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EXCESSO DE INFORMAÇÃO NOS TORNA IDIOTAS
seg, 28 de fevereiro, 2011
 


Quando o escritor norte-americano Nicholas Carr começou a pesquisar se a internet estava arruinando nossas mentes, assunto de seu novo livro, ele restringiu seu acesso à internet, deu um tempo no e-mail e desligou suas contas no Twitter e no Facebook.

Em seu novo livro The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains, ele diz que a rede está nos privando da capacidade aprofundada de raciocínio.

Carr levantou em 2008 a questão controversa de que "o Google estaria nos deixando idiotas" e decidiu aprofundar sua pesquisa sobre como a rede afeta nosso cérebro. Seu livro examina a história da leitura e a ciência de como o uso de diferentes mídias afeta nossa mente. Explorando como a sociedade passou da tradição oral para a palavra escrita e depois para a internet, ele detalha como nosso cérebro se reprograma para se ajustar às novas fontes de informação. Ler na internet mudou fundamentalmente a forma como usamos nosso cérebro.

A quantidade de textos, fotos, vídeos, músicas e links para outras páginas combinada com incessantes interrupções na forma de mensagens de texto, e-mails, atualizações do Facebook e feeds de RSS fez com que nossas mentes se acostumassem a catalogar, arquivar e pesquisar informações. Desta forma, desenvolvemos habilidades para tomar decisões rapidamente, especialmente visuais. Por outro lado, cada vez lemos menos livros, ensaios e textos longos – que nos ajudariam a ter foco, concentração, introspecção e contemplação. Ele diz que estamos nos tornando mais bibliotecários – aptos a encontrar informações de forma rápida e escolher as melhores partes – do que acadêmicos que podem analisar e interpretar dados.

A ausência de foco obstrui nossa memória de longo prazo e nos torna mais distraídos. "Nós não nos envolvemos com as funções de interpretação de nossos cérebros", diz. Ele ainda afirma que, por séculos, os livros protegeram nossos cérebros de distrações, ao fazer nossas mentes focalizarem um tema por vez.

Mas com aparelhos como o Kindle e o iPad tornando-se comuns, Carr prevê que os livros também mudarão. "Novas formas de leitura requerem novas formas de escrita".

Se escritores suprem a necessidade crônica de uma sociedade distraída, eles inevitavelmente evitarão argumentos complexos que requerem atenção prolongada e escreverão de forma concisa e aos pedaços, Carr prevê. Ele inclusive sugere um exercício para aqueles que sentem que a internet os tornou incapazes de se concentrarem: diminuam o ritmo, desliguem a web e pratiquem habilidades de contemplação, introspecção e reflexão.

É bem claro pelo que já sabemos sobre a ciência do cérebro que, se você não exercita habilidades cognitivas específicas, você acaba as perdendo. Se você se distrai facilmente, não pensará da mesma forma que pensa se você presta atenção
(Nicholas Carr)


Cientistas dizem que fazer malabarismo com e-mail, celular e outras fontes de informação muda a maneira como as pessoas pensam. Nossa concentração está sendo prejudicada pelo fluxo intenso de informação. Esse fluxo causa um impulso primitivo de resposta a oportunidades ou ameaças imediatas. O estímulo provoca excitação - liberação de dopamina - que vicia. Na sua ausência, vem o tédio.

Enquanto muita gente diz que fazer várias coisas ao mesmo tempo aumenta a produtividade, pesquisas mostram o contrário. As multitarefas dificultam a concentração e a seleção necessárias para ignorar informações irrelevantes. E mesmo depois que a pessoa se desliga, o pensamento fragmentado continua.

Para estudiosos de Stanford, a dificuldade de se concentrar só no que interessa mostra um conflito cerebral, que vem da nossa evolução. Parte do cérebro age como uma torre de controle, ajudando a pessoa a se concentrar nas prioridades. Partes primitivas, como as que processam a visão e o som, querem que ela preste atenção às novas informações, bombardeando a torre de controle. Funções baixas do cérebro passam por cima de objetivos maiores, como montar uma cabana, para alertar sobre o perigo de um leão por perto. No mundo moderno, o barulho do e-mail chegando passa por cima do objetivo de escrever um plano de negócios ou jogar bola com o filho.

