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BAPHOMET E AS MENTIRAS
qua, 29 de dezembro, 2010
 



George Washington


Baphomet

Por que o primeiro presidente dos EUA - o "Pai da Pátria" - está eternizado nesta estátua com mesma posição que o coisa-ruim? Só pode ser uma mensagem maçônica de que o capeta é o Senhor desse país, certo?



Certo?!

Errado.


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Holismo - publicado às 9:09 PM 101 comentários
ISRAEL DERRUBA OVNI
seg, 27 de dezembro, 2010
 


A Força Aérea de Israel derrubou um OVNI (Objeto Voador não-identificado) no dia 16 desse mês:

A agência Reuters divulgou agora há pouco que um avião israelita abateu nesta quinta-feira (16) um objeto voador não identificado suspeito que sobrevoava a central nuclear na cidade de Dimona, segundo informe da segurança. As autoridades do país investigam o incidente. Um alerta emitido na seqüência do avistamento do objeto levou à suspensão de todos os vôos civis na região sul do país. Possivelmente algum tipo de balão, "definitivamente sobrevoou Dimona. Nós ainda estamos tentando determinar a quem estava subordinado e agora o Exército está cuidando do assunto", informou um porta-voz. A Força Aérea acabou derrubando o artefato, aparentemente não tripulado, que tinha entrado em zona de exclusão aérea. Não há até ao momento informação sobre a origem do aparelho, que segundo a imprensa local teria algum grau de sofisticação.

O usuário do fórum .gospel Peter Leal postou sobre o fato:

Conversei agora pouco com um chaver que é das IDF (Forças de Defesa de Israel) e ele disse que já é certo que não é um balão, porque segundo informações que ele tem lá dentro, sabe-se que o objeto tinha um sistema de propulsão incrivelmente veloz. Tão rápido que mesmo tendo sido disparado o sistema de neutralização assim que ele cruzou o espaço aéreo proibido ainda percorreu uma longa distância, portanto era uma velocidade muito grande.

De qualquer forma, seja o que for (por até ser um avião espião não-tribulado) já virou pó.

A propósito, conselho baseado no Talmud: se algum dia você tiver a oportunidade de estabelecer o chamado "contato de terceiro grau" com alienígenas, NÃO O FAÇA. Corra ou esconda-se, se não tiver pra onde fugir. O contato com tais seres pode ter um saldo traumático ou mesmo mortal.

O que o Talmud fala sobre alienigenas?

Fala de seres existentes em outros planos fora da Terra, que tem barreiras de diversas naturezas que os impedem de se comunicarem conosco. Mas também fala que essas barreiras em ocasiões especiais podem transpostas por alguns e como isso pode causar uma confusão entre os homens eles raramente tem permissão de fazer isso.

No entanto, fala que o tikum olám (redenção do universo) tem ênfase primordial no homem e não nesses seres. Não que eles não façam parte de toda essa estrutura, mas sim que é no homem que reside o "fundamento" do tikum olám.

Interessante, não? Já falei aqui sobre o perigo de um contato imediato, portanto SAI PRA LÁ, BILU!


 
Judaísmo, Ufologia - publicado às 3:57 PM 45 comentários
FUNK DOS ILUMINADOS
sex, 24 de dezembro, 2010
 


"Vai, iluminada!"

Feliz Natal Iluminado! São os votos de Acid e Paula pros leitores do Saindo da Matrix, agradecendo o carinho, críticas construtivas e elogios de todos nesse ano cheio de emoções! Em 2010 o blog conquistou (graças tão-somente aos votos de vocês) o terceiro lugar no concurso Top Blog (o primeiro foi o Teoria de Conspiração, do Del Debbio! VIVA!), eu saí de Zion para me mostrar na Matrix da MTV, e aproveitando o gancho egomaníaco ainda fui novamente a SP para minha primeira palestra realmente pública e "oficial". O que o futuro reserva ao Saindo da Matrix? Não sei, mas a dominação mundial continua entre as minhas metas anuais.


