUD ATLAS (A VIAGEM)


Cloud Atlas ("A Viagem" no Brasil) é o mais novo filme dos irmãos Wachowski (os mesmos que fizeram a trilogia "Matrix") e, ao contrário dos seus últimos filmes, não decepciona. Não é nenhum espetáculo visual com câmeras rodando, ou uma experiência em que você vai sair do cinema vendo códigos da Matrix no ar, mas vai mexer de alguma forma em você. Talvez não no nível mental consciente, mas em alguma parte indefinível da sua alma.

O slogan do pôster promocional de Cloud Atlas ("Tudo Está Conectado") parece um marketing nova era, mas é na verdade a alma do filme, a chave para melhor apreciá-lo. Não à toa os irmãos Wachowski procuraram o diretor Tom Tykwer pra co-dirigir o filme com eles. O trabalho mais famoso desse cara é "Corra, Lola, Corra", que trata de ESCOLHAS.

Para embasar meu comentário vou falar brevemente de uma pesquisa recente onde cientistas conseguiram provocar um entrelaçamento ("entanglement") de três partículas, que é quando elas passam a compartilhar as mesmas propriedades quânticas (ou seja, quando a propriedade de uma partícula é alterada, a outra reage instantaneamente e tem seu estado quântico alterado também). E essa ligação independe de espaço (distância) ou tempo, pois a informação viaja mais rápido que a luz! A novidade é que conseguiram emparelhar 3 partículas de fóton (luz) a partir de UMA, quando antes só conseguiam emparelhar duas. No futuro espera-se conseguir fazer isso com centenas (milhares?) de partículas, e aí poderemos ter (um dia, quem sabe) dois "computadores quânticos" servidores de internet cujas partículas são "irmãs" e se comunicam sem cabos, wi-fi, ondas, etc (não seria isso a base da comunicação pelo pensamento?). Mas o que isso tem a ver com o filme? Bem, se o ser humano já consegue antever o conceito de "ação fantasmagórica à distância" (frase de Einstein se referindo ao entrelaçamento) como algo utilizável, por que não considerarmos que, na metafísica, tal comunicação também ocorra entre almas? Casos não faltam, como o de mães que sentem o desespero (ou morte) dos filhos, e até mesmo animais que sabem quando o dono vai chegar. E mais ainda: será que nossas almas "emparelhadas" provém de uma "alma mãe"? O filme Cloud Atlas trata de um conjunto de almas ao longo do tempo cuja história e sentimentos parecem entrelaçados, e a forma como isso é contado (os acontecimentos ocorrem simultaneamente em cada época, graças à brilhante montagem do filme) sugere "ondas de desafio", momentos-chave que vão refletir não só no futuro de cada um (se considerarmos a reencarnação como uma evolução puramente pessoal) mas no passado - sim! - e futuro de outras pessoas que, de alguma forma, estão nessa "rede" (e aí entra o conceito de entrelaçamento, que metafisicamente falando poderia englobar a idéia já exposta aqui no modelo de evolução da consciência e na evolução como espiral).


O "mapa" das reencarnações em Cloud Atlas (clique na imagem para ampliá-la)

Logo no começo do filme o personagem Timothy Cavendish fala: "Minha vasta experiência como editor permitiu-me desprezar as analepses das leituras e todos os seus truques estranhos. Acredito, caro leitor, que se puder ser um pouco mais paciente, encontrará o metódo desta história de loucura". É como um conselho dos realizadores pra platéia: se sentir-se confuso (e todo mundo fica nos primeiros 30 minutos) ignore os truques de edição, os vários personagens e concentre-se no "grande quadro", na história como um todo. E essa é uma história de rebelião, de lutar contra o sistema, como em "V de vingança". Por exemplo, a questão do escravagismo e do papel da mulher na sociedade é colocada pelo personagem Adam Ewing (o advogado do navio) da seguinte forma: "Se Deus criou o mundo, como saberemos que coisas devem mudar e o que deve permanecer sagrado e inviolável?"

Mas como estamos aqui para destrinchar o filme, vamos analisar cada história e suas nuances:


PACÍFICO SUL, 1849

A primeira história é sobre Adam Ewing, um advogado americano que, em uma viagem de navio, ajuda um escravo clandestino. Mas sem ele saber, está sendo lentamente envenenado por um sinistro médico, interpretado por Tom Hanks, que quer roubar a chave do baú de Adam atrás de coisas de valor. Ele sobrevive graças ao escravo e por fim se torna abolicionista.

Os personagens de Tom Hanks são os casos mais representativos do filme. Em 1849 ele diz "Um tigre não pode mudar suas listras", e de fato ele permanece com uma personalidade para o mal e à ambição desmedida pela maioria das vidas, ao ponto de se ater à mesma pedrinha azul em duas delas. Essa pedra representa seu demônio (o "Georgie", interpretado por Hugo Weaving). É interessante rever o filme e notar como o Tom Hanks de 2321 diz do demônio: "E contarei a história da primeira vez que nos conhecemos cara a cara" e corta para o Tom Hanks de 1849 olhando pela primeira vez para o advogado (que, como veremos à frente, usa as tais pedrinhas azuis como botões do colete).

Os personagens de Hugh Grant são uma figura de autoridade (detentor de poder) e de negócios em todas as vidas. Isso acarreta que, por causa desse modelo de vida, ele não evolui espiritualmente em nada. Em 1949 é clérigo e dono de terras, se beneficiando do trabalho escravo. Gerente de hotel de luxo em 36. Dono de usina nuclear em 73. Ricaço dono de asilo em 2012. Dono do restaurante e explorador de clones em 2144. E finalmente líder de um grupo de canibais em 2321.

Se Hugh Grant é a mente e o beneficiário por trás das maldades, os personagens de Hugo Weaving (o agente Smith de Matrix) são a mão que executa o mal. Traficante de escravos em 1849, Nazista em 36, assassino em 73, uma enfermeira sádica em 2012 e um interrogador da "Unanimidade" em 2144. Já em 2321 ele se torna a própria projeção do mal, na mente de Tom Hanks.


ESCÓCIA, 1936

O consagrado músico Vyvyan Ayrs andava meio sem imaginação e acaba se beneficiando (e muito) da ajuda de um talentoso jovem chamado Robert Frobisher que, vitimado pelo drama da sua bissexualidade, é forçado a deixar seu amante, Rufus Sixsmith. Robert quis ajudar Ayrs a compor para estabelecer seu nome na música como parceiro de Ayrs. Só que Ayrs resolve tomar para si todo o crédito da sinfonia de Robert, o sexteto Cloud Atlas (que dá nome ao filme), e aprisiona Robert em sua casa - através de coação e chantagem moral - para que trabalhe pra ele. Ayrs diz "às vezes você derrota o dragão e às vezes é derrotado por ele". A frase é emblemática quando percebemos que, nesta encarnação ele sucumbe ao "dragão" interior da ganância mas, na sua próxima, ele sofre as consequências.


SAN FRANCISCO, 1973

A história de uma jornalista chamada Luisa Rey que tenta desmascarar os planos que os líderes petrolíferos têm de destruir a credibilidade da energia nuclear, pondo em risco até mesmo a segurança da população.


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5 estrelas, Cinema, Videolog - publicado às 3:21 PM 77 comentários