Mas outras pesquisas mostram que o cérebro também se adapta. Usuários de internet têm mais atividade cerebral do que não usuários. Eles estão ganhando novos circuitos de neurônios. Isso não é necessariamente bom, porque não significa que estamos nos tornando mais inteligentes. Nossas crianças nascem sabendo programar o microondas e mexer nas configurações da TV, mas ao crescerem terão menos senso crítico e independência que as outras gerações. Estarão TERRIVELMENTE acostumadas a terem tudo pronto, mastigado, desde a pipoca de microondas até as notícias que recebem. Ficaremos parecidos cada vez mais com os gordinhos do filme Wall-E, imersos na informação de tal ponto que falarão com os colegas DO LADO via MSN (e isso já acontece nas empresas!). Com as relações sociais tradicionais sendo destruídas e trocadas por uma virtual, quem detiver o controle dos meios de tráfego virtual controlará as relações sociais. E vocês acham que os governantes já não sabem disso? Por que será que Obama teve uma reunião com todos os donos dos "corredores de informação"?

A música também é uma forma de induzir a mudanças no cérebro. Ajuda a manter o "gado", tão interessante para quem controla as engrenagens.

Um estudo foi conduzido por cientistas em um grupo de ratos para estudar os efeitos da música rock. O grupo de ratos que foi exposto à música rock foi ficando progrssivamente mais desorientado em testes, e por fim se tornaram incapazes de completar o labirinto. Quando os cérebros destes ratos foram dissecados, verificou-se que eles foram submetidos a mudanças estruturais anormais. Os neurônios em seu cérebro (em especial na região do hipocampo, que é conhecido por ser importante na aprendizagem e na formação da memória) cresceram de forma descontrolada em todos os sentidos, sem fazer conexão com outros neurônios. Aumentos significativos no RNA mensageiro, que está envolvido na formação da memória, também foram encontrados. Eu achei essa notícia um pouco exagerada, e por não ter o NOME dos pesquisadores, resolvi pesquisar mais e encontrei o seguinte:

O estudante David Merrill repetiu a experiência e chegou a conclusões parecidas, mas não pôde ir muito longe pois os ratos que ouviam rock mataram uns aos outros. O estudo de G. M. Schreckenberg e H. H. Bird (1988) demonstra que ratos expostos a música desarmônica (ou seja, sem harmonia) desenvolveram danos nos nervos cerebrais e "degradação do comportamento".

Ou seja, a configuração do cérebro vai mudar SIM, especialmente se forem expostas crianças a isso (como vimos no começo do documentário Zeitgeist: Moving Forward). Nos EUA e no Brasil 20% das crianças sofrem algum tipo de distúrbio mental, enquanto 5 MILHÕES de crianças e adolescentes nos EUA sofrem de distúrbio mental GRAVE.

Não é minha intenção culpar o rock - até porque eu gosto e acho que é apenas UM aspecto do problema - mas sim a exposição a um determinado tipo de som. Ele muda dependendo do país e grupo social, mas somos BOMBARDEADOS por tipos de som cuja semelhança entre eles é ser estressante, percussivo ao extremo e longe de qualquer harmonia. Cada vez mais nossas "musas" e "musos" pop vão promovendo sons mais e mais bizarros, longe do tipo de música que nos cativou no começo de suas carreiras e chegando muito próximo dos sons que são usados pra simular drogas (e não creio que seja uma mera coincidência). Me chamem de teórico da conspiração se quiserem, mas não deixem de meditar no que leram, e observar com certo distanciamento as "informações" que pipocam ao seu redor.


SAÚDE

Passar mais de quatro horas por dia em frente à televisão aumenta o risco de sofrer doenças cardiovasculares e inclusive o de morrer, revela um estudo divulgado hoje pela imprensa australiana.

A probabilidade de sofrer doenças cardiovasculares é 80% superior a de quem passa menos tempo, e a de morrer aumenta 46%. Até porque ver TV engorda.

