Saindo da Matrix

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    • RELATO DO SIMPÓSIO DE HERMETISMO 2

      ter, 30 de novembro, 2010

      "Quando o homem e a ciência reconhecerem o homem espiritual e sua obra, o homem e a ciência estarão juntos no caminho para Deus"
      (Papus)

      Ontem na correria pra fazer o post acabei esquecendo que um dos momentos mais infladores de ego de toda a viagem ocorreu no primeiro dia, que foi o jantar de confraternização. Cada palestrante tinha sua mesa, onde as pessoas da platéia se inscreviam pra jantar com tal palestrante. Obviamente minha mesa foi disputada a tapa e cruciatos, e por fim tiveram de tirar no cara-ou-cora pra ver quem teria a honra de se aproximar de mim. Ok, brincadeira, na verdade tinha até lugar sobrando e uma participante da Mesa-redonda que não sabia onde sentar resolveu ficar por lá, mesmo :P

      Foi excelente o jantar, a conversa, as pessoas muito legais, me senti ótimo e querendo que aquela noite durasse mais e pudesse conversar melhor com cada um (o que, infelizmente, não foi possível). Mas conheci o one-man-show do Simpósio, o divertidíssimo Platão.


      Joinha!

      Pois bem, no segundo dia do I Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas resolvi ir de azul, já que no primeiro dia eu tinha resolvido ir de preto pra me misturar na multidão e aconteceu da platéia resolver usar roupas das mais diversas cores. Dessa vez o despertador funcionou, mas a excitação da noite anterior cobrou seu preço em forma de cansaço e saímos tarde pro café-da-manhã, o que nos custou parte da palestra de Frater Goya sobre Magia Enochiana. Quando chegamos lá no salão nos chamaram correndo pra alguma coisa que iria acontecer e seria preciso fechar as portas e ninguém mais poderia entrar (ou sair). Entramos correndo. Pra nossa surpresa estavam duas pessoas vestidas com manto e capuz pretos, como os Dementadores de Harry Potter. "Oh, oh" - pensei - "I'm not in Kansas anymore". Pra completar boa parte da platéia resolveu ir de preto e eu ali de azul, como um peixe fora d'água. Como praticamente caímos de para-quedas ali, não pudemos acompanhar o que significava o ritual nem o sentido por trás daquilo, mas depois eles explicaram que foi invocada uma energia pra causar uma certa sensação nos participantes, mais ou menos como um teste. Não vou entrar em detalhes porque realmente fiquei sem saber nada sobre Magia Enochiana (nunca chegue atrasado numa palestra dessas).

      Depois tivemos a palestra de Carlos Brasílio Conte (o mesmo da mesa redonda) sobre As 7 Grandes Leis Herméticas. Foi a oportunidade pra quem não conhece sobre Hermetismo se inteirar (acho até que seria proveitoso para os neófitos terem visto isso no primeiro dia). Ele falou dos 7 princípios herméticos, sobre as origens da civilização, os Atlantes, etc. Depois fez uma meditação no estilo da Fraternidade Branca.

      Pausa pro almoço, e lá vou eu comer um Lamen bem do lado do hotel. Depois de um bom tempo esperando, eis que chega um pote fumegante de cheiro nauseabundo. Na segunda "palitada" sinto um "crunch" na boca, e de dentro dela tiro um arame de quase 2cm retorcido. A indignação pelo gosto ruim se somou à indignação por este atentado ao consumidor e saímos sob o pedido de desculpas da dona, que sabia até de onde vinha o arame (talvez não seja a primeira vez que isso ocorre). Esse "evento", somado ao fato de ter de procurar outro lugar pra comer me fez perder a palestra do Prof. Edmundo Pellizzari A Sabedoria da Kabalah: os segredos dos antigos Rabbis para o mundo de hoje, que pra mim era a mais aguardada do dia. :/ Todo mundo falou que foi excelente, então fica o registro.

      Após isso tivemos o jovem Renan Romão apresentou o Iluminismo Científico: Método da Ciência, Objetivo da Religião, onde o mago Aleister Crowley propôs essa nova abordagem do ocultismo baseado em quatro princípios: Querer, Saber, Poder e Ousar.

      Depois do revigorante Coffe Break tivemos a palestra de Patrícia Fox, com HIEROGAMOS - O Casamento Sagrado - Arquétipos e Mitos, onde basicamente foi abordado o contraste do sagrado feminino com o devasso feminino, com belos slides.