 
Geral - publicado às 1:36 PM 29 comentários
A MOEDA DE OURO
qua, 22 de dezembro, 2010
 


Por Malba Tahan. Enviado por Davi Furlan

Quem andava pela porção nobre de Bagdá durante o reinado do benevolente Califa Haroun Al-Raschid maravilhava-se com mansões gloriosas como o nascer de um Sol, que se sucediam em meio a jardins magníficos que eram verdadeiras jóias encrustadas na Capital dos Crentes: cada uma delas uma obra de arte única.

Eis que um dos palacetes sobressaía-se, não pela beleza de sua compleição (embora frases do Profeta adornassem em baixo relevo sua fronte, e a beleza de seus minaretes fosse um espetáculo em si), mas pelo abandono em que se encontrava. Em seus vastos jardins árvores quase secas pareciam lutar para manter o que ainda nelas havia de verde, e mato crescia sem que nada além do inclemente sol da cidade o censurasse; as paredes estavam escurecidas pela sujeira como se há anos nenhuma alma se preocupasse com isso.

Quem perguntasse ouviria com desdém que ali morava um velho de nome Hassan Ibn Ahmad, cujas pernas lhe falhavam e não mais lhe permitiam cuidar de seu jardim. O viajante curioso descobriria também que o velho não tinha filhos que zelassem pelo pai idoso, ou esposas; vivia sozinho e não havia em toda Bagdá quem aceitasse trabalhar em sua casa.

Ocorria que durante toda sua vida Hassan Ibn Ahmad exercera o ofício de embaixador para o próprio Califa, e para o pai do Califa antes dele, vivendo em meio a infiéis e bárbaros, presenciando os atos mais baixos contra a cultura e a fé do glorioso povo árabe. E não havia em todo o Mercado de Bagdá quem não afirmasse com pesar que tantos anos entre inimigos do Profeta haviam corroído a alma do erudito Hassan, afastando-o da doutrina de Alá. Assim o velho vivia sozinho, afastado dos olhos de todos.

Certo dia Haroun Al-Raschid anunciou para espanto de todos que faria uma visita a Hassan Ibn Ahmad, antigo funcionário do governo. O vizir Taruk Ibn Nassim opôs-se, relatando ao glorioso Califa o que se dizia na cidade sobre o velho, ao que o Chefe dos Crentes ouviu em silêncio, limitando-se a sorrir no final e a ordenar que os preparativos fossem feitos e a tranquilizar o vizir com palavras amenas.

A passagem do Descendente do Profeta pelas ruas da cidade era sempre um espetáculo. À opulenta comitiva seguiam centenas de fiéis que glorificavam Alá e o Califa que Ele havia lhes enviado. Sentado ao lado do Califa estava o vizir Taruk Ibn Nassim, que insistentemente repetia:

- Ó glorioso Califa, eu afirmo pela escassa sabedoria que Alá me concede: pouco tens a ganhar visitando uma alma suja como o velho Hassan Ibn Ahmad, que os céus tenham piedade de sua alma! Os anos de iniquidade em meio à barbárie desmancharam a virtude do embaixador, como o povo bem sabe! Tal pessoa não faz jus à presença iluminada do Chefe dos Crentes em sua casa, ó glorioso Haroun Al-Raschid!

O Califa ouvia desatento as palavras do invejoso vizir, enquanto acenava para o povo que se aglomerava em volta; colocou, então, a mão dentro de uma bolsa ricamente ornada como se procurasse algo. Tirou de lá uma moeda de ouro e observou-a por alguns momentos, em silêncio; ela então caiu de sua mão, indo até o chão enlameado por onde a comitiva caminhava. Com uma aparência contrariada, ordenou que todos parassem.