Concretamente, cada hora em frente a uma televisão representa um risco de morte 11% maior, de acordo com a pesquisa realizada com 8.800 pessoas e divulgada na publicação científica "Circulation: Journal of the American Heart Association". O cientista David Dunstan afirmou que o problema é causado pela falta de mobilidade, que impede que o organismo processe de maneira adequada açúcares e gorduras. Não importa que se façam exercícios diários - o dano vem do tempo prolongado que se passa sentado diante de uma tela, segundo Dunstan.

As 8.800 pessoas pesquisadas, entre 25 e 50 anos de idade e que se uniram ao projeto entre 1999 e 2000, realizavam entre meia e uma hora de exercícios diários e, no entanto, 284 morreram em seis anos.

Dunstan indicou que a pesquisa enfocou particularmente os casos de gente que vive junto à televisão, mas as conclusões são aplicáveis a qualquer outra atividade sedentária, como as pessoas que passam o dia jogando computador. O pesquisador lembrou que "o corpo humano foi feito para se movimentar".



Três em cada quatro norte-americanos serão obesos em 2020. Você não vê esse padrão de beleza na mídia, ?


Assim como os passageiros de Wall-E, não temos interesse no mundo que nos cerca, nem no que nos reserva o futuro. Não enquanto tivermos distração suficiente pra preencher nossos dias vazios e "modelos" pra satisfazer nossos desejos por nós. Quem é a mão que nos "alimenta"? Quem manda no "capitão" desse navio? Pretendo fazer um post sobre os efeitos do que comemos e bebemos diariamente, e como as grandes indústrias estão por trás de um lento envenenamento que nos torna fracos, doentes, estúpidos e favorece o lucrativo comércio dos remédios e planos de saúde.


Ler em espanhol (por Teresa)

Fontes:
Ver TV eleva risco de morte;
Concentração e distração;
Abuso de aparelhos eletrônicos provoca conflito cerebral


 
Ciência, Internacional - publicado às 2:42 AM 152 comentários
A CONCENTRAÇÃO DA MÍDIA
qua, 16 de fevereiro, 2011
 


Este post é quase uma nota de rodapé gigantesca do post anterior, pois mostra como e onde a mídia está concentrada nas mãos de famílias que também controlam a política. Comecemos pelos EUA:

GENERAL ELECTRIC
Doou 1.1 milhão de dólares pra campanha de G. W. Bush em 2000

Controla:
A NBC (TV aberta) e MSNBC (cabo e provedor de internet), esta última em parceria com a Microsoft (que doou 2.4 milhões de dólares pra campanha de G. W. Bush em 2000).
Ações dos canais Bravo (50%), A&E (25%), History Channel (25%).
Universal Studios (estúdio de cinema)

Outros investimentos:
GE Eletrônicos.
Turbinas pra aviões e reatores nucleares.


WESTINGHOUSE
Seu diretor Nº 1 é Frank Carlucci (do grupo Carlyle)

Controla:
CBS (TV aberta)

Outros investimentos:
A Westinghouse Electric Company presta serviços à indústria de energia nuclear.


VIACOM INTERNATIONAL INC.
Uma divisão da Westinghouse/CBS

Controla:
Paramount (estúdio de cinema)
MTV, VH-1 (canais de música para jovens)
Nickelodeon, Comedy Central
Flix, Blockbuster Video (distribuição de filmes)


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Política - publicado às 10:16 PM 100 comentários
METROPOLIS: O FATOR MARIA
dom, 13 de fevereiro, 2011
 


O filme Metropolis, de Fritz Lang, possui como lema "O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração!", mas essa aparente ingenuidade esconde o verdadeiro leitmotif do filme, que é a manipulação. A falsa-Maria foi usada pra incitar os trabalhadores à violência, para que assim possam ser facilmente controlados pela força (sem o apoio da opinião pública). Enquanto isso ela também manipulou a elite de Metrópolis, jogando com os sentimentos mais mesquinhos deles e fazendo-os brigarem entre si por ela até o ponto de se matarem. E ainda temos a manipulação do manipulador, pois enquanto o Criador de Metrópolis (Joh Fredersen) acha que está manipulando a todos com a falsa-Maria, está sendo manipulado pelo cientista, que era quem "movia as cordas da marionete" e queria ver a decadência da cidade e do poder do Criador.