      Por fim tivemos Ione Cirilo com Xamanismo: Prática ancestral de cura pela imaginação. Confesso que depois das brigas aqui no blog sobre a Ayahuasca eu estava preparado pra qualquer coisa bizarra, mas me surpreendi positivamente com a força, a energia e a segurança de Ione. Estava ali alguém que falava com autoridade e definitivamente não era da turma do oba-oba. Quando questionada sobre tomar plantas de poder, ela disse "se me chamarem pra tribo, pra tomar no ritual deles, eu vou. Aqui, não.". Ou seja, a importância do contexto do local, do rito e da preparação psicológica, que eu tanto bati aqui, ela reforçou. E falou dos males psicológicos que podem advir de tomar isso indiscriminadamente.

      O fato é que o tambor xamânico JÁ FAZ você viajar (estado de transe) apenas com o som ritmado, de cara limpa. E no encerramento todos nós pudemos constatar isso, com vários tambores que foram espalhados ao redor da sala agora escura, tocando em uníssono. A idéia era descobríssemos nosso animal de poder. Cada pessoa deveria se imaginar entrando por uma floresta e encontrando uma gruta, onde na frente dela apareceria seu animal. Pra quem já o conheceu anteriormente, a missão era reencontrá-lo e dançar com ele em volta de uma fogueira, e depois questioná-lo sobre qual o aprendizado mais importante daqui do Simpósio que deveria ser trabalhado em você.
      Eu não conhecia o meu animal, e achava que dificilmente eu relaxaria em 10 minutos o suficiente pra entrar numa jornada dessas, mas embarquei. Mantive minha mente sob rédea curta, não deixando que o consciente interferisse muito nos detalhes da floresta ou inventasse um animal (o tempo todo me vinha um lobo à mente, mas só porque "xamã" e "tambor" eu associo logo a lobos!). Vários minutos se passaram sem sucesso, apenas embriagado pelo rufar dos tambores, e aí eu meio que me desconectei do processo e fiquei só curtindo o momento. Foi aí que apareceu não a floresta, mas um índio Apache (ou algo do tipo). Fiquei vendo-o dançar e ao lado dele um cachorro (ou coiote). Sua dança hipnótica foi formando naturalmente uma floresta, que eu me prontifiquei a percorrer. Uma floresta luminosa, quase cegante, feita de mata densa. Ao final do caminho uma gruta, e na frente da gruta um lobo branco, quase igual ao Ookami. Seguindo as orientações prévias de Ione, perguntei a ele se era meu animal de poder. Ela tinha dito que ele confirmaria de forma que não deixaria dúvidas, mas o lobo simplesmente agiu como idiota e ficou com a língua de fora, olhando pro alto. Caso não fosse, Ione tinha dito pra seguir em frente, então o fiz. Dessa vez a floresta deixou de ser luminosa, e passou a se tornar escura e esquisita. Pude achar uma pequena gruta, escondida entre as folhagens, mas nada de animal. Eis que ele surge, sem nenhum alarde, e que diferença para o garboso lobo... Meio que a contragosto eu perguntei se era ele, e a confirmação foi parecida com a forma de um símbolo esotérico que quase me fez cair da cadeira, tamanha a energia. Me recompus e pude voltar mentalmente para a floresta, onde vi o meu animal com a fogueira acesa e pude dançar em volta com ele, e ainda deu pra fazer a pergunta e obter uma resposta que me desarmou e serviu como confirmação de que aquilo não era mesmo meu consciente pregando peça. Não vou entrar em detalhes porque não é bom ficar dizendo seu animal de poder na internet, mas logo após o final da cerimônia entrei na internet e fui ver o que aquele animal simbolizava, e (sem que eu tivesse a MÍNINA noção prévia) bateu exatamente com minha personalidade e com a resposta que ele me deu, que (não bastasse isso) tinha tudo a ver com o tema da minha própria palestra!

      Foi aí que eu fiquei bolado pelo resto do dia, meio aéreo, pensando nas "sincronicidades" e no fato de eu estar ali, com uma palestra que me foi "encomendada" e cujo tema ecoava algo que eu precisava vivenciar. Confesso que não vivenciei por inteiro, mas as sementes foram plantadas e o olhar ficou um pouco mais alargado no espectro com tudo o que pude experienciar nessa viagem. Fica aqui meu mais sincero agradecimento a todos os que participaram no plano material e espiritual para que este Simpósio fosse um sucesso, e que eu definitivamente não merecia tantos mimos. Me senti muito querido e acolhido (meu guarda-costas era o Super-Homem, pra vocês terem uma idéia) e conheci muita gente boa (inclusive o Quentin Tarantino e nada mais nada menos que DEUS, o próprio, que em sua forma humana resolveu, com sua imensa simpatia e bom-humor, prestigiar o Simpósio acompanhado do seu Filho - sim, Ele mesmo!).


      Eu ao centro da Trindade: Tarantino, Del Debbio e DEUS (em trajes civis)


      Fotos: Túlio Vidal




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      Holismo - publicado às 9:53 PM 251 comentários