- Taruk, meu fiel vizir - disse - acaba de cair de minhas mãos uma moeda de cobre que me é muito cara, pois eu iria entregá-la a um mendigo que vi há pouco. Faça-me um favor, desça e a recupere para mim.
- Imediatamente, ó Luz na Terra, mas me permita discordar e observar que relembro com toda a certeza ter visto uma moeda de ouro em vossas mãos! - respondeu o vizir, recuperando a moeda em meio à lama e limpando-a em suas ricas vestes. - Vês, senhor? É uma moeda de ouro, como nova!
O rosto do Califa iluminou-se.
- Que Alá seja louvado! Como essa moeda, meu bom Taruk, é o ilustre Hassan Ibn Ahmad. Nem toda a lama do inferno pode corromper o que é puro como o ouro, e mais pura que o ouro é a alma do homem honrado que adora o Altíssimo!

O vizir abaixou a cabeça, envergonhado, e a comitiva seguiu em direção a um Hassan Ibn Ahmad que aguardava na soleira da porta, sorridente, que olhava o Califa Haroun Al-Raschid com os olhos transbordando uma ternura que existe apenas quando se revê um velho e querido amigo.


 
Sufismo - publicado às 5:36 PM 13 comentários
A VERDADEIRA VONTADE DE POTÊNCIA
seg, 20 de dezembro, 2010
 


    Mozart - As Bodas de Fígaro (Abertura)
Por Franco Atirador

Palavras são animais traiçoeiros, que arrastam consigo toda a história de sua utilização pregressa. Ao escolhermos uma palavra corrente para designar um conceito novo, seus sentidos coloquiais permanecem na sombra, à espreita, e acabam engolindo o novo com a bocarra insaciável do familiar. Foi esse o risco em que Friedrich Nietzsche incorreu ao definir o conceito central de seu sistema - porque Nietzsche era um pensador sistemático, embora a forma de apresentação de suas idéias fosse assistemática - como Vontade de Potência (Wille zur Macht). Foi esse também o equívoco de Aleister Crowley quando, inspirado por Nietzsche, definiu o que há de mais fundamental no universo como Verdadeira Vontade (True Will).

Tanto um quanto o outro queriam fugir do preconceito substancialista que consiste em definir o Ser em estado puro, a realidade-em-si, como um sujeito sobrenatural, isto é, como uma entidade dotada de qualidades antropomórficas (como quando pensamos no Espírito impessoal como um espírito personalizado, uma cópia etérica de nós mesmos, geralmente com o requinte de dotá-lo de braços, pernas e cabeça). Em uma palavra, Nietzsche e Crowley (que provavelmente se inspirou em Nietzsche, embora o filósofo não apareça na bibliografia que ele indica em Magick in Theory and Practice) pretendiam combater a noção de que nossa essência espiritual fosse um ego semelhante ao que imaginamos carregar dentro de nossas cabeças, só que livre das limitações materiais deste último. A prova disso é que uma parte significativa dos aforismas de Nietzsche é uma análise dos processos por meio dos quais os preconceitos psicológicos e hábitos lingüísticos produzem a falsa crença em um ego, assim como Crowley definiu a Travessia do Abismo como o ponto em que o sujeito é estripado de si mesmo e as ilusões do ego lhe são arrancadas pela pressão exercida pelas forças impessoais das Sephiroth superiores, Binah e Hockmah.

Mas palavras são animais traiçoeiros, etc. Se a escolha da Vontade como metáfora básica para o substrato último da realidade, por um lado, permite escapar da idéia ingênua de que esse substrato seja uma substância e, mais ainda, uma substância pessoal (isto é, um sujeito), por outro, ao se tratar de um vocábulo derivado da linguagem psicológica, empurra o leitor inevitavelmente para a tentação de interpretar essa Vontade como a minha vontade, dessa forma reintroduzindo o ego através do ato mesmo pelo qual se pensava tê-lo exorcizado. Deus sabe o que os nazistas fizeram ao se apoderar da Vontade de Potência (com a cumplicidade canalha da irmã e do cunhado de Nietzsche, que não tiveram escrúpulos em torcer, mutilar e adulterar os escritos do filósofo para fazê-lo caber na perspectiva estúpida e canhestra do pintor de paredes austríaco). Deus sabe também quantas barbaridades egocêntricas e atitudes prepotentes já não invocaram em vão o santo nome de thelema, a palavra grega para "vontade" que está no coração do sistema de Crowley. Deus sabe - mas afinal, Deus está morto, esse Deus pensado de forma igualmente prepotente e egocêntrica, e não por acaso, uma vez que ele é ao mesmo tempo a matriz e a hipóstase desse sacrossanto eu pessoal, a quem atribuímos uma vontade também ela personalística.