Esse filme nos dá um retrato bem fiel das forças de manipulação às quais estamos submetidos. Por um lado temos o Estado - lá no topo da pirâmide social - que é o Criador e provedor da nossa "Metrópolis". Temos também a Elite, num jogo de influências que os leva a serem manipulados e manipuladores. No outro extremo da pirâmide temos o povo, que precisa trabalhar (e muito) não só pra sobreviver como pra sustentar a elite e o Estado. E no meio disso está a tecnologia (as ciências, o materialismo, representado no filme como uma Magia-Negra por visar o egoísmo, a manipulação para o mal). É uma tecnologia que dialoga com os dois lados (alto e baixo) e que, se vocês viram minha palestra, reconhecerão essa tecnologia como a "mídia" (intermediário). E o que é nossa mídia senão um intermediário com interesses egoístas, a serviço de quem lhe garantir mais poder e status? Às vezes uma crítica é dirigida ao Estado ou às elites, outra vez um elogio, ao sabor dos intere$$es. Mas há uma tendência que transcende interesses imediatos, e cujo reflexo vemos nos mais diversos meios e países: a corrupção da sociedade. Basta ligar a TV e abrir os jornais para perceber o quanto a má conduta é valorizada, por vezes estimulada de forma ardilosa, travestida de crítica ou minimizada com uma troça. Isso - aliado a um ensino com qualidade cada vez pior - vai transformando tanto a elite como os trabalhadores da nossa "Metropolis", de forma tão lenta que não percebemos quem na verdade "implantou" essas idéias em nossas cabeças, e a cada geração que passa vamos nos tornando mais e mais decadentes, mais e mais ignorantes, submissos ao poder e mas cada vez mais arredios aos nossos próprios amigos e familiares (a tal discórdia que Maria estava programada para causar), o que nos torna fracos como povo e manipuláveis como gado. E o verdadeiro rosto dessa mídia ninguém vê (assim como o cientista do filme), apenas podemos perceber sua criação (a falsa-Maria).

"Rotwang, pode colocar o rosto desta garota no Homem-Máquina... Quero semear a discórdia entre eles e ela, e destruir a fé que depositam nesta mulher"
(Joh Fredersen)

A falsa-Maria, em Metropolis, tem duas funções: uma política, outra de entretenimento. E em ambas busca o controle social, através da manipulação.

Líderes, como Obama e Lula, que parecem ter saído do povo e que parecem imbuídos de ideais que são o do povo, ao assumir o poder se mostram comprometidos tão-somente com os amigos e com os poderosos. Esses são criações das elites pra nos manter com uma falsa sensação de que estamos representados. Divisões de gênero, religião, classe social e educação são exploradas incessantemente pra tirar o foco dos verdadeiros problemas, buscando dividir/diluir opiniões e assim conquistar, como acontecia até então no Egito. E ainda acontece no Brasil. Mas a falsa-Maria é muito mais do que isso, pois sua agenda vai além de segmentos, ela é uma "engenheira social", mudando paradigmas e a face da sociedade como um todo, de forma lenta e ardilosa.

No campo do entretenimento temos um exemplo perfeito de uma falsa-Maria aqui mesmo, no Brasil. Por ironia do destino ela se chama mesmo Maria e em algum momento (após conquistar a confiança de toda uma geração de pais e adultos) ela passou e despejar diariamente na cabeças das crianças tudo o que não presta, como sensualizar precocemente meninas de 7 anos com Funk (e suas letras terríveis pra crianças) e axé (eu VI com meus próprios olhos uma "brincadeira" do programa dela onde uma menina de 5 a 7 anos com uma daquelas malhas de rapa... digo, dançarina de Axé era incentivada a "descer na boquinha da garrafa"). Parabéns, Maria (ou melhor, falsa-Maria): a serviço do entretenimento você criou e nutriu uma geração de futuras mães solteiras e homens que acham o máximo tratar mulher como "cachorras", "ordinárias" e com uma sexualidade baseada em "um tapinha não dói". Nossa Maria é o mais perfeito exemplo da falsa-Maria do Metropolis, pois depois de agir como a besta babilônica por tanto tempo a Maria verdadeira(?) conseguiu de alguma forma se libertar e hoje é vista como uma pessoa "do bem", cujo passado parece ter sido escrito por outra pessoa.

Entretanto a mais conhecida e eterna "boneca-robô" a serviço da manipulação dos poderosos será sempre Marilyn Monroe, uma criação a serviço da lascividade (imagem que ela mesma tentou se desvencilhar depois de um infeliz casamento, mas que a mídia continuou a explorar) que depois foi usada por Edgar Hoover (e pela Máfia) contra os Kennedy, acabando ela mesma uma vítima das circunstâncias em uma morte misteriosa. No seu "clipe" mais famoso podemos ver a alimentação do estereótipo da loura burra mas coberta de jóias. Esse é o pai de diversos clipes que homenageiam diretamente essa cena e esse estereótipo, de "Material Girl" a "My humps":


No minuto 4:49 vemos que mulheres são usadas como candelabro. Uma bela "inception" visual da mulher-objeto, não acham?


Tão clara era a exploração da "Marilyn" e sua diferença pra pessoa por trás do papel (Norma Jean) que isso ficou eternizado na bela música de Elton John Candle in the Wind (prestem atenção na letra).


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Cinema, Geral - publicado às 2:01 PM 129 comentários
METROPOLIS: A OBRA-PRIMA DE FRITZ LANG
ter, 8 de fevereiro, 2011
 


    Queen - Radio ga ga


Metropolis foi o filme mais caro de sua época, e um marco do expressionismo alemão. Durou quase 1 ano e meio pra ser feito e envolveu cerca de 37 mil extras. Dirigido por Fritz Lang e escrito por ele e Thea von Harbou (esposa de Lang), mostrava um futuro distópico que influenciou gerações de escritores e cineastas até hoje, e deu fruto a filmes, jogos e livros como 1984, Blade Runner, Robocop, Final Fantasy 7, Bioshock, Bastardos Inglórios, o movimento Steampunk, o cinema Noir, entre outros.

O filme estreou em grande estilo, em 1927, em Berlim. O marechal von Hindenburg estava presente à estréia, assim como a nata da sociedade alemã. Apesar da boa reação da estréia e da crítica, o filme foi um fracasso de público e bilheteria, quase afundando a produtora. Muitos acharam o filme longo demais, então ele foi severamente cortado para distribuição no resto do mundo. O filme se tornou cult, mas a versão original ficou perdida para sempre, e durante décadas achamos que nunca mais veríamos Metropolis como fora planejado. Mas eis que em 2008 (isso mesmo, 80 anos depois!) foi encontrada uma cópia do original em péssima qualidade, na Argentina. Fizeram então a versão definitiva, lançada no final de 2010, juntando as melhores partes restauradas de cada cópia que puderam encontrar pelo mundo, e o resultado salta aos olhos. Quem (como eu) viu a versão de Giorgio Moroder - feita em 1984 com uma trilha sonora futurista - vai achar que está vendo outro filme, e de óculos, pois a imagem está nítida. Caso não encontrem em Blu-Ray ou DVD recomendo baixar via torrent a versão Metropolis 1927 2010 COMPLETE 720p BRRip x264-BeLLBoY.mp4, que tem inclusive legendas revisadas por mim, lá no legendas.tv.


SINOPSE

Num mundo futurístico - que é a extrapolação da revolução industrial - a sociedade vive em uma verdadeira metrópole não muito diferente da nossa (com direito até a engarrafamentos!). Porém ela está rigidamente dividida em duas grandes classes: Os cidadãos na cidade superior, curtindo o melhor que a tecnologia pode proporcionar em termos de transporte e diversão, e embaixo os operários, vivendo numa cidade subterrânea com suas famílias e trabalhando 10 horas por dia em condições terríveis para manter as máquinas que fazem com que as regalias da cidade superior não parem nunca.