Por outro lado, esse Deus pessoal é, em última análise, uma personificação, uma representação grosseiramente antropomórfica daquilo mesmo que Nietzsche chamava de Vontade de Potência, bem como da True Will de Crowley, e que, para ser bem compreendido, deve ser pensado em termos análogos aos do Brahman hindu, do Dharma budista ou do Tao chinês. Poderíamos dizer que se trata uma força, mas isso também seria uma metáfora que, se tem a vantagem inegável de ser impessoal, do outro já anda em franco processo de deterioração sob o efeito implacável da entropia semântica. Quantas vezes já não ouvimos uma riponga deslumbrada ou um neueigista descolado exclamarem que, "ah, Deus pra mim é uma energia", quando na verdade continuam a pensá-lo como um Papai do Céu tranqüilamente sentado sobre as nuvens - se duvidar, cofiando sua portentosa barba branca enquanto aspira o delicado perfume dos incensos queimados em Sua honra? E como se pode fazer alguma coisa em honra de Alguém se, precisamente, esse alguém não for imaginado como alguém?

Nietzsche, porém, é bastante claro ao dizer que a Vontade de Potência não se confunde em momento algum com a vontade psicológica, não é um impulso para a ação que emanaria de um sujeito determinado, com desejos e necessidades específicos. Muito pelo contrário, é a Vontade de Potência que cria o sujeito, o qual não passa de um efeito de perspectiva ilusório. Mais ainda, a Vontade de Potência não só precede o sujeito, mas o próprio ser humano. De fato, à medida que Nietzsche aprofunda o conceito, o caráter originário da Vontade de Potência vai se tornando cada vez mais evidente, até que, no final, ele a coloca como anterior até mesmo à vida, à matéria e a própria realidade, que nascem todas de sua ação, assim como, no pensamento taoísta, a pluralidade das coisas provém do Tao primordial.

Encontraríamos afirmações semelhantes em Crowley, se eu não estivesse com preguiça de procurar as passagens pertinentes. ;-)

Como explica a prof.ª Scarlett Marton: "A vontade de potência é o impulso de toda força a efetivar-se e, com isso, criar novas configurações em sua relação com as demais." É por esse motivo que a tradução habitual de Wille zur Macht como "vontade de poder", se não está errada do ponto de vista lingüístico, é inteiramente inadequada filosoficamente falando. As primeiras formulações nietzscheanas do que depois viria a se tornar a Vontade de Potência surgiram de suas reflexões sobre os gregos, e é no sentido grego que ela deve ser compreendida. Não se trata de potência como poder, mas como potencial (em grego, dynamis). A Vontade de Potência é o impulso para realizar todos os potenciais do ser, todas as suas possibilidades. Manifesta-se concretamente sob a forma de duas forças opostas que estão presentes na filosofia de Nietzsche desde seu primeiro livro, O Nascimento da Tragédia: Apolo e Dionísio. Apolo é o impulso para criar formas, estruturas e configurações, e Dionísio é o impulso para dissolver essas formas a fim de dar espaço para novas configurações.