Comandados de cima pelo industrial frio e calculista Joh Fredersen, esses operários-escravos vivem uma vida de trabalho duro, e pipocam aqui e ali planos de revolta dos trabalhadores. Essa revolta é aplacada por Maria, uma mulher simples da classe trabalhadora, que com seu encanto prega a compreensão e o amor aos "irmãos" da cidade alta, e lhes promete que um dia chegará um mediador vindo do "alto" que supostamente lhes dará melhores condições de vida (embora isso não seja dito). Esse mediador acaba sendo o filho do industrial Fredersen, Freder, que ao se apaixonar por Maria resolve descer à cidade subterrânea e se comove com a vida dos operários, decidindo até mesmo trocar de lugar com um deles pra se aproximar de Maria.

Entretanto, Joh Fredersen descobre que Maria exerce grande influência nos trabalhadores e resolve, com a ajuda de Rotwang (uma espécie de cientista maluco), raptá-la e trocá-la por uma réplica perfeita - um robô - e assim criar intriga entre eles, fazendo com que não se unam em torno de uma revolta (a velha tática de dividir para conquistar).

Só que Rotwang tem inveja de Joh Fredersen e sua criação (Metropolis), e pretende com a falsa-Maria desorganizar todo o sistema. Antes de botar o plano em prática, Rotwang (que também usa magia negra) resolve testar a falsa-Maria entre os 100 mais ricos de Metropólis, manipulando-os através do entretenimento e da luxúria. Uma vez corrompida e controlada a burguesia, é hora de incitar os trabalhadores a se rebelar e quebrar as máquinas. Pregando o ódio, a falsa-Maria cega os trabalhadores para o alerta de Freder (a esta altura misturado aos trabalhadores) de que a verdadeira Maria nunca diria isso, e para o fato de que a quebra das máquinas prejudicaria mais aos trabalhadores e suas famílias do que as pessoas de cima.

Inconsequentemente, os trabalhadores quebram a máquina principal - com a conivência de Joh Fredersen, que deixa que se rebelem utilizando-se de violência, para que dê a ele o direito de usar a violência contra os trabalhadores, no que me lembrou muito o 11 de setembro - mas esquecem suas crianças na cidade subterrânea, que começa a quebrar e ser inundada pelas águas. O clímax do filme eu não vou contar, até porque não importa na análise, mas no fim chega-se a termos entre a cabeça (Joh Fredersen) e as mãos (Os trabalhadores) através do coração (Freder).



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Cinema - publicado às 2:05 PM 43 comentários
CRIATURAS SOBRENATURAIS DO JAPÃO
sáb, 5 de fevereiro, 2011
 


    K. Uehara & H. Ueko - Mystical Ninja Medley
O pouco conhecido mundo sobrenatural do Japão me fascina desde que vi Yuyu Hakusho. Esse anime me pegou de surpresa, pois mostrou conceitos que acreditava só existirem no espiritismo. Como meu conhecimento sobre espíritos japoneses é limitado (a língua não ajuda), peguei então os maravilhosos textos do blog Magia Oriental, escritos por Aoi Kuwan (Bruna) e compilei-os. Caso queiram se aprofundar no tema, basta acompanhar os posts referentes a isso na categoria Youkai do blog.


A ALMA HUMANA

Antes de falarmos sobre fantasmas, vamos ver como é composta a alma humana de acordo com o Shinto.

O shintoísmo possui quatro elementos formadores de sua doutrina: Mei, a vida, Rei, o espírito, Ki, a energia vital, e Kon, a alma. Mei e Ki são dois conceitos fáceis de entender por si só. O problema mesmo reside em diferenciar Rei de Kon, o espírito da alma.

Rei é a energia espiritual propriamente dita, a força-espírito, o espírito divino, a centelha espiritual ou divina, dentre outros sinônimos que vocês queiram dar. É a energia que está "acima" de nós e nos "rodeia".

Kon, por sua vez, é a energia-pensamento. É o intelecto, a reunião dos pensamentos a nível consciente, sub-consciente e inconsciente.

Para exemplificar como esses quatro elementos agem, podemos usar como exemplo a criação de uma forma-pensamento. Quando criamos uma forma-pensamento, nós podemos dizer que criamos um ser que possui kon, mas que precisará de rei para transformar em ki para manter a sua mei.

Em relação aos seres humanos, dizemos que eles possuem waketama, que significa almas separadas individualmente. Isso porque a Kon dos humanos é composta de quatro partes, quais sejam, aramitama (coragem), nigimitama (amizade), sachimitama (amor) e kushimitama (sabedoria).