Ok, aqui é o ponto em que o yin transforma-se em yang, e eu não estou falando de Apolo e Dionísio como personificações do par yin/yang, mas do movimento interno da própria filosofia de Nietzsche. Em princípio, poderíamos supor que nada poderia estar mais distante de um pensamento tão anti-essencialista e anti-substancialista do que o conceito de arquétipos, pelo menos tal como estes são vulgarmente entendidos, isto é, como objetos eternos ou entidades universais. Mas, mencionei isso há poucos dias, a compreensão vulgar da idéia de arquétipos não poderia estar mais distante da verdade. Vimos que, para Jung, é impossível determinar o que os arquétipos são em si mesmos, uma vez que eles são incognoscíveis, inacessíveis à observação direta. Da mesma forma, em vários momentos, Nietzsche fala sobre a impossibilidade de definir a Vontade de Poder, que só pode ser observada indiretamente, através do movimento pelo qual ela cria e dissolve configurações e estruturas. E como é que, de acordo com Jung, tomamos conhecimento da existência dos arquétipos? Através das estruturas e configurações que eles criam em nossa psique e, na verdade, na própria realidade que percebemos (afinal, o que é a sincronicidade, senão a criação de um padrão arquetípico no que nos aparece como sendo o mundo exterior?). Se isso não for o bastante para estabelecer, senão a identidade, pelo menos a afinidade entre a Vontade de Potência e o arquétipo junguiano, lembremos que este último descende, por meio de um vasto percurso que não é o momento de acompanhar (e que vai das Idéias platônicas à Coisa-em-si - Ding-an-sich - de Kant) da noção pré-socrática de arché como princípio fundamental da realidade. E o que nos diz a prof.ª Scarlett Marton sobre a Vontade de Potência? "Mais próximo da arché dos pré-socráticos que da entelechéia de Aristóteles, o conceito nietzscheano constitui um dos principais pontos de ruptura em relação à tradição filosófica."

Mas alto lá! Quem acompanha meus delirantes posts desde os tempos do http://atirador.zip.net deve se lembrar que já tropeçamos com a arché pré-socrática quando estávamos falando sobre Dionísio e a superposição coerente da mecânica quântica (em um post que espero futuramente incorporar ao Franco-Atirador Replay). E aqui, o círculo se fecha, porque para o pré-socrático Anaximandro, o arché era uma unidade indiferenciada (que ele chamava de apeiron, "ilimitado"), o qual contém em si o potencial (dynamis) de todas as coisas, que vêm à existência através do mesmo conflito universal que Nietzsche via como a principal forma de manifestação da Vontade de Potência. Não é de admirar que Nietzsche só tivesse palavras elogiosas para Anaximandro, ainda que criticando a tendência deste último a interpretar o vir-a-ser como um fardo a ser expiado. Apesar de o texto de Nietzsche sobre Anaximandro (contido no § 4 de A Filosofia Trágica na Época dos Gregos) ser anterior à formulação final da Vontade de Potência pelo pensador alemão, não é difícil reconhecer esta última na paráfrase que Nietzsche faz das idéias do grego sobre o apeiron: "O ser originário assim denominado está acima do vir-a-ser e, justamente por isso, garante a eternidade e o curso ininterrupto do vir-a-ser. Essa unidade última naquele 'indeterminado', matriz de todas as coisas, por certo só pode ser designada negativamente pelo homem, como algo a que não pode ser dado nenhum predicado do mundo do vir-a-ser que aí está, e poderia, por isso, ser tomada como equivalente à 'coisa-em-si' kantiana."

É quase nos mesmos termos que Jung descreve o arquétipo psicóide em A Natureza da Psique, estabelecendo até mesmo a correlação entre ele e a Ding-an-sich de Kant. Pois bem, nessa mesma época, como vimos, Jung estava trabalhando com o físico Wolfgang Pauli na possível identidade entre os arquétipos e a condição indiferenciada da matéria que a mecânica quântica chama de superposição coerente. E o que é a superposição coerente? O entrelaçamento de todos os estados potenciais de cada objeto (isto é, Dionísio como a dissolução de todas as formas determinadas) que buscam se atualizar em uma situação concreta (ou seja, Apolo como a configuração determinada de um conjunto desses potenciais). Para resumir a equação: Vontade de Potência = apeiron = arquétipo = superposição coerente = Vontade de Potência.
Como se vê, estamos muito longe da simplória leitura nazista da Vontade de Potência como o direito da raça superior de dominar e até destruir as raças inferiores.

Para terminar, resta apenas mostrar onde é que a Verdadeira Vontade de Crowley se encaixaria nessa equação. Para isso, basta lembrar que a principal personificação da True Will nos escritos de Crowley é o deus egípcio Ra-Hoor-Khuit, um dos epítetos de Hórus, a respeito de quem ele escreve logo no capítulo 0 de Magick in Theory and Practice:

O Espaço infinito é chamado a Deusa NUIT, e o ponto infinitamente pequeno e atômico, no entanto, Onipresente, é chamado de HADIT. Estes são imanifestos. Uma conjunção destes dois infinitos é chamada RA-HOOR-KHUIT, uma Unidade que inclui e dirige todas as coisas.


 
Filosofia - publicado às 10:47 PM 167 comentários
AS DUAS PIPAS
qui, 9 de dezembro, 2010
 


Estava eu olhando o céu e apreciando num fim de tarde ensolarada duas pipas a flutuar pelo céu. A cena parecia bucólica, relaxante. Por um momento desejei ser a pipa a planar nas correntes de ar, saboreando a vista do alto. De repente, uma das pipas despenca sem coordenação, sendo arrastada ao sabor do vento. Percebo então que as duas pipas estavam em competição mortal.

Fiquei pensando: quando foi que deixamos de apenas brincar com pipas para mergulhar numa guerra infantil por supremacia aérea?

A natureza é violenta, mas é uma violência por sobrevivência, ou seja, alimento ou defesa. Os animais "irracionais" dificilmente matam por diversão (Orcas entediadas talvez matem). Nós matamos. Seja por território, esporte, lazer ou qualquer motivo banal. É uma forma de treinar nossas habilidades, seja matando tartarugas em Super Mario, seja no ritual de iniciação dos espartanos, onde o jovem guerreiro devia matar um "qualquer" antes de ser aceito no grupo. Gostaria de acreditar que evoluímos nesse quesito como sociedade desde os espartanos, mas os assassinos do índio Pataxó não me permitem fazer essa leitura.

Olhando para o céu, para aquela pipa que restou, cercada por aquela imensidão azul, não pude deixar de pensar: não há céu suficiente para todos?


 
Pensamentos - publicado às 5:58 PM 66 comentários
JUNG E O OCULTISMO NA MÍDIA
sáb, 4 de dezembro, 2010
 


Finalmente a tão aguardada palestra do I Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas. A palestra versa sobre o lado positivo do ocultismo, na figura do Hermetismo, que nos é passado inconscientemente através da mídia (contos, mitos e filmes) por gerações e gerações. E Jung será o guia e intérprete nisso tudo, fornecendo de forma didática as explicações que coadunam com os princípios heméticos e atuam diretamente no nosso inconsciente, nos proporcionando a sensação de "magia" do cinema, ou de alguma história que nos toca porque reflete nossa própria história espiritual.

Para aproveitar o máximo da palestra, eu sugeriria que vissem antes os seguintes filmes:

A fonte da Vida

Star Wars (os três primeiros, a saber: Guerra nas Estrelas, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi)

Matrix (os três filmes, com ênfase no último)

V de Vingança

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Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4 (final) Recomendo colocar em alta resolução (720p) e tela cheia pra assistir


Referência:
Filmes recomendados pelo Saindo da Matrix;
Carl Jung Reloaded
Jung e a Alquimia;
A música Stairway to Heaven sob a luz da Cabala


 
Cinema, Geral, Metafísica, Psicologia - publicado às 7:28 PM 95 comentários