A alma humana é chamada de reikon, a junção dos elementos rei e kon. Especificamente, ichirei shikon, ou um espírito e quatro almas. Quando um ser humano morre, seu espírito (rei) e duas das quatro almas (sachimitama e kushimitama) vão para o outro mundo, enquanto que a aramitama e a nigimitama permanecem nesse plano. Como a aramitama está associada ao corpo físico, ela acabará por se desintegrar, restando apenas a nigimitama, que também irá desaparecer, mas num processo que levará um pouco mais de tempo.

Eu gosto de fazer comparações com a Suma Teológica de São Tomás de Aquino, onde ele divide a alma humana em três, a alma intelectiva, a alma sensitiva e a alma vegetativa, sendo que estas duas últimas também se desintegram, assim como a nigimitama e a aramitama, fazendo-se as respectivas associações, permanecendo apenas a alma intelectiva, que seria a sachimitama e a kushimitama juntas.

Adiantando um pouco o assunto, se houver um desequilíbrio na reikon de uma pessoa, entre as suas "quatro almas" (geralmente a nigimitama, que quando em desequilíbrio, está ligada ao ódio, ao egoísmo e ao apego), ela pode vir a se tornar um fantasma, um Yuurei. Assim, como é a nigimitama que permanece por maior tempo nesse plano, ela "segura" o restante das almas, impedindo que o espírito da pessoa parta para o outro mundo.

É o mesmo princípio ocidental de "assuntos inacabados" e "vinganças pessoais". Quem assistiu "O Grito" (Ju-on) talvez se lembre da frase que inicia o filme: "quando uma pessoa morre num momento de extremo ódio, nasce uma maldição".


YOUKAI

Antes mesmo de se falar em youkai, é necessário falar sobre o kanji You que compõe a palavra. Além disso, prometo que ao final desse post, vocês vão entender porque é que os japoneses morrem de medo de meninas mortas com o cabelo no rosto, ou não.


Youkai = You + kai

You é comumente traduzido por atraente, sedutor, encantador e calamidade. O termo mais fácil para entendermos a acepção de you é encantador. Isso porque essa palavra nos remete a encantamento, o que traz a conotação de algo sobrenatural (feitiço, magia). Agora vocês perguntam: "Certo, e o que atraente, sedutor e calamidade têm em comum?" As mulheres, obviamente. Os kanji são formados a partir de outros kanji básicos, e com you não é diferente. Ele é composto pelos kanji onna e you. Onna significa mulher, que dá à luz novas vidas e que, desde que o mundo é mundo, está sobremaneira ligada a Yesod, ou o plano astral. Já you (o segundo you) significa ter uma morte precoce ou calamidade. Assim, podemos entender you (o primeiro, que usamos para escrever youkai, yousei e youma) como uma mulher que morreu jovem, prematuramente, numa calamidade. A morte prematura de uma mulher jovem é um infortúnio, sem dúvida nenhuma.

Dito isso, podemos falar de youkais agora.

Já vimos acima o que significa you. Kai significa mistério, suspeita e aparição. Juntando os dois nós temos uma jovem mulher morta e misteriosa, geralmente bela e sedutora, que surge do nada. Sendo essa a origem, a palavra Youkai é, na verdade, um termo genérico para designar todas as formas de entidades e de criaturas sobrenaturais. Fantasmas, espectros, espíritos, shapeshifters, ogros, fadas, anjos, demônios, deuses, kamis, sereias, etc, etc, sejam eles bons ou ruins, todos eles são chamados de youkais.

Por isso que é tão comum ouvirmos e lermos por aí que youkais são "demônios". É sempre muito fácil demonizar as crenças dos outros. Um youkai não é necessariamente bom ou mau. Assim como temos pessoas más, vamos ter youkais maus também. Os maus são chamados genericamente Youma. Especificamente, temos outras palavras para designar certas criaturas malvadas, como Akuryou, por exemplo, que significa uma criatura que possui uma essência espiritual malvada, um Majin, que significa um Kami mau, e assim por diante.


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Budismo, Metafísica - publicado às 12:55 AM 33 comentários